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4,6
9,2
18,47 km

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próximo a Santana de Parnaíba, São Paulo (Brazil)

Pernadinha de 9 horas, começando na entrada de um tal bairro Bandeirantes, na Estrada dos Romeiros (SP-312). Descendo no ponto e pegando a entrada dos Bandeirantes saímos em um bairro não muito desenvolvido e, após alguns minutos de caminhada, logo o deixamos para trás.
Em seguida inicia-se uma etapa com menos casa e mais verde por uma estradinha ascendente que serpenteia até chegar em três porteiras, uma à esquerda, outra em frente, após uns 40 metros e outra ao lado da segunda, para a direita, sentido Oeste.
Daí em diante não há mais habitações ou qualquer tipo de construção, exceto um patamar de concreto na beira de um morro que parece ter como finalidade a peneiragem de terra e pedra tirados do morro, atividade, aliás, que não parece ser legal, uma vez que a área é tombada pelo CONDEPHAAT desde 2007.

E é com a visão de desmatamento, corte de morro, abertura de passagem para máquinas e destruição que começa a pequena aventura pela Serra do Voturuna. Mas logo a destruição fica para trás e à nossa frente descortina-se um Voturuna que, embora não seja muito alto se comparado a outras serras, não é menos imponente. No início de sua subida, a Leste da serra, uma vez que a travessia se dá de Leste a Oeste, é possível avistar parte do trajeto que será percorrido e que parece muito mais fácil do que realmente é porque visto de baixo a vegetação típica de cerrado parece capim baixo. Mas não é. Em alguns trechos é necessário fazer um vara-mato, básico mas chato, entre arbustos secos e duros que provocam vários arranhões nas pernas e braços. A dica é usar calças e mangas compridas, mas eu estava de bermuda porque não suporto calor.

Rumando sentido Oeste e à medida em que vamos ganhando altura é possível avistar muita coisa bonita como o Pico do Jaraguá, a Zona Oeste de São Paulo, Alphaville, Barueri, Santana de Parnaíba e até a Rodovia Castelo Branco no lado Sul. Olhando para o Norte é possível ter uma ideia do tamanho da Serra do Japi e, mais perto, ao pé do morro, observar quão pequenina é a cidade de Pirapora do Bom Jesus com seu coadjuvante que a serpenteia, poluído mas bonito, o rio Tietê. Naquele dia chegamos bem cedo ao pé do morro, por isso a neblina ainda não havia se dissipado e nos proporcionava um belo espetáculo. Mas na medida em que o tempo passava, o sol aquecia o solo e a neblina ia se desmanchando, a vista ficava cada vez mais bonita com uma região de mata densa a Sudeste e, ao Sul, olhando bem à frente, Itapevi, Vargem Grande Paulista, Cotia, Caucaia do Alto, Embu das Artes, todas, claro, sem a possibilidade de uma distinção detalhada, mas cuja localização é possível lá do alto.

A pernada prossegue sempre sentido Oeste, buscando sempre a crista da serra. E assim prosseguimos, tirando muitas fotos e parando de vez em quando, ora para fotografar, ora para contemplar, ou até mesmo para fazer correções de rota e estudar os melhores locais de passagem. Passando pelo primeiro morro logo avistamos, abaixo, um caminho para chegar ao topo do segundo morro. Pode-se avistar claramente um vale, não muito profundo, com vegetação mais densa. Era nossa melhor opção porque pela esquerda, sentido Sudoeste, embora a pernada se desse pelo alto do morro, era mata fechada e muito mais extensa. Resolvemos, então, seguir em frente, descer o morro e fazer o primeiro vara-mato da pernada. Esse foi chatinho porque lá encontramos os temidos arbustos de cerrado, com galhos secos e duros. Terminada a descida chegamos no início de um pequeno vale escondido por vegetação mais densa de um bosque. Contornamos ele à esquerda e logo encontramos uma trilha que nos levou até o topo do próximo morro.

Por volta de 10 horas chegamos ao que podemos dizer meio da serrinha do Voturuna. É um local aberto com poucos focos de mata mais fechada, pequenos bosques que proporcionam sombra e bom local para acampar. Nesse meio de morro, olhando de cima, ao Sul podemos observar uma grande área aberta descendente por onde viemos a primeira vez.

Nessa primeira vez fizemos um caminho diferente. Descemos em Santana do Parnaíba e, no terminalzinho da cidade, tomamos o ônibus 800 Suru. Esse ônibus vem pela Estrada do Suru, que depois muda de nome para Estrada Capela Velha. O desembarque tem uma pegadinha. Temos que descer no ponto de intersecção da Estrada Capela Velha com Estrada Manuel Jesus Mendes. Pelo menos é esse o nome no mapa e no GPS, mas na placa, na esquina entre as duas pistas, o nome é Rua Nhambú. Fica a dica. De lá seguimos pela Estrada Manuel Jesus Mendes (ou Nhambu) e saímos no pé do morro, passando antes por uma cachoeirinha que dá acesso ao topo por uma trilha à direita.

