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6,0
12
23,95 km

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próximo a Altamira, Minas Gerais (Brazil)

Relato sobre a travessia entre o Altamira – MG, distrito de Nova União – MG, até a portaria 1 do PARNACIPÓ (Parque Nacional da Serra do Cipó), realizada nos dias 11 e 12 de fevereiro de 2018, caminhada feita com meu amigo Caio.
1º Dia
As 07:00 horas nos encontramos na estação São Gabriel em BH e fomos no ônibus para Caeté-MG, onde nosso precioso apoio, Danilo e Andréia já nos aguardavam para nos levar até o início da Trilha bem aos pés da Cachoeira Alta em Altamira onde chegamos quase as 11:00 horas, depois de 20 e poucos quilômetros de uma estrada de terra não muito boa. Breves despedidas e eu e o Caio ajeitamos as mochilas e seguimos morro acima.
A ideia inicial era irmos até o alto da Cachoeira Grande, curtir um pouco o poço e seguir para Lagoa Dourada onde pernoitaríamos, devido ao avançado da hora e ao sol muito forte, resolvemos ir direto para a cachoeira da lagoa dourada ignorando o desvio ao poço de cima, assim poderíamos chegar mais cedo e curtir a cachoeira mais tempo.
O começo da trilha tem uma subida não muito longa mas bem forte no meio de uma pequena mata que pela época de chuva estava com o capim bem alto, impossibilitando a visão do chão em muitas vezes, nessa hora então resolvemos fazer uso das nossas perneiras para dar mais segurança, em mais 15 minutos de subida em meio a mata encontramos uma bela Jararaca na trilha, tinha uns 50 cm, muito bonita mas bem venenosa, o que veio a justificar o uso das perneiras, passada a pausa para contemplação do bichinho, seguimos subindo em direção ao colo entre duas montanhas mais altas, nesse ponto a trilha ficou um pouco confusa, seguimos então reto em direção a lagoa dourada, depois cruzamos um riacho para a esquerda subindo em direção ao topo da montanha e encontramos a trilha mais marcada novamente, trilha que segue, as 12:30 chegamos ao mirante onde se tem a visão de todo o vale da lagoa dourada, visão cinematográfica, da vontade de sentar e ficar por ali só observando por horas, mas como estávamos ansiosos pra chegar a cachoeira, ficamos apenas alguns minutos e iniciámos a descida.
Inicia-se então uma descida de cascalheira, forte e com muitas pedras soltas, exigindo atenção dobrada, já que o visual é meio hipnotizante e um tombo não seria uma surpresa. No fim da descida uma arvore de sombra generosa foi um convite para a primeira parada do lanche e pequeno descanso. Ficamos por lá por 20 minutos e continuamos. Estando no fundo do vale, andamos um pouco pela direita do rio e logo a frente cruzamos para a esquerda do rio, daí em diante tem muitos charcos, como tinha chovido muito nas últimas 2 semanas, então estava tudo muito alagado, alguns quilômetros andando pelo vale encharcado numa caminhada tranquila e pronto, chegamos a área usada para acampamento bem no topo da cachoeira da lagoa dourada, ou Cachoeira das fadas, era por volta de 15:30 e totalizava quase 11 km de caminhada. Apenas como uma dica, vale ressaltar que nesse ponto de terreno muito encharcado, as botas de caminhada mesmo muito boas, mas que não são costuradas, podem descolar, é comum que aconteça, prefira as costuradas.
Montamos acampamento rapidamente e ficamos uma pouco conversando com as pessoas que estavam no lugar, 4 pessoas que estavam fazendo a travessia de Altamira para São José da Serra em 3 dias e já estavam de partida e mais umas 4 pessoas que também estavam chegando na cachoeira vindos de São José da Serra. Descemos ao poço e ficamos por lá um bom tempo curtindo a espetacular Cachoeira das Fadas, depois subimos fizemos um lanche e fomos ver o pôr do sol do alto da cachoeira. Assim que a noite caiu, jantamos e ficamos um tempo de bobeira vendo as milhões de estrelas que foram surgindo, realmente um lugar especial para se passar a noite, mas uma forte ventania começou e nos obrigou a ir dormir, mas já era hora mesmo. Durante a madrugada ainda saí para ver o céu que estava espetacular, mas a ventania não deixou que eu ficasse lá por muito tempo.

2º Dia
Por volta de 07:00 horas levantamos e fomos fazer o café da manhã naquele clima de preguiça ainda, logo depois desmontamos acampamento, preparamos as mochilas e fomos para o poço da cachoeira aproveitar mais um pouco, ficamos por lá até umas 10:30 mais ou menos, depois subimos e fomos em direção ao nosso destino que era a portaria do parque passando pelo capão dos palmitos, seguimos animados e impusemos um ritmo forte, assim logo estávamos sando do vale e chegando ao ponto onde a trilha se divide, a esquerda segue para São José da Serra, a direita para a Serra do Cipó, pegamos a trilha a direita, que começa com uma forte descida de cascalho em direção ao fundo do vale, nesse ponto encontramos um casal pedindo orientação, eles estavam tentando chegar a lagoa dourada mas erraram o caminho no dia anterior e desceram em direção a Serra do Cipó e acabaram acampando por ali, num lugar bem ruim com muitas pedras, ensinei a eles como ir até a cachoeira assim como descer para São José e segui meu caminho. Não paramos em nenhum momento, apenas para algumas fotos, como a de uma bela cachoeira a direita da descida, um riacho muito claro mais abaixo dentro da mata, os visuais da Serra da Lapinha e Pico do Breu e assim seguimos até um pouco depois da entrada para a Cachoeira capão dos Palmitos, Onde paramos para almoçar, já que àquela hora a fome já tinha batido, optamos por não descer até a cachoeira, até esse ponto tinham sido percorridos 11 km e era por volta de 14:00 horas, durante a meia hora que ficamos por ali, muitos caminhantes indo para a cachoeira do Capão, paravam para conversar com a gente, curiosos para saber de onde estávamos vindo com aquelas cargueiras, entre eles um casal parou e a esposa disse que o marido não estava se sentindo bem, estava fazendo muito calor, tinha eu lá no meus primeiros socorros um soro reidratante que ofereci a eles, agradeceram e seguiram, ficamos mais alguns minutos ali terminando de guardar as coisas do almoço e descemos, pouco mais abaixo encontramos o mesmo casal, ele já estava se sentindo bem melhor e como agradecimento nos ofereceu uma carona da portaria do parque até o centro comercial da Serra do Cipó, aceitamos de imediato, pois esse trecho de estrada tem muitos carros e não é bom para andar, além do que em nada estragaria nossa caminhada, que foi dada como encerrada na portaria do parque pouco depois das 15:00 horas. Já na Serra do Cipó fomos fazer um lanche na padaria e esperar o ônibus que passou as 17:20 horas, infelizmente o transito em Lagoa Santa atrasou nossa viagem de volta em uma hora e meia, chegando em BH as 20:30 horas.
No total foram percorridos 24 km de uma caminhada muito gostosa e bonita além de não ser muito pesada, tem agua por toda a trilha nos dois dias, não sendo necessário carregar mais de um litro. Como dito anteriormente, aconselho o uso de perneira, já que passamos por várias áreas de mato alto e charcos e inclusive encontramos uma jararaca.

1 comment

  • Foto de Hélio Jr

    Hélio Jr 21/fev/2019

    Marcone, o acesso é livre por onde você começou a trilha?

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