Horas  um dia 13 minutos

Coordenadas 2560

Uploaded 9 de Junho de 2018

Recorded Junho 2018

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3.693 m
2.134 m
0
7,3
15
29,35 km

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próximo a Vilaflor, Canarias (España)

FOTOS DESTA E DE OUTRAS TRILHAS EM ”CAMINHANTES"

Aproveitando as mini férias em Puerto de la Cruz, Tenerife, destinamos dois dias para desfrutar da montanha mais alta de Espanha, o PICO TEIDE, no Parque Nacional del Teide. O parque é o maior e mais antigo dos parques nacionais das Ilhas Canárias e um dos mais antigos de Espanha. Em 2007 foi declarado Património da Humanidade pela UNESCO, no mesmo ano também foi integrado na lista dos doze tesouros de Espanha. É um dos parques nacionais mais visitados da Europa e do mundo. Em 2016, foi visitado por 4.079.823 turistas.

Se há alguma aventura para se disfrutar na ilha de Tenerife é sem dúvida a ascensão ao Pico Teide, com os seus 3718 metros de altitude com pernoita no refúgio de Altavista a 3260 metros de altitude para apreciar o magnífico pôr-do-sol, onde a sombra do Teide caí sobre o Oceano Atlântico! A reserva e pernoita no refúgio Altavista dão acesso ao Pico Teide antes das 9 horas sem necessidade do “permiso” (autorização prévia do Parque Nacional) e contemplar o esplendido nascer do sol inundando toda a paisagem com cores enquanto o vulcão projecta sua sombra sobre o mar. Puro espectáculo digno de se ver!

O trilho realizado é de tipologia circular com início e fim na Base do Teleférico del Teide. O percurso ao longo de grande parte do Parque Nacional é de encher a alma, as ascensões do Pico Teide e Pico Viejo, o pôr e nascer do sol do ponto mais alto de Espanha completam a sua magnitude e resplandecência. A pernoita no refúgio Altavista, a 3260 metros de altitude, é essencial para disfrutar do pôr e nascer do sol, assim como dos dois dias em alta montanha.

1º DIA
BASE TELEFÉRICO DEL TEIDE – MONTAÑA BLANCA – REFÚGIO ALTAVISTA

O primeiro dia desta aventura pelo Parque Nacional del Teide começou na Base do Teleférico del Teide. Optamos por iniciar neste local por duas razões: em primeiro, porque o transporte utilizado desde Puerto de La Cruz foi o autocarro (linha 348) que chega aproximadamente às 10:35h, assim, com o início tardio e o acumulado positivo da jornada, ficamos com a etapa mais curta no primeiro dia, aproximadamente 12 quilómetros; em segundo, porque caso surgisse algum imprevisto teríamos sempre a possibilidade de descer pelo teleférico até à base.

Começamos por descer a estrada que liga a Base do Teleférico à estrada TF-21 que segue até ao Tabonal Negro, troço perigoso por não existir berma na estrada. Pouco depois do Miradouro do Tabonal Negro passamos para o caminho do S-39 que nos leva até ao Parking da Montaña Blanca e ao caminho mais utilizado para ascensão ao Pico del Teide “S-7 Montaña Blanca - La Rambleta”.
A primeira parte do percurso é feita em ligeira ascensão por estradão de terra em perfeitas condições e sem nenhum tipo de dificuldade. A paisagem é vulcânica, espetacular! Pouco depois encontramos o primeiro desvio para a esquerda, interseção com o S-27 Montaña Rajada, nós continuamos no S-7. Vamos ganhando altitude e panorâmicas progressivamente. O norte de Tenerife começa a destacar-se e as nuvens da costa deixam belas panorâmicas! Depois de 2,5 kms chegamos à interseção com o caminho que sobe a partir do noroeste de Tenerife, S-6 Montaña de Los Tomillos, neste local existe painel informativo sobre o lugar. As vistas começam a ser soberbas! Aproveitamos o local para almoçar enquanto desfrutávamos das magníficas panorâmicas. Já de estômago reconfortado, continuamos agora por um caminho cheio de curvas. A inclinação aumenta, mas não é nada do outro mundo, fomos avançando sem grandes dificuldades. O dia está ideal para a atividade, com sol e temperaturas muito boas para caminhar.

