Horas  3 horas 33 minutos

Coordenadas 1153

Uploaded 23 de Março de 2019

Recorded Março 2019

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793 m
715 m
0
3,1
6,3
12,55 km

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próximo a Sabugal, Guarda (Portugal)

- Conjugação do PR1 Meandros do Côa com uma extensão ao centro histórico do Sabugal;
- Trilho com excelentes marcações em todo o percurso oficial e que coincide, pontualmente, com a Grande Rota do Vale do Côa;
- Este trilho percorre caminhos rurais e caminhos de pé posto ao longo das margens do rio Côa, o que o torna belíssimo, do ponto de vista paisagístico;
- Importa também referir que, na sua maioria, este trilho apresenta muita sombra, o que o torna aliciante para ser percorrido em dias mais quentes;
- Na cidade do Sabugal, o percurso concentrou-se essencialmente na zona histórica em torno do castelo, com passagem ainda pela igreja Matriz.

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PR1 SBG - Meandros do Côa
A pequena rota “Meandros do Côa” é um percurso que tenta aproximar o mais possível o pedestrianista do rio, num percurso de natureza exuberante e bem preservada. Nesta área o rio serpenteia as colinas talhadas em xisto, formando as curvas denominadas “meandros”. Mais à frente, o rio entra numa área granítica e o vale torna-se mais estreito, profundo e rectilíneo. As diferenças entre a morfologia do relevo talhado em xisto e em granito e o contacto entre os dois são as características geológicas mais interessantes, embora de difícil percepção no terreno. A fauna e especialmente a flora são exuberantes, inundando os sentidos do visitante. Estamos numa área densamente arborizada, destacando-se uma galeria ripícola muito desenvolvida e bem preservada, com amieiros e freixos de grande porte, debruçados sobre o rio. Junto a este também existem grandes fetos e variados arbustos. Nas vertentes, especialmente nas viradas a norte, existem matas de carvalho e castanheiro, conferindo a toda a área uma grande beleza. A fauna é variada, aproveitando a abundância de água e o facto de haver pouca presença humana. A observação da fauna, nem sempre é fácil, sendo as aves o grupo de mais fácil observação, sendo que nesta área podemos observar patos-reais ou garças. Sendo mais difícil, a observação das lontras existentes é muito gratificante. As tradicionais construções em pedra, destinadas ao aproveitamento da água para a agricultura, pastorícia e moagem, marcam também a paisagem do rio, mas de uma forma bastante harmoniosa. Existem açudes em pedra, com os seus canais, levadas, pára-ramos e passadiços, para armazenarem e conduzirem de forma engenhosa a água para os campos ou para os moinhos de rodízio. Na área do percurso existem seis moinhos deste tipo, todos abandonados há várias décadas, mas que constituem testemunhos interessantes da arquitectura tradicional da primeira metade do século XX. No Sabugal, existem monumentos dignos de visita, especialmente o magnífico castelo. A história do concelho pode ser visitada no museu arqueológico.
Distância total a percorrer: 10,3 Km
Altitude Máxima e Mínima: 785.0m (Quintas de S. Bartolomeu); 720m (Moinho do Delfim)
Duração: 3 horas
Grau de Dificuldade: fácil
Época Aconselhada: todo o ano (no Inverno poderá existir gelo e nevoeiros)