Na segunda vez, a deste relato, resolvemos de última hora não descer em Santana de Parnaíba porque o 800 Suru não tem horários confiáveis, muito mais de sábados, domingos e feriados (na primeira trilha amargamos 2 horas de espera ) e seguir no ônibus como quem vai para Pirapora do Bom Jesus. Como eu havia lido um relato do Jorge Soto de que ele fizera o caminho inverso, subindo pela estrada do Suru e cachoeira, pelo meio do morro, voltando para Santana do Parnaíba e saindo no Bairro Bandeirantes, resolvi descer na Estrada dos Romeiros, na altura desse bairro, e buscar um caminho pelo GPS que me levasse ao caminho inverso que ele fez. Deu certo. Descemos onde ele saiu e iniciamos a pernada no bairro que já mencionei.

Voltando ao meio do morro, caminhando pela crista, sentido Oeste, no ponto onde encontramos a chegada pela cachoeira, à nossa esquerda, avistamos três pessoas com uma lona azul armada. Deviam estar lá passando o dia, uma vez que para chegar lá é bem tranquilo pela trilhazinha da cachoeira. Mas seguimos adiante e tocamos para Sudoeste com a intenção de cortar um bosque que parecia medonho de se atravessar, localizado no topo do próximo morro. Isso mesmo, a travessia do Voturuna é uma sucessão de morros. Então descemos, passamos próximos da lona azul, atravessamos um charco produzido por um pequeno olho d’água (não confiável) e subimos sentido Sudoeste, buscando um descampado e fugindo do bosque. Mas lá em cima resolvemos seguir a Norte e contornar o bosque porque aquela direção fugia um pouco da nossa rota. Nem precisou contornar a mata porque logo achamos uma trilha bem marcada que cruzou o bosquesinho na maior facilidade e logo estávamos do outro lado, em outro descampado, e seguimos adiante, agora sentido Oeste novamente.

De lá não há mais vara-matos, mas a essa altura o cansaço da pernada e o sol na moringa fizeram a diferença. O ritmo ficou mais lento e as paradas, que antes eram para fotos e contemplação, agora eram para recuperar as energias. O fôlego não é muito requisitado nessa travessia porque as subidas não são tão íngremes assim e os topos dos morros sucessivos são alcançados em pouco tempo. A falta de energia se dá mais pelo tempo de caminhada, pelo sol na cabeça e pela falta de água fresca. Isso mesmo, lá em cima não em água confiável. Não tem rio, cachoeira, lago, nada. Os únicos focos de água são charcos correndo devagar e com muito inseto, charcos usados pelos cavalos e mulas que bebem e pisam a água. Decididamente, nada confiável. Então outra dica é cada mochileiro levar pelo menos 2 litros d’água. Eu esqueci a minha na geladeira porque tive que acordar mais cedo e buscar de carro os pamonhas Eduardo, Juninho e Rodrigo na casa deles. Mas o Eduardo levou 1 litro a mais e eu tinha uns suquinhos que ajudaram na hidratação. E o Eduardo roubou um melão da macumba, logo no início da trilha, que eu trouxe na mochila. Ele foi usado na hora do almoço para matar um pouco da fome, recuperar um pouco dos minerais perdidos e hidratar nossos cansados corpos.

E assim seguimos a pernada rumo ao cume. O GPS ficou maluco e marcava algo entre 1100 e 1200 e poucos metros, mas sabemos que lá dá 1100 e poucos mesmo. No total subimos cerca de 400 metros, desde a base. Como vêm não é uma subida exigente e o sobe e desce de morros, juntamente com a distância percorrida, que dilui a subida, tornam a caminhada prazerosa. Mas não se enganem, o final dela não é fácil. Não por conta do terreno, mas porque a essa altura caminhávamos há cerca de 5 ou 6 horas. No cume ficamos pouco tempo porque havia ali umas formiguinhas de asa picando todo mundo. E era uma picada doída! Curioso que na primeira vez elas não estavam lá. Resolvemos continuar a descida, rumo Oeste, sempre, e de lá acessamos a curvatura de uma crista que daria no topo de outro morro. Lá paramos para almoçar e ficamos por cerca de 50 minutos. Resolvemos sair logo porque os carrapatos já estavam atacando. Um mordeu o Juninho e dois passeavam pelo meu corpo. Fica outra dica, lá tem carrapato porque é uma área em que cavalos e mulas usam para pastar. Pudemos observar, das duas vezes que fomos, esterco de cavalo/mula, por toda a trilha. Trilhas aliás que são abertas e mantidas mais pelos quadrúpedes do que por nós, trilheiros. Voltando aos carrapatos, fique atento às mordidas porque esses aracnídeos podem transmitir a febre maculosa, doença que pode ser grave e tem taxa de letalidade de 20%. A dica é vistoriar o corpo a cada duas horas porque, segundo o Google, um carrapato precisa sugar seu sangue por 3 horas para poder transmitir a bactéria causadora da moléstia.

