-
-
576 m
373 m
0
2,4
4,7
9,43 km

Visualizado 835 vezes, baixado 16 vezes

próximo a Celorico da Beira, Guarda (Portugal)

Trilho de S. Gens

O Trilho de S. Gens é um percurso pedestre de Pequena Rota (PR), marcado e sinalizado de acordo com as directrizes europeias e nacionais. Este “trilho” é o segundo percurso integrado na Rede Municipal de Percursos de Celorico da Beira.
O percurso parte da Igreja da Misericórdia, em pleno Centro Histórico, onde abunda património digno de uma visita atenta. Segue depois junto ao Bairro de Santa Luzia, calçada romana e caminhos agrícolas até chegar ao Rio Mondego, pela velha ponte romântica, em direcção ao monte das Lameiras. Junto deste pode observar-se a Necrópole Medieval – Necrópole de S. Gens – com cerca de cinquenta e duas sepulturas abertas na rocha granítica. O regresso é feito pelo mesmo caminho voltando a atravessar o Rio Mondego até chegar ao ponto de partida.

Ficha Técnica do Percurso

Nome do Percurso: Trilho de S. Gens
Localização do Percurso: St.ª Maria
Tipo de Percurso: Pequena Rota
Âmbito do Percurso: Histórico – Cultural
Ponto de Partida: Igreja da Misericórdia
Distância do percurso: 6,5 km
Duração do Percurso: 2 horas
Grau de Dificuldade: Fácil
Cota Máxima Atingida: 550 metros (castelo)
Entidade Promotora: Município de Celorico da Beira

Estação Arqueológica de S.Gens

O seu posicionamento permite obter nas suas proximidades solos ricos e aráveis, com grande potencial agrícola, favorecendo o desenvolvimento de um assentamento humano no local.
O núcleo arqueológico de S. Gens situa-se na freguesia de Santa Maria, concelho de Celorico da Beira, distrito da Guarda e localiza-se na Carta Militar de Portugal 1:25.000, folha n.º 191, segundo as coordenadas UTM 635654/4501892, sensivelmente a 2 km a norte da vila de Celorico da Beira.
O topónimo S. Gens, que denomina toda a área, estende-se pela encosta e pelo vale que se lhe segue, tendo por limite os dois cursos de água (Ribeira dos Tamanhos e Rio Mondego), e resultará provavelmente de um topónimo religioso, i.e., da existência de uma Igreja onde seria prestado culto a S. Gens. A origem deste topónimo não é clara, uma vez que o nome pode ter duas origens cronológicas distintas: S. Gens pode corresponder a um orago dos finais do século III d.C. que terá vivido na época do Imperador Diocleciano e que terá sido martirizado por professar o cristianismo. Considerado o patrono dos actores, o culto a S. Gens terá surgido na região Sudeste de França, local de origem do santo; outra explicação possível para a origem do topónimo S. Gens pode encontrar-se relacionada com o culto a um bispo olisiponense que terá tido uma grande difusão entre as comunidades moçárabes nos séculos IX/X, culto que neste lugar congregaria, eventualmente, um edifício religioso, assim como uma extensa necrópole de sepulturas escavadas na rocha ainda hoje visíveis.

