Horas  2 dias 8 horas 29 minutos

Coordenadas 8950

Uploaded 5 de Novembro de 2018

Recorded Novembro 2018

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1.392 m
900 m
0
19
37
74,31 km

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próximo a Tigre, Minas Gerais (Brazil)

ATENÇÃO, LEIA A DESCRIÇÃO.

Trajeto solo realizado em 3 dias, um misto de estradinhas vicinais (trecho inicial e final), trilhas consolidadas e trechos com trilhas discretas ou mesmo sem trilha consolidada (bem curtos). Os pernoites foram na cabeceira do Córrego do Bicho e no Poço do Soberbo, existem outras áreas interessantes para acampar ao longo da rota.

LOGÍSTICA:
Utilizando como referência a cidade de Belo Horizonte:
Embarque no ônibus da viação Pássaro Verde com destino à Diamantina (diário com vários horários). Comprar a passagem para "Trevo do Camilinho" (disponível somente no guichê da empresa), o valor é mais em conta que a passagem pra Gouveia.

O tracklog foi finalizado no "cotovelo", uma curva de quase 180º na estrada de acesso à Lapinha da Serra. Deste ponto é preciso seguir até Santana do Riacho (+10km), de onde sai um ônibus diário para Belo Horizonte (viação Saritur).

ATENÇÃO: Não há transporte regular entre Santana do Riacho (sede) e Lapinha da Serra (vilarejo). De forma que é preciso: ou seguir caminhando até Santana (+10km), ou conseguir uma carona, ou contratar um serviço de transporte (com antecedência, pois não há sinal de telefone no local). Outra opção é seguir do cotovelo até a Lapinha (+3km) e lá procurar por alguém que faça o transporte até Santana.

Se a logística for feita de van, o trajeto pode se iniciar nas proximidades do KM 9, na bifurcação da estrada que leva ao Paraúna com outra que dá acesso à Fazenda da Prata. A descida final pela estradinha em direção ao Rio Paraúna está prejudicada, o que pode dificultar o retorno da van.

O resgate de van pode ser feito nas proximidades do KM 72, na 1ª porteira após o "cotovelo".

A TRILHA:
1º dia: Camilinho x Cabeceira Córrego do Bicho

Após o desembarque no Morro do Camilinho, próximo às torres eólicas de uma estação da CEMIG, é preciso descer um pouco pelo asfalto (sentido Diamantina) até o acesso para o Rio Paraúna. A estradinha segue em moderado declive, dando acesso a algumas propriedades da região. Em um trecho deixei o leito da estradinha para tomar um atalho que segue margeando o Córrego Contagem. Mais adiante deixei a estradinha principal para pegar o acesso à Fazenda da Prata e mais um pouco de trilha, retornando à estradinha mais adiante. Este último trecho no entanto, não faz tanta diferença, pode-se optar por qualquer um dos caminhos.

Depois de cruzar a ponte sobre o Rio Paraúna, atenção para uma estradinha discreta que sai à esquerda, em aclive. É uma subida forte e com muito cascalho que dá acesso ao vale do Córrego do Bicho. O trajeto passa a ser por uma trilha bem cascalhada, com sinal de passagem de motos de trilha e até carros em alguns pontos. O aclive vai ficando mais suave e a trilha, aos poucos, vai se aproximando do Córrego do Bicho, que encontro após 17km.

É um trecho encachoeirado do córrego, com várias quedinhas e poços pequenos, além de uma boa área no entorno para acampar. Mais acima no terreno, passo próximo a uma cachoeira do Bicho, que visualizo desde a trilha. Outra área interessante para acampar e explorar.

A trilha passa a seguir por um relevo levemente ondulado, em ligeiro aclive, margeando o córrego do Bicho. É um misto de campo e cerrado, com pouca sombra disponível e muitas trilhas em várias direções. Até as proximidades do Rancho do Adão, é preciso cruzar diversos afluentes do Córrego do Bicho, com mais ou menos água. É importante observar que normalmente só há um ponto de passagem por esses afluentes, já que existem capões de matas e cercas dificultando a passagem.

Próximo ao Rancho do Adão, o cerrado dá lugar a uma área de capoeira e campos de altitude. Depois de passar pelo propriedade e cruzar o Córrego do Bicho numa baixada, dou uma guinada para a direita (S-SE), seguindo por uma trilha discreta por campos de altitude. Ignoro um caminho mais consolidado que segue subindo, à esquerda, para me manter na parte baixa do terreno. Pouco depois chego a um pequeno afluente do Córrego do Bicho, com uma boa quantidade de água e um pequeno poço. Local onde acampei no 1º dia.

