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próximo a Antas, Braga (Portugal)

Trilho das azenhas de Antas:
Este percurso tem início junto ao parque de merendas de Azevedo, na Freguesia de Antas, no Concelho de Esposende. É um itinerário cheio de património, arquitetónico, religioso, arqueológico, cultural, etnográfico e natural.

O nome surge pelos diversos engenhos que se vão encontrando ao longo do Rio Neiva.

Trata-se de um trilho circular, que percorremos no sentido anti-horário.

Iniciámos por isso o trilho a subir:

Igreja Paroquial de Antas

A atual igreja paroquial de S. Paio de Antas é um templo amplo, fachada voltada a Poente, situado a uma escassa dezena de metros da colina onde se situa o menhir e o povoado de época romana. Pode-se mesmo dizer que o adro, o cemitério e especialmente o salão paroquial se situam em antigas áreas de ocupação romana ou da Alta Idade Média.
Construída entre 1879 e 1895 a igreja tem, todavia, reminiscências ao século XII quando o abade Soares a Fundou em 1145, a fazer fé numa inscrição existente na parede exterior sul e que textualmente diz: IN ERA MCLXXXIII. X CALENDAS MAGII ABAS SAURIUS FUNDAVIT OPERA ISTA MER.
A fachada da atual igreja reflete e bem o momento da sua construção – o neo-barroco do fim do século passado – presente na banda granítica, decorada com folhagens, panejamentos, argolas e anjos, que preenchem toda a parte central desde a porta principal até à base da torre que se situa na parte superior da fachada que remata em frontão interrompido. A porta, a concluir em arco abatido, foi enriquecida com pilastras laterais que ajudam a sustentar o frontão abatido que encima. A iluminação do interior é fornecida por duas janelas laterais e uma terceira que ocupa a parte central da fachada, mesmo por cima da porta. Sobre ela, um baldaquino com remate em concha alberga a imagem em pedra, de S. Paio. A decoração é complementada por duas cartelas com motivos decorativos, Situadas na parte alta da fachada e por crateras providas de florões colocadas sobre os cunhais e no cimo do frontão. Motivos análogos aparecem a revestir os lados e a cúpula da torre.
Cronologia: Séc. XIX (1879-1895).

Cruzeiro Paroquial

Ao fundo do adro, voltado à fachada da igreja, está o cruzeiro paroquial, protegido por um gradeamento de ferro e assente numa base de três degraus de faces oitavadas.
No seu conjunto pode-se dizer que é uma bela peça decorativa e que reflete, tal como a igreja o ecletismo decorativo da época.
O plinto, retangular, apresenta as quatro faces molduradas e decoradas, em alto – relevo, os vários símbolos da Paixão (martelo, pregos, tenaz, esponja, chicote, cana, escada, lança, machado e túnica) e anjos transportando nas mãos um cálice e uma flor.
O fuste, imitando as colunas torsas salomónicas, está decorado em alto-relevo com videiras, parras e cachos de uvas. A meio corpo, na face voltada à igreja, está uma imagem de Nossa Senhora a ser coroada por dois anjos. Por debaixo da Senhora, numa pequena cartela, a data da sua construção: 1898. A rematar o fuste, um capitel de tipo dórico encimado por uma base, profusamente decorada, onde assenta a cruz. Entre os motivos decorativos mais salientes convirá destacar as figurações de Cristo preso à coluna, Cristo transportando a cruz e Cristo em coração e instituindo a Eucaristia.
A cruz, também ela de faces oitavadas, apresenta os topos florenciados e na face voltada à igreja, uma imagem de Cristo Crucificado sobre o qual a legenda J N R I.
Cronologia: Séc. XIX (1899).

Menir de Antas

Encontra-se sinalizado o pequeno desvio até ao que é o ponto mais alto do trilho
Situado numa pequena elevação a norte e a poucos metros da igreja paroquial. Trata-se de um monólito em granito da região, de configuração fálica. Tem de altura 1,65 m, de perímetro na base 1,50 m e na cabeça 0,95 m. Está enterrado cerca de 30 cm e inclinado para Sul. Monumento megalítico com cronologia que ronda o III/II milénio a. C.
Está classificado como Imóvel de Interesse Público, pelo Decreto nº 26-A/92 de 1 de Junho.
Cronologia: III / II milénio a.C..