Historial da Estação Arqueológica

As mais antigas referências à estação arqueológica de S. Gens surgem em finais do século XIX, ao se assinalar a existência de sepulturas (Leal, 1873: 90). Nova investigação sobre o local ocorre apenas em inícios do século XX (1906) pelo arqueólogo Santos Rocha. Em 1939 é publicada a primeira monografia sobre a história do concelho de Celorico da Beira. Nesta obra é referida a existência, a cerca de dois quilómetros a Sul da aldeia de Fornotelheiro, de um cemitério milenar “numa área extensa e cujas sepulturas – anteriores à época romana – se abrem nas rochas vivas em que o sitio abunda. Há-as de todas as dimensões e algumas a par” (OLIVEIRA, 1939:212).
Moreira de Figueiredo, em meados do século XX (1952/1953), publica na revista Beira Alta um importante estudo sobre as vias romanas e medievais que cruzariam a região da Beira. Neste estudo o autor faz alusão à necrópole de S.Gens, a propósito da sua proximidade em relação a uma importante via de época romana.
Em finais da década de 70 do século XX (1979), é publicada uma segunda monografia sobre o concelho de Celorico da Beira. Tal como já havia acontecido com a primeira monografia sobre o concelho de Celorico da Beira (1939), nesta obra são referenciados alguns sítios arqueológicos existentes no concelho. Contudo, nesta segunda monografia, é dedicada uma especial atenção ao sítio arqueológico de S.Gens (Rodrigues, 1979: 31), nomeadamente à necrópole de sepulturas escavadas na rocha, procurando o autor quantificar o número de sepulcros e definir as tipologias e as cronologias de construção.
Alguns anos volvidos surge uma nova referência à estação arqueológica de S.Gens na obra Roman Portugal publicada em 1988 por Jorge Alarcão.
Em 1994 a estação arqueológica é referenciada por António Carlos Valera e Ana Martins numa publicação onde são apresentados os primeiros resultados sobre o património arqueológico do Concelho de Celorico da Beira.
Recentemente, no ano de 2005, e encontrando-se inserido numa exposição sobre 25 sítios arqueológicos da Beira Interior, é publicado o respectivo catálogo no qual surge um texto síntese sobre o sitio arqueológico de S. Gens. E no ano de 2006, no volume n.º 19 da revista da Praça Velha, publica-se um artigo sobre o Património Arqueológico no Concelho de Celorico da Beira. Neste artigo é apresentado um inventário sobre o património arqueológico conhecido até essa data, no qual surge referenciada a estação arqueológica de S.Gens, procurando os autores descrever e delimitar as várias fases de ocupação humana existentes nesse sítio arqueológico (LOBÃO et alli, 2006).
No ano de 2008, e como resultado de uma parceria entre a Câmara Municipal de Celorico da Beira e a Dr.ª Catarina Tente, da Universidade Nova de Lisboa, efectuaram-se os primeiros trabalhos de escavação arqueológica no sítio arqueológico de S. Gens. Os primeiros resultados dessa intervenção foram apresentados no V Congresso de Arqueologia do Interior Norte e Centro de Portugal, realizado em Maio de 2009 em Figueira de Castelo Rodrigo. Nesse mesmo ano, e resultado de uma frutuosa parceria entre a Câmara Municipal de Celorico da Beira e a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, é publicada mais uma obra de cariz histórico-arqueológico sobre o concelho. Nesta obra colectiva, onde participaram diversos investigadores, a estação arqueológica de S.Gens é referenciada por diversas vezes em diferentes períodos da História Humana, desde a Pré-história à Baixa Idade Média, nomeadamente durante o período romano e o período da Alta Idade Média, onde os autores fazem alusões aos resultados das recentes escavações arqueológicas realizadas.

Objectivo da Investigação

O projecto de investigação para o sítio arqueológico de S. Gens surgiu no seguimento de uma parceria para a investigação e valorização do sítio estabelecido entre a Câmara Municipal de Celorico da Beira e o projecto de investigação sobre Alta Idade Média no Alto Mondego dirigido pela Professora Catarina Tente da Universidade Nova de Lisboa.
O arqueossítio de S.Gens é conhecido desde há muito como um sítio com uma importante ocupação Alto Medieval, sendo aí conhecida uma das maiores necrópoles rupestre da região (54 sepulturas). Para além destes vestígios funerários existe aí uma fortificação, do tipo roqueiro, igualmente de cronologia alto medieval, que não coincide em termos espaciais com a necrópole. Entre esta e o povoado medieval e este e o rio Mondego foram identificadas várias áreas de dispersão de vestígios à superfície que nos remetem para a ocupação deste local também em período romano. Foi o grande potencial arqueológico da estação arqueológica de S. Gens para o estudo quer da época romana quer da alto medieval, que tem levado à realização de várias campanhas de trabalhos arqueológicos. Numa primeira fase pretendeu-se essencialmente obter dados mais concretos sobre as cronologias de ocupação e sobre a funcionalidade que o sítio terá tido nas diversas épocas.
Assim e ainda durante a 1ª campanha de escavações arqueológicas foi identificada uma habitação de época romana que tem sido objecto de escavação. Apesar de as informações histórico-arqueológicas sobre o local ainda serem parcelares, sabe-se que esta habitação terá sido construída em finais do séc. I d.C., inícios do século II d.C. e que terá sido ocupada até aos séculos IV/V. Este antigo edifício enquadra-se certamente nos habitats romanos de cariz rural que durante o período romano povoaram os campos da Lusitânia Romana, porém, no actual estado dos nossos conhecimentos ainda não é possível determinar qual a tipologia do edifício, isto é, saber se estamos perante uma antiga villa pertença de ricos proprietários ou estamos perante uma “granja” ou “quinta” propriedade de pessoas menos abastadas.

View more external

Comentários

    You can or this trail