Depois de completar as duas primeiras curvas, começamos a ver os bem conhecidos “Huevos del Teide”, esferas de lava encontradas na encosta da Montaña Blanca. Atravessamos o campo dos “Huevos del Teide” e chegamos ao miradouro, onde encontramos um painel informativo sobre a ação da lava para produzir essas esferas. As vistas são óptimas, tem-se uma panorâmica perfeita dos Huevos del Teide.
Continuamos a subir pelo caminho de terra e chegamos ao desvio que vai em direção ao Miradouro do Alto da Montaña Blanca, são 1400 metros, ida e volta, para aceder ao dito Alto da Montaña Blanca. Olhamos para o relógio e achamos que tinha-mos tempo. Lá fomos nós pelo estreito, mas muito bem delimitado caminho até ao Cume da Montaña Blanca (2748M). No miradouro há um painel informativo sobre as montanhas localizadas ao sul. Depois de várias fotos, incluindo uma bela foto do Pico Teide, localizado a norte, e depois de disfrutar das panorâmicas, é visível a Montaña de Guajara, Montaña Pasajirón, Roque de la Grieta e Roque de los Almendros, entre outros picos da região, regressamos ao S-7 para seguir em direção ao Refúgio Altavista, nosso objetivo neste primeiro dia.
Agora o caminho muda consideravelmente, o esforço é muito maior para vencer o forte desnível que em ocasiões supera os 60% que associado à elevada altitude torna a tarefa mais difícil. Mesmo assim, o caminho estreito continua bem definido e é muito fácil de seguir. Aqui observamos as inundações de lava que correram pela encosta durante a última erupção. Em zigue-zague e, passo a passo, vamos ganhando altitude perdendo de vista o Pico del Teide. As vistas para o sul são lindas! O refúgio não abre antes das 17h, portanto não hesitamos em desfrutar de pequenas pausas ao longo da subida e apreciar as magnificas panorâmicas. O dia está perfeito! Continuamos pelo trilho, temos quase 3.200 metros de altura, já começamos à procura no horizonte o refúgio, mas este não é visível até estarmos muito próximos, depois da última curva, vemos primeiro a ponta da chaminé e depois o telhado do Refúgio Altavista. Chegamos ainda cedo, vamos esperar pelas 17h. ainda visitamos os arredores do refúgio. Satisfeitos e orgulhosos deitamo-nos ao sol enquanto apreciávamos as magníficas panorâmicas do refúgio mais alto de Espanha. Termina o primeiro dos dois dias para subir ao Pico del Teide.

A estadia no Refúgio Altavista é magnífica, completando uma bela experiência. Sem dúvida, uma estadia que aconselhamos, não só para descansar e realizar a subida ao Pico Teide em dois dias, mas também para aclimatar o corpo à altura, que nunca é demais, apreciar o belo ambiente montanhoso, ver o pôr-do-sol a partir do abrigo com a sombra do Pico Teide projetada no horizonte e estar de madrugada no topo do tecto de Espanha.
O refúgio tem uma cozinha completamente equipada (fogão eléctrico, microondas, louças e talheres) onde podemos cozinhar qualquer alimento que tenhamos levado. Como em todos os refúgios de montanha temos de transportar o lixo produzido. Existem três máquinas de venda automáticas, uma de bebidas (refrigerantes 4€ e água 50cl 3€) outra de bebidas quentes (café 2€ , chocolate quente, capuchinho, etc) e outra de snacks mas temos de levar moedas de 1€ pois não há possibilidade de trocar dinheiro com o guarda.

2º DIA
REFÚGIO ALTAVISTA – PICO DEL TEIDE – PICO VIEJO – ROQUES DE GARCIA – CAÑADAS DEL TEIDE – BASE TELEFÉRICO DEL TEIDE

Segundo dia desta aventura com o Pico Teide a 3718 metros de altitude como objetivo principal! Levantamo-nos cedo, depois de descansar o que podíamos e desfrutar de uma estadia agradável no Refúgio Altavista, iniciamos a preparação do que seria a segunda jornada da nossa aventura. São 4:15h e já estamos de pé, preparamos as mochilas para um pequeno-almoço tranquilo e começamos a andar com tempo suficiente para ver o nascer do sol do alto do Pico Teide. É importante saber que a partir das 9h, quando o teleférico começa a funcionar, não é possível estar no caminho que vai daqui até ao cume, precisando de uma autorização especial. No nosso caso, como passamos a noite no refúgio, não precisamos do “permisso”, mas temos também de descer à La Rambleta (estação superior do teleférico) antes das 9h. É aconselhável sair do refúgio por volta das 5h para ver o nascer do sol e baixar calmamente antes das 9h.