Sabugal
O Sabugal é uma bonita cidade Beirã, sede de concelho, localizada na região Centro do País, numa área montanhosa, banhada pelo bonito Rio Côa, desde cedo palco de diversos conflitos e batalhas, envolvida por diversas fortificações defensivas. Esta é uma região que denota ocupação humana bastante remota, mostrando indícios de ocupação pré-história, a partir do Neolítico, sendo também abundantes os vestígios da Idade do Bronze e do Ferro. A própria povoação de Sabugal ocupa um esporão natural onde provavelmente existiu um castro na Idade do Bronze, posteriormente ocupado no período romano. A Idade Média foi um período conturbado para a região, que chegou mesmo a pertencer ao reino de Leão, sendo reconquistada por alturas do Tratado de Alcanices. Testemunho destes tempos conturbados são os cinco castelos envolventes, pertencentes ao município do Sabugal: Alfaiates, Vilar Maior, Sabugal, Vila do Touro e Sortelha. O Sabugal está integrado na bonita Reserva Natural da Serra da Malcata, onde estão protegidas diversas espécies vegetais e animais, muito conhecida por um dos últimos abrigos do lince ibérico. O castelo do Sabugal constitui o património de maior interesse da cidade, que conta também com outros locais de interesse, como a Igreja da Misericórdia, o bonito Pelourinho, um bonito e renovado espaço verde, o Jardim das Poldras, com diversos atractivos para crianças, o Jardim do Largo da Fonte, ou os Jardins da Ponte de Açude com agradáveis vistas sobre o castelo e o rio Côa, não esquecendo o espaço do Museu Municipal, dedicado à arqueologia e etnologia, e a encantadora praia fluvial. Na região pertencente ao município do Sabugal existem ainda diversas aldeias históricas que merecem visita obrigatória, como Sortelha, demonstrando a riqueza histórica, natural e cultural deste território, sinais de tempos idos que ditosamente se mantiveram até aos nossos dias.
Vulgarmente conhecido como carvalho-negral ou carvalho-das-beiras ou carvalho-pardo. O termo pardo alude ao facto de no outono a folhagem adquirir uma coloração parda característica. A designação pyrenaica deriva da sua expansão, desde o norte de África (Marrocos, Argélia) aos Pirenéus, passando densamente pela Península Ibérica. O carvalho-negral pode atingir, no estado adulto, em povoamento florestal e em condições favoráveis, 25 a 30 m de altura. Apresenta copa irregular, ritidoma cinzento-anegrado; folhas caducas (habitualmente), forma lobada a partida, densamente aveludadas na página inferior. Frutos de Maturação anual. Ocorre normalmente entre os 400 e os 1600m, mas também desde 0 a 2100m. Prefere solos siliciosos. Espécie de média luz, necessitando de uma precipitação média anual superior a 600mm e humidade ambiental. Temperatura ideal no inverno entre -5 e 7ºC e no verão entre 12 e 22ºC. Tem um importante papel protetor do solo e regulador dos ciclos hidrológicos. À semelhança de outros carvalhos, é uma importante fonte de alimento para muitas espécies animais, desde insetos a aves e mamíferos. Também proporciona habitat favorável ao aparecimento de plantas como o Selo-de-salomão, a Arenária, ou a Rosa-albardeira e também de cogumelos.
O Rio Côa nasce na Serra das Mesas, ao lado da Serra da Malcata e perto da aldeia de Fóios, junto à fronteira luso-espanhola, a uma altitude próxima dos 1200 metros e tem cerca de 130 km de extensão. É na cidade do Sabugal que ele muda repentinamente de direção, passando a correr no sentido Sul-Norte, desaguando no Rio Douro, cuja foz deu nome de baptismo ao povoado mais próximo - Vila Nova de Foz Côa. Para jusante do Sabugal, até próximo da Quinta do Roque Amador, a cerca de 5 km, estende-se um dos mais belos troços do Rio Côa. Primeiro, serpenteando as colinas talhadas em xisto, formando belos meandros e depois correndo num vale mais rectilíneo e encaixado. Esta área, apesar de muito próxima da sede de concelho está muito bem preservada do ponto de vista ambiental, ostentando uma galeria ripícola densa e com árvores de grande porte. Ao percorrer estes caminhos e trilhos ribeirinhos tem-se a sensação de estar num local remoto e selvagem, sendo os nossos sentidos inundados pelos sons, cores e cheiros da natureza em estado quase puro. Aqui, as estações do ano marcam a paisagem vincadamente. A Primavera é exuberantemente verde, nos Verões quentes é um oásis de frescura, o Outono oferece-nos uma magnífica paleta de castanhos, vermelhos e amarelos e o Inverno é frio e cinzento, cobrindo-se por vezes de um branco que tudo embeleza. Do ponto de vista climático, pode dizer-se que o Rio Côa tem um clima mediterrâneo, pois nas suas margens se produz muito do que o Mediterrâneo oferece. É um dos rios menos poluídos de entre os rios portugueses, e a sua água, por consequência, tem um alto grau de pureza. Que o diga a truta, arisca e selectiva, que lhe povoa as águas inquietas. Ao longo de 17 Km. a partir da sua foz, o Vale do Côa é um Santuário de arte rupestre, deixado pelos homens do Paleolítico, e, como tal, é um Monumento Nacional entretanto consagrado como Património Cultural da Humanidade.
