Horas  8 horas 13 minutos

Coordenadas 3284

Uploaded 9 de Fevereiro de 2019

Recorded Fevereiro 2019

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1.700 m
898 m
0
5,5
11
22,14 km

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próximo a Manteigas, Guarda (Portugal)

- Percurso circular, com marcações, com início e fim no Parque de Lazer de S. Sebastião (opcional), próximo de Manteigas;
- Passagem pelo Observatório Meteorológico, Casa da Fraga e aldeia de Penhas Douradas, Fragão do Corvo, Vale das Éguas, Fraga das Penhas, Vértice geodésico do Curral dos Martins, Fenda de Talisca da Mestre e Nave da Mestre, Charca do Perdigueiro, Penedo das Pedras Sobrepostas, estrada florestal dos Covais e encosta poente do Vale Glaciar do Zêzere;
- Este percurso apresenta alguma dificuldade na parte inicial, pois a subida até às Penhas Douradas é muito acentuada. Chegados ao planalto central da serra, o trilho torna-se mais suave (relativamente ao declive), mas continua a requerer atenção, quer ao piso que se calca, quer às súbitas mudanças meteorológicas e nevoeiros intensos. Especial atenção para a descida até à estrada florestal dos Covais, pois é muito técnica e com uma paisagem deslumbrante a acompanhar;
- De uma forma geral, é um percurso fantástico, repleto de paisagens lindíssimas. No entanto, não se aconselha ser feito em períodos com muita neve, pois tem passagens que se tornarão bastante perigosas. Com chuva e neblina é totalmente desaconselhado.

