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753 m
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1,9
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7,62 km

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próximo a Covelo de Paivô, Aveiro (Portugal)

Estacionar o carro no largo da igreja mas sem estorvar ninguém, que "aquilo não é tudo nosso". Não são nossas também a uvas no início do caminho, mas ninguém se importa que eu leve um cacho (acho eu). Levar água com fartura ou então um filtro, ou pastilhas de iodo. A subida é ingreme. Aos 200 metros mais ou menos, ao atravessar a ponte sobre o ribeiro, olhar para a esquerda. É nessa poça de água cristalina que se pode tomar uma banhoca na volta, se não estiverem lá os lavradores e se houver coragem para entrar na água bem fresquinha. Seguir caminho pelas marcações. É sempre a subir. De vez em quando, no chão, cristais de quartzo, alguns prismas hexagonais quase perfeitos. O caminho rapidamente se transforma num single trek milenar, com lages tão grandes que só quem comia a sopa toda as poderia ali ter colocado. Bravos homens os que fizeram aquilo. Subir. Do lado esquerdo o monte inclinado, do lado direito, o abismo e a paisagem avassaladora. Subir sempre. De vez em quando uns fiozitos de água cristalina, mas é melhor filtrar se for para beber. Ao chegar a uma pequena ponte (que mais não é que uma grande pedra que para ali está há umas boas centenas de anos) já se aproxima Regoufe.
Atravessar Regoufe, passar a ponte e subir os calhaus, que são o caminho possível. Passar pelos castanheiros que viveram mais que Matusalém. Continuar até ao cabeço. Ufa. Já se comia qualquer coisita. Depois do farnel é sempre a descer até Drave. O caminho é escorregadio em alguns pontos (que o digam os meus glúteos amassados). Chegar a Drave, pela primeira vez, é como passar no portal do tempo, para o passado. Só que está ali à frente. Montar tenda debaixo duma ramada, que já não é podada há muito tempo mas ainda dá boa uva americana. Casa e caminha a postos, vamos ao jantarinho. Uva americana de sobremesa :-). O ribeiro de Palhais está a 3 metros da tenda, a cascata está a 5. Cai muita água e faz muito barulho. Adormeço com estas cantorias do regato.
No dia seguinte subida ao monte virado a nascente para ter rede para um telefonema a sossegar o pessoal em casa. C'um caraças, que esta subida ainda é mais íngreme. Em ziz zag, parecem as escadas do panda Kungfu. Drave está na cota dos 600 metros. Eu já devo estar aos 800 e muitos e ainda nada de rede. Vejo uma cascata que deve ser espectacular. Cai muita água do alto dela. Aos 900 metros e picos lá consigo mandar beijocas para casa. Descer, e já cá em baixo fazer o caminho ao longo da ribeira de palhais. Muitas cascatas. Pequenitas mas com umas poças de agua fantásticas. Deixa só vir o verão que já vos digo como é que é. Ao acabar o caminho atravesar o ribeirito para o lado de lá e voltar para a aldeia. A certa altura um medronho. Com frutos maduros. Era o que eu comia em puto. Souberam-me ao mesmo. Mais umas voltas, e banhoca na ribeira. Caraças que era fresquinha. É para curar as carnes. Jantar e cama.
Manhã seguinte, viagem de volta. Como choveu a noite toda e amanheceu com o sol e céu aberto, o caminho de volta pareceu ainda mais esmagador. Profundidade de campo. No final, na tal poça, mais um baptismo refrescante.
Há quem diga que ainda houve tempo para parar em Arouca e devorar uma vitelinha assada, mas não há provas que o confirmem.

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