Um moinho de água, ou azenha, é qualquer tipo de mecanismo capaz de aproveitar a energia cinética da movimentação de águas, e que permite moer grãos, irrigar grandes arrozais, drenar terras alagadas e até gerar eletricidade. Há centenas de anos que o movimento da água é usado nos moinhos. A passagem da água faz mover rodízios de madeira que estão ligados a uma mó (pedra redonda muito pesada). Esta, mói o cereal (trigo, milho, cevada, aveia, etc.) transformando-o em farinha. Estas são as estruturas mais primitivas conhecida de aproveitamento da energia cinética das águas dos rios e ribeiros. Modernamente, certas corredeiras e quedas d'água provisórias, onde eram instalados esses moinhos, são usadas para produzir energia elétrica. Quando chove nas colinas e montanhas a água desce para os rios que se deslocam para o mar. O movimento ou a queda da água contém energia cinética e energia potencial que pode ser aproveitada como fonte de energia. Normalmente constroem-se diques que param o curso da água acumulando-a num reservatório a que se chama albufeira ou represa. Noutros casos, existem diques (açudes) que não param o curso natural da água, mas obriga-a a passar por um desvio que a leva até o moinho.
Construção feita num curso de água, destinada a deter ou desviar água para abastecimento, irrigação, produção de energia, etc.
O tungstênio (português brasileiro) ou tungsténio (português europeu) (também conhecido como volfrâmio ou wolfrâmio) é um elemento químico de símbolo W e número atômico 74. Um metal de cor branco cinza sob condições padrão, quando não combinado, o tungstênio é encontrado na natureza apenas combinado com outros elementos. Foi identificado como um novo elemento em 1781, e isolado pela primeira vez como metal em 1783. Os seus minérios mais importantes são a volframita e a scheelita. O elemento livre é notável pela sua robustez, especialmente pelo fato de possuir o mais alto ponto de fusão de todos os metais e o segundo mais alto entre todos os elementos, a seguir ao carbono. Também notável é a sua alta densidade, 19,3 vezes maior do que a da água, comparável às do urânio e ouro, e muito mais alta (cerca de 1,7 vezes) que a do chumbo. O tungstênio com pequenas quantidades de impurezas é frequentemente frágil e duro, tornando-o difícil de trabalhar. Contudo, o tungstênio muito puro é mais dúctil, e pode ser cortado com uma serra de metais. A forma elementar não combinada é usada sobretudo em aplicações eletrônicas. As muitas ligas de tungstênio têm numerosas aplicações, destacando-se os filamentos de lâmpadas incandescentes, tubos de raios X (como filamento e como alvo), e superligas. A dureza e elevada densidade do tungstênio tornam-no útil em aplicações militares como projéteis penetrantes. Os compostos de tungstênio são geralmente usados industrialmente como catalisadores. O tungstênio é o único metal da terceira série de transição que se sabe ocorrer em biomoléculas, usadas por algumas espécies de bactérias. É o elemento mais pesado que se sabe ser usado por seres vivos. Porém, o tungstênio interfere com os metabolismos do molibdênio e do cobre, e é algo tóxico para a vida animal.
Pelourinho do Sabugal Sabugal teve o primeiro foral dado por D. Dinis, em 1296, e recebeu foral novo de D. Manuel, em 1515. No Livro das Fortalezas do reino, de Duarte de Armas, executado em 1509-1510, é possível ver o desenho do pelourinho então existente, um pelourinho de gaiola medieval, representado com dimensões tais que mais se assemelha a uma construção em madeira (?). Na sequência da atribuição do foral manuelino, terá sido erguido um novo monumento, do qual não existe registo ou descrição, e que foi desmantelado em data incerta. Foi esboçada uma recriação conjectural deste pelourinho no início do século XX, da autoria do Dr. Vale e Sousa, delegado do procurador régio na comarca de Mogadouro, que recorreu para tal a diversos fragmentos então dispersos na povoação. Este esboço mostra um tradicional pelourinho de início de Quinhentos, erguido sobre um soco de cinco degraus oitavados, de parapeito, e constando de base quadrada, fuste constituído por dois colunelos torsos anelados na base e topo e cingidos por anel central, capitel liso e circular, e remate em pinha torsa. O desenho mostra igualmente os ferros de sujeição, em cruz, rematados