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PR4 ROTA DO CARVÃO
- A Rota do Carvão conta uma parte da história de Manteigas, intimamente relacionada com a pastorícia, o centeio e a floresta. Na zona de maior altitude do percurso, além do aproveitamento dos pastos naturais para o gado, que ainda hoje é aí pastoreado, era produzido carvão para venda na Vila de Manteigas através da queima da raiz da urze, popularmente designado de borralho. A beleza da paisagem natural que o percurso proporciona é comprovada pela presença de Matos e Matagais e por Florestas de Folhosas, em contraposição com as esculturas naturais concebidas nas escarpas rochosas, como a Fraga da Cruz – majestoso cabeço granítico, o Fragão do Corvo e a Pedra Sobreposta. Este percurso, além de atravessar as Penhas Douradas – pequena aldeia de montanha que teve a sua origem no tratamento em altitude de doenças do foro respiratório, dá a conhecer a Nave da Mestra – depressão topográfica que apresenta um largo plano rodeado por um maciço granítico muito fracturado. O privilégio de se conhecerem estes locais é completado pelo Vale das Éguas, pelo espelho de água do Vale Rossim, pela Charca do Perdigueiro, pela panorâmica incrível para o Vale Glaciar e para o acumular de serras que se estendem até Espanha. O percurso engloba também o Observatório Meteorológico das Penhas Douradas, construído há mais de um século para monitorizar as condições meteorológicas da região. Ao percorrer o andar basal, intermédio e superior da Serra, o trilho apresenta uma enorme variedade de vegetação e fauna. O salgueiro-branco, o plátano-bastardo, o cervum, a consolda-vermelha, o jacinto dos campos, a faia, o castanheiro e o carvalho-negral compõem parte do conjunto da vegetação. Realça-se o valor da tramazeira, do zimbro e do vidoeiro, devido à sua raridade em Portugal. Também é possível encontrar a caldoneira que detém o estatuto de conservação pela Directiva Habitats. O leque de espécies animais é imenso e extremamente variado. Neste traçado habitam o javali, a raposa, a toupeira, o ouriço-cacheiro e a lebre. Quanto aos répteis, o sardão e a lagartixa-do-mato estão presentes. As linhas de água fomentam a existência de anfíbios como a rã-iberica, a rã-verde e o lagarto-de-água. O peneireiro, a coruja das torres e o tartaranhão-caçador são as aves que dominam os altos céus da Rota do Carvão. Com menor porte, temos o melro-azul, o melro das rochas, o andorinhão-preto e o guarda-rios.
CARVALHO-NEGRAL (Quercus pyrenaica Willd) - Distribuição geográfica: oeste e sudoeste de França, Península Ibérica e Marrocos. Em Portugal é mais frequente no centro e norte. - Habitat e ecologia: dominante em matas de clima mediterrânico (com período de seca estival importante) relativamente chuvoso mas continental (isto é, com geadas importantes). Ocorre normalmente entre os 400 e os 1600m, mas também desde 0 a 2100m. Prefere solos siliciosos. Espécie de média luz, necessitando de uma precipitação média anual superior a 600mm e humidade ambiental. Temperatura ideal no inverno entre -5 e 7ºC e no verão entre 12 e 22ºC. Tem um importante papel protetor do solo e regulador dos ciclos hidrológicos. À semelhança de outros carvalhos, é uma importante fonte de alimento para muitas espécies animais, desde insetos a aves e mamíferos. Também proporciona habitat favorável ao aparecimento de plantas como o Selo-de-salomão, a Arenária, ou a Rosa-albardeira e também de cogumelos.
OBSERVATÓRIO METEOROLÓGICO DAS PENHAS DOURADAS - Foi construído em 1882 a uma altitude de 1388 metros para o estudo e previsão do clima da montanha, ainda hoje em funcionamento. A condição ímpar da Serra da Estrela em Portugal, leva a que o estudo do clima e previsão do tempo na Montanha tenha também interesse a nível científico. Mesmo em montanhas como a Serra da Estrela, com apenas uma altitude máxima de 1993 metros, o clima é bastante instável exigindo assim cuidados redobrados.
PINHEIRO DO OREGON (Pseudotsuga menziesii) - Origem: Do México ao Alasca, regiões costeira a 3000 metros nas Rochosas. - Características: A sua folhagem é flexível e de um verde claro, o seu crescimento rápido e o seu tronco direito, tornam-na numa bela árvore de parque para plantar isolada. A variedade costeira, chamada douglas verde, é a mais interessante para a exploração florestal. As florestas de Limousin, de Bourgogne ou de Auvergne são também exemplos de florestas cultivadas com esta espécie. Excelente madeira para a carpintaria e diversas utilizações. Muito resistente.
CASA DA FRAGA - A procura de locais de tratamento da tuberculose levou à construção de habitações que marcam a paisagem natural da serra e em particular das Penhas Douradas. Um dos exemplos destas habitações é a Casa de Alfredo César Henriques, também conhecida por Casa da Fraga. Localizada a alguns metros de onde se encontrava o antigo Observatório Meteorológico das Penhas Douradas, apresenta uma arquitetura única, enquadrada na paisagem natural, tendo sido adaptada a partir de elementos já existentes no local - pedra granítica. Este amontoado de blocos de granito foi engenhosamente aproveitado para uma casa construída em 1882 pelo santareno Alfredo César Henriques, o primeiro tísico a ser tratado com os bons ares da altitude (1.475 m). Por aqui se curou durante dois anos por aconselhamento do médico Sousa Martins e terá estado na origem das restantes construções que se encontram nas redondezas e que passaram a constituir a estância de montanha “Penhas Douradas”.
