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23,29 km

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próximo a Itapeva, Minas Gerais (Brazil)

Rural 73 - Travessia Itapeva-MG x Extrema-MG

Percurso 25,6km
Tempo: 8:30h
Custo: ~R$ 60,00/pessoa (Tiete SP => Itapeva MG. Extrema MG => Bragança Pta => Tiete SP)
Navegação: Dificuldade Media
Intensidade física: Moderada

O que usei:

Alimentação: Um lanche café da manha, 1 lanche almoço, fruta ou cereal, 1 lanche tarde. 4L de agua.
1 facão
1 faca
Kit primeiros socorros
Lanterna
Perneiras
2 calças comprida
1 chapéu
1 camisa manga longa
1 camiseta
2 roupas intimas
2 pares de meias
Higiene pessoal
Pá para latrina
1 par de botas
1 par de chinelos
Documentos pessoais
Mapa impresso do percurso
Track de celular
Conhecimento de navegação em mato fechado

DICAS

Não tem ponto de agua potável. Nem com uso de cloro;
Vá com roupas apropriadas para prática de exercícios e mochila de ataque. Dê preferencia para as mais velhinhas. As chances de rasgar em galhos e espinhos são altas;
Tem muito sobe e desce;
Atravessa pastos com bois e vacas;
Passa por propriedades particulares;
Trechos de matas fechadas;
Muitas espécies de urtigas e espinhos;
Algumas caixas de marimbondo em capim e arvores baixa;
Muitos pontos de indecisão. Seguir o track e procurar a saída menos pior;
Pontos que exigem andar engatinhando para não ficar enroscado nos cipós;
Nos piores lugares de navegação em mata fechada, siga mais ou menos o track e procure marcas nas árvores. Marcas a partir do km 8;
Sempre favorecer a sua esquerda. Direita sempre é descida acentuada e foge da crista da serra;
Em locais com caminhos de bois na linha do track, siga que não tem erro;
Ao cair na estradinha de terra, a caminhada segue em ritmo mediano e continuo;
Doces e queijos no km 13;
Buteco km 14;
Alambique no km 16;
Cachoeira no km 18;
Ir em grupo de ate 10 pessoas. Como passa por diversas propriedades particulares e com animais dentro, poucas pessoas chamam menos atenção e não assustam tanto os animais dessas propriedades;
Em locais abertos, andar sempre afastados ao menos 1m de distancia. Em áreas fechadas, fazer grupos pequenos de 2 ou 3 pessoas e andar colados para vencer os cipós,
Em áreas de mata fechada, sempre manter o grupo sob os olhos de todos;
Muito cuidado ao colocar as mãos nas árvores ou matos para se apoiar. Evite o máximo que puder. Tem muitos espinhos, urtigas e pequenos animais/insetos;
Enfrente o capim alto sem medo. Sempre bata o bastão antes e vai andando. Abaixe o mato com o bastão ou facão e pise por cima;
Não exige técnica de escalada;
Procure evitar barulho. Isso pode servir de alerta para abelhas. Mas não vi nada além de marimbondos.

REFLEXÃO DA TRILHA

Este passeio esta mais para um trekking rural. Passa por morros, matas fechadas, fazendas, estradinhas de terra, pedaços de asfalto, casas vendendo doces e queijos, alambique, vilas, ranchos e a cachoeira do salto.
Fiquei com câimbras de tanto sobe e desce. Sobe 100m... Desce 100m.
A ultima descida foi perigosa. O chão estava um sabão. Escorreguei e cai 5 x.
Após sair na estrada, o terreno fica plano e melhor para caminhar.
Passa alguns caminhões nessa estradinha. Para quem pretender caronas...
Seguindo o conselho do amigo Henrique Boney, fiquei matutando um nome para essa travessia e acabei gostando de um que não tem nada a ver com as cidades da travessia. Óbvio que o nome das cidades sempre vão prevalecer, mas temos um nome carinhoso para o local.
Olha a historia e motivo do nome:
Faltando 3km para chegar na rodoviária de Extrema, ponto final da travessia, um carro parou e ofereceu carona. O único dos muitos que passaram jogando poeira nas minhas fuças. Resolvi aceitar o nobre gesto pela simpatia com que o Sr. motorista me abordou. Não tinha intensão de caronar.
O Sr. Tinha por volta de uns 50 anos, cabelos grisalhos até os ombros, óculos fundo de garrafa, magro, sorridente, calças jeans e camisa xadrez. Um típico hippie dos anos 70.
Quando entrei no carro, me senti mais aventureiro do que quando estava varando mato. O carro parecia aquele dos Flintstones.
Logo o Sr. me perguntou de onde eu vinha, onde eu morava... expliquei o trajeto que havia feito e ele vibrou: que bacana! Muito louco isso. Isso foi o suficiente para ele contar sobre sua vida:
Eu nasci no RJ, não gostava de praia e curtia a vida no campo. Então escolhi uma faculdade que iria facilitar minha ida para o campo: Agronomia. Ao me formar, vim para a região de Extrema. Casei, tive filhos e às vezes ia ao RJ com auxílio do pai. A grana no campo é curta.
Quando meu pai morreu, deixou uma grana para mim e então eu comprei um sítio por aqui. Mas eu sonho em ir mais para cidades grandes, aos finais de semana ou férias. Gosto do acesso fácil à cultura e no interior isso é raro. Fico pirado quando vou para SP e tem teatro, evento e feiras gratuitas.
Após contar sua história, contei um pouco da minha... dava para ver no rosto dele o quanto ele estava feliz e motivado em ouvir algumas aventuras malucas. Parecia tudo o que ele gostaria de ter feito ou fazer um dia.
Ao descer do carro, na rodoviária de Extrema, ele me disse: Continue com as suas caminhadas e quando conquistar um sonho, inicie outro! Muitos gostariam de estar fazendo isso.
Agradeci a carona, o papo e lhe disse: não desista dos seus sonhos de conhecer as grandes capitais! Você merece.
Foi por este simples gesto de ajudar o próximo e não temer o desconhecido no meio de uma estrada deserta, que resolvi nomear essa travessia com o nome do carro desse Sr. Carro que ele disse ter comprado após passar anos sonhando com o modelo: uma Rural 73. Assim sempre me lembrarei dessa figura e creio que ele ficaria feliz em saber dessa história.

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