Horas  7 horas 4 minutos

Coordenadas 1804

Uploaded 26 de Setembro de 2016

Recorded Setembro 2016

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895 m
487 m
0
2,3
4,7
9,39 km

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próximo a Covide, Braga (Portugal)

O trilho teve início na aldeia de montanha de Covide na área rural do Parque Nacional Peneda Gerês. Preparamos os últimos detalhes do trilho entre o pessoal, enquanto colocamos as mochilas às costas, começa a caminhada pela estrada cerca de 300 metros onde nossa esquerda tem o café o Bosk, aí vira à direita no caminho florestal. Aqui o trilho é pela sombra dos grandes árvores que acompanham pelo sopé da montanha em direcção à Calcedónia, aos 2km já percorridos as sobras frescas das árvores vão ficando para trás, inicia-se a subida pelo estradão florestal até uma mini hídrica que está desactivada e seca, aí viramos à direita e começa o trilho mais árduo dos 570 metros para os 894 metros de altimetria, pelo trilho que chamamos “caminho de cabras” que serpenteia a montanha até ao topo, alguns metros percorridos nesta progressão mais lenta volta e meia vamos olhando para trás para ver a aldeia de Covide e a grandiosa montanha Piorneiro com os seus 992 metros conhecida localmente como “Serra Santa Isabel”. É inicio de Outono e durante a ascensão ao topo vamos deliciarmos com as amoras silvestres que abundam nesta época, este fruto doce dá-nos a energia extra que vai sendo consumida pela extensão da subida, o dia está bem agradável o nevoeiro matinal vai deixando e sol intensifica clareia o vale, já percorridos 4km desde do ponto de partida e dos quais 2km em subida, chegamos ao topo, olhamos em redor a paisagem rochosas por todo lado, a iris dos nossos olhos aumentam ao ver o mais alto maciço granítico com o nome Tonel mas conhecida pelos pastores pelo cume curvaceira, paramos e agrupamos junto ao bloco granítico que tem vestígios de um abrigo recente feito de pedra sobre pedra, com olhos fixos na evolvente natureza árdua e rochosa do local imaginamos seres nas formas que foram esculpidas pela erosão do tempo, deu para descansar os ossos para a subida da montanha Tonel pela parte Este. Posemos em marcha na sua direção, aqui deixamos o trilho sinalizado que vem desde da aldeia de Covide a PR1 - Cidade da Calcedónia, agora a marcha é inclinada e perigosa pela rocha granítica o tempo de Sol que nos está acompanhar fez que a humidade da rocha das partes com mais sobra secassem e o atrito com as solas das botas fosse mais estável. Paramos numa rocha mais plana e contemplamos a altura com a paisagem no nosso máximo sem cordas, pois faltavam 25 metros para estarmos no cume da montanha curvaceira.
“A montanha de nome Tonel está situada na serra do Gerês, no concelho de Terras do Bouro. Esta elevação atinge uma altitude máxima de 919 metros o que a torna a 15ª montanha mais alta da serra do Gerês e a 180ª mais alta de Portugal Continental. No que respeita a proeminência topográfica, esta elevação é a 9ª mais proeminente da serra do Gerês e a 172ª a nível nacional (Continente). Poucas pessoas conhecem o nome desta montanha, mas muitos conhecem o nome de um dos seus cumes secundários, a Calcedónia, atravessado por um dos percursos pedestres mais populares do Parque Nacional da Peneda Gerês. O percurso da cidadela da Calcedónia atravessa o cume da Calcedónia por uma fenda natural existente entre as enormes fragas graníticas que constituem a montanha e passa junto ao topo da mesma.
A elevação da Calcedónia é apenas ligeiramente inferior à do Tonel, enquanto que o Tonel atinge 919 metros de altitude a Calcedónia fica pelos 909, no entanto a Calcedónia é considerada um cume secundário do Tonel porque não possuí uma proeminência suficiente para ser considerada uma montanha independente. A Calcedónia conta com uma proeminência topográfica de apenas 93 metros e seriam necessários pelo menos 100 metros para que esta elevação fosse considerada um cume independente e pudesse figurar na lista de montanhas deste blog.
Não existe nenhum caminho nem nenhum trilho para chegar mesmo até ao cume do Tonel, no entanto o percurso pedestre da Calcedónia passa bastante perto embora bastante mais abaixo. Alternativamente pode começar-se a caminhada até ao cume na estrada que une a Vila do Gerês a Covide junto ao cruzamento de Junceda, esta segunda opção exige um menor ganho de altitude, visto que se começa mais alto, pelo que se torna significativamente mais fácil e rápida. Qualquer que seja a opção os últimos metros são sempre muito íngremes e chega a ser necessário usar as mãos para escalar em alguns pontos mais difíceis.
Desde o topo o panorama é magnifico e podemos observar toda a parte ocidental da serra do Gerês desde os cumes do maciço de Santa Isabel ; Alto de Modorno, Chã da Presa e Piorneiro, até ao Pé de Medela e ao Borrageiro, passando pelo Pé de Cabril. Um pouco mais a norte mas também muito perto fica a serra Amarela e na direção noroeste podemos ver ao longe o Corno do Bico e a Serra de Arga. Olhando para sul são visíveis as elevações da serra de Fafe Basto e para sudeste a Cabreira e muito mais ao longe o Marão. Um pouco mais para este podemos discernir as serras do Barroso e Facho.
FONTE: Montanhas de Portugal”
As ingremes paredes de graníticas bloqueia a nossa intensão não há meios nem segurança para efectuar a escalada, e voltar para trás é arriscado, reunidos e exploramos o meio de descida pela parte Oeste, não está nada fácil de encontrar solução que nos levasse novamente ao sopé, cuidadosamente e analisada descemos pelo rochedo, com um grau de inclinação médio 60º e com cerca de 10 metros de altura na primeira descida de mãos bem pousadas e as botas a travar a força grafítica, foi em modo escorrega a ruçar o cu das calças pela pedra até esse ponto, aqui ninguém brincou ou sorriu pois a concentração para a maior descida na segunda parte é mais respeitosa, pois não tem a rachadela natural que escorre a água nos dias mais chuvosos, a altura até à base são 20 metros de altura com um grau de inclinação médio 65º. Todos aqui foram de entre ajuda, os suspiros que se fazia-se ouvir entre os olhar concentrados no homem que foi em primeiro e nós que estávamos a seguir a ver a melhor maneira de efectuar a descida, um a um lá fomos até à base do rochedo, todos em segurança junto ao velho carvalho, olhamos para cima e ver o que passamos, “BRUTAL DESCIDA” que rimos e falamos com mais calma, esta descida e a adrenalina gastou as energias que tínhamos, todos em volta do carvalho preparamos o reforço para repor os níveis de energia, com a barriga já aconchegada e mais descansados, voltamos ao percurso em direção agora a outro maciço o da Fenda da Calcedónia, marcado o azimute, até lá a subida é feita com tranquilidade com terreno mais terrulento. Chegamos ao topo e daqui já avistamos o imponente maciço rochoso Fenda da Calcedónia, descemos entre grandes rochedos com figuras esculpidas e que voltamos a dar asas à nossa imaginação, entre Golfinhos, Cachalotes, caras de Velhos, entre outros fomos descendo até engrenar na PR1 - Cidade da Calcedónia novamente até à entrada da Fenda pois o trilho não a travessa.
Juntamos frente à fenda para fotografar e reunir outra vez o espírito de camaradagem, pois aqui o trilho é difícil e perigoso, necessitamos de braços e pernas para trepar os blocos graníticos que estão logo à entrada da fenda, como fosse uma porta que interdita a passagem aos menos corajosos. lá fomos a fazer escadas com os nossos corpos que subimos e descemos os gigantes rochedos frios, avançamos para dentro da fenda o frio faz-se sentir nos corpos suados, o eco que fazíamos ao falar entre os mais à frente com os mais a trás dá para ter a dimensão da Fenda da Calcedónia, a escuridão vai aumentando à medica que progredíamos, as fendas que só passam um corpo não muito barrigudo, pois tive de atirar a mochila e lançar primeiro para que eu pode-se passar, roçar as mochilas nas pedras e volta e meia lá se ouvia que alguém deu uma cabeçada na rocha, dificuldade passada ao sairmos de joelhos da fenda. A paisagem daqui do topo da Fenda da Calcedónia é magnífica a 999 metros de altura fica o Cabeço da Calcedónia avistam as várias Serras já mencionadas que também são avistadas daqui.
“Desde o topo o panorama é magnifico e podemos observar toda a parte ocidental da serra do Gerês desde os cumes do maciço de Santa Isabel ; Alto de Modorno, Chã da Presa e Piorneiro, até ao Pé de Medela e ao Borrageiro, passando pelo Pé de Cabril. Um pouco mais a norte mas também muito perto fica a serra Amarela e na direção noroeste podemos ver ao longe o Corno do Bico e a Serra de Arga. Olhando para sul são visíveis as elevações da serra de Fafe Basto e para sudeste a Cabreira e muito mais ao longe o Marão. Um pouco mais para este podemos discernir as serras do Barroso e Facho.
FONTE: Montanhas de Portugal”
Aqui a Fenda da Calcedónia já há muito é visitada e já foi habitada pelos nossos antepassados no tempo do Ferro e Romano.

