Tempo em movimento  3 horas 21 minutos

Horas  3 horas 42 minutos

Coordenadas 2541

Uploaded 25 de Novembro de 2018

Recorded Agosto 2018

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609 m
197 m
0
3,6
7,3
14,54 km

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próximo a Catraia, Leiria (Portugal)

Atenção!... Se alguém pretender seguir este trilho peço que repare em dois pormenores:
1) voltei 3 ou 4 vezes atrás porque, onde outrora existiam carreiros de pastorícia, a natureza reivindicou o espaço e as silvas e mato denso não permitem a passagem :
2) existe uma zona de lapiás bastante perigosa, ainda que excepcionalmente bonita, que terá que ser feita com muito cuidado e procurando o caminho com muita atenção. É uma zona muito perigosa.

E pronto, dados os conselhos vamos lá à descrição desta maravilhosa manhã.

Seriam já 10 e picos quando o apelo da serra venceu a inatividade física a que me tinha votado nesta manhã. Teria assim 2 horas e tal se não quisesse atrasar-me para o almoço. Decidi, por isso, percorrer velhos caminhos já meus conhecidos.
Deixei o carro junto da escola primária da Corredoura e saí Serra acima em direcção ao parque de merendas na "curva da linha" parando de quando em vez para apreciar a paisagem que por trás se desenrola. Sigo o caminho dos moinhos e os meus olhos bebem a beleza dos coutos de Alcobaça que se estendem até à mar. Bela paisagem esta!
Uma cruz no caminho, feita com dois paus, leva-me a pensar que alguém aqui para cima tem medo das bruxas, no entanto, outras mais que fui encontrando esclarecem-me: alguém fez aqui o caminho do calvário. Curioso fiquei de saber onde seria o alto do gólgota.
Chego ao primeiro moinho. Vi-o ainda trabalhar deve haver uns vinte e cinco anos. O ancião moleiro, António Franco de seu nome, explicou e demonstrou então como tudo funcionava e para que servia cada artefacto. Lições de vida que não se vão repetir. Bem, o moleiro já morreu faz tempo. Que o Senhor o tenha em paz porque a sua alma decerto era tão alba quanto a farinha que produzia.
O segundo moinho jaz em ruínas. Pouco importa a quem pode, se faz ou não parte da cultura de um povo que para tantos moinhos produziu as mós. Fiquei agora na mó de baixo. Abano a cabeça para afugentar os pensamentos e entro um pouco à direita para, pela décima centésima vez olhar para o poço do teto abatido que de um fez dois túneis. Alguém se terá finado ou magoado?... Uma coisa é certa: o governo de então não foi acusado de respondabilidades no caso nem, decerto, foi pedido que o ministro se demitisse. Os tempos eram outros...
Mais acima Um moinho "recuperado" tem janelas com vidros e porta com fechadura "tipo Yale". Tem camas, mesas, cadeiras, loiças e outros artefactos. Mas o capelo deu lugar a um telhado fixo, o pião desapareceu e sem ele não há varas nem vergas nem velas brancas nem búzios. Lá dentro também não haverá sarilho nem cabresto nem poiso nem andadeira nem moega, canoura ou tremonha... nem o resto que já não recordo, mas há quem diga que foi recuperado... Quem tem coragem de chamar a isto um moinho?... Quem se lembra que o PNSAC é uma AP (Área Protegida)?... Quem se esqueceu da boa intenção de "qualificar o património construído"?... Mas que raio, então eu vim ou não para descontrair?... Sigamos qu'ind'agora comecei.
Passei outras ruínas do passado moageiro desta terra e, à frente, deparo-me com mais uma "casinha". Se ninguém põe mão nisto hão de nascer como cogumelos. Lá estou eu a divagar... Siga a banda...
Caminho agora em pleno sulco feito pelas bikes do BTT em down hill. Sim, isto também faz parte de uma "área protegida". Não devia?... Pois, mas faz, é tudo legal e com direito a cabaninha no inicio. Vá lá, Joaquim... Deixa isso para trás.
Assim foi. Deixei! Concentro-me agora num percurso sempre novo para mim. É um lapiás magnifico este da vertente oeste, junto à "antena da RTP". Existe aqui um anfiteatro onde me dedico à meditação. Pois é, fortalecimento espiritual, o que é que querem?...
Hoje passo um pouco acima. Talvez para me defender dos "maus pensamentos" que me assaltaram lá atrás. Vou ilustrando o que posso através da câmara do telemóvel. Perco-me em contemplação... E perco-me na hora. Já não vou conseguir percorrer a distância que queria. Saltito de pedra em pedra, entro no mato quase até ao pescoço, venço terreno e saio em direção ao ponto de observação e prevenção de incêndios. Antes de lá chegar encontro resposta para uma pergunta que me fiz quando encontrei a primeira cruz. É isso... Eis o golgota!... O Calvário! 3 cruzes alinhadas. No cimo de uma estranha e desativada pedreira que agora tem inquilinos que habitam o fundo.
Ala que se faz tarde e os cães que por ali estão não gostam de mirones.
Caminho agora por um lapiás muito diferente do anterior. Este desenvolve-se em sulcos ou regueiras, o anterior em fendas ou ranhuras.
Bem, neste ponto pensei que era hora de regressar. Olho pró relógio e.. Oh raio, lá se vai a hora de almoço,
Corto no primeiro carreirinho que me leva para leste. Ainda que os conheça já, para mim são sempre novos. Tão novos que dei por mim bloqueado. Volto atrás. Entro noutro carreiro. Este não o conhecia. Resultado: volto atrás de novo. Esta cena ainda se repetiu uma vez mais. Finalmente lá fui até à Ecopista. Fui ilustrando a minha passagem para que saibam que, mesmo tendo caminhado por aqui quando isto era ainda umas ruínas de um arruinado caminho de ferro, gosto de por aqui andar, gosto da paisagem e adoro caminhar por esta esteira durante a noite. Pena é que dos cerca de 4 mil leds só existam no chão algumas poucas centenas. Os outros foram roubados ou vandalizados.
Cheguei ao túnel de que havia 2 ou 3 horas antes tinha apreciado o buraco, o tal que o dividiu em dois. Este túnel foi aberto à picareta pois dos dois martelos pneumáticos que por ali existiram, dois estavam avariados em simultâneo, pelo que restavam... as picaretas.
Desci a serra mais ou menos por onde subi, entrei no carro e fui à procura do almoço duas horas depois do previsto.

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