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Coordenadas 2025

Uploaded 16 de Fevereiro de 2019

Recorded Fevereiro 2019

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  • Easy to follow

     
  • Scenery

     
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5,4
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21,75 km

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próximo a Mondim de Basto, Vila Real (Portugal)

- Trilho circular, apenas com marcações enquanto se acompanha a levada de Piscaredo;
- Por motivos logísticos, optou-se por iniciar o percurso em Mondim de Basto, percorrendo a levada até ao seu início, no açude das Mestras e, a partir desse ponto, após travessia dos rios Cabril e Cabrão, regressar pela margem esquerda do primeiro;
- Além de se acompanhar, integralmente, a Levada de Piscaredo, também se cruzam várias linhas de água, entre elas o Ribeiro de Carrazedo e o Ribeiro da Ribeira Velha. São ainda múltiplos os açudes, ao longo do rio Cabril, assim como duas levadas ao longo da sua margem esquerda: a Levada de Carrazedo e a Levada da Ponte. Passagem ainda pelo Parque de merendas da ponte dos Cavacos, ponte medieval de Vilar de Viando e capelas do Senhor da Ponte e de S. Sebastião;
- Embora o trilho seja muito acessível, devido à extensão percorrida considerou-se a dificuldade como MODERADA;
- IMPORTANTE: nas Mestras, a confluência dos dois rios pode dificultar a sua travessia. No rio Cabril, deve-se usar as poldras aí colocadas (desde que o caudal assim o permita). Já no rio Cabrão, este deve ser atravessado a vau, consoante a época do ano (descalçando as botas, se for esse o caso ou, se o caudal for muito reduzido, pelos seixos de maior porte no seu leito).

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- PR2 LEVADA DE PISCAREDO
O PR2 “Levada de Piscaredo” é um percurso em travessia que tanto pode ter início no lugar das Mestras, na freguesia de Vilar de Ferreiros, como na Vila de Mondim de Basto. O percurso decorre por um trilho ao longo da levada, por entre bosques de carvalhos, loureiros e freixos. Alguns eucaliptos e sobreiros já na sua parte final. Do lado esquerdo corre o rio Cabril, por entre um corredor ripícola constituído por salgueiros, freixos, loureiros, amieiros, etc, onde se abriga uma riquíssima avifauna, da qual se destacam as aves de bosque.
Com frequência ouve-se o piar da águia-de-asa-redonda, voando em círculos sobres este maravilhoso vale que, terá variada coloração, conforme a época do ano: agora verde, no outono laranja e amarelo, castanhos de vários tons… Ao longo do percurso, o visitante poderá observar dois açudes - os das Mestras e o do rio Cabrão - duas levadas, poldras, ribeiras, túneis e trincheiras até chegar aos moinhos de Piscaredo, numa belissima envolvência natural marcada pelo homem ao longo dos séculos, no aproveitamento da água como bem indispensável à vida e às suas actividades rurais.