por serpes de onde pendem as argolas, e a grimpa, uma bandeirola de catavento. Hoje em dia, restam apenas três fragmentos deste pelourinho, dispersos entre o edifício dos Paços do Concelho e a Biblioteca Municipal, respeitantes à parte superior do fuste, ao capitel, e à pinha do remate, existindo por parte da autarquia planos para a sua reconstrução. Note-se que é muitas vezes referido como "pelourinho do Sabugal" um outro monumento, erguido no castelo da localidade, que é de facto uma obra revivalista, datada de 1940. A classificação respeita aos fragmentos do pelourinho quinhentista. Museu Municipal do Sabugal Localizado no edifício das antigas finanças, o Museu Municipal do Sabugal apresenta uma exposição permanente de cariz arqueológico, com objetos recolhidos no concelho do Sabugal, que permite contar a história da ocupação do Homem nas terras de Riba Côa ao longo dos séculos. Estão representadas diferentes épocas: Pré-História – pedra lascada, pedra polida, machados de pedra e bronze, estelas pré-históricas, fíbulas, contas de colar; época Romana – coleção de epigrafia com inscrições funerárias e votivas, e dois marcos miliários; Idade Média – objetos que datam da ocupação leonesa e da pertença das terras à coroa portuguesa, após a assinatura do Tratado de Alcanizes, representados por cerâmicas, fivelas, moedas. Tem uma coleção de armamento dos séculos XVII a XIX, e ainda uma coleção de cerâmica de várias épocas. Na sua envolvente, o museu oferece um espaço ajardinado muito agradável onde sobressaem uma sequóia gigante e uma fonte de repuxos.
A vila beirã do Sabugal fica situada num pequeno planalto da Serra da Malcata, vigiando o caudal do Coa a seus pés e acolhe-se à sombra do seu esbelto e forte castelo medieval, frequentemente chamado de Castelo das Cinco Quinas devido à invulgar forma da sua torre de menagem pentagonal. Embora os historiadores não tenham uma certeza absoluta quanto a isso, a fundação cristã da vila do Sabugal poderá ter ocorrido no século XII, após a derrota dos Mouros. No entanto, existem vestígios pré-históricos e troços de uma estrada militar romana que indiciam diversas e mais antigas ocupações humanas. Esta região foi alvo de disputas acesas entre os reis portugueses e de Castela, tendo D. Dinis tomado posse do Sabugal e das terras de Riba-Coa no ano de 1296, sendo mais tarde esta posse confirmada com a assinatura do Tratado de Alcanises em 1297. Assim, D. Dinis procedeu ao seu repovoamento e concedeu-lhe a carta de foral. Ao mesmo tempo, o rei mandou erguer este forte e esbelto castelo. Já durante o reinado de D. Manuel I, nas remodelações de estilo manuelino que foram sendo feitas por todo o lado, a fortaleza do Sabugal recebeu novas e bem dimensionadas obras de beneficiação, estando esta iniciativa gravada com os seus símbolos reais nas pedras da porta principal do castelo. Vez por outra, o castelo do Sabugal serviu a sua função militar, mas também chegou a ser convertido em presídio, sendo que um dos seus mais ilustres prisioneiros foi o intrépido e indomável poeta e cavaleiro Brás Garcia de Mascarenhas, um escritor do século XVII, que ficou célebre pelas suas aventuras e pelo não menos famoso poema épico Viriato Trágico. Um dos mais importantes acontecimentos militares relacionados com o Castelo do Sabugal aconteceu em abril de 1811, quando as tropas anglo-lusas aqui aquarteladas combateram e derrotaram o exército francês que retirava sob o comando de Massena. Depois da vitória de 1811, o Castelo do Sabugal ficou desguarnecido e abandonado, de modo que, as muralhas da sua extensa cerca foram sendo desmanteladas e a sua pedra reutilizada nas mais diversas construções da vila beirã. A partir de 1846, a praça de armas do castelo passou a servir de cemitério local. Esta degradação do monumento apenas parou na década de 40 do século XX, graças à ação decisiva da Direção Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais (D.G.E.M.N.). Só assim se conseguiu que a sua majestática imponência e inegável qualidade estética pudessem perdurar até à atualidade. A cerca de granito que envolvia a vila do Sabugal era praticamente oval, embora atualmente se encontre muito reduzida, conservando-se como ponto mais importante desta primeira defesa a Porta da Vila, localizada nas proximidades da Torre do Relógio. Na zona mais elevada foi erguido o castelo, com uma configuração de planta trapezoidal. Os altos panos de muralha granítica possuem largo adarve, ao qual se acede por quatro escadarias internas. As muralhas são encimadas por largos merlões rasgados com troneiras cruzetadas. Além disso, estão ainda reforçadas por três imponentes torreões angulares e um outro localizado no centro