Hora  uma hora 41 minutos

Coordenadas 1903

Enviada em 20 de Fevereiro de 2021

Registrada em Fevereiro 2021

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Visualizado 231 vezes, baixado 8 vezes

perto de Aguiar de Sousa, Porto (Portugal)

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PARQUE DAS SERRAS DO PORTO

O Parque das Serras do Porto, com perto de 6.000 hectares, é composto por seis serras: Santa Justa, Pias, Castiçal, Santa Iria, Flores e Banjas, abrangendo território dos municípios de Gondomar, Paredes e Valongo. Esta área, classificada desde 2017, como Paisagem Protegida Regional, integra o Sítio Rede Natura “Valongo” e o Parque Paleozóico de Valongo. Aqui, os visitantes podem desfrutar da imensa beleza cultural e paisagística de serras, vales e rios, salientando-se a singularidade geológica, que nos leva a uma interessante viagem pela Era Paleozoica.

Os vales dos rios Ferreira e Sousa convidam a um certo isolamento em estreito contacto com a natureza, enquanto o efeito miradouro das linhas de cumeada proporciona uma excelente perspetiva do território envolvente. Atualmente, o Parque das Serras do Porto tem três centros de receção ao visitante com informação útil sobre o Parque (Visitar Página oficial).



TRILHOS DAS SERRAS DO PORTO

O Parque está, desde setembro de 2020, a criar uma Rede de Percursos Pedestres que irá ligar os vários trilhos e sinalizar o seu património biológico, geológico, arqueológico, imaterial e construído. São quase 260 km de trilhos para calcorrear por terras de Gondomar, Paredes e Valongo. A rede será composta por uma grande rota, que deverá totalizar 57km ao longo dos três concelhos, e 19 percursos distintos, com pequenas rotas em cada território que deverá estar finalizada na Primavera de 2021. O projeto prevê a instalação de mobiliário, sinalética e uma página web para ajudar quem fizer os percursos, fornecendo informação sobre o território e os pontos de interesse. Enquanto aguardamos a conclusão do projeto começamos a percorrer os trilhos previstos, naquilo que podemos chamar de uma versão de reconhecimento, para inspirar a tua próxima aventura pelo Parque das Serras do Porto…


DESCRIÇÃO DO TRILHO REALIZADO
PR - TRILHO DOS MOINHOS


O trilho percorre um conjunto de moinhos hídricos das margens do Rio Sousa que mantêm a sua beleza de tempos passados a laborar dia e noite para dar alimento a povoações vizinhas. No lugar de Castelo fazendo um pequeno desvio pode-se visitar a Torre do Castelo, situada num local com condições naturais de defesa, na margem direita do Rio Sousa, e que assumiu interesse estratégico para as Terras do Vale do Sousa. O percurso proporciona contrastes de serra com os lameiros marginais ao rio e atravessa paisagens verdejantes de forte beleza natural. Aqui criam-se ambientes húmidos que propiciam o surgimento de plantas insectívoras, de uma variedade incrível de fetos, bem como de um exuberante tapete de musgos. Na proximidade das linhas de água encontram refúgio inúmeras espécies de grande relevância conservacionista, como galerias de amieiro, freixo e salgueiro, a que se juntam o carvalho alvarinho, o pilriteiro, o sanguinho e o loureiro. Aconselha-se o uso de GPS, os referidos trilhos estão em fase de implementação e não encontramos sinalética suficiente e inequívoca do trilho que seguíamos, podendo levar a erros de orientação no terreno.

Trata-se de um dos percursos mais curtos dos Trilhos das Serras do Porto, mas para aqueles que pretendam um percurso mais longo podem junta-lo ao Trilho de Alvre.

Iniciamos o trilho no Lugar do Salto, na freguesia de Aguiar de Sousa. Optamos por iniciar no amplo estacionamento adjacente à Senhora do Salto. No local não encontramos qualquer painel informativo ou sinalética do percurso. Na ausência de informação e de marcações no terreno realizamos o trilho no sentido contrário aos ponteiros do relógio, com o intuito de iniciar o trilho pela cota mais alta.

Seguimos rua acima para cortar logo de seguida, por caminho florestal, à nossa esquerda que nos encaminha ao encontro da estrada N319-2. Percorremos 400 metros da estrada alcatroada para virar à esquerda para o Miradouro do Salto. Encontramos junto ao miradouro um memorial em honra do Padre Joaquim Alves Correia (1886-1951). Magnifico miradouro com paisagens deslumbrantes sobre o mítico lugar do Salto e o “Canhão” da Senhora do Salto.