- MONDIM DE BASTO
Mondim de Basto é uma vila, sede do município com o mesmo nome. O concelho de Mondim de Basto situa-se na região do Norte de Portugal, Distrito de Vila Real, tendo pertencido à extinta província de Trás-os-Montes e Alto Douro. Apesar de geograficamente ligado ao Baixo Tâmega, integra a sub-região região estatística, NUTS III, do Ave. A população da Vila foi fixada em 3 273 habitantes (2011). O município é limitado a nordeste por Ribeira de Pena, a sueste por Vila Real, a sudoeste por Amarante, a oeste por Celorico de Basto e a noroeste por Cabeceiras de Basto. Vila e sede de concelho, Mondim de Basto repousa num solo fértil na margem esquerda do rio Tâmega e no sopé da grandiosa pirâmide verde do Monte Farinha, coroado pela ermida da Senhora da Graça.
- MONTE FARINHA O Monte Farinha (ou Farinho) é uma montanha do distrito de Vila Real, com uma altitude de 947 metros, proeminência topográfica de 147 metros e isolamento de 5,54 km. No seu topo, conhecido como Alto da Senhora da Graça, localiza-se o Santuário de Nossa Senhora da Graça e a vila de Mondim de Basto situa-se no seu sopé. No topo do monte poderá ter existido em tempos a cidade castreja de Cinínia, onde pontificava a tribo dos Tamecanos, antes das legiões romanas, sob o comando do cônsul Décimo Júnio Bruto, invadirem e conquistarem todas estas terras no século II a.C., forçando as tribos da montanha a mudarem-se para as terras baixas. A ascensão ao Alto da Senhora da Graça, por uma estrada com inclinações até 12%, é famosa pela habitual presença na Volta a Portugal em Bicicleta. O Monte Farinha e os altos dos Palhaços e dos Palhacinhos são o principal elemento topológico do concelho. Este Monte, com a sua forma cónica, relaciona-se com quase todo o concelho, sinalizando-o, dado poder ser avistado, praticamente, de toda a região de Basto. Reza a lenda que, há muitos anos atrás, andava um pobre moleiro pelas terras de Basto, com uma velha carroça de madeira puxada por um velho jerico. O moleiro levava consigo um moinho, um “pio de piar” ou sanfona, que utilizava para transformar o milho em farinha. As pessoas das povoações quando o ouviam acorriam imediatamente ao largo da aldeia com os seus sacos de cereais. E assim passava ele o dia, percorrendo uma e outra povoação. Certo dia, encontrou no caminho uma senhora que fazia o seu trajeto a pé, debaixo de um sol escaldante. Compadecido com a graciosa senhora, o moleiro parou e ofereceu-se para a levar na sua carroça. Quando se aproximavam da citânia do Meão Grande (ou dos Palhaços), avistaram um grupo de mouros que a eles se dirigiam. O homem chicoteou o jerico para que ele andasse mais rápido e para que se escapassem dos mouros, mas o animal, assustado, meteu a pata entre duas grandes pedras, não conseguindo libertar-se. O moleiro saltou da carroça para auxiliar o jumento. Mas entretanto chegaram os mouros que o mataram. A senhora, com medo, saltou da carroça para uma alta pedra que se encontrava ao lado, e disse: “Abre-te pedra! Faz-me esta graça!”. A pedra abriu-se, a senhora entrou, e voltou a fechar-se rapidamente. Ao verem isto, os mouros deixaram os grãos de cereais e a farinha e fugiram “a sete pés”. O moinho, descontrolado, não parava de moer. Moeu… Moeu… Moeu… formando um monte muito alto de farinha. As pessoas das povoações vizinhas acorreram ao local, dizendo espantadas: “Que montes de farinha!”. Desde essa altura, este sítio ficou conhecido como Monte Farinha. Quanto à senhora…, continua encerrada na Pedra Alta. O povo atribuiu este acontecimento a Nossa Senhora, construindo, no alto do Monte, uma Capelinha em sua honra para lhe agradecer a ajuda prestada à senhora da Pedra Alta, e deu-lhe por isso, o nome de Senhora da Graça. Ainda hoje o Monte da Senhora da Graça é também conhecido por Alto do Monte Farinha. A Capelinha da lenda é o atual Santuário de Nossa Senhora da Graça. A Pedra Alta que ainda existe, descobre-se facilmente por estar no ermo pintada de branco, e se não é menir, pelo menos está seguramente relacionada com o antigo “culto das pedras”, isto segundo a douta opinião de D. Domingos Pinho Brandão.
- LEVADA DE PISCAREDO A construção da Levada de Piscaredo remonta ao século XIII, ainda no reinado de D. Afonso II. Devido à escassez de água, indispensável para a irrigação dos seus campos, os proprietários das terras de Mondim decidiram um dia partir de suas casas rumo às Mestras, confluência dos rios Cabrão com o Cabresto, e só regressaram muitos meses depois, trazendo consigo o precioso líquido. Conta-se a este propósito que outras aldeias disputavam igualmente estas águas, iniciando a levada de baixo para cima. Quando se aperceberam, já os de Mondim traziam a água consigo, conquistando não só o direito às águas, como também um excelente nível para a construção da levada. A Levada primitiva era feita em terra batida, com todos os inconvenientes daí resultantes. Nos anos de 1960/61 foi totalmente reconstruída em lajes de granito, tal como a conhecemos actualmente, através de Concurso Público promovido pelo Estado, que comparticipou a obra, tendo a Associação de Proprietários contraído um empréstimo para o efeito, que foi amortizado ao longo de vinte anos. Ao longo da Levada há cerca de 15 ou 20 nascentes que lhe pertenciam. Hoje, grande parte dessas nascentes já não corre para o rego devido ao desnível resultante das obras efectuadas.O sorteio das andadas, em número de 17 (tantas quantos os proprietários que fizeram a levada), realiza-se a 24 de Junho, dia de S. João, resultando daí o rol que calendariza a utilização das águas, leiloando-se também meio-dia cujo produto reverte a favor das obras de reparação e conservação da levada. A Levada de Piscaredo tinha um “olheiro” que vigiava e repartia as águas pelos regantes e um regulamento próprio, constante das posturas camarárias a partir do século XVIII. Esse regulamento proibia, a título de exemplo, o corte das águas antes dos moinhos de Piscaredo e a obrigatoriedade de deixar correr pelo ribeiro que atravessava Mondim, um caudal de água equivalente à capacidade de uma telha cheia. As referências mais antigas desta Levada denominavam-na de “Levada de Pisqueiredo”. Actualmente parece ter evoluído para “Levada de Piscaredo”, embora as duas versões sejam correctas.