Assim fizemos, por volta das 5h saímos do refúgio, frontal na testa começamos o trilho seguindo vários caminhantes que como nós tinham pernoitado no refúgio. Prevemos uma jornada longa, com declives íngremes, exigentes... Mas cheios de encantos. Subir ao tecto de Espanha ao amanhecer, ver a bela cratera do Pico Viejo (3135m) e as Roques de Garcia eram motivações mais do que suficientes e sempre com panorâmicas excepcionais, são imagens que nunca serão esquecidas!
Estamos a cerca de 500 metros de altitude para chegar ao cume do Pico Teide. Começamos ainda de noite de frontais ligados demos os primeiros passos, sempre em ligeira subida e num caminho muito bem definido à semelhança do caminho pelo qual acedemos ao refúgio no dia anterior. Lentamente vamos progredindo, atentos aos sintomas do mal de altura pois à altitude que nos encontramos podem aparecer. No entanto, estamos ótimos, com ritmo calmo e regular. Pouco a pouco, estamos ganhando altura.

Temos mais de 3500 metros de altitude e chegamos ao desvio que vai em direção ao Mirador de La Fortaleza, localizado a poucos metros de distância, não fizemos o pequeno desvio por estarmos ainda na escuridão da noite, não valia apena! A partir daqui, começamos a identificar o contorno do cume do Pico Teide. Chegamos ao desvio para subir ao Teide pelo S-10 Telesforo Bravo que está nas proximidades de La Rambleta (estação superior do teleférico). Aqui, virando para a direita, vamos para o cume. Estamos na base do cume e começamos a subir novamente. O horizonte começa a colorir com tons mais azulados... O ritmo da ascensão é bom, o suficiente para alcançar o pico ainda de noite e observar o nascer do sol. O caminho é estreito, mas muito fácil de seguir. Estamos ganhando altitude em silêncio e o cheiro de enxofre começa a estar presente. O vulcão está ativo, embora não entre em erupção, o cheiro a enxofre acompanha-nos durante toda a permanência no cume.
Em menos de 2 horas desde a saída do refúgio, chegamos ao tecto da Espanha! Pico Teide (3718m)! Um sentimento indescritível! Ainda não nasceu o dia e no cume já estão alguns madrugadores, outros ainda irão chegar! Procuramos um bom lugar para testemunhar o espetáculo de ver o nascer do sol!
O horizonte começa a clarear onde ficaremos mais de uma hora, tirando fotos e desfrutando de um marco para recordar! O esforço vale a pena e as primeiras luzes deixam claro que viveremos um momento único! Para leste, o sol; para oeste, a lua, que se a esconder timidamente. O nascer do sol que poderíamos desfrutar é incrível! O dia completamente claro, apenas algumas nuvens na costa, um sol que oferece seus primeiros raios, enquanto projeta a sombra do Pico Teide no mar. E com o dia de céu limpo aproveitamos a oportunidade para apreciar as vistas que temos, avistando as ilhas de Gran Canaria, La Gomera, La Palma e Hierro. Impressionante!
Eram aproximadamente 8h quando começamos a descida. Há nossa frente, mais de 1600 metros de altitude, resta-nos cerca de 16 quilómetros até à base inferior do teleférico. A primeira parte leva-nos através do mesmo caminho de acesso ao topo até chegar ao desvio que está nas proximidades de La Rambleta. Já na estação superior do teleférico aproveitamos para tomar café numa das máquinas de venda automática, enquanto descansávamos, visitamos o miradouro do teleférico com painel informativo sobre a panorâmica do local, já de dia, as vistas são excepcionais!

Seguimos o S-12 Mirador de Pico Viejo, o caminho é muito agradável que se percorre sem grande dificuldade. Pouco depois chegamos ao Miradouro do Pico Viejo, onde encontramos mais um painel informativo. As vistas sobre o Pico Viejo são espetaculares. Continuamos caminho em direção à base do Pico Viejo, progressivamente o terreno é mais difícil, o caminho fácil desapareceria gradualmente, dando lugar a áreas muito mais rochosas e complicadas de se caminhar, onde grandes blocos de pedra e lava dificultam a progressão… Entramos num campo de lava. Após o primeiro campo de lava, longo e aborrecido, chegamos a uma área muito mais aberta, onde o caminho se torna mais confortável. À nossa frente, e cada vez mais perto, o Pico Viejo. Continuamos sem grandes dificuldades, até chegarmos ao próximo desvio que nos leva ao Cume do Pico Viejo. Lá seguimos em sua direção para poder ver a sua cratera. O caminho é a subir em direção ao Narices del Teide, pouco depois vira-se à direita para subir a encosta ingreme que nos leva ao Cume do Pico Viejo (3315m). Lá chegados, as panorâmicas da sua bela cratera são magníficas, muito mais bonita do que a cratera do Pico Teide. O regresso é feito pelo mesmo caminho até à intersecção com o S-23 o qual seguimos em direção ao Parador Las Cañadas del Teide!