Neste dia percorri 29.7km.

2º dia: Afluente Bicho x Poço do Soberbo

No segundo dia continua o avanço rumo às cabeceiras do Córrego do Bicho, em leve aclive. Próximo da nascente é preciso subir a vertente à direita, um trecho curto de subida moderada. Na parte mais alta é preciso avançar por um trecho ligeiramente confuso, com vegetação típica de cerrado. São muitos caminhos que se cruzam em todas as direções e trilhas que somem repentinamente. É o trecho de navegação mais complicada de toda a travessia.

Depois de passar pelo cerradinho, a caminhada segue por campos de altitude e inicia uma forte descida rumo ao fundo do vale do Córrego do Barbado. Depois de cruzar o córrego, muitos trilhos de vacas em várias direções, mas que normalmente levam ao encontro com o Rio Preto.

A travessia do Rio Preto merece atenção em períodos chuvosos. Embora o rio apresente, na maior parte do tempo, uma vazão controlada, é preciso ficar atento com tempestades que podem cair durante a noite.

Na outra margem a trilha começa um pouco apagada, mas depois encorpa e segue me demarcada em direção às cabeceiras do Córrego dos Piões. No caminho passagem pela Fazenda Pinhões da Serra e por um rancho, aparentemente sem uso. Após o rancho há uma subida moderada com muito cascalho e pedras soltas pela vertente do vale. Na parte mais elevada do terreno, a trilha vai margeando o capão de mata até o ponto em que é preciso atravessá-lo.

Do outro lado do Córrego Piões a trilha segue bem definida por campos de altitude. A subida vai se tornando mais forte e me aproximo do ponto culminante da travessia, com GPS marcando 1.392m. Próximo ao topo do morro há um trecho curto, com alguma centenas de metros sem trilha definida, mas a vegetação ajuda no deslocamento.

Após uma tronqueira, onde a trilha volta a ser bem demarcada, sigo por um longo declive em direção ao Ribeirão do Inhame. Depois de cruzá-lo continuo no rumo sul e intercepto a trilha que dá acesso ao povoado de Inhames. Subo a trilha por algumas dezenas de metros e retomo o rumo sul por uma trilha suja entre os afloramentos rochosos. Mais a frente essa trilha se junta a uma antiga passagem rumo ao Córrego do Quartel.

Neste trecho tem início uma descida acentuada e bem cascalhada, com mais de 300 metros de desnível, rumo ao patamar inferior da Serra do Cipó. Na parte baixa são vários os caminhos que se apresentam, sendo necessário seguir no rumo SE para cruzar o Córrego do Quartel.

Depois da travessia a trilha segue bem consolidada e com poucas dificuldades até o Poço do Soberbo, onde pernoitei a segunda noite. Destaque para a Cachoeira do Rubinho, que fica a aproximadamente 3km antes do Soberbo. A área que se estende desde o Córrego do Quartel até a travessia do Rio das Pedras é particular e o proprietário não é muito amigável aos montanhistas. A sede da fazenda, todavia, fica bem distante, o que minimiza qualquer tipo de abordagem. De qualquer forma, recomendo agilidade neste trecho e que se evite a pernoite na área. Atenção também com o Rio das Pedras em períodos chuvosos, é um curso d'água que costuma encher rapidamente caso chova forte nas suas cabeceiras. O que pode dificultar ou impedir a travessia.

Neste dia caminhei 32.3km.

3º dia: Poço do Soberbo x Lapinha

O dia mais tranquilo de caminhada. Saindo do Soberbo, sigo pela antiga estradinha em direção a parte alta do Córrego Fundo. Vários pontos de água neste primeiro trecho. Com menos de 1h30 de caminhada chega-se ao rancho, último ponto de água antes do fim da travessia.

Logo na saída do rancho, deixo a estradinha precária em favor de uma trilha bem demarcada à direita. Seguindo sempre à direita, esta trilha começa a subir uma vertente do Córrego Fundo, chegando rapidamente a um platô no alto da serra. Por este platô a caminhada se desenvolve até deixar as terras da Fazenda Cachoeira.

