Horas  3 dias 8 horas 39 minutos

Coordenadas 9626

Uploaded 10 de Setembro de 2017

Recorded Setembro 2017

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2.798 m
1.515 m
0
7,9
16
31,75 km

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próximo a Lamins, Minas Gerais (Brazil)

A Travessia da Serra Fina, está localizada entre as cidades de Passa Quatro e Itamonte na divisa de Minas Gerais com São Paulo é um dos trekkings mais belos e difíceis do Brasil.

A trilha de 32km percorre a crista de montanhas, subindo e descendo algumas das mais altas montanhas do Brasil, como o Pico do Capim Amarelo (2491m), Pedra da Mina (2798m – quarto mais alto do país), Pico dos Três Estados (2656m) e Cupim de Boi (2543m). Há pouca opção de água, sendo necessário carregar o líquido que acaba deixando a mochila mais pesada.

A travessia na versão clássica é dividida em 4 dias e exige muito preparo físico do montanhista.

- 1° dia: Toca do Lobo - Capim Amarelo
Saindo de Passa Quatro/MG seguimos bem cedo com nosso transfer até o início da travessia - Toca do Lobo. Nesse primeiro dia a trilha é bem marcada e com baixa dificuldade de navegação. Existe um segundo ponto de coleta de água, que fica à direita da trilha, descendo por uns degraus, onde se deve armazenar água para o restante do dia e parte do dia seguinte. Cruzamos rios, cristas até vencer a forte subida para o Capim Amarelo. Nesse dia em alguns locais existe cordas fixas para ajudar na subida. Encontramos outros montanhistas fazendo a travessia e isso rendeu bons papos para descontrair. Alguns consideram esse dia como o mais puxado. Um grupo iniciou o dia 5h30 no início da estrada antes da Toca do Lobo e chegou às 12h30 no Capim Amarelo (7h).
Duração aproximada: 7h
Distância aproximada: 5,78km

- 2° dia: Capim Amarelo - Pedra da Mina
A forte descida do Capim Amarelo é exigente e demanda muito esforço do aventureiro. Dia de muito sobre e desce por entre cristas e bambuzais. Já próximo da base da Pedra da Mina encontramos a cachoeira vermelha. Paramos para bastecer pouca água pois a água dessa cachoeira possui gosto forte de ferrugem. Após passagem por algumas áreas para acampamento chega-se na nascente do Rio Claro - onde se deve armazenar água para o restante do dia e parte do dia seguinte. A trilha segue sempre pelos totens e logo chega-se a forte subida para o cume da Pedra da Mina. A vista da Pedra da Mina é deslumbrante e o por do sol é surreal! Um grupo iniciou o dia 8h30 no Capim Amarelo e chegou às 12h30 na Pedra da Mina 15h30 – (7h).
Duração aproximada: 8h30
Distância aproximada: 6,96 km

- 3° dia: Pedra da Mina - Pico dos 3 Estados
Seguindo pela íngreme descida por meio dos pisoteio e totens, chegamos no Vale do Ruah. Pelos cristais de gelo que encontramos no caminho acredito que a noite no vale foi muito fria. O Vale do Rhuá é um terreno em leve declive com algumas áreas de charco e completamente tomado pelo capim de anta, que passa dos 2 metros de altura em alguns pontos. Seguimos descendo o Rio que corta o vale até o pararmos no ponto d'água para abastecimento. A principal referência da trilha/direção à seguir da travessia é manter-se à margem direita do Rio Verde, contornando as moitas de capim, podendo variar um pouco a cada temporada. Seguir o pisoteio e os sinais por entre os capins. A tática é sempre a mesma: aonde não se consegue ver nada, é só adentrar pelo capim: se ele se fechar impedindo o progresso é erro: volte e tente outra opção. Logo a frente água mais límpida - onde se deve armazenar água para o restante do dia e meados do dia seguinte. Muita subida e logo alcançamos o Cupim do Boi - o último cume antes da forte subida para Pico dos 3 Estados. Pausa para um lanche, recarregar as energias e seguimos para o cume. O Pico dos 3 Estados tem esse nome porque é o ponto divisor dos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Um grupo iniciou o dia 10h descendo a Pedra da Mina e chegou 16h30 no Pico dos 3 Estados (6h30).
Duração aproximada: 7h
Distância aproximada: 6,11 km

