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Distância

16,56 km

Desnível positivo

908 m

Dificuldade técnica

Moderada

Desnível negativo

560 m

Elevação máx

849 m

Trailrank

57

Elevação min

303 m

Tipo de trilha

Mão Única

Hora

9 horas 27 minutos

Coordenadas

3080

Enviada em

23 de janeiro de 2020

Registrada em

outubro 2019
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849 m
303 m
16,56 km

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perto de Soajo, Viana do Castelo (Portugal)

nota prévia: o texto incorpora imagem e links só visíveis em browser e não na app wikiloc

Etapa 04 - 16.6 Km - Soajo > Sra. da Peneda / Casa Penedino

Foi um prazer o pequeno almoço (incluído no preço que pagamos pela estadia) na Padaria do Soajo. Deixamos a Casa do Adro e passamos logo ali ao lado à padaria, às sete da manhã, um pouco antes do combinado. Mas estava tudo à nossa espera: yogurte grego, compotas caseiras, manteiga, pão, o famoso pão-de-ló e os abatanados - dois para cada um, o café era muito bom e o dia adivinhava-se bonito, queríamos estar bem acordados.
Precaução imprescindível nossa, nunca vamos para o trilho, seja na montanha seja nestas zonas mais perto da civilização, sem víveres na mochila. Duas muito bem servidas sandes de presunto, 4.00 euros.

O dia está bom para a fotografia, luz suave, névoas a erguer-se dos vales, boa temperatura, o céu já se vislumbra, um azul cândido aqui e ali. Fotografamos o pelourinho, único em Portugal, e em nada deixamos para trás o casario, estamos agora a calcorrear a calçada (tanto quanto apurei medieval, mas com uma técnica de construção e largura que até parece romana) que continua exactamente na orientação da que no dia anterior apanhamos a subir ao Soajo, da Ponte Velha de Ermelo. É uma calçada que ligava o Soajo ao Castro Laboreiro, e que vamos acompanhar nos próximos dois dias; aqui integra o PR-2 AVV Trilho dos Romeiros da Senhora da Peneda.

A progressão é lenta: atrás de nós a paisagem é de cortar a respiração, há que parar, contemplar e fotografar. Estamos no Parque Nacional, o Soajo é a sua porta. O Soajo é pátria de muita história, terra marcada por velhos costumes e cultura até muito tarde, graças ao seu isolamento em tempos idos. Dizem Raul Proença e Santanna Dionísio, no Guia de Portugal:
"Perante a beleza austera das serranias, nesta extensa plataforma de exposição soalheira, e onde a fraca inclinação do terreno não permite que a erosão vá removendo o solo arável, o homem criou um pequeno mundo, cheio de pitoresco, perdido, antes do traçado das modernas vias de comunicação, no interior de um dos trechos mais acidentados do país."



Os garranos voltaram a aparecer, brinquei com eles, são desconfiados, mas acabam por se aproximar e vir cheirar a mão. Lá em cima, na intersecção PR2 / PR7, fizemos uma pausa e mingamos o vestuário: estava já sol franco.

Segue-se agora um caminho largo, mais nivelado, ora atapetado de verde ora mostrando restos de calçada, até à branda da Bordença.
As brandas são núcleos habitacionais temporários de verão, parte de um processo de transumância em que as gentes a partir de Março ou Abril migram com os seus animais, das suas habitações de inverno (inverneiras) para as zonas mais altas da serra, onde abunda o pasto.
Atravessamos uma velha ponte rústica sobre um braço do rio Adrão e seguimos, estamos agora a passar pela capela da Senhora da Paz, seguida logo adiante pelo Alto de Moela (657 metros) e descemos depois para Adrão. A povoação está descaracterizada, sem piada alguma. Mas oferece dois pequenos postais: à entrada, com um belo espigueiro, e à saída, um recanto bucólico, que embora hoje muito estragado, em tempos idos faria as delícias de Jan Brueghel o Velho: Uma ponte, um velho tanque de um lado, e do outro uma azenha e, mais acima, na outra margem, um grupo de espigueiros, possívelmente parte de uma eira comunitária. Pelo meio serpenteia o rio, descendo aos saltos de pedra em pedra.

