Horas  8 horas 55 minutos

Coordenadas 2245

Uploaded 29 de Julho de 2019

Recorded Julho 2019

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799 m
163 m
0
5,4
11
21,54 km

Visualizado 159 vezes, baixado 6 vezes

próximo a Soajo, Viana do Castelo (Portugal)

FOTOS DESTA E DE OUTRAS TRILHAS EM ”CAMINHANTES"

POR TRILHOS DO SOAJO
Aproveitando a rede de percursos pedestres de pequena rota (PR) do Município de Arcos de Valdevez, voltamos, uma vez mais, ao Parque Nacional da Peneda do Gerês. Desta vez partimos do Campo da Feira da Vila do Soajo, perto do conjunto de espigueiros da eira comunitária da aldeia para calcorrear o PR28 - Trilho do Contrabando. Aqui seguimos por Granja, Aveleiras, Marco Geodésico do Porco, Cabeço da Trapela e Couto da Fraga para ligar, na Casa Abrigo de Adrão, ao PR2 - Rota de Soajo (Romeiros da Peneda). O regresso ao Soajo, desde a casa Abrigo de Adrão, é feito pelo PR2 que tem parte comum com o PR7 - Caminhos do Pão e Caminhos da Fé.

O trilho, numa primeira parte, leva-nos por encostas da Serra do Soajo viradas a sul e a nascente. Mostra-nos o típico casario das povoações minhotas e o cenário que a agricultura de minifúndio e a criação de gado vêm criando desde há séculos. Numa segunda parte, o trilho segue por antigos caminhos de fé e calçadas que guiaram desde sempre os peregrinos e romeiros ao longo da serra do Soajo. Mas também por caminhos que evocam o ciclo do pão, que acompanha, de geração em geração, o ciclo da vida. Essa importância do pão, reflete-se na paisagem e numa diversidade de ecossistemas que se complementam, nomeadamente a cultura do milho e a criação de gado, as levadas e os moinhos que, como cogumelos, se atravessam na levada para aproveitar a força motriz da água e transformarem o grão em farinha.

O trilho nas partes comuns com os PR`s do Município de Arcos de Valdevez está sinalizado, mas os cruzamentos e interseções podem levantar algumas dúvidas. Alertamos que o trilho NÃO É TOTALMENTE SINALIZADO, nomeadamente na ligação entre o PR28 e o PR2, que é feita essencialmente por caminho de pé posto, existindo alguma vegetação a dificultar a visibilidade do mesmo, aconselha-se o uso do GPS.
As sombras são quase inexistentes na maior parte do trilho, pelo que é de considerar uma exposição solar forte.

DESCRIÇÃO DA TRILHA
Saímos do Campo da Feira da Vila do Soajo e seguimos para nascente paralelamente ao leito do Rio Lima até à povoação de Paradela, com a imponente Serra Amarela sempre presente na margem oposta. Desde a Eira do Penedo fomos descendo até à Ponte da Ladeira sobre o Rio Adrão, continuamos agora paralelamente ao Rio Lima tendo no Miradouro de Cunhas uma magnifica panorâmica sobre o mesmo. Passamos pelas aldeias de Cunhas e Campo Grande antes de chegar a Paradela, local onde abandonamos o PR28 - Trilho do Contrabando. Lamentavelmente não encontrei qualquer informação oficial sobre este trilho, nomeadamente na página do Município de Arcos de Valdevez (Trilhos Arcos de Valdevez).

O nosso trilho continua agora por um troço de ligação ao PR2 - Rota de Soajo (Romeiros da Peneda) passando pelo Marco Geodésico do Porco e Cabeço da Trapela até chegar à Casa Abrigo de Adrão onde intersetamos o PR2.


Panorâmica desde Cabeço da Trapela

Seguimos agora por antigos caminhos de fé e calçadas que guiaram desde sempre os peregrinos e romeiros ao longo da serra do Soajo. Ainda trilhados por muitos devotos e forasteiros, permite sentir aspetos geográficos, sociais e religiosos de uma das mais típicas convivências do Minho, a Romaria da Peneda, onde o religioso e o profano se conjugam em harmonia. Ao longo do trilho são vários os aspetos que se evidenciam: Capela de Adrão, Capela da Senhora da Paz e Igreja Matriz do Soajo, mas também Brandas, Espigueiros, Moinhos e Calçadas que retratam o ambiente rural e cultural desta comunidade, enquadrados pelos cenários das encostas da Serra do Soajo e da Serra Amarela.

Ao intersetar o PR7 - Caminhos do Pão e Caminhos da Fé, torna-se evidente o ciclo do pão, que acompanha, de geração em geração, o ciclo da vida. Essa importância do pão, reflete-se nas calçadas, na paisagem e numa diversidade de ecossistemas que se complementam, nomeadamente a cultura do milho e a criação de gado. Testemunho disso é a extensa levada que noutros tempos regava os imensos campos de milho de Soajo. São os moinhos que, como cogumelos, se atravessam na levada para aproveitar a força imensa da água e transformarem o grão em farinha. As calçadas que percorremos são caminhos da fé que, desde sempre, levam os romeiros ao Senhor da Paz, a Senhora da Peneda, ao S. Bento do Cando e, até, Santiago de Compostela. Era, também, por estas calçadas (calçada do Portinho, calçada de Pena Curveira, calçada de Lages, calçada dos Estrevelhadoiros) que as manadas de gado bovino se deslocavam, em maio, época da transumância ascendente, para Cova, Chã da Cabeça, Pedrada e, mais tarde, 10 de julho, para os montes da Peneda, de onde regressavam a 8 de setembro, depois da Romaria da Senhora da Peneda. Enfim, por estes caminhos, centenários, passaram romeiros com fé infinita e promessas para cumprir; passaram namorados, feitos romeiros, com juras de amor eterno; passaram milhares de carros de tojo, para as camas dos animais e, em abril e maio, adubo orgânico para os campos que iriam receber as sementes que mais tarde, em setembro, enchiam os caniços (espigueiros) de espigas de milho, que mais tarde subiriam esta calçada para, nos moinhos, os grãos serem transformados em farinha.




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