“Poucos sabem, contudo, que junto dele se abrigava uma povoação da Idade do Ferro, mais tarde ocupada pelos romanos. Existem ainda alguns vestígios da muralha do castro e, mais raramente, encontram-se fragmentos de cerâmica dessa época. Foram também encontrados alguns fragmentos de telha que nos indicam a presença dos romanos.
Fonte ICNF.”
Neste Cenário ficamos todos a descansar sobre a rocha, outros a saltar de lado para lado para ver os 360º desta linda paisagem. Passado um bom tempo é hora de voltar ao trilho, não tem muito mais grandes pontos como estes que passamos, mantém a beleza da natural do Gerês mais verde é uma descida também bem acentuada até à aldeia de Covide.
Gerês,6 de agosto de 1952

Subida à Calcedónia, uma das coroas de gloria cá da terra. A tarde estava como um veludo, e as fragas, amolecidas pela luz, pareciam broas de pão a arrefecer. Do alto, a paisagem à volta era dum aconchego de berço. Muros sucessivos de cristas — círculos concêntricos de esterilidade — envolviam e preservavam a solidão. Nas vezeiras, resignadas, as rezes esmoíam os tojos como quem ajeita um cilício ao corpo. E mais uma vez me inundou a emoção de ter nascido nesta pequena pátria pedregosa que é Portugal. Há nessa condenação como que uma graça dos deuses. Também é preciso ser de eleição para merecer certas pobrezas...
Miguel Torga - Diário VI


O meu grande obrigado pela companhia e grande amostra de camaradagem que temos, grande abraço caminheiros:
Miguel Moreira; Ana C. Sousa, Sara Sousa, João Sousa; Maurício Lopes, Álvaro Rego Pinto.
Cabeço da Calcedónia Maciço granítico com mais de 300 milhões de anos.
Utilizada nos era do Ferro pelo o Homem e na era dos Romanos^ Ainda há alguns vestígios do Castro Romano.

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