Continuamos a subida até atingir o asfalto. Do outro lado retoma-se a calçada. Quem está habituado à montanha sabe que a água é oportunista. Escolhe sempre o caminho mais fácil, e o que o homem fez para lhe facilitar a vida a ele, também facilita a vida da água: temos que disputar o caminho com uma torrente que tropeça por ali abaixo, algo que vai acontecer repetidamente nesta viagem, que venham preparados os caminheiros de Outubro a Abril...
Já a chegar de novo ao asfalto, uma clareira. O local ideal para a merenda.
Desta vez o café foi solúvel e em água fria. Retomamos o asfalto por um pouco, maravilhados com as vistas para SW, amplo panorama com o rio Lima lá em baixo. Saímos à esquerda a trepar bem, na companhia murmurejante de mais alguma água, até que lá em cima, na curva do monte, junto de uma cruz de granito e uma alminha dedicada a Nossa Senhora, tivemos a visão: lá longe, abrigada entre o relevo vigoroso da Peneda, brilhava, sob a luz intensa do sol atrás de nós, uma pontinho branco: a Senhora da Peneda.
Estamos no Alto de Adrão, a 844 metros de altitude. A etapa de hoje é um bom carrocel, vamos agora descer aos 455 metros no Rio da Veiga, para voltar a subir aos quase 700 metros de altitude no santuário.

Descemos agora um trilho escalavrado até chegar junto do asfalto, para cruzar e seguir do outro lado por um quelho manhoso junto do muro de uma propriedade rural. Enfrentamos uma manada de amarelos de longos chifres para então retomar a calçada medieval, aqui toda desagregada e de novo a servir de leito de ribeira durante umas centenas de metros.
A descida continua até Tibo; atravessamos a civilização e voltamos à calçada, num ponto onde a população despeja todo o seu lixo, que tivemos de atravessar se queremos chegar a Muxia. Falta de brio.
A chuva volta. Há que vestir as protecções em nós e nas mochilas e câmaras. Quando atravessamos o Baleiral, o sol rompe por entre núvens brindando-nos com uma luz divina.

Alternando entre troços de calçada e de asfalto, vamos passar a uma curiosa azenha construída tirando proveito de uma bloco errático... e, pouco depois, inesperadamente, tão distraídos íamos com as belezas do caminho, estamos na base do escadório do Santuário.
Quando fazíamos tenção de o subir, aparece o senhor Bernardino, o proprietário da casa onde vamos dormir. Tem uma loja de venda de produtos regionais ali mesmo e esperava-nos, sabendo pelos contactos que havíamos feito que deveríamos estar ali a "rebentar". Apresentações, um pouco de conversa, e recusamos a sua oferta para de imediato nos levar à casa: é que somos peregrinos, tínhamos que completar a etapa (e o registo gps) na Igreja do Santuário!

Assim fizemos. E aí sim, descemos à Casa Penedino. Ele deve ter acesso à rede de satélites espiões do FBI, porque chegou ao mesmo tempo que nós. Instalamo-nos e subimos tudo de novo para ir visitar a igreja.
É mais um Santuário Mariano nesta nossa Via. Redigi uma pequena nota sobre este local de devoção:

É um lugar recôndito e de uma beleza única e um dos mais importantes e concorridos santuários do Norte de Portugal, ponto de afluxo de muitos milhares de romeiros de sul e de norte, mesmo da Galiza, ainda em meados do séc. XX. Encaixado numa estreita garganta da magnífica serra, é dominado, lá por detrás, pelo o imenso Penedo das Meadinhas, com as suas paredes de 300 metros de altura. Dos flancos deste gigante desce uma cascata, nos meses de maior pluviosidade.

Diz a lenda que por volta de 716 ou 717, perante a invasão dos Sarracenos, os Cristãos teriam escondido uma imagem da senhora por entre as fragas da serra. Depois da Reconquista e com o Portugal já nascido, em 5 de Agosto de 1220, teria Nossa Senhora das Neves aparecido neste local a uma pastora.
A Virgem apareceu sob a forma de uma pomba branca, e disse à menina que ali deveria ser erigido um Santuário em sua honra. Nas aparições seguintes (que envolveram um milagre) já apareceu com a forma hoje representada no altar mor.
Depois da aparição o culto intensificou-se sempre. Acresce o facto de, mais tarde, por aqui passarem habitualmente os monges Beneditinos, entre os Mosteiros de Ermelo e Fiães. Sendo um ponto abrigado, é na sequência das aparições, é provável que já ali existisse um local de culto e de abrigo, quando no séc. XIII foram construídos dormitórios para os peregrinos (hoje hotel) e o santuário com o seu belo escadório e as vinte capelas representando cenas da vida de Cristo. Lá em cima, no último patamar, S. Miguel Arcanjo domina todo este cenário, que ficou concluído em 1875.


Depois do banho e uma pequena pausa, fomos ter com o senhor Benardino à sua loja, para ele nos levar à casa do Sr Adriano e da Sra Maria, onde ele nos tinha agendado o jantar para as 18:30.
Posta com arroz de feijão. Presunto caseiro de entrada... e para rematar, a sobremesa consistiu num excelente queijo da região, com mel de urze de uma colmeia que por certo ostenta 5 estrelas Michelin. Havemos de voltar, que há chouriço e salpicão da casa para provar. Foi um serão agradável, o sr. Adriano fez-nos companhia durante toda a refeição, contando-nos as suas aventuras nos quatro cantos do mundo, durante os muitos anos em que andou emigrado. O custo do jantar, incluindo muito presunto que viajou connosco duas etapas, foi de 40 euros os dois.