Moinho de Vento da Peneirada

Situado no meio de árvores, tem uma estrutura circular, atualmente sem cobertura

Azenha do Grilo
O edifício, datado de 1876, construído em blocos graníticos bem aparelhados, encontra-se em acelerado estado de destruição, com silvas a invadir toda a estrutura. À estrutura da azenha encontra-se geminada um engenho de serrar madeira. As suas paredes formam uma planta em L, que alberga quatro aberturas: uma porta, hoje destruída, voltada ao rio; outra a Poente que dá acesso ao interior de serração; uma outra voltada a Norte; a última está voltada a Nascente. A água que alimenta a gola, é fornecida por um açude com perfil em V, um pouco açoreado mas a funcionar ainda com precisão. A sua utilização não é exclusiva, já que na margem oposta alimenta um engenho de serrar madeira. A azenha possui uma gola em bom estado de conservação. É uma estrutura sólida constituída por blocos graníticos de bom aparelho com um perfil levemente inclinado. A zona do cubo está capeada com grandes lajes graníticas, de aparelho razoável e protegida, a montante, por uma guarda de igual porte. A entosta, hoje em dia inexistente, funcionava entre ranhuras abertas em blocos graníticos. Saliente à parede voltada ao rio e no enfiamento da entosta, há dois silhares graníticos onde estava incorporado um sistema, que através do interior do edifício, permitia regular a passagem de águas. Como todas as golas possui um canal de escoamento, que no caso vertente é o próprio açude. No interior da caldeira funcionavam duas rodas, as quais já não existem, nem mesmo o sistema de transmissão. Os únicos elementos sobrantes são o orifício por onde o eixo se introduzia na estrutura e duas pedras de suporte do roaz, uma para cada extremidade do eixo. A caldeira apresenta ainda uma particularidade. Nela existe, pouco antes da segunda roda, um segundo canal de abastecimento de água, talvez para fornecer água à roda.

Azenha e levada do Minante

De um conjunto que englobava uma azenha, um engenho de serrar madeira e um outro do linho, resta, somente a azenha, ainda em laboração. A azenha, servida por uma levada, ainda bem conservada, chegou a ter 4 mós, duas para trigo e duas para milho que eram movidas por duas rodas a funcionar em golas de pedra. Na porta, voltada a sul, há alguns símbolos apotropaicos e, na berma de um caminho, uma pequena cruz.
O trânsito, para o outro lado do rio, faz-se, somente para pessoas e animais, através de uma ponte com grandes lajes de pedra, de tipo passadiço, assente em pilares inteiriços, retangulares, mas de cantos arredondados.
A azenha é um edifício de planta quadrangular, construído em granito rebocado e parcialmente caiado de branco. Possui três aberturas. Duas portas; uma voltada a Sul e a outra a Nascente, que se abrem para um pequeno alpendre e uma janela voltada ao leito do rio. Nos silhares da porta voltada a Sul podem ser observados, na ombreira direita, cinco cruzes e a data 1932, enquanto na da esquerda se contabilizam nove. Na padieira foram gravadas outras cinco.
No interior ainda é visível tudo aquilo que faz uma azenha, desde as duas mós, passando pelas respetivas moegas e tremonhados, bem como as guardas farinhas. Um pormenor que nos parece importante referir é a existência de uma espécie de guindaste em madeira utilizado na remoção das mós moventes, quando se tornava necessária a sua picagem. Como as demais azenhas é servida por um açude.
O seu estado atual é bastante bom atendendo às recentes obras de recuperação. O seu perfil tem a forma de um V, pois que além de servir este conjunto, ainda abastece o engenho-azenha situado na margem oposta. A azenha, ainda em funcionamento, recolhe a água deste açude, através de uma gola de dupla entrada. A primeira abastece todas as rodas, enquanto a segunda reforça o caudal que movimenta a última roda. Os cubos, paralelos, são capeados e guarnecidos permitindo o acesso ao local onde funcionam os aguilhões. No seu início foi construída uma virgem, estrutura em madeira de salgueiro, que não permite a passagem de detritos à caldeira. Igualmente no local e em perfeito estado de conservação, estão as duas entostas, mais o mecanismo interno e externo de levantamento das mesmas, bem como as ranhuras onde funcionam. Um barrote de madeira, fincado entre duas pedras salientes à parede trespassa e permitem a elevação de uma das entostas a partir do interior do edifício.
Será útil referir o facto de o canal de escoamento de águas ser o próprio açude, sendo encaminhadas para uma segunda gola que alimentava o engenho de serra madeira. Na caldeira funcionam duas rodas que nos seus tempos áureos movimentavam quadro mós, ou seja, cada roda fazia movimentar duas mós. Só que os tempos são outros e a falta de procura desativou dois conjuntos trituradores, mantendo-se os outros dois. As rodas detêm todos os elementos característicos das mesmas. Apesar dos muitos anos de funcionamento ainda se encontram em bom estado de conservação. O canal de escoamento das águas acaba por desembocar no interior do engenho de serrar madeira - edifício geminado à azenha - acabando por ser desviado em direção ao rio.

