Horas  2 dias 6 horas 11 minutos

Coordenadas 7440

Uploaded 1 de Maio de 2018

Recorded Abril 2018

  • Rating

     
  • Information

     
  • Easy to follow

     
  • Scenery

     
-
-
1.463 m
769 m
0
12
25
49,33 km

Visualizado 2130 vezes, baixado 229 vezes

próximo a Caeté Açu, Bahia (Brazil)

LEIA A DESCRIÇÃO PARA MAIORES DETALHES

Trajeto de um circuito pelo Vale do Pati, contornando o Morro Branco/Castelo. Início pelo Gerais do Vieira e do Rio Preto, finalizando pela Mata do Calixto.

COMO CHEGAR:

O tracklog tem início no povoado de Bomba, que fica a 6km do Vale do Capão e a 26km de Palmeiras. O acesso é por estrada de terra em condições medianas, mas acessível por qualquer tipo de veículo. Após chuvas na região, a estrada para o Bomba pode ficar precária em alguns pontos, ainda assim o acesso é possível com um veículo de passeio.

Palmeiras, que é o ponto de referência para chegar ao início do tracklog, está a 445km de Salvador e a 52km do aeroporto de Tanquinho, em Lençois. Por terra, o acesso principal é pela rodovia BR-242.

Para mais informações sobre como chegar ao ponto inicial, utilize a ferramenta "Get driving directions to this location", disponível no Wikiloc.

Para quem vai de carro, pode deixá-lo em algum "estacionamento" do Bomba, alguns moradores cobram R$10 por dia. Se estiver a pé, pode fazer o deslocamento desde o Capão andando ou através de um moto-táxi, facilmente encontrado no centro da vila.

Como é uma travessia circular ou circuito, não é necessária nenhuma logística específica.

A TRILHA:

1º DIA: BOMBA X IGREJINHA
Iniciando no Bomba, a trilha começa em terreno praticamente plano, cruzando o Córrego da Galinha por três vezes. Mesmo com o rio cheio, é fácil cruzá-lo sem tirar as botas. Após a terceira travessia, o caminhante tem duas opções: seguir em frente, pela trilha tradicional; seguir à direita, fazendo uma visita às pequenas cachoeiras da Angélica e Purificação.

Como o primeiro dia não tem muitos atrativos para banho, optei por realizar a visita às pequenas quedas do Córrego da Galinha. Foram 50 minutos de caminhada desde o Bomba até a queda Purificação.

No retorno, ao invés de voltar até a bifurcação inicial, subi à direita numa trilha que tem um pouco abaixo do poço da Purificação, tomando um atalho para o Gerais do Vieira. A trilha segue em franco aclive, passando por uma mata de samambaias. A subida vai ficando cada vez mais acentuada e a trilha está suja em alguns pontos, com as samambaias fechando parte do caminho. Ainda assim o trilho é bem demarcado, basta seguir serra acima até a mata dar lugar aos campos de altitude do Gerais do Vieira.

Mesmo com a trilha suja do "atalho", recomendo a passagem por ela, pois economiza alguns quilômetros de caminhada no retorno à bifurcação inicial.

Nos campos de altitude a trilha segue bem demarcada e em aclive, à oeste do eixo principal da travessia.Próximo a um afluente do Córrego da Galinha o atalho encontra a trilha principal, por onde passo a seguir. Na subida pelo atalho gastei cerca de 30 minutos.

Menos de 1km após entrar na trilha principal, há uma das bifurcações mais importantes do trajeto: à direita o caminho segue para o Gerais do Rio Preto, em direção ao Pati de cima; à esquerda a trilha segue pela Mata do Calixto em direção ao Pati de baixo. Na ida optei por chegar ao Pati pelo Gerais do Rio Preto, portanto segui a trilha da direita.

Pelo Gerais do Vieira a trilha segue em relevo suave, passando pelas cabeceiras do Rio Ancorado e do Córrego Açucena. Depois de passar por este córrego, é preciso dar uma guinada para direita (oeste), iniciando a subida do Quebra Bunda. Essa é um dos trechos mais famosos do vale, uma subida calçada por pedras, como nome sugestivo caso alguma queda ocorra rs.

A subida é curta e rapidamente chega-se ao topo da Serra do Esbarrancado, por onde a caminhada prossegue pelo Gerais do Rio Preto. Como o solo é raso, em caso de chuvas fortes e/ou frequentes, rapidamente a região do gerais fica encharcada, com muita lama e barro.