Agora começamos a descer o caminho florestal pela encosta da “Boca do Inferno” que nas suas rochas estão gravadas a história geológica. As rochas-magmáticas (granitos), sedimentares (conglomerados) e metamórficas (xistos e quartzitos) - contêm a história geológica da região que, antes da formação das várias serras que constituem o Pulmão Verde da Área Metropolitana do Porto, se encontrava submersa, como comprovam os fósseis das trilobites, animais marinhos que viveram entre os 542 e os 251 milhões de anos. A área foi posteriormente elevada, tendo sofrido dobras e deformações, o que originou o Anticlinal de Valongo, um dos geomonumentos mais importantes de Portugal.

Entramos numa área designada por “Refúgio de animais” vedada, mas com uma Cancela que permite a passagem aos pedestrianistas. À medida que descemos e entramos numa área arborizada, o amplo caminho, vai-se estreitando até intersetar o primeiro Moinho Hídrico, que acredito ter sido recuperado devido ao seu bom estado atual. Aqui faziam a moagem das farinhas desta região que que já vem da era Romana como consta a história. Junto ao moinho, o Rio Sousa corre desenfreado na sombra das imponentes escarpas esculpidas pela água. Na proximidade das linhas de água encontram refúgio inúmeras espécies de grande relevância conservacionista, como galerias de amieiro, freixo e salgueiro, a que se juntam o carvalho alvarinho, o pilriteiro, o sanguinho e o loureiro.



O trilho segue por amplo caminho florestal para o próximo Moinho. São dois, um deles em ruínas, o outro, mantém-se conservado, sem sinais evidentes de ter sido recuperado, mantendo a sua beleza de tempos passados a laborar dia e noite para dar alimento a povoações vizinhas. Uma vez mais apreciamos a beleza do Rio Sousa e do açude junto aos moinhos. Continuando, o percurso segue em direção ao lugar de Castelo, intersetamos novamente a estrada, EN 319-2, que seguimos por 100 metros, aqui fizemos um pequeno Desvio à esquerda seguindo a indicação da placa sinalizadora da Rota do Românico a indicar a Torre do Castelo.

Seguimos pela Travessa do Castelo, a subida é um pouco acentuada, mas o caminho em xisto está bem conservado. A Torre do Castelo de Aguiar de Sousa situa-se num local com condições naturais de defesa, na margem direita do Rio Sousa, e assume interesse estratégico para as Terras do Vale do Sousa. Edificado, provavelmente, no século X, altura em que as crónicas cristãs referem a tomada do castelo pelo Almançor quando das suas incursões para Santiago de Compostela. A partir do século XI torna-se cabeça de Terra de Aguiar dominada pelos Sousas ou Sousões, convertendo-se em 1258, no centro administrativo judicial do “Julgado de Aguiar de Sousa”, um dos mais poderosos da região de Entre-Douro-e-Minho, até ao século XIX.



Do Castelo ficaram visíveis restos de uma torre de planta quadrilátera, irregular, de construção em alvenaria de xisto e quartzito. Classificado como Monumento de Interesse Público e integrado na Rota do Românico, foi objeto de trabalhos de conservação e valorização. Os trabalhos arqueológicos revelaram a muralha primitiva com 150cm de largura e exumaram-se objetos que faziam parte da vida quotidiana dos homens do castelo, tais como, fragmentos de cerâmica de uso doméstico e uma ponta de seta das atividades bélicas ou de caça.

Quanto à intervenção de valorização, para além de melhorar os acessos, transformou a torre num varandim para a paisagem, a partir do qual o visitante, inserido num quadro onde a mãe natureza é pródiga, pode observar as escarpas quartzíticas das serras envolventes, escutar as quedas de água das levadas e presenciar o rio Sousa a confluir na direção do Douro. Neste local avistamos a Sul e à direita, as Serras de Castiçal, à esquerda, a das Flores.

Uma breve pausa para apreciar as magnificas panorâmicas das serras e do rio e regressamos à estrada (EN 319-2). Seguimos a estrada, atravessamos o Rio Sousa pela Ponte de Arco, percorremos mais 300 metros, e saímos à esquerda por amplo caminho florestal. O caminho atravessa nova zona florestal onde resistem pequenos bosquetes de carvalhos, espécie outrora dominante, mas que acabou por dar lugar a plantações de eucalipto e de pinheiro bravo. O caminho desemboca na Rua da Corga, no lugar de Senande, aqui rodamos a norte, à Nossa Senhora do Salto. É um caminho por onde passa a procissão da Nossa Senhora do Salto, no primeiro domingo de maio. Depois das últimas casas do lugar o caminho asfaltado dá lugar ao já habitual caminho florestal, onde predominam os eucaliptos, e acompanha a autoestrada A41 pelo que o ruído automóvel está sempre presente ao longo do trajeto. Intersetamos o troço comum do PR e descemos até à Capela da Senhora do Salto, agora aproveitamos para descer até ao Miradouro da “Boca do Inferno”.



