-
-
1.060 m
389 m
0
4,2
8,4
16,85 km

Visualizado 3816 vezes, baixado 82 vezes

próximo a Covas do Rio, Viseu (Portugal)

Diário de Percurso: Trilho onde o Morto matou o vivo - Covas do Rio - Aldeia da Pena - S. Macário
Iniciamos o percurso não sinalizado na aldeia de Covas do Rio, preparamos as mochilas para a iniciar a caminhada, aparece um senhor a desejar-nos um bom dia e uma boa caminhada, e conversamos um pouco com o Srº Alfredo que apontava e dizia o nome do belo vale que encaixado na Serra São Macário, com o nome de “ a Águia” que realmente parece as asas de uma águia.
O Srº Alfredo convida-nos para um reforço na sua casa antes de iniciarmos o percurso, passado o breve convívio, posemos em marcha pelo caminho tradicional que dão acessos aos campos de cultivo em direcção á muralha natural que tapa a vista de tão belo.
Trilhamos uns 2Km e entramos pelo Caminho “Onde o Morto Matou o Vivo” entre a Aldeia de Covas do Rio e Aldeia da Pena, trilho com uma subida acentuada entre afloramentos rochosos e pelo leito da Ribeira da Pena, mais ao cimo avistamos a deslumbrante queda de água que nos paralisa o olhar e o folgo que já era tão constante pelo esforço da subida, efectua-mos uma pausa para reabastecer os cantis de água e as forças para continuar a íngreme subida até á Aldeia da Pena, mas uns metros á frente as Muralhas da serra abrem-se e ao fundo a Aldeia da Pena, posta num fundo da Serra envolvente pelos campos de cultivo e de Bois a pastar, caminhamos pelo campos em direcção a essa aldeia que ela toda natural como as serras que a protege, abrimos um portão para entrar pelos caminhos de pedra polida e marcada pelo tempo que passavam as carroças e pelos habitantes.
Tudo nesta aldeia e puro de beleza e um silêncio quebrado pelo gado e pelos animais que vivem na floresta envolvente, deixamos a aldeia para trás e continuamos o nosso trilho agora pela estrada até ao alto S. Macário onde fizemos uma pausa para almoço e esticar as pernas e preparar o almoço.
Almoço já no estômago e o café quentinho tomado que soube-nos muito bem dado ao frio e ao vento constante no topo da serra retoma-mos o percurso, próxima paragem o Alto de S. Macário (1060 metros). Chegada a ermida do Santo Macário onde se encontra a sua lenda.
“reza a história que no lugar onde se encontra edificada a ermida, quase no topo da serra, existia a capela de S. Macário e mais junto ao povoado a de Santa Maria Madalena (Casal da Madalena). Devido a incêndios em ambas as capelas que se encontravam em ruínas, decidiu o povo edificar uma só capela, mais junto ao povoado (Cabeçada – C. Madalena), no sopé da serra, reunindo ambos os santos. As obras iniciaram-se, mas as ferramentas que serviam para o inicio da obra e que eram deixadas ao fim do dia junto à mesma, desapareciam todas as noites, sendo encontradas no dia seguinte no alto da serra, junto às ruínas da ermida de S. Macário. O facto repetiu-se por tantas vezes, que cansado e intrigado, o povo decidiu que a ermida fosse construída, bem lá no alto, no local onde, de manhã, se deparavam com as ferramentas. Reza ainda a lenda que, a razão de tal facto, é que S. Macário, não queria deixar de ver todos os dias pela manhã os outros seis irmãos (Nossa Senhora da Nazaré – Palhais; Santa Ana – Cumeada; Nossa Senhora dos Remédios – Sertã; Nossa Senhora da Confiança – Pedrógão Pequeno; Nossa Senhora da Graça – Graça e São Neutel – Figueiró dos Vinhos). Todas estas capelas foram construídas, segundo a lenda, em locais no cimo das serras ou montes elevados, de onde é possível os sete irmãos avistarem-se uns aos outros”.
O certo é que do cimo da Serra de São Macário, a cerca de 10 km de equidistância, se avistam as seis capelas. A capela que reuniu os dois santos, hoje em dia usada como bar, foi edificada por volta do ano 1581. Esta pequena capela, foi substituída por uma maior, edificada por volta do ano 1920 (capela actual).
Outra curiosidade aliada a esta capela e à romaria anual, é o facto de, existir um antigo caminho pedonal, que liga o local onde era para ser edificada a capela, junto ao povoado (Cabeçada) e o cimo do monte.
(Fonte do Wikipédia )
A lenda da Pena e do Santo Macário “em tempos idos existia uma aldeia no coração da Serra de S. Macário, no lugar a que chamam Cova da Serpe. O local, para além de albergar a aldeia, era também residência de uma enorme e malévola serpente-dragão. O animal, daninho como era, descia pela noite ao povoado e provocava verdadeiras razias em gentes e animais, deixando estéreis os campos por onde se arrastava”. E é aqui que as histórias se separam. A lenda da Pena contínua da seguinte forma: “a população, amedrontada e farta de perder assim o seu parco sustento resolveu abandonar a aldeia e mudar-se para um outro local. O sítio escolhido foi um vale vizinho, do outro lado da serra (onde hoje se encontra a aldeia), profundo e quase inacessível protegido por gigantescas fragas. Finalmente livres do assombro da serpente os habitantes respiraram de alívio. No entanto, nunca lograram esquecer totalmente a sua antiga aldeia, e por isso se lamentavam pelo seu abandono: que pena... que pena que foi - diziam! A verdade é que o desgosto e a pena foram de tal ordem que o nome acabou mesmo por ficar, e hoje não há nesta região quem não conheça a sorte das gentes da Pena”. A lenda de S. Macário, por seu lado, guarda um final diferente: “Um dia S. Macário matou o monstro e sossegou a população ficando a morar como eremita, primeiro na Cova da Serpa e depois na Capelinha que lhe construíram os aldeões no alto do Monte. E assim, em homenagem ao Santo e à sua boa ação, a capelinha e o monte onde foi construída receberam o seu nome” «O caminho onde o morto matou o vivo». Lenda ou tragédia? Noutros tempos, muito antes do conjunto de casas ter ficado reduzido aos oito habitantes, que atualmente lhe sobreviveram, a aldeia da Pena não tinha cemitério. Quem morresse tinha que empreender uma última viagem até Covas do Rio pelos desequilíbrios do carreiro que segue ao lado da linha de água. Numa dessas vezes, reza a história, o caixão atraído pela vertigem soltou-se com um dos seus carregadores atrás. E a jornada, que começara com um morto, terminou com dois. O caminho acabou batizado pelo trágico incidente. (fonte dos Caminhantes)
Do Alto da Serra começamos em descida até ao Ponto Inicial Aldeia de Covas do Rio, ao chegar ao ponto inicial descansamos um pouco e convivemos com as pessoas naturais da aldeia que contam estas lendas.

Equipamento GPS : Garmin eTrex20
Com: Álvaro Rego/Fábio Pinto/ David Araújo Gomes
Aventuras&Trilhos

1 comment

You can or this trail