Tempo em movimento  5 horas 36 minutos

Horas  7 horas 39 minutos

Coordenadas 3288

Uploaded 22 de Abril de 2019

Recorded Abril 2019

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61 m
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5,0
10
20,11 km

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próximo a Zambujeira do Mar, Beja (Portugal)

Acordámos sem pressa. Pequeno almoço no calmo bar do parque e abalamos pela M502 diretos à Zambujeira. Sem motivo de interesse, por enquanto, é tempo de recordar. 1997, últimos dias de julho, depois de algumas peripécias, Luís Montez consegue que se 'monte' em 11 dias todos os recursos e equipamentos que hoje demoram quase dois meses. A Herdade da Casa Branca foi o local sonhado que, por um feliz acaso, apareceu. Estavam contratados como cabeça de cartaz Marylin Mason, Blur e Suede. Começou a 6 e acabou a 10 de agosto. Houve carradas de poeira, houve confusão no estacionamento, houve más condições no acampamento, houve cerveja a duzentos paus (quase o triplo da venda normal)... houve muita coisa má mas ouve muito mais coisas boas e o Festival Sudoeste continua a ser hoje ainda "O Festival" de Portugal.
Acabou-se a recordação. Chegámos à praia. Por um carreiro na duna subimos a encosta sul. Apanhamos um caminho, marcado por pequenos toros de madeira, que nos leva na direção da Praia dos Alteirinhos. Avisa-nos uma informativa placa que esta é uma praia dedicada ao naturismo. De facto hoje está nua. Nua de gentes porque as condições meteo não têm sido as melhores para ir à praia e menos ainda em pelota. Descemos pelo passadiço que conduz à praia. A meio atravessamos o arroio que forma uma bela cascata e voltamos a subir, agora por um simpático carreiro que nos leva à falésia. Ainda que se aprecie estas paisagens centenas de vezes, de cada vez que as olhamos são deslumbrantemente novas. Olhamos pró Lajão e... aquele gajo é doido!...então não é que vai um indivíduo a subir a parede?!... mãos e pés nus na pedra lisa e escorregadia. tentei ilustrar a cena mas o zoom do telemóvel não me permitiu melhor que aquilo que aqui apresento. Para ver o tal 'meco' é preciso fazer um exercício do tipo "onde está o Wally".
Chegou lá acima. Como desceu não sei porque temos mais pressa agora que quando acordámos.
Caminhando sobre areia vermelha. Enchendo a alma de cor, passamos sobre a falésia olhando as rochas beijadas pela espuma branca do mar.
Deixamos o caminho assinalado para continuar perto do mar e deste banho de azul. Retomamos a sinalização um pouco antes da Praia do Alvorião. Um pouco mais e descemos para a Praia do Carvalhal. O areal é cortado por um pequeno ribeiro. Equilibrando-nos sobre as pedras conseguimos atravessar a pé enxuto. Retomamos o caminho num carreiro que nos leva junto de uma vedação em arame. Do lado de dentro há animais pouco comuns por estas paragens mas os "animais" que deste lado vão também não são muito comuns por aqui, só que estes vêm porque querem os outros foram deslocados do seu habitat natural. Sigamos!
Já passámos a Praia dos Machados com o seu longo areal e olhamos agora para as falésias negras, estratificadas quase na vertical. O esforço não permite que sustenhamos a respiração mas a paisagem é para isso. Que forças fizeram virar ao céu estas rochas nascidas na horizontal?... Há coisas incríveis nesta costa. Outras rochas já vimos que apresentam curvaturas como se saídas de mãos de padeiro que as retorceu como se retorce a massa de pão.
Afastamo-nos do mar para contornar a propriedade que a isso nos obriga. Silêncio!... aqui cantou-se o fado em noites de lua-cheia. Ouçamos a voz de Amália. Aqui passava férias a Diva que não dava férias à Voz. O povo batizou a praia - Praia da Amália. O caminho que à praia nos leva segue à beira de um ribeirinho de margens floridas. Diz-se que Amália por aqui plantava flores e sons na arriba. »Dá-me a sensação que estou num barco». Agora é turismo de habitação. Cada noite acima dos 350€. Ficamos com a recordação da voz da Diva.
fazemos uma prece a Deus em favor da Voz de Portugal e subimos carreirinho acima de novo para as falésias. Ziguezagueando nas alturas, bebendo emoções e enchendo o coração de infinito aproximamo-nos de Azenha do Mar.
Paramos no Palhinhas. Depois de tanta beleza saboreamos agora outros petiscos.
Bem almoçados, sem exageros que ainda há caminho para andar, saímos da Azenha do Mar descendo o passadiço que leva à estrada do porto de pesca. As cegonhas nos pináculos dos rochedos atraiem turistas que se empoleiram nas rochas para ver de perto. Esperemos que tudo lhes corra bem. Descemos um pouco agarrados a uma corda que ali foi colocada para evitar acidentes. Quão fácil é distrairmo-nos perante esta beleza do oceano e a ternura das cegonhas que chocam seus ovos.
De novo a caminho do cimo da falésia, olhamos a praia para petiscar um pouco mais desta beleza. Insatisfeito, desvio-me enquanto os meus companheiros seguem o caminho sinalizado. Bebo mais um pouco da beleza da praia e dos ninhos e cegonhas nos rochedos. Corro para apanhar quem fez menos caminho. A beleza é um suplemento de energia.
Embebecídos íamos, arrastando a areia debaixo das botas, quando a natureza decide despertar-nos. Ao nosso lado e à frente alguns "canteiros" de flores mais comuns em jardins que por sendas de caminhantes. Multiplas pétalas em profusão, rasteiras com folhas carnudas, uma pincelada de tons e luz impressionista de Monet. São miríades de "Malícias" (Lampranthus multiradiatus) enchendo-nos os olhos de rosa forte. Um pouco mais de cor para estes espíritos bêbados de natureza.
Bebendo mar e respirando flores chegamos à arriba sobre a Praia de Baiona. Estamos no limite do Alentejo. à nossa frente, do outro lado da Ribeira de Seixe já é Algarve.
Olhamos o extenso areal da Praia de Odeceixe. Descemos por um caminho até à Praia. Pelo asfalto, nos limites das várzeas incultivadas, seguimos até Odeceixe.
Depois de um duche reparador, finalizamos o dia com uma jantarada de peixe fresco no Chaparro. Bem haja.

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