Coordenadas 2895

Uploaded 19 de Outubro de 2016

Recorded Outubro 2016

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1.408 m
948 m
0
4,6
9,3
18,55 km

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próximo a Vila Nova, Vila Real (Portugal)

Uma caminhada relativamente acessível feita pela Serra do Marão, quase sempre em caminhos florestais.

Ao Km 8.5 o percurso é feito por um trilho de trail bastante inclinado e que eu não aconselho fazer com tempo húmido pelo risco de queda. A alternativa será seguir pelo caminho da direita ao Km 8 e fazer um percurso de cerca de 2Km até ao Km 8.7 deste percurso.

Vou falar-lhes dum Reino Maravilhoso. Embora muitas pessoas digam que não, sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade, e o coração, depois, não hesite. Ora, o que pretendo mostrar, meu e de todos os que queiram merecê-lo, não só existe, como é dos mais belos que se possam imaginar. Começa logo porque fica no cimo de Portugal, como os ninhos ficam no cimo das árvores para que a distância os torne mais impossíveis e apetecidos. E quem namora ninhos cá de baixo, se realmente é rapaz e não tem medo das alturas, depois de trepar e atingir a crista do sonho, contempla a própria bem-aventurança. Vê-se primeiro um mar de pedras. Vagas e vagas sideradas, hirtas e hostis, contidas na sua força desmedida pela mão inexorável dum Deus criador e dominador. Tudo parado e mudo. Apenas se move e se faz ouvir o coração no peito, inquieto, a anunciar o começo duma grande hora. De repente, rasga a crosta do silêncio uma voz de franqueza desembainhada: - Para cá do Marão, mandam os que cá estão!...

Miguel Torga, Um Reino Maravilhoso
A serra está cheia destes pontos, onde o olhar se pode perder. Assinalei apenas os que mais me encantaram.
A serra está cheia destes pontos, onde o olhar se pode perder. Assinalei apenas os que mais me encantaram.
A serra está cheia destes pontos, onde o olhar se pode perder. Assinalei apenas os que mais me encantaram.
A serra está cheia destes pontos, onde o olhar se pode perder. Assinalei apenas os que mais me encantaram.
A serra está cheia destes pontos, onde o olhar se pode perder. Assinalei apenas os que mais me encantaram.
Todos os anos, no segundo domingo após a festa de S. Pedro, as populações dos concelhos de Vila Real, Amarante, Baião, Mesão Frio, Santa Marta e Régua sobem, encosta acima, grande parte ainda a pé, por veredas e caminhos de cabras, para durante dois dias dançarem e bailarem, conviverem e rezarem. A paisagem transforma-se. O ermo vira campo de folia. As barracas estendem-se ao longo da estrada e dos caminhos. As fogueiras assam barrigas, frangos e sardinha. Pequeno poema da festa: A Senhora do Marão Tem um manto cor de lírio Que lhe deu um marinheiro Que se viu no mar perdido A Senhora do Marão Mandou-me agora chamar Que tinha o seu manto roto Que lho fosse remendar Ò Senhora do Marão Vem cá baixo à lameira Com uma cestinha no braço Buscar o pão da Teixeira
Este pequeno percurso é feito a corta-mato (não é exageradamente difícil) com um único objectivo: ir em busca de mais uma paisagem.
A serra está cheia destes pontos, onde o olhar se pode perder. Assinalei apenas os que mais me encantaram.
Um pequeno riacho que atravessa o caminho.
Esquerda ou direita? Sempre em frente!
Em locais estratégicos, normalmente rodeados de floresta e de tudo o que de mais natural existia, foram construídas em tempos áureos as casas florestais. Durante décadas, os Guarda-florestais, actualmente incluídos na GNR, habitavam juntamente com as suas famílias, estas casas tão bem projectadas, construídas e localizadas. Ali viviam e enquanto o pai trabalhava percorrendo toda a sua área geográfica denominado de Cantão, importunando os prevaricadores e conversando com os restantes moradores, a esposa ainda cultivava a horta e fazia a lida de casa, madrugando e despachando os filhos para a escola. Em alguns casos, ainda sobrava tempo para criar uns galos, coelhos e até o porco. As lareiras fantásticas que estas casas possuíam eram um convite à produção de fumeiro, que sabia tão bem comê-lo junto às brasas… Ah, este fumeiro era defumado com a lenha de árvores que secavam e que existiam nas imediações da casa, bem como de giesta que teimava em invadir estas áreas, mas não conseguia… Ninguém conhecia melhor a área do que o guarda-florestal, pois passava diariamente nos caminhos, via o coelho correr, a árvore crescer, o fogo a surgir e até o criminoso a fugir. Como eram homens à antiga, tinham rigor e funcionavam como “gestores” dessas áreas, embora sujeitos às ordens dos Serviços Florestais, tinham autonomia para deixar que um pobre cortasse dois pinheiros que o vento ou a neve arrancou e os transportasse para casa para aquecer os seus filhos. Desta forma, satisfaziam-se as vontades e necessidades da população e mantinham-se as florestas mais limpas. As próprias pragas florestais como escolitídeos, nemátodo, ou mesmo a processionária, eram controladas indirectamente pelo povo e pelo guarda-florestal.
Esquerda, direita? Hoje pela direita!
O Castanheiro (Castanea sativa) é uma árvore de grande porte, muito abundante no interior norte e centro de Portugal, cujo fruto (ouriço) contém a castanha, que formou, juntamente com o trigo, cevada e centeio, a base da alimentação em Portugal até ao século XVII. No sul é rara, apenas aparecendo em áreas muito elevadas como a Serra de São Mamede (Marvão). O castanheiro produz também madeira de excelente qualidade, o castanho, muito usada no passado na construção em Portugal, nomeadamente na região norte do país. É ainda hoje muito utilizada em mobília e decoração interior. Desde tempos remotos que é conhecida na Península Ibérica. Alberto Sampaio, referindo-se à alimentação do camponês nortenho na Idade Média, diz: «Os frutos, sobretudo as castanhas, encontravam-se num dia ou noutro na mesa do lavrador». As castanhas menores e tocadas pelos bichos serviam de ração para porcos. A partir da Idade Média, a introdução do pinheiro-bravo (Pinus pinaster) foi um dos grandes responsáveis pelo recuo desta espécie, bem como do carvalho. Mais tarde, a introdução do milho e da batata fizeram a castanha perder a importância que tinha na alimentação da população. Hoje, a castanha está intimamente ligada às comemorações de São Martinho e ao Magusto, sendo consumida durante o outono, normalmente assada ou cozida. Apesar de a planta se encontrar em declínio, devido à concorrência de outras espécies florestais, à doença da tinta e ao abandono dos campos, o seu fruto ainda é uma exportação agrícola portuguesa importante (aproximadamente 4% da produção mundial).

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