Horas  um dia 7 horas 31 minutos

Coordenadas 4768

Uploaded 1 de Dezembro de 2019

Recorded Setembro 2019

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2.423 m
1.525 m
0
4,8
9,5
19,09 km

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próximo a Queimada, Minas Gerais (Brazil)

Trajeto da clássica travessia da Mantiqueira, iniciada no Refúgio Marins e finalizada na base Itaguaré. O trajeto contempla também os picos Maria e Mariana, além dos tradicionais Marins, Marinzinho e Itaguaré. Roteiro realizado em dois dias, com acampamento após a Pedra Redonda.

LOGÍSTICA:
A travessia clássica de Marins ao Itaguaré tem início no "Refúgio Base Marins", na região da Fazenda Saiqui, divisa dos estados de Minas Gerais e São Paulo. Para quem vem da capital mineira, o acesso mais fácil é via Itajubá-Delfim Moreira, já para quem vem de São Paulo o melhor acesso é via Piquete, pelo Vale do Paraíba. No entanto, a cidade mais próxima do ponto inicial é Marmelópolis, a aproximadamente 12km.

A logística mais simples é através de veículo fretado, que deixará no ponto inicial e resgatará no ponto final. Quem deseja fazer em veículo próprio, pode utilizar a cidade de Marmelópolis como base ou mesmo o Refúgio Base Marins, combinando previamente o resgate ao fim da travessia ou percorrendo o trecho a pé (~16km). Caso opte por ônibus, as cidades-referência devem ser Itajubá ou Passa Quatro, pra quem vem de MG, ou Piquete, para quem vem de SP ou RJ.

A TRILHA:

1º dia: Base Marins x Acampamento Pedra Redonda

Iniciando a caminhada no Refúgio Base Marins, segue-se para leste, em direção ao fundo do terreno, tomando uma trilha que adentra à mata. Após 750 metros de caminhada, intercepta-se uma estradinha em condições precárias, por onde seguimos em aclive. Logo abaixo do Morro do Careca, tomamos à direita numa bifurcação, evitando todo o contorno que a estradinha faz.

Em vez de seguir direto pela trilha, à direita, descemos um pouco pela estradinha e fizemos um ataque ao ponto de água do Careca, que estava bem minguado em fins de agosto (ESTE FOI O ÚNICO PONTO DE ÁGUA NO PRIMEIRO DIA).

A estradinha dá lugar a uma trilha, que segue bem demarcada em meio a vegetação, agora composta por capins. Conforme ganhamos altitude, a terra batida dá lugar aos afloramentos rochosos e a subida vai se tornando mais íngreme, aparecendo aí os primeiros pontos de escalaminhada.

Com 5km de caminhada chega-se ao acesso do Pico Marins, onde as cargueiras podem ser deixadas para realizar o ataque. A subida do Marins é íngreme, feita quase sempre por aderência sobre as rochas. Após a conquista do Pico dos Marins, saímos do usual e fizemos também um ataque aos picos Maria e Mariana. Embora a distância entre os três picos seja relativamente curta, é uma trilha com dificuldade técnica entre moderada e alta, com trechos de escalaminhada e desescalada, além de subidas e descidas muito íngremes com exposição à altura.

Depois de pouco mais de 2km extras, retornamos ao Pico dos Marins e à trilha clássica. Após voltar à bifurcação, tomamos o rumo leste-nordeste, seguindo rumo ao Marinzinho. Em determinado ponto saímos da trilha clássica, mas nos mantivemos numa picada que acompanha os paredões do Marinzinho, em vez de seguir pela cumeada. Notada a diferença, mais a frente, em vez de seguirmos a trilha por baixo, subimos à direita e interceptamos o trilho principal, logo antes do cume do Marinzinho.

Passado o Marinzinho, a trilha faz um forte mergulho, passando por um trecho bem íngreme onde há um lance de corda. No entanto, com destreza e equilíbrio, é possível descer sem fazer uso das cordas que lá estão (há muitos anos, inclusive). Vencido o mergulho, há uma forte subida pela frente, sendo que nas partes mais elevadas passamos por uma pequena área de acampamento, que comporta uma ou duas barracas. A partir daí o relevo estabiliza e seguem subidas e descidas curtas até a Pedra Redonda. Após a Pedra Redonda prevalece uma descida até uma área de acampamento grande e ligeiramente inclinada, onde pernoitamos.

Neste dia caminhamos 12,2km.

2º dia: Acampamento Pedra Redonda x Base Itaguaré

Após o acampamento seguimos em ligeiro declive, por entre tufos de capim que deixam a navegação complicada em alguns pontos. Algumas bifurcações discretas pelo caminho e algumas áreas de acampamento também, até mais interessante que a que ficamos.

Após o mergulho em um trecho de mata, temos o retorno dos aclives. Quando saímos da mata já temos o visual do pulo do gato, trecho complicado de acesso ao cume verdadeiro do Pico do Itaguaré. Já próximo a base do Itaguaré, temos o trecho mais técnico do dia. Algumas escalaminhadas, passagens entre rochas e, por fim, o ataque ao próprio cume.

A subida é feita por aderência, como nos Marins. Já próximo ao cume é preciso passar por uma fenda. A passagem é feita sobre uma bloco rochosos "entalado" entre as paredes. Mesmo com a chuva que caiu durante a manhã, o bloco possuía uma boa aderência e não tivemos qualquer dificuldade para transpô-lo. Após a primeira fenda há outros trechos de subida um pouco mais técnica, até chegar ao ponto em que é preciso saltar sobre uma outra fenda para chegar ao livro de cume do Itaguaré.

