Horas  6 horas 16 minutos

Coordenadas 1274

Uploaded 20 de Outubro de 2014

Recorded Outubro 2014

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  • Easy to follow

     
  • Scenery

     
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próximo a Covas do Rio, Viseu (Portugal)

Trilho circular, não sinalizado, no maciço da Gralheira, região de S. Pedro do Sul, que percorre a Serra de S. Macário, terra de frondosas matas e de aldeias quase vazias que vale a pena conhecer, cada vez, com mais urgência, pela sua beleza e história. Percurso com paisagens deslumbrantes e com a adrenalina do "caminho do morto que matou o vivo" entre a Aldeia da Pena e Covas do Rio.

Iniciamos o percurso em Covas do Rio, depois de percorrer as ruelas do pequeno casario, tomamos a estrada M559-1 ao longo de três quilómetros até encontrar um estradão à direita em direcção ao alto de S. Macário. Primeiro ponto de paragem: Alto de S. Macário (1060m), junto à curiosa capela do lendário Homem Santo e agora padroeiro da serra. A estrutura, um singelo e austero rectângulo caiado de branco com uma fachada aperaltada com dois obeliscos em granito e uma cruz em ferro, pode causar alguma estranheza a caminheiros menos informados, por se encontrar cercada por um muro em xisto que a oculta completamente até à altura do telhado. O facto, contudo, deve-se à necessidade de proteger a estrutura dos ventos ciclónicos que frequentemente assolam a serra. Um pouco mais abaixo encontra-se a ermida do Santo e outra capela. Do alto da Serra de São Macário, a cerca de 10 km de equidistância, avistam-se seis capelas: Nossa Senhora da Nazaré – Palhais; Santa Ana – Cumeada; Nossa Senhora dos Remédios – Sertã; Nossa Senhora da Confiança – Pedrógão Pequeno; Nossa Senhora da Graça – Graça e São Neutel – Figueiró dos Vinhos. Todas estas capelas foram construídas, segundo a lenda, em locais no cimo das serras ou montes elevados, de onde é possível os sete irmãos avistarem-se uns aos outros.

Começamos a descer a serra em direcção à Aldeia da Pena, é sempre obrigatório parar um pouco e observar o quadro perfeito que é a mancha de xisto do seu casario e os socalcos verdes que cobrem o fundo da verdadeira “cratera” onde se encontra a aldeia. Devido ao seu posicionamento, esta aldeia possui um pequeno microcosmos principalmente ao nível da flora. Depois de uma paragem para almoço na adega típica existente à entrada da aldeia, retomamos a caminhada pelas ruelas da aldeia e com uma breve visita ao “museu” – venda de artesanato local. Deixamos a aldeia em direção aos afloramentos rochosos que se encontram fronteiros à mesma, tendo para isso de atravessar alguns campos de cultivo. Exatamente entre os dois afloramentos rochosos, poderemos ver uma queda de água (ribeira da Pena) que se despenha entre essas massas de xisto. Iniciamos aqui uma descida pelo espectacular vale desta ribeira, pelo “caminho do morto que matou o vivo”. Depois de atravessar o riacho e subir o caminho de carro de bois Covas do Rio é alcançada, local onde terminou este percurso.

Pontos de Interesse:
Aldeia Covas do Rio, Capela de S. Macário, Alto de S. Macário (1060m), Magnificas Panorâmicas, Aldeia da Pena, Caminho do morto que matou o vivo e Queda de Água da Ribeira da Pena.

A lenda da Pena e do Santo Macário
“em tempos idos existia uma aldeia no coração da Serra de S. Macário, no lugar a que chamam Cova da Serpe. O local, para além de albergar a aldeia, era também residência de uma enorme e malévola serpente-dragão. O animal, daninho como era, descia pela noite ao povoado e provocava verdadeiras razias em gentes e animais, deixando estéreis os campos por onde se arrastava”. E é aqui que as histórias se separam. A lenda da Pena contínua da seguinte forma: “a população, amedrontada e farta de perder assim o seu parco sustento resolveu abandonar a aldeia e mudar-se para um outro local. O sítio escolhido foi um vale vizinho, do outro lado da serra (onde hoje se encontra a aldeia), profundo e quase inacessível protegido por gigantescas fragas. Finalmente livres do assombro da serpente os habitantes respiraram de alívio. No entanto, nunca lograram esquecer totalmente a sua antiga aldeia, e por isso se lamentavam pelo seu abandono: que pena... que pena que foi - diziam! A verdade é que o desgosto e a pena foram de tal ordem que o nome acabou mesmo por ficar, e hoje não há nesta região quem não conheça a sorte das gentes da Pena”. A lenda de S. Macário, por seu lado, guarda um final diferente: “Um dia S. Macário matou o monstro e sossegou a população ficando a morar como eremita, primeiro na Cova da Serpa e depois na Capelinha que lhe construíram os aldeões no alto do Monte. E assim, em homenagem ao Santo e à sua boa ação, a capelinha e o monte onde foi construída receberam o seu nome”

«O caminho onde o morto matou o vivo». Lenda ou tragédia?
Noutros tempos, muito antes do conjunto de casas ter ficado reduzido aos oito habitantes, que atualmente lhe sobreviveram, a aldeia da Pena não tinha cemitério. Quem morresse tinha que empreender uma última viagem até Covas do Rio pelos desequilíbrios do carreiro que segue ao lado da linha de água. Numa dessas vezes, reza a história, o caixão atraído pela vertigem soltou-se com um dos seus carregadores atrás. E a jornada, que começara com um morto, terminou com dois. O caminho acabou batizado pelo trágico incidente.

3 comentários

  • Foto de Carlos A. Jesus

    Carlos A. Jesus 21/out/2014

    Muito bom

  • jlata22 30/jan/2015

    Ya la hemos realizado. Ahora la vamos a preparar para un grupo de Montaña. El problema donde empezar, ya que llegaremos en Autobus grande. Me entra la duda de como llegar al inicio, ya que según recuerdo, el autocarro no puede dar la vuelta.
    jlata22b@gmail.com

  • Foto de Caminhantes

    Caminhantes 30/jan/2015

    Olá jlata22
    Na aldeia de Covas do Rio será dificil circular com o autocarro, mas no acesso à aldeia existia na altura um local que se estiver desocupado permite a inversão de marcha do autocarro (coordenadas google do local 40.898282, -8.073014).
    Há ainda a possibilidade de iniciar o percurso perto da Capela de S. Macário e deixar o autocarro na estrada municipal CM1123 (coordenadas google 40.876848, -8.068981).
    Lembro que as estradas em questão são municipais de dificil circulação a veiculos de grande dimensão, o ideal é utilizar um minibus. Espero ter ajudado.
    Boas caminhadas!

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