Alminha de N. Srª da Boa Viagem

As Alminhas de N.ª Sr.ª da Boa Viagem estão incrustadas na parede da Quinta de Ribas (hoje Quinta da Malafaia) e voltadas à estrada nacional nº 13, no entroncamento para o lugar de Pereira.
São de construção recente e o material usado foi a pedra e o cimento que reveste o interior do nicho, de formato retangular, resguardado com um pequeno telhado. O retábulo é em azulejo policromo e representa N. Sª do Carmo com os anjos que a ladeiam a retirarem almas do Purgatório. É obra da Fábrica Aleluia – Aveiro.

Azenha da Carvalha

No lugar da Guilheta existe uma azenha, denominada azenha da Carvalha, remodelada para fins habitacionais. O edifício seria térreo, na fase em que trabalhou como azenha de propulsão inferior. No entanto as obras que posteriormente foram efetuadas, acrescentaram-lhe um andar. Pelo aspeto que apresenta demonstra que seria uma construção robusta, construída em granito, de forma a suportar um sistema de moagem permanente.
Servida por um açude, razoavelmente bem conservado, com um perfil côncavo, a azenha alimentava a sua roda através de uma gola, sendo a sua entrada formada por dois blocos graníticos ranhurados onde outrora se apoiava a entosta. Pode-se ainda perceber um ligeiro canal de escoamento da água, mesmo ao lado destas duas pedras.
Apesar da sua alteração o edifício deixa perceber que funcionou com uma única roda. Mais não podemos adiantar já que o terreno envolvente está vedado e os seus donos só o frequentam em época de férias. Assim não nos é possível dizer se o sistema de moagem ainda existe, bem como não podemos dizer se a gola foi ou não destruída.

Engenho de Santa Tecla

O açude que podemos observar, que atravessa o rio Neiva, serviria para represar as águas, que por sua vez, seriam a força motriz que acionaria as duas azenhas que existiam nas margens. O engenho de Santa Tecla, na margem esquerda, era de uma só roda e movia duas serras. O edifício em granito que hoje se observa encontra-se adaptado a habitação.

Capela de Santa Tecla

Documentalmente a capela de S.ta Tecla é das mais antigas do concelho.
Referida nas Inquirições de 1220 como “heremita de Santa Tecla” e em 1258 como “ecclesia de Sancta Tegra”, foi várias vezes reformada, com destaque para a corrida em 1800 e na segunda metade do século XX.
Segundo a lenda, a Virgem S.ta Tecla teria aparecido num penedo, junto ao rio. Levada por diversas vezes para a igreja paroquial, a imagem acabava por reaparecer sempre junto do local onde havia sido encontrada. Os agricultores da região deram então descanso à Santa, erguendo-lhe aí uma ermida.
Construção de planta retangular voltada a Oeste, está situada bem junto à margem do rio Neiva, tem a capela-mor destacada e uma sacristia adossada ao alçado norte.
Extremamente simples, com elementos de construção que a filiam num tempo oitocentista, nomeadamente a nível da cornija está atualmente muito descaracterizada por um alpendre, avançado à fachada principal oferecido pelo benfeitor Albino Alves de Azevedo e inaugurado, ao que reza uma placa, em 2-IX-1956. Sobre o telhado do alpendre abre-se uma janela retangular, gradeada, culminando a frontaria com uma sineira de confeção tosca e que remata em cruz.
Cronologia: Séc. XIX (1800) – Séc. XX (1950).