Então deixamos o almoço, o descanso e os carrapatos e rumamos ao último cucuruto de morro a subir. É uma subidinha fácil que se dá ente dois cucurutos e tem uma trilhazinha bem marcada no meio dos dois. De lá do alto é só descer e seguir a trilha serpenteando que você sairá numa estradinha de terra. Essa estradinha sairá no asfalto. E o asfalto te deixará em Pirapora do Bom Jesus, cerca de 4 Km depois. Mas fica a dica. Eu queria seguir para o outro morro, sentido Oeste, para terminar a serrinha toda, de ponta a ponta. O pamonha do Eduardo preferiu seguir pela estradinha, à direita, mas esse caminho se mostrou maior e mais difícil porque ela tem um zigue zague que parece não ter fim. Se subíssemos o morro adiante, de lá desceríamos d

7 comentários

  • Foto de fernandosolucaosp

    fernandosolucaosp 20/abr/2014

    Continuação do relato: Se subíssemos o morro adiante, de lá desceríamos direto e sairíamos no asfalto com menos esforço. Mas tudo bem, acabou dando certo e chegamos a Pirapora do Bom Jesus totalizando cerca de 18 Km de pernada, desde a entrada do bairro Bandeirantes ainda em Santana do Parnaíba.

    De Pirapora do Bom Jesus é só pegar a primeira ponte à esquerda, no posto Ipiranga. Passou a ponte, vire à direita e pegue uma subidinha. Desça-a e logo sairá no posto de saúde. Na frente dele passam ônibus para Barueri, direto. Só não se confunda e não desça em Santana do Parnaíba. Vá direto! Sempre! Em 40 minutos você estará em Barueri, em frente à estação do trem.

  • Foto de fernandosolucaosp

    fernandosolucaosp 20/abr/2014

    Serra do Voturuna - resumo do trajeto: Estação CPTM de Barueri, na Av. Anhanguera. Pegue qualquer ônibus que vá para Pirapora do Bom Jesus. Trajeto 1: Desça em Santana de Parnaíba e espere (muito) o ônibus 800 Suru. Desça na Rua Nhambú (no mapa consta Estrada Manuel Jesus Mendes). Siga a estradinha sempre sentido o morro. Você chegará numa clareira. Pegue a trilha à direita, sentido Norte, bem marcada. Você sairá na cachoeira. 20 metros antes da cachoeira há uma trilha, à direita de quem olha para a cachu, para subir no início da subida do morro. Trajeto 2: Não desça em Santana do Parnaíba. O ônibus sairá do terminal e continuará seu trajeto sentido Pirapora do Bom Jesus. Em cerca de 10 ou 15 minutos você chegará na entrada do Bandeirantes (o motorista/cobrador conhecem). Siga pela estradinha de asfalto. Na bifurcação siga à esquerda, depois à direita. De lá vá sentido sempre Oeste que não tem erro.

  • Foto de jonatas.berg

    jonatas.berg 24/mai/2016

    hHAHAHAH vcs comeram melao da macumba? kkk

  • Foto de rodrigoschemes

    rodrigoschemes 19/out/2016

    Olá colega, em termos de segurança, como você acha que está lá essa região? Obrigado.

  • Foto de fernandosolucaosp

    fernandosolucaosp 19/out/2016

    Olá.
    Só fui lá duas vezes e foi tudo tranquilo.
    Não sei agora, mas pelas redondezas me parece que não há maiores riscos. Os moradores da região são, na sua quase totalidade, donos de sítios ou propriedades similares. A maior concentração urbana fica bem distante do Voturuna, que é a cidade de Pirapora do Bom Jesus. Além disso, a região, pelo menos até onde sei, é muito pouco frequentada.
    Então, levando em conta todos esses fatores, eu considero a região bem segura. Pelo menos é muito mais segura do que outros locais que costumo frequentar, como trilhas na serra do mar que desembocam na região de Cubatão, por exemplo. E comigo nunca aconteceu nada em nenhum desses lugares.
    Boa sorte.

  • Foto de Laercio Antonio da Silva

    Laercio Antonio da Silva 10/abr/2018

    Caracas 😨 eu fiz só que pela entrada da Estrada do Soru, subimos pela cachoeira e fomos de uma extremidade a outra na Serra

  • Foto de Rodrigo AGC

    Rodrigo AGC 3/mai/2018

    I have followed this trail  verificado  View more

    A trilha é bem confusa com vários pontos de vara mato, seguir essa track foi essencial, fizemos várias explorações, essa trilha é muito show.

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