Tempo em movimento  3 horas 33 minutos

Horas  4 horas 11 minutos

Coordenadas 1993

Uploaded 29 de Março de 2020

Recorded Setembro 2019

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11,31 km

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próximo a Sanguinho, Açores (Portugal)

Quando, na curta conversa que tivemos, a jovem que, no avião, a meu lado, viajando para Ponta Delgada, me disse que ia de propósito para fazer o percurso pedestre do Salto do Prego, fiquei com "a pulga no ouvido". Então, quando o Nuno nos falou dos imperdíveis percursos e mencionou também o Salto do Prego, tive que propor aos meus companheiros que o fizéssemos.
E agora aqui estamos para iniciar a caminhada, junto à paragem de autocarros, à entrada de Faial da Terra.
O céu grisalho deixa que a luz matinal liberte a paisagem verde escura da serra à nossa frente. A água, da Ribeira que bebeu o nome da povoação que atravessa, vai cantando, descendo sobre o cascalho e as pedras arrastadas por enxurradas de inverno que no leito vão adormecendo. Passamos a última casa. É do senhor J. Soares. Em painel de azulejo diz-nos que a fez ele próprio. Que dela usufrua com todo o proveito, desejamos.
Para trás vamos deixando agora o "Presépio da Ilha" e entramos num caminho entre ribeira e terrenos de cultivo pintados por grandes folhas de inhame. Terrenos findados, acompanha-nos agora, do lado esquerdo a parede que o rio foi modelando por milénios e que a vegetação teimosa tenta roer. Há árvores penduradas nas rochas que delas são nascidas e alimentadas.
Invadindo a terra e o olhar, as conteiras, os incensos e as acácias procuram sufocar a restante vegetação. Resistem-lhes alguns loureiros, e uma profusão de plantas rasteiras verdejando a terra húmida. Correm regatos pela encosta e as raízes invadem espaços que a ramos a natureza, por hábito, destina. São singularidades que, porque tão repetidas, o deixam de ser.
Agora, a beleza do carreiro estende-se para lá da proteção de corda de sisal que o ladeia. Sentindo a pequenez do corpo a alma agiganta-se de pleno prazer na comunhão da beleza desta obra divina.
Passamos a ponte de madeira olhando as pesadas pedras que a corrente de água de invernos chuvosos foi arrastando colina abaixo. Hoje, no seu canto manso, a ribeira vai esquecendo a pressa turbulenta de outras estações.
Subimos entre gigantes. São as criptomerias que, lá de cima, olham compassivas estes frágeis mortais que sob elas passam.
Sai-nos ao caminho um par de garnisés. Não existindo habitações num raio de, pelo menos, 5km, só podem ser selvagens. No entanto, parecem mais domésticas que aquelas que o são. Uma atreve-se mesmo a voar e pousar no ombro de um de nós. À volta existe muito que comer para estes bichinhos. Não devemos nós dar-lhe parte das nossas rações porque desconhecemos o mal que lhes poderá fazer.
Continuamos. Já se escuta o bater da água na cascata. O caminho encurva em meandros e descidas perto do precipício. Com cuidado vamos descendo até ao leito da ribeira. E... aqui está ela!... imponente, pese, todavia, a pouca água que o estio prolongado a isso a obrigou. Mesmo assim admirável. O som melodioso da água que cai sobre este lago, libertando ondas concêntricas deslizando ao ritmo do som, o contraste de luz e sombras, os verdes dos musgos e fetos no cinza e castanho das rochas, os brilhos libertados entre o branco da água cadente, a paz sentida neste idílico ambiente, ... enfim, tudo o que nos rodeia é de uma beleza terna e afável envolvendo-nos com uma carícia de abraço de mãe. Bem hajas Mãe Natureza!... quedamo-nos no usufruto deste recanto apetecendo desnudarmo-nos para, num banho purificador, usufruir ainda mais desta benesse.
Subimos agora, eu e o meu amigo V., contornando precipícios para observar a queda de água pela parte superior. As nossas companheiras ficaram e vão de regresso. É belíssima a cascata, vista daqui. Aquilo que para nós foi apenas um desejo contido, é para o grupo que acaba de chegar lá abaixo realidade. Na água entram e banham-se com satisfação. Que inveja... mas não viemos equipados para tal, fica prá próxima.
Decidimos continuar trilho acima para a Cascata do Pafarrão. Cada passo, serra acima, é uma gota caindo na alma sedenta de sonho.
As grandes criptomerias estendem as suas rai
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Iniciando junto da Ribeira do Faial da Terra

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Ribeira do Faial da Terra

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J. Soares construiu a casa e ajudou a moldar a natureza.

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Pelo canhão da ribeira

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Por cima de pedras e belos carreiros

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Singularidades que o deixam de ser porque repetidas

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A beleza continua ribeira acima

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As derradeiras Rocas-de-velha

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A exuberância da paisagem sempre nova a cada passo

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Entre Criptomedias e folhas de conteiras a água corre e canta

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Um abraço da natureza a quem por ela caminha

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As Rocas-de-Velha já despidas de flores despertam desejos de voltar no final da Primavera

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Na encruzilhada dos trilhos

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Indígenas improváveis e selvagens mas muito sociais

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A água vai deslisando pela encosta enquanto o galarucho debica insetos descuidados

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O Salto do Prego deslumbrante

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Por cima da cascata

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A caminho do Salto do Cagarrão

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Um carreiro sobre raízes e musgo

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Passando arroios serra acima

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A grandeza das Criptomedias

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Outra ponte que não destoa na natureza

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Aqui as conteiras ainda têm flores

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Proteções laterais artesanais mas necessárias

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Duas grandes pardieiras de uma porta para a beleza

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O Salto do Cagarrão

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Nem debaixo de chuva resisto à ilustração

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Que se lixe a chuva quando a natureza nos acarinha

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Perdidas na serra

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Sanguinho

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O Sanguinho - um cantinho de beleza

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Pelas belas ruelas da aldeia

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Por uma calçada com Faial da Terra por fundo

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Ouriços enfeitando a calçada

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Bananeiras num quintal

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Cabrita na ribeira

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