Casa do Barão do Maracanã

BARÃO DE MARACANÃ MANUEL GONÇALVES PEREIRA
Em 17 de Março de 1806 nasce no lugar de Azevedo de Belinho em São Paio de Antas, Manuel Gonçalves Pereira, mais tarde conhecido por Barão de Maracanã.Com apenas 13 anos de idade, a 13 de Maio de 1819, o Manuel partiu para o Brasil a bordo da galera Sociedade Feliz, na companhia do seu irmão mais velho João. Este seu irmão era caixeiro, guarda-livros de uma casa de negócios de vendas por atacado, das mais creditadas no Brasil – a Casa das Motas – que ficaria famosa pela imensa fortuna que legou à Misericórdia do Rio de Janeiro. Chegando ao Brasil, Manuel Gonçalves Pereira foi residir para a casa de Joaquim António Senha, negociante e proprietário na rua da Imperatriz. A 10 de Junho tomava de caixeiro na loja de fazendas de Varejo, na rua da quitanda, onde fez a sua primeira experiência como comerciante. Em Agosto de 1820 parte para S. Paulo onde chega a 3 de Setembro, continuando a exercer a mesma profissão. A 7 de Setembro de 1822, D. Pedro proclama a independência do Brasil junto ao rio Ipiranga, tendo Manuel Gonçalves Pereira sido testemunha deste acontecimento único. Em Julho de 1826 voltou ao Rio para fazer um sortimento de fazendas de importância avultada, o que prova o crédito comercial que então já tinha adquirido. Regressando a S. Paulo, aqui se estabeleceu por conta própria e desenvolveu de tal maneira a sua casa que em 1835, apenas com 29 anos de idade, era já considerado o primeiro nome comercial daquela região. Nesta época liquidou o negócio de S. Paulo e partiu para o Rio onde se associou com seu irmão João Gonçalves Pereira, estabelecendo um armazém de fazendas por atacado, na mesma casa onde começara como simples guarda-livros. A firma João Gonçalves Pereira e Irmão adquiriu grande fama e crédito em todo o Brasil. A 5 de Abril de 1852 falecia o seu irmão e sócio João. Seis anos depois, em 1858, Manuel Gonçalves Pereira deu sociedade a 3 dos seus empregados e encetou uma viagem de estudo pela Europa. Percorrendo os grandes circuitos comerciais da época. Foi uma viagem que durou de 17 de Maio a 14 de Dezembro de 1859. A 4 de Janeiro de 1860 estava novamente no Rio de Janeiro, onde permaneceu até 10 de Abril do ano seguinte, data em que resolveu entregar a sua casa comercial e os seus negócios e regressar a Portugal. Chegou a Lisboa a 20 de Abril de 1861 e daqui seguiu para S. Paio de Antas sua terra de berço, que tinha deixado aos 13 anos da qual tinha saudades. Trazendo consigo uma grande fortuna, soube como ninguém aplicá-la em obras de carácter social na sua terra. Estando a construir-se a estrada nacional Esposende-Viana do Castelo, a fim de apressar os trabalhos, colaborou nesta obra com a avultada quantia de um conto e duzentos mil reis. A igreja paroquial de S. Paio de Antas estava também a ser reparada quase de raiz pelo padre Bento da Mota, que se via aflito para cobrir as despesas. O Barão de Maracanã colaborou também nesta obra com 800 mil réis. Não satisfeito com estes gestos de generosidade, em 1888 o Barão de Maracanã mandou construir, no lugar da Estrada, uma casa, com uma sala para aulas e aposentos para o professor, que doou à freguesia, para ali funcionar a escola oficial. A escritura de doação é de 14 de Março de 1889, e inclui a condição de esta casa não ser utilizada a não ser para o fim que destinou o fundador. A Junta como sinal de reconhecimento daria o nome de Escola Barão de Maracanã. Ele sabia por experiência própria, que a instrução é a base do progresso. Na freguesia adquiriu vastas propriedades agrícolas que cultivou e desenvolveu, e construiu uma opulenta vivenda, conhecida por Casa da Paia ou Quinta dos Barros. Além da sua competência na área comercial, Manuel Gonçalves Pereira tinha um sentido apurado da importância da instrução para o desenvolvimento dos povos, a causa a que dedicou muitas das suas forças, tanto no Brasil como em Portugal. Por isso o Imperador do Brasil, além do título de Barão de Maracanã – em 19 de Junho de 1872 - concedeu-lhe o grau de cavaleiro da Ordem de Cristo, e comenda da mesma ordem, além da comenda da Ordem e o título de Grandeza, este, em 1875. (cf.: NEIVA, Adélio, S. Paio de Antas, sua história sua gente, Companhia Editora do Minho, Esposende, 1999, pp. 458, 489-490)

Capela de S. Cristovão

A Capela de S. Cristóvão é um templo quinhentista (séc. XVI), de construção bastante singela e planta quadrangular, voltada a oeste. O único elemento decorativo da fachada é o portal chanfrado, com arco de volta perfeita, cujas aduelas e umbrais têm a pedra à vista. A luz penetra no interior pelos postigos e por uma pequena fresta voltada a sul.
O interior é extremamente modesto, apresenta as paredes lisas, rebocadas e a parede do altar - mor com alvenaria irregular, à vista. Ao centro insere-se um nicho com arco de querena, que abriga a imagem de S. Cristóvão. No chão um túmulo da família dos seus fundadores.

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