A caminhada pelo Gerais do Rio Preto tem 8km de extensão até o Mirante da Rampa, onde é feita a descida para o Vale do Pati. A caminhada neste trecho tem duração aproximada de 2h. O Mirante da Rampa possui uma das vistas mais clássicas da travessia pelo Pati.

Embora tenha o nome de "rampa", a descida é por uma espécie de fenda, bem acentuada e exposta em alguns pontos. Para marinheiros de primeira viagem, é um trecho que pode assustar. Ao final da descida há uma encruzilhada: à esquerda a trilha segue para a Igrejinha, ponto de apoio de João Branco (Calixto); adiante o caminho segue em direção ao cruzeiro e desce para casa de Seu Wilson e Pati do meio; à direita a trilha volta a subir para o Gerais do Rio Preto, caminho chamado de Arrodeio (passagem das mulas).

Devido ao roteiro planejado para o 2º dia, a pernoite ocorreu na Igrejinha.

No primeiro dia foram 19.2km, em 7h de atividade (contando com as paradas).

2º DIA: IGREJINHA X PREFEITURA
Saída da Igrejinha por uma trilha mais ao norte, sentido Cemitério. O trajeto é bem demarcado e a trilha é ampla até a chegada ao Rio Pati. A partir daí é preciso seguir por uma trilha, ora pela margem, ora pelo leito do rio. A maior parte do caminho, porém, está à direita do rio (no sentido de quem desce).

Existem pequenas quedas e poços ao longo do Rio Pati, mas o ponto principal é a cachoeira Funis, que forma um bom poço para banho. O local está a 1.3km da Igrejinha e a caminhada leva em torno de 30 minutos, em ritmo tranquilo. Alguns trechos da trilha ao longo do Rio Pati são bem acentuados, com degrau de variados tamanhos que exigem atenção.

O 2º ponto de parada do dia é o Morro Branco ou Castelo, para chegar lá é preciso continuar descendo o Rio Pati até encontrar a trilha que sai pela margem direita, em direção a casa de Seu Wilson. Depois de passar pela Hospedaria de Wilson, entro à esquerda numa bifurcação, para atalhar uma parte do caminho. Cruzo o rio Pati adiante e começo a subida do Morro Branco. A trilha é bem demarcada em meio a mata e a subida é acentuada em boa parte do trajeto, com quase 500 metros de ganho de elevação.

No colo do Morro Branco, a trilha segue em direção a uma gruta, que atravessa uma parte da serra. A travessia tem cerca de 100 metros e é necessário utilizar luz artificial para cruzar a gruta. Do outro lado chegamos ao mirante do Morro Branco, com 1.368m de elevação. Visual para boa parte da Mata do Calixto, em especial a Cachoeira do Calixto, e também para o Vale do Pati e Gerais do Vieira.

O retorno é pela mesma trilha e, na chegada ao Rio Pati, segue descendo o Rio Pati em direção a Prefeitura. O caminhante pode optar pela pernoite em Agnaldo, Dona Raquel ou filhos, ou Prefeitura, recomendo esta última para adiantar o trajeto do dia seguinte.

No 2º dia, seguindo até a Prefeitura, foram 11.4km e 7h de movimento (contando as paradas).

3º DIA: PREFEITURA X BOMBA
Saindo da Prefeitura em direção ao Rio Pati, para cruzá-lo e seguir por uma trilha outra margem rumo oeste. Em aclive a trilha segue no sentido contrário do rio, até encontrar uma bifurcação. À direita o caminho leva para a Mata do Calixto e o retorno ao Gerais do Vieira. Diferente da maior parte das trilhas locais, esta tem aspecto de pouco movimento, sendo uma trilha suja no interior da mata.

Pela Mata do Calixto a trilha alterna subidas e descidas, predominando os aclives. Com a umidade no interior da mata, a trilha estava bem escorregadia em diversos pontos, demandando atenção. Diversos pontos de água no caminho, mais cristalinas que as demais do Pati. Com cerca de 1h40 chego à cachoeira do Calixto, após 4.8km.

A cachoeira do Calixto é a principal atração deste lado do vale, tendo o Rio da Lapinha volume superior ao Rio Pati. A queda é mais aberta que a da cachoeira Funis e o poço também é mais amplo.

Saindo do poço e retornando ao ponto em que se chega ao leito do Rio Lapinha, na outra margem continua a trilha pela Mata do Calixto. A trilha segue um pouco menos movimentada e tem como desafio os diversos troncos caídos pelo caminho e um aclive constante. Depois de quase 1h de caminhada, enfim, a trilha deixa a Mata do Calixto e continua pelo Gerais do Vieira, atravessando alguns afluentes do Rio Lapinha.