Metemos as headlamps na cabeça e emprendemos a subida de 2 km pela escura estrada, até casa. Dormimos bem entre as sólidas paredes de granito, não faltou a lenha para ir alimentando a salamandra. Ao pequeno almoço nada faltou, gentileza do nosso anfitrião que tinha deixado a cozinha bem recheada. A dormida são 50 euros, não é barato para peregrinos. Mas foi uma boa estadia, fizemos um amigo, fomos super bem tratados e... acho que ele está a pensar criar uma área de camarata, alegrem-se peregrinos!

Contacto: 934690775


Links para as restantes etapas:

VM00 - 08.2 Km Sameiro - Braga Albergue Casa da Roda (+ texto introdutório)
VM01 - 21.1 Km Braga - S. Pedro de Goães Albergue (+ links úteis)
VM02 - 31.6 Km S. Pedro de Goães - Ponte da Barca Pensão Gomes (+ notas sobre esta série de trilhos)
VM03 - 23.4 Km Ponte da Barca - Soajo
VM04 - 16.6 Km Soajo - Sra. da Peneda Casa Penedino
VM05 - 26.0 Km Sra. da Peneda - Melgaço D. Isabel
VM06 - 17.3 Km Melgaço - Santiago de Parada de Achas Albergue (O Feirón)
VM07 - 21.5 Km Santiago de Parada de Achas - Santiago de Covelo Casa Costa
VM08 - 24.7 Km Covelo - Estacas Casa Rural D'Agosto
VM09 - 25.7 Km Estacas - Cotobade Casa Rural O Bergando
VM10 - 19.6 Km Cotobade - Campo Lameiro Vivenda Turística Eladio
VM11 - 22.2 Km Campo Lameiro - Cuntis Pensión A Fontiña
VM12 - 22.2 Km Cuntis - Padrón Pensión Flavia
VM13 - 14.5 Km Padrón - Osebe Casa Carolina
VM14 - 14.7 Km Osebe - Santiago de Compostela Hostal La Salle
VM15 - 22.1 Km Santiago de Compostela - Negreira Albergue Alecrín
VM16 - 32.0 Km Negreira - Brandoñas Campamento Turístico Brandoñas
VM17 - 16.9 Km Brandoñas - Berdoias Albergue Via Mariana
VM18 - 19.0 Km Berdoias - Muxía Albergue Bela Muxia
VM global - 389 Km Sameiro - Muxía


Mapa Global da Via Mariana

Ruínas

A calçada à chegada à Peneda

Ponto de informação

Adrão / Poste indicador GR50

Local religioso

Alminha Sra de Fátima

Local religioso

Alminha

Pico

Alto da Moela

Pico

Alto de Adrão - Vista da Sra. da Peneda

Ruínas

Branda da Bordença

Ruínas

Calçada na Branda do Murço

Ruínas

Calçada: fotos

Local religioso

Capela da Senhora da Paz

Local religioso

Capela do Espírito Santo

Refúgio de montanha

Casa do Adro

Refúgio de montanha

Casa Penedino

Local religioso

Cruzeiro e alminha N. Sra. Fátima

Interseção

Intersecção PR2 PR7 AVV

Waypoint

Lugar do Beleiral

Monumento

Moinhos com telhado em laje de granito

Provisionamento

Padaria do Soajo

Panorama

Paisagem, água e cogumelos

Ponte

Ponte medieval

Ponte

Ponte rural

Ponte

Ponte sobre rio da Veiga

Ponte

Ponte, azenha, tanque e espigueiros

Ponto de informação

Poste indicador GR50

Ponto de informação

Poste indicador GR50 e Miradouro de Tibo

Ponto de informação

Poste indicador GR50

Ponto de informação

Poste indicador GR50

Ponto de informação

Poste indicador GR50

Ponto de informação

Poste indicador GR50

Ponto de informação

Poste indicador GR50

Ponto de informação

Poste indicador PR2 PR3 PR8 GR50 AVV

Ponto de informação

Poste indicador PR2, PR3 PR8

Ponto de informação

Postes indicadores GR50 e PR2 e PR8 AVV

Local religioso

Santuario de Nossa Senhora Da Peneda

Santuario de Nossa Senhora Da Peneda Gavieira, Viana Do Castelo, PRT
Provisionamento

Senhor Adriano

Panorama

Soajo: fotos

Ponto de informação

Tibo e Poste indicador GR50

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