Tempo em movimento  2 horas 2 minutos

Horas  2 horas 43 minutos

Coordenadas 1738

Uploaded 27 de Julho de 2018

Recorded Julho 2018

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258 m
86 m
0
2,5
5,0
10,09 km

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próximo a Cos, Leiria (Portugal)

A ermida de Santa Rita que, na encosta, me atraiu a atenção quando, peregrinando, fazia o Caminho de Fátima do Poente, a existência de uma "Fonte Santa", que a lenda lida refere como lugar da aparição de Nossa Senhora a Catarina Annes e motivou a construção do Santuário da Senhora da Luz pelo devoto fidalgo Damião Borges, a custas próprias, e o próprio Santuário de Nossa Senhora da Luz levaram a que, no momento que a minha companheira de caminhadas (incluindo a da vida) me propôs que fizéssemos um trilho com mais de 10 e menos de 12 Kms, me fizesse procurar apressadamente no Wikiloc um trilho que satisfizesse todas as condições:
1. Iniciar junto ao Mosteiro de Santa Maria de Coz;
2. Passasse pelo Santuário de Nossa Senhora da Luz;
3. Nos conduzisse até à Fonte Santa;
4. Nos levasse à Ermida de Santa Rita;
5. Tivesse entre 10 e 12 Kms.
Encontrei vários mas apenas um reunia todos os requisitos ( se bem que o último foi mesmo no limite inferior, contra minha vontade, mas não havia tempo para mais). A minha gratidão a A Ferreira-Pataias. Fiz download do trilho e vamos lá.
Tarde pouco soalheira, ainda que suficiente para que as cigarras oferecessem, a troco de nada, a sua música que só as formigas labutantes, teimosamente, não apreciam. Pobres músicos de rua, sujeitos à incompreensão de quem acha que o usufruto da arte não merece recompensa.
Começávamos por volta das 15h30m junto ao Mosteiro de Santa Maria de Coz. Tivémos esperança de podermos fazer-lhe uma visita rápida porque de dentro ouviam-se vozes. Batemos à porta na lateral mas a senhora que no-la abriu estava com pressa e de saída. Já o visitámos em outras andanças e daquilo que vimos demos conta em "Caminhos de Fátima - Caminho do Poente - Etapa 1 (Nazaré - Pedreiras). Tirámos alguns instantâneos para ilustração e seguimos adiante.
Os primeiros quilómetros são feitos nos mesmos caminhos de Fátima por onde, ainda não há muito tempo, passámos.
Rapidamente chegámos ao Casal do Resoneiro. Este nome "Resoneiro" ficou-me na memória quando passei em peregrinação. A hipótese mais óbvia para mim seria uma alteração fonológica e logo ortográfica da palavra "resineiro" mas, curioso como sou, procurei a confirmação em textos publicados na Web. O que encontrei foi deveras surpreendente. Fiquei a saber que existiu um porto fenício junto da Póvoa de Cós e que aqueles teriam um santuário, de que ainda há vestígios, perto desta povoação. O nome seria então proveniente dos fenícios e estaria ligado a "Monte de Luz" (ver http://acaminhodacasa.blogspot.com/2013/05/santuario-rupestre-do-resoneiro-em.html).
Logo a seguir chegámos ao Santuário de Nossa Senhora da Luz. Diz-se que batizado pelo povo e não que tivesse sido a Mãe do Céu a pedi-lo. Mais uma vez as reminiscências fenícias estarão na origem desta decisão popular. O templo encerrado não permite a confirmação da existências dos túmulos de Catarina Annes (a vidente) e de Damião Borges (o benemérito fidalgo) nem outros atributos ricos que no interior existem. O mau estado da estrutura merece-nos um grito de revolta porque se deixa que caiam preciosas jóias que por este país além vão soçobrando. Dizem que o mal deste se deve à existência do enorme barreiro que, em autêntica cratera, ali ao lado vai invadindo terrenos e provocando que as terras percam sua sustentação. Se assim é porque não se apuram responsabilidades?...
Fotografámos a igreja, a galilé e o afixador de notícias onde deparámos com uma cópia da "Lenda da Fonte Santa".
Vamos lá então em demanda da dita fonte. Passamos junto ao barreiro e fotografamos o lago em que o seu fundo se tranformou. Seguimos diretos a Castanheira pela estrada de asfalto, e ali entramos em caminhos rurais de terra batida que, num encaixado vale entre dois montes, nos conduz à Fonte Santa. Se as suas águas são ou não milagrosas não pudemos constatar porque a fonte secou. Aconteceu à fonte o que vai acontecendo à Fé dos homens. Quem sabe se aquela não secou por falta desta?...
Ali está a tal pedra que memoriza o ano da aparição - 1601. Outras pedras já por lá existem que confirmam milagres. A fé do tamanho de uma semente de mostarda moveria montanhas e curaria todas as enfermidades, mas já se perdeu ou poucas vezes terá tal dimensão.
Daqui para a frente entramos em carreiros de pé posto, plenos de vegetação e sombra que nos hão-de levar primeiro ao leito seco de uma ribeira e depois, monte acima, à capela de Santa Rita. A paisagem dali é deslumbrante: em baixo o vale fértil com o Mosteiro à beira da povoação de Cós; à direita os campos e pinhais até ao mar; ao longe o Monte Gião de São Brás ou de S. Bartolomeu onde o Rei Visigodo D. Rodrigo e frei Romano encontraram refúgio e onde as relíquias de ambos os santos foram veneradas; a leste os "contrafortes" da Serra dos Candeeiros.
A Capela de Santa Rita, fundada no século XVII por um monge de Alcobaça (Frei Cristóvão do Rosário), chamou-se (ou ainda deve chamar-se?) Ermida do Bom Jesus do Calvário. Deve-se a sua construção à "teimosia" da cruz avistada brilhando no monte, em várias noites, por uma serviçal do Mosteiro e ao povo que ali se deslocou e encontrou o bento objeto e o transportou para o Mosteiro. "Teimosa", então, a Cruz voltou ao monte por mão sagrada (ou não) e ali, naquele santo lugar, se teve que construir a dita capela para a albergar. A veneração popular de outrora deu lugar às visitas turísticas, mais ou menos folclóricas, de quem vai apreciar mais a paisagem que rezar a oração que na pedra em frente da igreja impõe a quem a lê.
Da Ermida para baixo desce-se por um caminho estreito e, sem o prever, depararamo-nos com um cruzeiro, datado de 1675, que faz parte de uma Via Sacra que, partindo da povoação, terá a sua última estação na Ermida.
Descemos pela estrada serpenteante de asfalto e finalizamos o nosso percurso onde o começámos. Uma tarde e caminhada excelente.
Arte de trabalhar o junco é uma tradição ancestral da Freguesia de Cós, sobretudo do lugar da Castanheira. Os cestos e as esteiras constituem um património agora renovado pelos alunos da ESAD.CR que estudaram a arte deram novas formas e cores a esta matéria prima.

2 comentários

  • Foto de Ulisses Silva

    Ulisses Silva 8/ago/2018

    Que descrição deliciosa do percurso. Parabéns e obrigado pela partilha.

  • Foto de j.jesus

    j.jesus 8/ago/2018

    Bem haja, Ulisses pelo comentário.

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