Em terreno relativamente estável a trilha segue pelo gerais, com alguns mergulhos para passar pelos riachos do caminho. O destaque visual é o morro Manoel Vítor, com quase 1.600m de elevação, sempre à direita. Depois de passar margeando o morro a trilha passa pela Toca do Gaúcho, um bom lugar para pernoite.

Adiante a trilha passa por um afluente do Rio Ancorado e pelo próprio rio, para reencontrar a trilha principal Bomba x Pati mais a frente. Retornando ao eixo principal, a caminhada segue pelo caminho tradicional até chegar ao Bomba.

Neste dia caminhei 20.5km, em 8 horas de atividade (contando com as paradas).
Totalizando 51.2km.

OBSERVAÇÕES:
> Caminhada na área do Parque Nacional da Chapada Diamantina, com acesso livre e gratuito. Não necessita de autorização para realizar este trekking.

> Trilha de nível moderado, exige um bom condicionamento pelas distâncias a serem percorridas em dias consecutivos. Em relação a dificuldade técnica, os principais desafios são o terreno irregular e a subida pesada do Morro Branco.

> A contratação de guia local NÃO é obrigatória, mas é recomendada no caso de pessoas sem experiência em caminhas longas ou que não sabem operar um GPS/bússola ou ler uma carta topográfica/mapa.

> Boa parte da trilha é por áreas abertas, expostas ao tempo. Use chapéu e protetor solar, também é recomendado utilizar roupas leves e que protejam braços e pernas (compridas).

> Boa disponibilidade de água pelo caminho, uma garrafa por pessoa basta. No tracklog deixei alguns pontos "estratégicos" de água pelo caminho, mas existem muitos outros. Na saída da Mata do Calixto há alguns pontos com água cristalina, diferente das demais fontes da região;

> O visitante NÃO É obrigado a ficar na casa dos moradores. É possível o acampamento natural em diversas áreas, a proibição só ocorre no topo do Morro Branco/Castelo.

> É possível fazer a caminhada de forma totalmente autônoma e não ter gastos durante o trajeto. Existe também a opção de utilizar as casas de apoio, seja apenas para dormida ou para fazer as refeições (café e janta). Em maio/2018 a pensão completa (janta+dormida+café da manhã) na casa dos moradores estava em R$120 por pessoa. Cada uma dessas opções tem o preço individual de R$40. Para quem deseja acampar, o valor cobrado é R$20 por pessoa.

> Em feriados grupos grandes podem ter dificuldade de encontrar lugar, mas 1 ou 2 pessoas encontram cama com certa tranquilidade.

> Sugestão para camping natural: chegada ao Rio Pati, após a Igrejinha; outro lado do Rio Pati, após passar pela Prefeitura. Existem diversos outros pontos, mas sugiro esses dois para quem deseja seguir este tracklog.

> Em caso de chuva nos dias anteriores, alguns trechos ficam bem escorregadios e demandam atenção, principalmente o interior da Mata do Calixto e o ataque ao Morro Branco/Castelo.

> É possível realizar este trekking apenas com mochila pequena (20L), levando somente roupas, lanches e acessórios, deixando para fazer as refeições principais na casa dos moradores.

View more external

Trilha segue à esquerda
Água logo adiante
Direita de quem desce
2018-04-28 10:52:12
2018-04-28 10:52:12
2018-04-28 10:52:12
Direita para Angélica/Purificação

4 comentários

  • Dani Cuper 6/jun/2018

    Hélio, excelente publicação, informações e dicas preciosas! Muito obrigada por compartilhar! Farei esse trekking daqui 15 dias, na expectativa! Abraço!

  • Dani Cuper 6/jun/2018

    Excelente!

  • Foto de mar_celoferreira

    mar_celoferreira 3/dez/2018

    Gostei muito do tracklog helio. Muito informativo e claro. Pretendo fazer essa travessia/circuito muito em breve e vou usar o seu track como orientação. Única mudança é que devo fazer em 4 dias já que quero fazer um ataque até o cachoeirão. De qualquer forma, obrigado por compartilhar sua experiência. Um abraço.

  • Foto de Hélio Jr

    Hélio Jr 3/dez/2018

    Olá Marcelo,

    pode seguir que está bem preciso! Se fizer o Cachoeirão por baixo dá pra fazer uma ataque a partir da Prefeitura, já por cima você pode pensar num bate-volta a partir da Igrejinha. São duas trilhas bem interessantes que não fiz desta vez pois já conhecia. Se precisar, tenho o tracklog desses trechos em outros arquivos aqui no Wikiloc.

You can or this trail