Horas  8 horas 38 minutos

Coordenadas 2069

Uploaded 16 de Agosto de 2014

Recorded Agosto 2014

-
-
1.821 m
246 m
0
8,2
16
32,9 km

Visualizado 1987 vezes, baixado 17 vezes

próximo a Camarmeña, Asturias (España)

Uma situação das mais agradáveis para quem gosta do contacto com a natureza é, porventura, juntar a montanha com o mar.

Isso é possível nos Picos de Europa, uma formação montanhosa situada no norte da Espanha, recheada de acidentes geográficos interessantes. Trata-se da maior formação calcária da península o que dá a Espanha um papel de relevo enquanto destino para quem gosta de caminhadas. Se aos Picos juntarmos Guadarrama (é a maior formação granítica da Europa), os Pirinéus ou Sierra Nevada (o tecto da península) percebe-se bem porquê.

Os Picos estendem-se pelas Astúrias, pela Cantábria e por Castela e Leão, com um conjunto enorme de picos acima dos 2500 metros, entre os quais se destacam pela altura o de Torreceredo (2.648) e dos Cabrones (2.558) e pelo grau de dificuldade na escalada, o Pico Urriellu (2.518).

A escassos kilómetros (não mais de 20), está o mar Cantábrico. Um dia na montanha pode, perfeitamente, ser alternado com um dia na praia. A condição é que o clima, caprichoso nesta zona, assim o permita.

Com início em Poncebos (Astúrias) e término em Caín (Leão), fica um dos percursos mais conhecidos dos Picos, muito por força do impacto visual do traçado - La Ruta del Cares. Construído no início do séc. XX (entre 1916 e 1921) pela companhia hidroeléctrica do Viesgo, como suporte às suas actividades (manutenção e limpeza da conduta de água) e reconstruído em meados do século XX, tornou-se uma espécie de meca para os caminheiros (sobretudo os domingueiros).

O percurso, também conhecido como Garganta Divina, tem cerca de 12 kms (24 com a volta), rasgados ao longo do leito do Cares. Trata-se de um traçado típico de desfiladeiro, que nalguns sectores corre algumas centenas de metros acima do leito do rio, baixando progressivamente até ao nível das águas, já muito próximo de Caín.

Alguns segmentos são escavados na rocha, com uma série de tuneis que são progressivamente mais numerosos, longos, húmidos e baixos (menos de 1,7 mts), na parte final do percurso. Até Caín, o percurso atravessa o Cares por três vezes (pontes de Bolín, dos Rebecos e da Presa).

Partindo de Poncebos, o trilho sobe cerca de 300 metros ao longo dos 2 a 2,5 kms iniciais (até Los Collaos) para passar a ser de uma descida amena até Caín. O piso é amigável ao longo da generalidade do percurso, com alguns pontos em que se apresenta abrasivo (exemplo claro é o segmento Poncebos - Los Collaos).

Não sendo um trilho de montanha a colocar desafios técnicos, deve porém ser abordado com cuidado quer pela distância (cerca de 24 kms - ida e volta), quer pelos inúmeros precipícios sem qualquer protecção, quer pela quantidade imensa de pessoas que o percorrem, sendo que muitas delas não têm a mínima ideia ao que foram - é possível, por exemplo, encontrar senhoras de vestido ou de sandálias, bem como crianças ao colo. A largura do trilho é de cerca de 1,5 metros.

Caín propicia, antes do regresso pela mesma via e meio (a alternativa é táxi - caro, pelo que me disseram), a possibilidade de uma refeição num dos vários restaurantes. Os preços e a qualidade são bastante razoaveis (15 €).

Num raio de 40 a 50 kms, vale a pena visitar Cangas de Ónis e Covadonga. Para praia e vistas, visite-se Llastres. Há óbviamente um conjunto largo de outros percursos a fazer nos Picos, mas esses são outra história.

Este foi feito em família e nele participaram: Graça Ribeiro da Cunha, Joana Rolo de Sousa e Pedro Figueiredo.

Notas finais: Coordenadas e perfil de altitude não estão correctos devido a falhas do GPS. Em todo o caso é impossível errar. Basta seguir a multidão.

Informação adicional em: http://www.rutadelcares.org/
Os primeiros 700 metros.
Ruínas de antigas instalações da hidroeléctrica.
Los Collaos
D
E
F
G

Comentários

    You can or this trail