Após a conquista, retorno até a base e prosseguimento para o fim da travessia. Após o Itaguaré é, basicamente, só descida até o fim do trajeto. É preciso ficar atento com algumas bifurcações no caminho, principalmente nos trechos em que a trilha não é tão evidente, como nos afloramentos rochosos.

A água da base do Itaguaré estava seca, somente algumas poças resistiram à estiagem. Somente no último quilômetro da travessia, quando nos aproximamos do Córrego Lourenço Velho, é que pudemos abastecer.

A descida é bem íngreme, de uma forma geral, grande parte feita no interior da mata atlântica. Atenção com raízes, tocos e com a irregularidade do piso, escorregadio em alguns pontos. Após a primeira passagem pelo córrego a trilha estabiliza e o quilômetro final é bem tranquilo.

OBSERVAÇÕES:
- Travessia de dificuldade entre moderada e alta, recomendada para pessoas já experientes em caminhadas longas e ao transporte de cargueiras. Dentre as principais dificuldades, citam-se: subidas e descidas muito íngremes, em que pode ser necessário uso de corda; trechos de escalaminhada e desescalada; baixas temperaturas no outorno e inverno, principalmente; escassez de água; piso muito irregular na maior parte da rota; navegação confusa em alguns trechos.

- Embora a trilha conte com alguns totens e outros tipos de sinalização, existem alguns pontos confusos no trecho intermediário, principalmente na subida do Marinzinho, após a Pedra Redonda e na descida do Itaguaré, onde surgem algumas bifurcações e o capim alto atrapalha.

- Travessia realizada em 2 dias, em aproximadamente 15 horas de caminhada (9+6). Em virtude da escassez de água e da dificuldade da trilha, não recomendo a execução do trajeto em 3 dias. Desta forma seria necessário carregar um peso extra de água, o que prejudicaria a caminhada em virtude das dificuldades do terreno.

- Sobre a coleta de água:
Devo dizer que moderei bastante a hidratação durante a travessia, o que não é muito recomendável. Para quem quiser se basear:
> Saída do Refúgio Marins com 2L;
> Completa na fonte do Morro do Careca (2L);
> Hidratação no quilômetro final da travessia, no córrego Lourenço Velho.
*Não utilizei da água para fazer janta nem café.
**Pontos de água confiáveis e perenes (agosto/setembro): Morro do Careca (água pouca, mas corrente) e córrego Lourenço Velho, no último quilômetro (água em abundância). Demais fontes, como na base do Marins e do Itaguaré estavam secas ou paradas.

- Existem diversas áreas de acampamento ao longo da travessia, ainda assim o caminhante deve estar atento quando realizar o percurso na alta temporada, principalmente se estiver em um grupo grande. As principais áreas estão marcadas no tracklog.

- A trilha Maeda-Marinzinho é a única rota de fuga consolidada no trecho intermediário desta travessia. Atente-se, no entanto, que até o ponto final são várias horas de caminhada.

- Sinal de telefone em boa parte do trajeto.

- Vista-se adequadamente durante a caminhada: evite andar com braços e pernas desprotegidos. A vegetação é rebelde em muitos trechos e pode acabar acontecendo pequenos cortes nas partes expostas;

- Evite transportar algo mais largo que a cargueira (tipo barraca, isolante térmico e outros penduricalhos na posição horizontal). A vegetação é bem fechada em alguns pontos e esses objetos acabam te freando. Atente-se também para o que está do lado de fora da cargueira, os bambuzinhos e capins podem acabar te "roubando";

- Tempo gasto (com paradas):
1º dia:
> Refúgio Marins x Pico dos Marins: 3h13
> Marins x Maria x Mariana x Marins: 2h15
> Marins x Marinzinho: 1h37
> Marinzinho x Acampamento Pedra Redonda: 1h13
2º dia:
> Acampamento Pedra Redonda x Base Itaguaré: 2h25
> Ataque Itaguaré (ida e volta): 1h08
> Base Itaguaré x Fim da travessia: 1h39
refúgio

Refúgio Marins

Waypoint

Água ao lado

Waypoint

Estradinha

Waypoint

Porteira

panorama

Visual - Morro do Careca

fonte

Água - Morro do Careca

Waypoint

Rampa - subida forte

Interseção

Direita Marins

camping

Acampamento - Base Marins

pico

Pico dos Marins - 2.417

pico

Maria - 2.391

Waypoint

Bifurcação

Interseção

Direita - subir

pico

Livro Mariana - 2.332

Interseção

Esquerda - descer

Waypoint

Fenda - Chaminé

pico

Marinzinho - 2.385

Risco

Lance de corda - descida íngreme

camping

Acampamento pequeno

pico

Pedra Redonda

camping

Acampamento grande

Waypoint

Acampamento

Waypoint

Esquerda

Waypoint

Direita - Água

Waypoint

Direita

camping

Acampamento grande 2

Waypoint

Base pico do Itaguaré

pico

Livro Itaguaré - 2.336

Interseção

Direita 2

Rio

Córrego

Waypoint

Base Itaguaré - Fim

Waypoint

Direita

panorama

Visual pulo do gato

camping

Acampamento grande 3

Waypoint

Túnel

Risco

Pulo do Gato

camping

Acampamento - Itaguaré

Waypoint

Água parada

Waypoint

Bifurcação - Direita

Waypoint

Córrego Lourenço Velho

Waypoint

Atoleiro

Rio

Córrego Lourenço Velho 2

Waypoint

Bifurcação - Cruzeiro

Waypoint

Córrego Lourenço Velho 3

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