do pano de muralha virado para sudoeste. A torre de menagem do Castelo do Sabugal pode ser realisticamente descrita como altiva, imponente, graciosa e invulgar, estando esta coroada por ameias piramidais. A torre de menagem apresenta uma forma pentagonal, provavelmente como alusão simbólica a esta vila e ao seu castelo terem passado a ser definitivamente parte integrante do território nacional. O seu interior está dividido em vários pisos, nos quais podemos encontrar surpreendentes espaços góticos abobadados e fechos ornamentados onde se inscrevem escudos com as quinas nacionais. Na zona exterior, a um nível inferior, corre a cerca da barbacã – um dispositivo defensivo que une e reforça as muralhas do castelo. As suas muralhas são apoiadas por dois pequenos cubelos circulares, abrindo-se próximo de um deles um singelo portal de arco em ogiva.
Torre sineira de planta quadrada, provavelmente construída no século XVIII, a integrar um relógio e uma sineta. Antigamente, fazia parte da cintura de muralhas que envolvia a vila.
Antigo solar do século XVII, pertenceu a Brito Távora Silva. Muito adulterado, hoje apenas conserva a entrada nobre alpendrada, precedida por escadaria de degraus semi-circulares. Possui um pórtico ladeado por colunas jónicas estriadas, sobre o qual se encontra o antigo brasão, encimado por motivos concheados ladeados por volutas. "Em frente da praça e tribunal e apenas separada pela rua vê-se uma antiga casa entre as ruas de Campos e de Carros, notável por uma curiosa varanda, cujo pórtico é encimado por um escudo, tendo de um lado um leão, duas flores de Iys e três costelas e do outro (esquerda do observador) duas flores de Iys, três costelas e um leão, de modo que dum lado está o leão em cima e do outro em baixo. A varanda abrange toda a largura da frente da casa e é toda de cantaria, assim como o pavimento da mesma, que tem acesso por “um curioso pórtico, ladeado de colunas jónicas, que suportam o escudo. Este destaca-se ao meio duma pedra quadrangular sobre que assenta simples cimalha coroada por outra em forma de concha. A varanda foi modificada, sendo agora coberta por telhado em substituição do pavimento doutros tempos. Outras colunas sustentam a parte superior da varanda, ornando as grandes aberturas que dão para as três ruas. Uma escadaria em semicírculo, formada de oito degraus, dá acesso a esta elegante varanda, que tem servido de abrigo a muitos viandantes e mendigos, devido à generosidade e altruísmo dos donos da casa, pertencente actualmente (1905) ao Dr. Emídio Gomes Dias e Neves, genro do saudosíssimo Dr. José Maximino da Silva Azevedo, que nesta varanda passava muitas horas e nela mitigou muitas mágoas e consolou muitos aflitos. Esta casa pertenceu outrora ao Dr. Brito, uma das vitimas da guerra civil, que cruelmente foi perseguido. Cremos que era filha dele D. Rita de Brito, senhora muito respeitável, falecida nos fins do século passado, a qual recebia quatro mil réis mensais do Estado, assim como outra irmã, que ficaram na orfandade. Havia, porém, muitos anos que esta casa deixara de pertencer à família do Dr. Brito. Quando em Agosto de 1902 Adelino Franco mandou rebocar e caiar a sua casa, que deita para a Praça, ficou tapada uma inscrição que existia numa pedra que fazia parte do peitoril duma das janelas, e dizia: EST / AS /V / CAS/ M/DOU /FAZE[R]/SIMÃ/ VAZ /EST / COÃ / 160[?] Esta casa parece ter sido construída há muitos anos com material de outras casas demolidas. Em frente desta havia um grande edifício, todo de cantaria, ligado à chamada casa do passadiço. Tal casa denota muita antiguidade. Foi incendiada no tempo dos Midões, mas parece que outrora tinha sofrido uma restauração. Contígua a esta havia outra, totalmente demolida e que serve agora de quintal, ficando em frente da casa da escada redonda. Quando foi construída a estrada de macadame que atravessa a vila e tem o nome de Rua de Carros, a câmara para aformosear a rua edificou a frontaria, que veda a entrada desse quintal, mas o proprietário, que era o já falecido escrivão António Joaquim Quintela, nunca fez o resto da obra." In «Terras de Riba-Côa – Memórias sobre o Concelho do Sabugal», escrito há mais de um século por Joaquim Manuel Correia
Igreja barroca, também conhecida como Igreja de São João, pertence à segunda metade do século XVIII. A primitiva igreja poderia ser de origem medieval, construída pela Ordem dos Hospitalários, a quem fora concedido senhorio do Sabugal. Na fachada, à direita da porta de entrada, encontra-se uma antiga ara romana reaproveitada na construção. No interior, destaque para o coro-alto de madeira assente em colunas graníticas.

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