Horas  uma hora 9 minutos

Coordenadas 3864

Uploaded 13 de Setembro de 2014

Recorded Agosto 2014

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376 m
274 m
0
1,0
1,9
3,84 km

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próximo a Listernohl, Nordrhein-Westfalen (Deutschland)

Esta caminhada teve um sabor todo especial. Aliás, o domingo em que ela foi feita foi bem diferente. Estávamos, eu e um colega, bem distante de casa, próximo à cidade de Ölpe na Alemanha em viagem de caráter profissional. Para nossa satisfação iríamos nos encontrar com um amigo de longas datas, alguém que vem ao Brasil desde os anos 60, a quem acrescentei carinhosamente o sobrenome ‘da Silva’. Com saudades de nossa terra, pediu que levássemos umas latas de feijoada. Não dá prá ter outro sobrenome, não é?

Seu Hoffman é uma dessas figuras carimbadas, daquelas de completar álbum, lembra?, um dos craques do time. Conhecemos-nos ali por volta do ano 2000 em Itapissuma-PE: ele veio como parte da equipe técnica para discussão inicial duma máquina alemã que a empresa comprara. Os alemães não falavam português e nós idem para o alemão. A linguagem comum foi o inglês, mas aquele senhor de cabelos brancos entendia boa parte daquilo que cochichávamos, pois já havia morado no Brasil por muitos anos. De vez em quando ele soltava um “xaiser”, como quem diz ‘eita que besteira!’. Sua verve sempre foi muito amolada, cortante, meio Seu Lunga, e continua assim até hoje.

Dentre minhas responsabilidades no projeto uma dizia respeito a tropicalizar uma parte do equipamento e foi Seu Hoffman quem me ajudou. Do seu jeito, mostrou-me como ter atenção aos detalhes, e dar foco no que era importante. Foi meu professor de caldeiraria industrial.

Fomos apanhados, Edmar e eu, no início da tarde por outro alemão, Mario, e seguimos para casa de Seu Hoffman. De lá seguimos para a caverna de Atta-Höhle próximo à cidade de Attendorn. Trata-se de um local que está todo preparado para receber a visita de estudantes e turistas. O piso é cimentado, há luzes por toda parte, corrimão de aço inox, escadas, telas contra o toque indevido, e placas de aviso. Não se pode tirar foto. O percurso de uns 1.2 km debaixo da terra é realizado em pequenos grupos, com paradas em locais estratégicos, onde o guia explica detalhes das belezas fascinantes que encontramos pelo caminho. Se há um sentimento que lhe ocorre quando visitamos uma caverna é de como somos efêmeros: para crescer um estalaguite ou estalaguimite, míseros, 1 milímetro a natureza precisa de 10.000 anos. São colunas e colunas, até mesmo folhas de pedra, que levaram milhões de anos para tomarem aquelas formas magníficas e que nos leva ao deslumbramento.

De lá seguimos para conhecer a represa registrada neste percurso. Estacionamos o carro e subimos até o paredão. O lago é relativamente estreito, menos de 2 km de margem a margem. Olhando para o alto, no meio da floresta, víamos uma plataforma e decidimos ir até lá em cima. Chegamos a uma encruzilhada decisiva: à direita longa; à esquerda curta e íngreme. De fato, a trilha da esquerda seguiu por entre os pinheiros. Foi com muita satisfação que vimos Seu Hoffman de quase 80 anos subir aquele morro com tanta disposição. Chegou inteiro lá em cima. Pelo caminho, na ida e na descida lembrávamos-nos das histórias vividas no Brasil, com ele alternando entre o português e o alemão, traduzindo para Mario. Demos muitas risadas relembrando quando ele foi chamado de ‘gringo’ na portaria da fábrica (quase uma ofensa!), ou da falta de um ingrediente básico no hotel em que ele morava: como preparar uma ‘Chaspirina’, com seus efeitos curativos da gripe e outras mazelas, sem um limão!?.

Para registro: Eu gostaria de registrar aqui o nível de organização das trilhas na Alemanha. Nas fotos vocês podem ver que é possível encontrar quadros nos quais encontra-se um sumário da trilha, incluindo alguns waypoints e o perfil de elevação; há placas em algumas esquinas, exclusivamente para bikes, indicando distâncias (no padrão internacional, brancas de letras vermelhas), e outras em estradas locais em que claramente indicam que por ali pode passar uma bicicleta. Não por acaso, não há limite de velocidade nas ‘autobans’ alemãs, pois, além de uma rodagem perfeita e ser 100% protegida por guard-rail, não há pessoas circulando nos acostamentos. Só quem já andou a 200k/h sabe como a adrenalina pega.
Provisionamento

Restaurante

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