Dificuldade técnica   Moderado

Horas  4 horas 28 minutos

Coordenadas 900

Uploaded 16 de Março de 2016

Recorded Agosto 2015

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794 m
246 m
0
2,4
4,8
9,55 km

Visualizado 272 vezes, baixado 5 vezes

próximo a Sistelo, Viana do Castelo (Portugal)

Deixamos Sistelo com as suas varandas ornadas de flores que se oferecem aos beijos do sol matinal. E embrenhamo-nos no caminho que se escondeu por baixo das ramadas e que murmura histórias de tempos idos aos caminhantes que o querem ouvir. Vemos já na distância os socalcos uns nos outros empoleirados, numa harmonia que só aos deuses pertence, espreguiçarem-se sobre o caminho. Este carreiro segue entre muros que não se lembram já das mãos que lhe empoleiraram as pedras, percorrido por água que o torna quase um ribeiro, escorregadio mas fresco e belo. No lugar de Padrão não há horas, nem tempo; a vida corre ao sabor dos olhos que lembram o passado e reflectem a saudade de quem aqui não está.
Até à Branda do Alhal as curvas desafiam-se numa subida sob a inclemente luz do sol e nos sulco do empedrado gemem ainda as rodas dos carros de bois que há tempos os não visitam…
Surge por fim um planalto onde os campos e pastos se dispõem de tal maneira que geometria é apenas um conceito abstracto! Como se tivessem sido semeados dos céus estão limitados por pedras e árvores, e cancelas nascidas de fecunda imaginação fecham-nos nos seus espaços. É a Branda do Alhal, que logo deixamos serpenteando com o caminho pela cumeeira da serra. Depois de um refúgio de frescura num bosque que esconde o caminho iniciamos a descida. A carcaça de um bovino fala-nos da lei do mais forte, da solidão e da luta pela sobrevivência. E de lobos. O trilho corre agora monte abaixo, a encosta à nossa esquerda despenhando-se no Rio do Outeiro lá no fundo enquanto que na encosta oposta um fio de água se lança pela ravina para se deixar de seguida flutuar docemente em pequenas lagoas.
É o Minho em toda a sua imponência, a agrura da pedra e a suavidade dos pastos, a crueza do sol e a doçura das águas, o verde das montanhas e o azul do céu.É o canto do silêncio e o silêncio dos chilreios. É a voz das gentes e a alma da serra. Sentimo-los neste caminho que nos leva de volta a Sistelo, nesta cascata de socalcos que parece deslizar para o fundo da terra, sem nunca sair do lugar.

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