O local possui uma vista deslumbrante para o rio e “Boca do Inferno”. Este espaço paisagístico, de rara beleza, está encravado entre altas serras por onde corre o rio Sousa. Aqui o Rio Sousa atravessa as rochas quartzíticas que devido à sua dureza e resistência à erosão formam um vale bastante apertado e profundo com vertentes verticais. Nos troços de rochas xistentas, de caraterísticas mais brandas, o vale é aberto formando-se meandros e depósitos aluvionares. Neste local a presença de rápidos, a sequência de pequenas curvas e ainda as vertentes perfeitamente verticais conjugam-se para oferecer uma paisagem de rara beleza.

LENDA DA SENHORA DO SALTO: No local, é ainda possível observar uma pedra aplanada com cinco covas. É esta pedra o mote para as lendas que marcam esta zona. Conta-se que foi nessa rocha que um cavaleiro, perseguido por uma lebre ou um veado (encarnação do Diabo), terá caído, tendo sobrevivido por invocação e proteção de Nossa Senhora. Assim, as ditas “cinco covas” da pedra dirão respeito às quatro patas e ao focinho do equídeo. Diz-se, também, que a pequena capela de Nossa Senhora do Salto tenha sido mandada construir precisamente por este cavaleiro, como agradecimento pelo milagre.

Depois de apreciar toda esta envolvência resta-nos seguir até ao estacionamento, ponto de inicio e fim deste trilho.


FICHA TÉCNICA
Realização: 19 de fevereiro de 2021
Percurso: Lugar do Salto - Lugar do Castelo - Lugar de Senande - Lugar do Salto
Distancia: 6,0 km
Duração: 1h42min
Tempo em movimento: 1h23min
Tempo parado: 0h19min
Movimento médio: 4,3km/h
Acumulado positivo: 272m
Acumulado negativo: 274m



TRILHOS JÁ REALIZADOS NO PARQUE DAS SERRAS DO PORTO

MUNICÍPIO DE GONDOMAR
TRILHO DA SERRA DO CASTIÇAL
TRILHO DO VOLFRÂMIO - SERRA DAS FLORES
TRILHO DA CARQUEJA - SERRA DAS BANJAS
TRILHO DE BELÓI - ALTO DA PENECA

MUNICÍPIO DE PAREDES
TRILHO HISTÓRICO - SERRA DE SANTA IRIA
TRILHO DO VALE DO TORNO - SERRA DO CASTIÇAL
TRILHO DA RIBEIRA DE SANTA COMBA
TRILHO DE ALVRE
TRILHO DOS MOINHOS
TRILHO DE PIAS E CASTIÇAL
TRILHO DO MEL E DO OURO ROMANO

MUNICÍPIO DE VALONGO
TRILHO DO CASTELO+CORREDOR ECOLÓGICO+ROMANOS




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A equipa Caminhantes
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LUGAR DO SALTO (ESTACIONAMENTO)

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FONTE (EN319-2)

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MIRADOURO 'BOCA DO INFERNO'

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CANCELA

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MOINHO HÍDRICO

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CANCELA

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MOINHO HÍDRICO

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DESVIO CASTELO

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TORRE DO CASTELO

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PONTE DE ARCO (EN319-2)

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SENANDE

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PANORAMA

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VIADUTO A41

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CAPELA DA SENHORA DO SALTO

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MIRADOURO 'BOCA DO INFERNO'

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PONTE RIO SOUSA

4 comentários

  • jorgequeiroz 19/abr/2021

    Eu fiz esta trilha  verificado  Ver mais

    Fiz esta trilha em 3horas com a minha esposa e mais os meus dois filhos de 3 e 7 anos! Houve algumas cavalitas pelo meio mas é acessivel

  • Foto de Caminhantes

    Caminhantes 19/abr/2021

    Olá jorgequeiroz!
    Obrigado pelo comentário e avaliação da trilha. Saudações.

  • Foto de PicosAlpinos

    PicosAlpinos 26/mai/2021

    Eu fiz esta trilha  Ver mais

    Trata-se de um dos percursos mais curtos dos Trilhos das Serras do Porto, que pode ser feito juntamente com o Trilho de Alvre. Recomendo!

  • Foto de Caminhantes

    Caminhantes 27/mai/2021

    Obrigado pelo comentário e avaliação da trilha. Saudações

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