- SANTUÁRIO DA SENHORA DA GRAÇA É o mais bonito, o mais importante e o mais espetacular Santuário Mariano de todo o Trás-os-Montes. O Santuário da Senhora da Graça é um lugar encantador. Eleva-se no topo do Monte Farinha e é, provavelmente, o terceiro templo de culto a ser construído naquele local. Existem documentos históricos que referem que as obras de reedificação foram autorizadas em 1747 e que já estariam concluídas em 1758, embora exista no seu interior uma pedra lavrada que refere a data de 1775. A primeira Capela no alto do monte, com o título de Senhora da Graça, parece ter sido construída no séc. XVI. Deve ser desse tempo a antiga imagem da Senhora da Graça, atualmente guardada e substituída por aquela que se encontra ao culto no Santuário. É o mais bonito, o mais importante e o mais espetacular Santuário Mariano de todo o Trás-os-Montes. Um lugar de encanto, de eleição e de grande importância religiosa para os habitantes da Região. Este Monte e o seu Santuário são o ex-líbris e o cartão de visita de Mondim de Basto. O monumento é todo de granito da região, de planta composta por torre sineira quadrangular, nave única octogonal e capela-mor e sacristia retangulares, em eixo.O grupo arquitetónico do Santuário é formado pelo Santuário, sacristia e torre sineira. Junto ao Santuário existe uma casa de artigos religiosos. Nesse mesmo espaço funcionou durante muitos anos uma casa de apoio, com quartos e cozinha onde os romeiros pernoitavam e faziam as suas refeições. Também os mesários e padres utilizavam estas instalações porque era de tradição irem de véspera para as festas. Este espaço era também utilizado para fazer casamentos e para outros eventos de caráter social. Em 1936 foi destruído por um incêndio durante o arraial de Santiago e, mais tarde, reconstruído pelo Comendador Alfredo Álvares de Carvalho Pinto Coelho. À sua volta existe um adro, um conjunto de muros e escadórios e uma praceta para a celebração de missas campais. Na encosta do monte voltada para norte e para a região de Basto, há três capelas, simbolizando um calvário, que os fiéis gostam de visitar na subida para o Santuário e às quais chamam de “Passos”.
- RIO CABRIL O rio Cabril é um rio português afluente da margem esquerda do rio Tâmega, que por sua vez é afluente da margem direita do rio Douro. O Cabril nasce perto de Bilhó, passa por Vilar de Ferreiros e desagua no rio Tâmega junto do município de Mondim de Basto, após um percurso de cerca de 14 quilómetros, sendo também neste concelho que se situa a maior parte da sua bacia hidrográfica. O ribeiro da Ribeira Velha e o rio Cabrão são seus afluentes, respectivamente nas margens direita e esquerda.
- PONTE DE VILAR DE VIANDO Foi numa paisagem predominantemente rural, à saída da localidade de Vilar de Viando, nas imediações de Mondim de Basto, que, durante a Idade Média, se lançou uma ponte sobre o rio Cabril. Classificada como "Imóvel de Interesse Público" em 1990, é possível que a "Ponte de Vilar de Viando" integrasse o antigo caminho que ligava Amarante a Chaves. Ponte de cavalete, com um único arco de volta perfeita, o pavimento e as guardas foram de igual modo executados com cantaria granítica, tal como sucedeu com os reforços presentes nas suas extremidades, tanto a montante, como a jusante.
- CAPELA DO SENHOR DA PONTE Capela barroca de uma só nave, do séc. XVIII, com fachada principal em empena de cornija. Apresenta interior com retábulo de pedra pintado, teto de madeira com pinturas "rocaille" e imagem de Cristo, de pedra.
- CAPELA DE S. SEBASTIÃO Capela maneirista e barroca, com fachada principal integrada numa das tipologias mais comuns no distrito e alçados com cunhais apilastrados e rematados em cornija. Apresenta interior com cobertura em masseira e retábulo de talha dourada e policroma de planta reta e três eixos, de estrutura maneirista e decoração barroca, com caráter popular, pintada de azul e branco.

2 comentários

  • Foto de Caminhantes

    Caminhantes 17/fev/2019

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    Olá João!
    Magnífico trilho com excelente descrição e bonitas fotos. Obrigado pela partilha!
    Acabas-te por realizar o trilho que tenho já há muito idealizadoo e nunca o fiz... Quando tiver disponibilidade irei utilizar a vossa experiência.
    Grande abraço.

  • Foto de João Marques Fernandes (CSM)

    João Marques Fernandes (CSM) 17/fev/2019

    Oi Joaquim! Obrigado pelas tuas palavras. Tal como comentei na tua publicação, a base para o trilho que eu fiz foi o vosso percurso anteriormente realizado. Fico satisfeito por saber que está nos teus planos fazer algo parecido, agora com base no complemento que fizemos ao teu percurso inicial. Mais uma vez, obrigada pela partilha!
    Um grande abraço.

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