O S-23 foi a parte mais complicada da jornada talvez pela noite mal dormida, a fadiga acumulada e as muitas rochas que encontra-mos, para além de mais dois campos de lava que tivemos de atravessar. Estamos avançando, pouco a pouco, descendo em direção a Roques de García. Entre campos de lava, umas pequenas pausa para reforço e descanso.

O regresso por Pico Viejo é difícil e um pouco mais complicado que a subida por Montaña Blanca, mas o ambiente circundante é espetacular! O Pico Viejo (3135m) e Roques de García complementam perfeitamente a trilha! Depois de aproximadamente 12 quilómetros percorridos e alguns metros de altitude acumulada, chegamos à intersecção do S-3 Roques de Garcia. Agora o caminho é mais plano e de fácil progressão, em poucos minutos chegamos a Roques de García, belas formações rochosas onde tiramos várias fotos. Atravessamos a estrada TF-21 e dirigimo-nos ao bar do Parador Las Cañadas del Teide para beber uma cerveja fresquinha e comer alguma coisa, pois estava na hora de almoçar.

No caso de existir algum atraso nesta etapa pode-se terminar a trilha neste local pois o Bus da linha 348 inicia a sua viagem de regresso a Puerto de La Cruz aqui no Parador Las Cañadas del Teide às 16 horas.

Pausa feita, estômago aconchegado, mochila às costas e como ainda tínhamos bastante tempo para as 16 horas lá seguimos o percurso pelo S-19 Majúa. O caminho muito bem definido e de fácil progressão atravessa o lugar conhecido como Cañada Blanca e leva-nos até à Base del Teide (2250m), atravessamos a TF-21 e seguimos a estrada de acesso à base inferior do teleférico onde terminamos está incursão de dois dias pelo Parque Nacional del Teide.


TRILHA 1º DIA
BASE TELEFÉRICO DEL TEIDE – MONTAÑA BLANCA – REFÚGIO ALTAVISTA

TRILHA 2º DIA
REFÚGIO ALTAVISTA – PICO DEL TEIDE – PICO VIEJO – ROQUES DE GARCIA – CAÑADAS DEL TEIDE – BASE TELEFÉRICO DEL TEIDE

TRILHA COMPLETA
PICO DEL TEIDE: CIRCULAR DESDE BASE DEL TELEFÉRICO POR MONTAÑA BLANCA, REFUGIO ALTAVISTA Y PICO VIEJO


INFORMAÇÕES ÚTEIS

Aviso importante
Por razões de segurança por causa do controlo de muflóns é proibido o acesso e permanência em determinados percursos (sector das Cañadas das 7 às 14 horas, sector Pico Viejo das 7 às 17 horas) todas as segundas, quartas e sextas-feiras de inícios de maio a meados de junho (aconselha-se a consultar datas exatas do respectivo ano).

Como chegar:
Bus Titsa, Linha 348 - Puerto de La Cruz a Cañadas del Teide (Parador) saída às 9:30h e regresso às 16:00h
Bus Titsa, Linha 342 - Costa Adeje ou Cristianos a Cañadas del Teide ou Portillo
saída às 9:15h e regresso às 15:15h

Autorização para subir ao Teide por S-10 Telesforo Bravo:
O último troço da subida ao Pico Teide, perto da Base Superior do Teleférico, é feito pelo S-10 que só é possível com prévia autorização (permisso) solicitada ao Parque Nacional, exceto se a subida e descida for antes das 9h, uma vez que se encontra incluída de forma automática na pernoita no refúgio Altavista.
Não está recomendada a subida ao pico nem a pernoita de grávidas, crianças com menos de 8 anos ou pessoas com problemas cardiovasculares ou pulmonares sem consultarem previamente o seu médico.

Mais informações sobre: REFÚGIO ALTAVISTA

Mais informações sobre: PERMISO DE ACESO AO PICO DEL TEIDE

Mais informações sobre: PERCURSOS DO PARQUE NACIONAL DEL TEIDE

Mais informações sobre: AUTOCARROS DE TENERIFE - TITSA BUS

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