Dificuldade técnica   Só para experientes

Horas  3 dias 9 horas 13 minutos

Coordenadas 8400

Uploaded 14 de Setembro de 2017

Recorded Setembro 2017

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1.676 m
645 m
0
93
186
372,41 km

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próximo a Cardeal Mota, Minas Gerais (Brazil)

Para realizar essa travessia no parque é preciso solicitar autorização no site: http://www.ecobooking.com.br/site3/index.php. Há todo o descritivo do percurso. A entrada, estadia e áreas de camping são de graça.
Essa opção de caminhada existe há um ano e meio. Foi oficializada há dois meses pelo parque.
Pegamos um ônibus semi-leito, das 22:30 no dia 6/9, do RJ para Belo Horizonte da Viação Cometa por R$ 150,00. No site diz que chega às 5 h mas o próprio motorista afirma que sem atrasos seria às 5:30. Nos encontramos com Sinézio e Valdir às 5:50. Eles chegaram na véspera e pernoitaram num hotel ao lado da rodoviária. A diária foi de R$ 90,00. Valdir comprou as passagens para Conceição do Mato Dentro da viação Serro no ônibus das 6 h. O valor foi R$ 30,00.
Saltamos na estrada no ponto de ônibus logo após a estátua do Juquinha. Berardi aproveitou para arrumar a mochila. Daí até a porteira são 1 Km. Em vez de passarmos na portaria seguimos direto para a trilha. A trilha colocada no GPS está disponível para download no site do parque. Alguns pontos de água mapeado nela são temporários.
Não havia sombra e nem água fresca no primeiro dia. Foram 18,2 km percorridos de trilha mais 1 km do ponto de ônibus até a porteira.
Subida total: 767 m
Descida total: 789 m
Elevação máxima: 1500 m
Elevação mínima: 1059 m
Tempo transcorrido: 9 h
O local de acampamento denominado Casa de Tábuas é uma antiga construção feita em madeira e que servia de rancho de apoio aos moradores e caçadores das localidades vizinhas que cruzavam os caminhos existentes no alto da serra. Há água e fogão a lenha.
No segundo dia é o trecho com carência de sinalização. Eles utilizam estacas com pontas amarelas para indicar a trilha. Há caminhos de cavalo que levam a Serra do Boi (outro núcleo do parque). Em alguns trechos houve retificações na trilha. Portanto o download está desatualizado.
Distância: 11,8 Km
Subida total: 402 m
Descida total: 364 m
Elevação máxima: 1677 m
Elevação mínima: 1374 m
Tempo transcorrido: 6 h e 50 min
No terceiro dia pegamos as dicas com o chefe do brigadistas: Wilson e partimos para a Cachoeira da Braúna. O maior poço do Parque. O trajeto é bem curto porém para descer até a Brauninha inventamos uma descida. Em um trecho íngreme, com pedras soltas, fomos varando mato. Para a queda principal a trilha é bem marcada. Porém escorregadia e com pedras soltas. Sai praticamente dentro da Cachoeira.
Tentamos retornar pela trilha do Travessão x Braúna mas quando perdeu a definição preferimos voltar por onde viemos a arriscar algo incerto.
Distância: 14 Km
Foi quando o inusitado ocorreu Berardi cismou de ir por outro caminho. Quando chegamos ao acampamento ainda não havia retornado. No dia seguinte passei a manhã inteira caminhando com Bugarin pelo chapadão ao lado direito do Rio Mascates a procura-lo. Segue um trecho do texto do Sinézio narrando para o boletim do clube.

“Saíram a Cláudia Bessa, Valdir Silveira, o Bugarim e a Miriam Gerber a procurá-lo com ajuda dos brigadistas, e nada. Veio a noite e com ela o frio, o nevoeiro e uma garoa fininha. Os brigadistas procuraram até altas horas da noite, sem sucesso. Por fim entraram em contato com o chefe do parque que acionou o corpo de bombeiros e o único funcionário que conhece as trilhas do lugar.

10/09 - 4° DIA - CASA DOS CURRAIS / SERRA DOS ALVES / BELO HORIZONTE 
 
Amanheceu com forte nevoeiro. Valdir e eu continuamos a travessia para Serra dos Alves junto com o Waldecy, a Miriam Gerber e o restante do pessoal do CERJ. Eu ficaria na Serra dos Alves aguardando na Pousada Portal da Serra, pois a travessia era para terminar nesse dia. Havia passagem comprada e van alugada. A Cláudia e o Bugarin ficaram para procurá-lo junto com os brigadistas. Foram deixadas provisões e pilhas para os que ficaram. Quando o tempo melhorou, surgiu o helicóptero para as buscas. Já era perto do meio dia quando foram avisar que o Berardi apareceu. Ele contou que, após andar bastante tempo, decidiu retornar ao acampamento, pois já estava ficando tarde. Quando chegou ao rio, tomou banho, lanchou e partiu, deixando a mensagem “FUI” escrita em pedras. Mas, inadvertidamente, pegou uma trilha paralela a que tínhamos ido, da qual não se avista a Casa dos Currais, da qual ele passou sem perceber. Quando se deu conta de que pelo tempo já devia ter chegado, começou a subir para ver se avistava as luzes das lanternas na Casa dos Currais, mas sem sucesso. Como tinha lanterna, prosseguiu até bem tarde, até resolver encontrar um canto para dormir, para tentar no dia seguinte com claridade. Ele tinha agasalho, comida e remédios. Mas amanheceu nublado e a orientação estava difícil, até que ele encontrou uma trilha bem batida e começou a segui-la. Então, deu-se conta que estava na trilha de volta para a Casa de Tábuas, inverteu o sentido e retornou à Casa dos Currais. Em seguida, o helicóptero retornou dizendo que devido a um protocolo todos teriam que descer com eles até a sede de Jaboticatubas. Levaram-nos para um passeio panorâmico pelo parque. Havia duas médicas novinhas aguardando a ovelha desgarrada. Ainda assim, conseguiram pegar o ônibus para BH. Foi assim que O MITO transformou-se em A LENDA da Serra do Cipó.
Enquanto isso, seguíamos pelos campos altos até iniciar uma longa descida de 6km. Paramos para contemplar o Mirante do Cânion Boca da Serra e subimos um outeiro denominado Torre do Mirante do Cânion. Prosseguindo, fizemos um desvio de 500m para visitar a Cachoeira dos Cristais, onde os corajosos Miriam Gerber e Valdir Silveira tomaram banho. A caminhada segue descendo, passa pela Cachoeira da Luci, que não visitamos, até cruzar o rio Tanque, através de uma ponte pênsil, então se inicia uma longa subida para a Serra dos Alves, até chegarmos à Pousada Portal da Serra. Após o brinde de praxe regado a cerveja, todos almoçaram e o pessoal do CERJ acompanhados do Valdir Silveira embarcaram na van para BH. Eu permaneci na pousada aguardando notícias.
Lá pelas 15 horas eu recebi um telefonema do chefe do Parque informando que o Berardi havia sido resgatado pelos bombeiros e que estava bem, o que não era a verdade absoluta. Então paguei uma condução particular para BH, aonde ainda pude ver o pessoal rapidamente, embarcando para o Rio de Janeiro.
E assim terminaram as nossas aventuras e desventuras na Serra do Cipó, em que O MITO transformou-se em A LENDA. “

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