- 4° dia: Pico dos 3 Estados - Rodovia
Último dia da travessia! Apesar de fazermos a travessia no inverno, o sol forte estava e minando nossas energias. Com pouca água e controlando o ritmo da caminha esse dia parecia que não ia acabar. Saindo do Pico 3 Estados segue a longa descida íngreme a esquerda do acampamento que passa pelo seu grande ombro e desemboca na área do acampamento chamado Bandeirante. Após trecho em capim e bambu chega-se ao cume do Bandeirante, onde deve-se escalaminhar um pequeno trecho rochoso. Logo em seguida chega a subida para o Alto do Ivos. A água do parceiro acabou e acabamos encontrando outros grupo no cume que gentilmente cedeu cada um um pouco de sua água. E o sol não dava trégua. Continuamos descendo por entre bambuzais, pedras, arbustos até chegarmos em área de mata atlântica. A minha água acabou faltando 2km até o próximo ponto d'água. Seguimos de olho no GPS e logo escutamos o barulho d'água. Enchemos os cantis e seguimos pela aberta trilha que nos levou até o Sítio do Pierre. Continuamos seguindo sempre em frente e logo em seguida avistamos nosso resgate e a rodovia ao lado. Um grupo iniciou o dia 8h30 descendo o Pico dos 3 Estados chegando na estrada às 15h (7h30).
Duração aproximada: 6h30
Distância aproximada: 10,2 km

Dicas:
- Seguir sempre os totens, fitas e marcas de iluminação noturna;
- Abastecer pelo menos 4 litros d´água por pessoa;
- Evite cozinhar alimentos que necessitem de água e opte por comida que não necessite deste precioso líquido;
- Protetor solar é fundamental;
- Contato para transfer: Patrícia (Adventure Transfer) (35) 9133-7585;
- Hospedagem: Hostel Serra Fina (35) 9720-3939 - Av. Saint Clair Mota, 141, Passa Quatro/MG;
- Tente levar o menor peso possível para a travessia.

Pontos de água confiáveis da Travessia - abastecimento para o formato em 4 dias:

►► A quantidade de água a transportar varia de pessoa a pessoa e é influenciado pela temperatura e alimentação. Estude e conheça o seu consumo médio!

Ponto 1: Córrego da Toca do Lobo. Coletar água apenas para a parte inicial da Travessia.
Ponto 2: Cachoeirinha no Quartzito. Cerca de 1h/1h30 de caminhada acima da Toca do Lobo. Coletar água suficiente para o restante do dia e para até o final do segundo dia.
Ponto 3: Rio Claro. Localizado na base da Pedra da Mina. Coletar água apenas para passar a noite no cume e café da manhã. (Ponto D´água no Vale do Rhuá fica a 1,75km de descida a partir da Pedra da Mina.)
Ponto 4: Vale do Rhuá. Logo após a descida da Pedra da Mina. Ao vencer o trecho em capim, coletar água para o restante do terceiro dia e para até a metade do quarto dia.
Ponto 5: Antes do Sítio do Pierre: coletar água somente para garantir o término da Travessia.

A travessia da Serra Fina possui uma beleza fora do comum! Recomendo a todos essa aventura!

10 comentários

  • Foto de stenanni

    stenanni 23/mai/2018

    Ótimo relato! no início do seu trajeto você viu algum ponto onde as pessoas deixam os carros estacionados? tem espaço pra isso? É seguro? Aguardo Obrigada!

