Horas  6 horas 25 minutos

Coordenadas 2098

Uploaded 1 de Dezembro de 2018

Recorded Dezembro 2018

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764 m
406 m
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4,0
7,9
15,85 km

Visualizado 94 vezes, baixado 6 vezes

próximo a Soalhais, Porto (Portugal)

- Percurso circular, com marcações nos dois sentidos;
- O percurso tem início junto da Igreja Matriz de Soalhães, decorrendo, posteriormente, numa área montanhosa (a Serra da Aboboreira) de elevado valor cultural e natural, preservada pelo progresso urbanístico, por séculos de isolamento geográfico e pela subsequente desertificação humana. Assim, durante o trajeto, percorrem-se caminhos antigos, ladeados por muros de pedra, muitas vezes escavados na rocha-mãe, por sua vez rasgados pelas rodas dos carros de bois. Além disto, as gentes destas terras, ancestralmente adaptadas aos ambientes rurais e vivendo em tradicionais casas graníticas de arquitectura tipicamente portuguesa, ainda cultivam o campo à força braçal e animal.
Tal ambiente, calmo e pouco povoado, propicia a existência de refúgios ecológicos para inúmeras espécies da fauna e da flora. Deste modo, ao longo do itinerário, os pedestrianistas percorrem bosques de carvalhos, eucaliptos e pinheiros; campos de cultivo sobranceiros às aldeias e zonas de vegetação arbustiva. É ainda de frisar uma característica nesta zona: a utilização de ervas aromáticas na gastronomia e na medicina tradicional, tais como o rosmaninho, o alecrim, o louro, a hortelã, a salsa, o funcho, a arruda, o trovisco, a cidreira, a marcela, a arnica, os agriões e os poejos. No âmbito da fauna, a serra da Aboboreira serve de habitat para várias espécies de invertebrados, destacando-se as borboletas e escaravelhos, entre outros. No entanto, nesta região encontram-se ainda, aproximadamente, 68 espécies de vertebrados terrestres, não incluindo as aves, dando-se o destaque para a salamandra-lusitânica, a rã-ibérica, o lagarto-de-água e a toupeira-de-água, entre muitos outros exemplares. Relativamente aos mamíferos destacam-se o javali, o coelho bravo, a lebre, a raposa e o gato-bravo. Ao mesmo tempo, na fauna doméstica, encontram-se ovinos e caprinos, que pastoreiam na encosta da serra (permitindo a confeção do saboroso queijo fresco), assim como os bovinos, utilizado ainda nas lavouras tradicionais.
Matizando a paisagem, podem observar-se grandiosos rochedos com formas finamente arredondadas, lembrando silenciosos guardiões da serra. Umas vezes são usados como escudos protetores dos temporais, justificando o facto de antigamente o povo partilhar com eles o seu lar, ao construir as suas casas a elas encostadas. Outras vezes, estes geomonumentos, pela desproporção e “equilíbrio ameaçador” em que se encontram, inclinados sobre as habitações, parecem querer recordar ao Homem a sua pequenez e a realidade da sua existência estar nas mãos do destino.
Importa ainda referir que é possível assistir à trituração de cereais (como por exemplo, do milho) nos moinhos de água, como o “Moinho de Balcão”, cedido pela Srª. Dª Diamantina Dias e familiares. O último faz parte de um belo conjunto de onze, envolvidos por uma vegetação luxuriante e acompanhados pela Ribeira de Vinheiros, em Soalhães, e dos quais foram recuperados mais três, pela Junta de Freguesia, com o apoio do Programa Leader + e da Câmara Municipal. Apesar das suas últimas moagens terem ocorrido na década de 1970, o “Moinho de Balcão” trabalha como antigamente, demonstrando-se como um dos motivos mais atraentes para os visitantes, alunos, turistas e caminheiros.
Similarmente, para além da Igreja Matriz de Soalhães (igreja românica), as capelas de S. Clemente, S. Tiago, S. Brás e S. Bento do Pinhão evidenciam a presença das construções de caráter religioso em diferentes partes da paisagem deste percurso pedestre.
IGREJA S. MARTINHO DE SOALHÃES A Igreja de Soalhães teve a sua origem num mosteiro do século XII, e foi sede do poder religioso num território muito importante e cobiçado pela nobreza medieval. No entanto, desta época, persistem apenas o portal principal, a moldura com pérolas do interior do óculo que o encima e o túmulo na capela-mor. No século XVIII, a igreja sofreu uma profunda transformação, adquirindo um interior profusamente decorado ao estilo barroco, onde reinam a talha dourada e os painéis de azulejo. Este é um dos mais belos monumentos e recantos da Rota do Românico no Vale do Tâmega e que vale a pena ser visitado.

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