PENHAS DOURADAS - Pequena aldeia de montanha que teve a sua origem no tratamento em altitude de doenças do foro respiratório. Este local é assim designado devido à formação geológica aqui existente e situa-se no concelho de Manteigas, distrito da Guarda, na Serra da Estrela, a cerca de 1.300 metros de altitude, destacando-se pelos seus chalets e pela vista sobre o vale glaciar do rio Zêzere. Foi aqui, na Serra da Estrela, que surgiu a primeira estância de turismo de montanha de Portugal e é considerada uma das regiões mais frias do país. A paisagem é dominada por grandes blocos graníticos. A vegetação é composta por bosques de pinheiro-silvestre ou pinheiro-de-casquinha (Pinus sylvestris). Perto das Penhas Douradas fica a barragem do Vale de Rossim, que se destina ao aproveitamento hidroeléctrico e a atividades náuticas, praticadas nomeadamente no Verão. Sousa Martins (médico que se notabilizou no combate à tuberculose), na sequência da expedição científica realizada em 1880 pela Sociedade de Geografia de Lisboa, considerou as Penhas Douradas o lugar mais saudável do país, graças ao seu ar puro e fresco.
MIRADOURO DO FRAGÃO DO CORVO - Visto de longe, parece uma pintura chinesa. Pedregulhos arredondados misturam-se com urzes e giesta de flor branca em tufos também arredondados pelo vento. No cimo, a mão humana deixou um marco de ponta redonda. Bem assinalado na chegada às Penhas Douradas, o Fragão é um lugar sagrado para quem conhece aquelas altitudes bravias, e para quem chega é uma surpresa inesquecível. A vista sobre Manteigas e o vale do Zêzere deixa-nos fundidos, dissolvidos na paisagem imensa das serranias que se sucedem. À frente, os primeiros vales, cobertos de floresta mista e terraços que conquistaram terra plana naqueles declives tão acentuados.
NAVE DA MESTRA - É também conhecida como Nave da Barca devido ao grande penedo que tem a forma de um barco. A Nave da Mestra serviu, desde idos tempos, como abrigo a pastores e seus rebanhos. Hoje, além dos pastores, abriga também montanheiros que aqui se refrescam e retemperam forças. Mas há uma construção que chama à atenção e nesta explosão de natureza. Reza a história que um Juiz, o Dr. Matos, construiu ali a sua casa de férias, no Verão em 1910. A sua construção foi concretizada por mão-de-obra vinda de Manteigas, em cima de mulas, por um caminho que ainda hoje existe e ajudada por macacos hidráulicos, utilizados para levantar as gigantes pedras, incluindo aquela que faz de telhado à casa. Entretanto, a obra foi abandonada à sua sorte…
VALE GLACIAR DO ZÊZERE - Vale Glaciar do Zêzere, 13kms de extensão, um dos maiores da Europa, maravilhosa dádiva da Natureza e, ao mesmo tempo, uma lição a céu aberto sobre os vestígios da última época de glaciação, há milhares de anos. Na sua forma de «U», ostenta inigualáveis belezas geológicas, como as austeras rochas graníticas dos Cântaros, Magro, Gordo e Raso (a 1.928 metros de altitude) e reservas biogenéticas de elevado valor natural e paisagístico. No sopé do Magro (a 1420 metros de altitude), uma jóia do Vale, o Covão D’Ametade, antiga lagoa glaciar de beleza incomparável. Entre o sinuoso percurso do Vale Glaciar, onde a terra já mais não rende que algum pastoreio e pequenas bolsas de uma débil agricultura de subsistência, o Zêzere corre veloz, escapando-se, audaz e destemido, apressado em chegar a paragens mais tranquilas. O Vale Glaciar do Zêzere, profunda garganta de direcção NNE-SSW, instalado numa importante falha, é um dos melhores exemplos de como os glaciares modelaram a paisagem: a forma em «U» deve-se à maciça presença de gelo no cimo da montanha, criando como que uma cúpula de onde vertiam “línguas” para os vales periféricos. Sendo um Vale Glaciar, e por isso muito aberto, as encostas são muito íngremes, cobertas de bolas graníticas e um caos de blocos rochosos, principalmente na base de línguas de água. No fundo do Vale, o Rio Zêzere, pastos verdejantes que rebanhos de ovelhas e cabras pacificamente repartem harmonizam a paisagem. São visíveis ainda algumas construções típicas da serra (características casas de pedra com telhados em colmo de palha de centeio ou giesta), por ali chamadas de «cortes», assim como as casas da guarda-florestal. O pastoreio e a agricultura que resiste convivem, harmoniosamente, com um sem número de espécies de fauna e flora, em paisagens de rara beleza que emprestam ainda mais encanto ao Vale. A língua de gelo principal, a que deu origem ao Vale Glaciar do Zêzere, estendia-se até território onde se situa hoje a Vila de Manteigas. Só mais adiante, a cerca de 680 metros de altitude, se iniciava o processo de dissolução. Essa língua, alimentada pelas línguas afluentes da Nave de Santo António, do Covão D’Ametade, da Candieira e dos Covões, chegava a atingir impressionantes 300 metros de espessura. As moreias existentes, espaços onde os gelos depositaram enormes blocos de rocha deslocadas do planalto glaciar, são disso fiável testemunho: a Lagoa Seca, a Nave de Santo António e a Candieira. Era tal a força do gelo, uma indomável força da Natureza, que consigo carregava blocos rochosos de proporções invulgares, como o espectacular Poio do Judeu, cerca de 150 m3 de granito, um monstro inerte com mais de 500 toneladas que jaz no alto da Nave de Santo António. Os glaciares da Serra da Estrela criaram inúmeros depósitos sedimentares, característicos da paisagem do maciço e prova da existência da própria glaciação. Nas encostas do Vale, prende a atenção a grandiosidade das vertentes abruptas, sulcadas por linhas de água que caem em cascata e que, em tempos idos foram moldadas pelos gelos. Na margem direita do Zêzere, a mancha verde corresponde à floresta da Mata Nacional; na esquerda, ressaltam os piornais e «agarrados» aos rochedos, exemplares de carvalho negral, resquícios da floresta primitiva. Alterações no sistema ecológico local, com reflexos na flora, poderão ter-se desenvolvido em função das formações geológicas típicas associadas à morfogenese glaciária, processo de modelagem. Nomeadamente ao nível de variações no declive, orientação das vertentes ao sol e aos ventos, existência ou não de regolitos (nome dado aos fragmentos de pedra que cobrem a superfície da Lua devido a erosão cósmica)e sua granulometria e de depósitos sedimentares. É este Vale, este maravilhoso Vale Glaciar do Zêzere, integrado no Parque Natural da Serra da Estrela e Rede Natura 2000, que vale a pena proteger e apreciar.

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