  • Foto de ricardopr3

    ricardopr3 23/mai/2018

    Olá Stenanni! Que bom que gostou das infos. Bom, próximo ao início da Travessia existe a Pousada Refúgio Serra Fina e algumas pessoas ficam hospedadas neste local, deixam o carro, seguem para a travessia e só contratam o resgate da volta (final da travessia até a pousada).

    Essa pousada fica bem perto da Toca do Lobo. Seria uma possibilidade.

    O que daria para fazer, caso não queira ficar hospedado na pousada, seria deixar o carro estacionado próximo da pousada e seguir para a travessia. Pode conversar com o pessoal da pousada e perguntar se poderia deixar o carro nas suas dependências. Em Minas tudo é negociável e o pessoal está disposto a ajudar sempre.

    Site: http://refugioserrafina.com.br

    Espero ter ajudado.

  • Pedro Ivo Machado 11/jul/2018

    Olá Ricardo!
    Pretendo fazer somente a Pedra da Mina (pelo Paiolinho), acampando nela e voltando pelo mesmo caminho. Depois de montar acampamento, você acha que seria viável descer até um dos pontos de água perto do cume (Rio Claro ou Vale do Rhuá)? Para qual dos dois você recomendaria descer?
    Obrigado!

  • Foto de ricardopr3

    ricardopr3 11/jul/2018

    Olá Pedro Ivo!
    Seguindo para a Pedra da Mina, via Paiolinho, seria ideal coletar água nos pontos disponíveis ao longo da trilha para utilizá-la durante o acampamento. Recomendo no mínimo 1,5L por pessoa que seria basicamente para o jantar e café da manhã. Tente levar alimentos que não necessite de água, como por exemplo, tapioca. A subida pelo Paiolinho é bem cansativa e após montar acampamento ter que descer até um ponto d´água e depois subir não acho uma logística interessante.

    Mas, se mesmo assim vc tiver disposto a chegar a algum ponto de abastecimento, dentro desses dois que vc sugeriu, recomendo o Rhuá pois é o que apresenta a menor distância da Pedra da Mina - 2,6km ida e volta.

    Espero ter ajudado. Boa travessia!

  • Pedro Ivo Machado 11/jul/2018

    Ricardo, muito obrigado pelas dicas!

  • Foto de Ederson Godoi

    Ederson Godoi 5/ago/2018

    Boa tarde Ricardo, saudações e minha admiraçao.
    Ricardo, é possivel fazer sozinho esta travessia, o que vc me diz?
    A e qual melhor época para se fazer esta?

  • Foto de Ederson Godoi

    Ederson Godoi 5/ago/2018

    Subiu em grupo, onde consigo um pacote destes?

  • Foto de ricardopr3

    ricardopr3 6/ago/2018

    Olá Ederson!! Nunca é recomendado fazer atividades outdoor sozinho. Tenha no mínimo a companhia de 1 pessoa. Eu fiz a travessia na companhia de 1 amigo e na alta temporada você irá encontrar outros montanhistas realizando a travessia. Para datas de saídas sugiro entrar em contato com algum guia local com o objetivo de verificar agenda e locais de saída. Tem um grupo bacana no Facebook e você poderá encontrar dicas, guia locais, transfer, etc...

    "Serra Fina - Pedra da Mina": https://www.facebook.com/groups/136071593119852/

    Abçs.

  • Marcello Almeida 13/out/2018

    Oi Ricardo, muito bom seu relato, ajudou bastante. Sobre a dificuldade do percurso, você considera muito mais exigente que a travessia Petrópolis-Teresópolis?

  • Foto de ricardopr3

    ricardopr3 15/out/2018

    Olá Marcello Almeida! Que bom que gostou das dicas. A travessia é bem parecida com a Petrô-Terê, o que dificulta na Serra Fina, na minha opinião, é o fato de ter que levar água junto com os equipamentos. Os escassos pontos de coleta d'água dificultam bastante. Com relação a desgaste e exigência de preparo físico eu considero bem parecido. Abçs.

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