Ainda por uma estradinha, mas em melhores condições, sigo em direção à Lapinha, finalizando o trajeto na curva conhecida como "cotovelo", onde espero por uma carona para voltar pra casa.

Neste dia caminhei 12.7km.

OBSERVAÇÕES:
- Trilha de dificuldade moderada, não há trechos muitos técnicos e a navegação é relativamente tranquila, como em várias travessias pela Serra do Espinhaço. Pela distância percorrida, no entanto, é uma travessia que exige bom preparo físico.

- Para percorrer o caminho com tranquilidade, são necessários pelo menos 4 dias, ainda mais se o trajeto for percorrido em grupo. Porém, caso o acesso e o resgate seja feito de van, é possível otimizar o roteiro, minimizando a quilometragem percorrida por dia.

- No período chuvoso é necessário se atentar para os dois principais cursos d'água da rota: Rio Preto (um pouco após a metade) e o Rio das Pedras (já no trecho final). Chuvas persistentes ou uma tempestade durante a noite pode dificultar bastante ou impedir a travessia. Neste caso deve ser cogitado o retorno ou uma rota de escape.

- Boa quantidade de água pelo caminho, em todas as épocas do ano. Sugiro uma autonomia mínima de 1L por pessoa. Dois trechos mais longos sem oferta de água: das cabeceiras do Córrego do Bicho até o vale do Córrego do Barbado e os quilômetros finais da travessia, após o Rancho do Soberbo.

- Não conferi sinal de telefone durante a travessia. Caso tenha, são em pouquíssimos trechos. Um local com potencial é a região do ponto mais alto da travessia.

- Várias rotas de escape ao longo da travessia, a saber: Cemitério do Peixe/Capitão Felizardo na altura das cachoeiras do Córrego do Bicho; Fechados desde as cachoeiras do Córrego do Bicho até após o Rancho do Adão. Nas proximidades do Rancho do Adão também há disponibilidade de sair no sentido de Congonhas do Norte. Para Extrema/São Cruz dos Alves/Congonhas do Norte desde o vale do Córrego do Barbado até após a Fazenda Pinhões da Serra. Neste trecho também há a opção de sair para o povoado de Inhames, no lado oposto da serra. Do ponto mais alto da travessia e o trecho pelo vale do Córrego do Quartel, a saída recomendada é para o povoado de São José da Cachoeira. Das proximidades do Soberbo em diante a única alternativa é Lapinha da Serra/Santana do Riacho.
Lembrando que, caso seja necessário sair por algum desses pontos, são trechos longas que exigem várias horas de caminhada.

- Boas áreas de acampamento ao longo da rota. Caso queira reduzir o 2º dia, o ideal é acampar nas proximidades do Ribeirão do Inhame. No primeiro dia, em período de estiagem, o ideal é acampar um pouco antes do Rancho do Adão, próximo ao afluente do Córrego do Bicho. Se conseguir adiantar a caminhada através de um carro ou van, que percorra parte dos quilômetros iniciais, uma opção interessante é o vale do Córrego do Barbado.

- Caso a logística seja feita de carro ou van, é possível adiantar, ao menos, os 9km iniciais de caminhada. Para além disto, o resgate pode ocorrer nas proximidades do Pé de Manga, cerca de 2.5km antes do cotovelo.

- O trecho entre o Córrego do Quartel até a travessia do Rio das Pedras é propriedade particular e o dono não costuma ser muito amigável com os montanhistas. Não recomendo passar a noite nesta área.
Para todos os efeitos, a sede da fazenda fica distante do trecho percorrido no tracklog, o que deve minimizar qualquer tipo de surpresa desagradável.

- Esta travessia não passa por unidades de conservação públicas. Para evitar qualquer indisposição com os moradores, lembre-se de manter as porteiras/tronqueiras fechadas, não fazer fogueiras, não deixar lixo e não entrar nas sedes das fazendas, salvo se necessário.

- Pouquíssima oferta de sombra pelo caminho (< 5%). Chapéu e protetor solar são ítens obrigatórios em qualquer época do ano.

- Não é necessário pagar nenhum tipo de ingresso nem agendar a realização desta travessia.

- Não há qualquer ponto de apoio ou infraestrutura ao longo da rota. O acampamento é feito no estilo natural e os caminhantes devem levar os suprimentos de acordo com o tempo estimado para realizar o trajeto.

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