Tempo em movimento  2 horas 2 minutos

Horas  2 horas 7 minutos

Coordenadas 1799

Uploaded 10 de Dezembro de 2018

Recorded Dezembro 2018

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10,4 km

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próximo a Vale de Paredes, Leiria (Portugal)

Tarde soalheira e sem vento, que melhor sítio haveria para caminhar que a beira mar?...
A Praia das Paredes foi a opção.
Quem aqui chega e vê o extenso areal dourado, estendendo-se para ambos os lados do vale, cortado por um ribeirinho de água imaculada que acompanha uma povoação que nas últimas décadas se foi alongando vale adentro, não consegue imaginar a outrora Paredes da Vitória que teve o seu primeiro foral no século XIII, no reinado de D. Dinis; que tinha um porto de mar com uma frota de pesca e defesa que contava com um mínimo de 6 caravelas, imposto pelo rei; que, segundo alguns historiadores, a importância deste porto tal seria que os romanos construíram uma via que o teria ligado a Collipo, Tomar e Conimbriga; que a população já foi tanta que mais de 600 seriam os fogos para a abrigar; que ao longo do vale teriam existido tantos moinhos que o remanso das águas da ribeira era cortado a miúde pelas pás das turbinas que, rodando as mós, transformavam em farinha o cereal que das terras de Pataias e dos Coutos de Alcobaça para aqui era trazido e... ... estaria aqui até tarde se decidisse e soubesse contar a história desta povoação que é hoje uma das mais saudáveis, limpas e lindas praias de Portugal.
Alguém imaginaria que esta pacata povoação, que no inverno adormece aqui à beira do oceano revolto, perdeu a sua atividade devido à alteração das correntes marítimas que açorearam o porto, provocando o sisma da população piscatória para a Pederneira da Nazaré e a população rural para as terras de Pataias?... Pois, esta calma bucólica nada disso nos traz à ideia. E hoje menos que nunca. Uma bruma mágica adormeceu o "leão", guardador incansável do vasto areal, e vai acariciando e enfeitiçando a povoação e o vale.
Descemos também enfeitiçados, escutando pelas sereias se as houver por perto. Apenas o breve canto da água da ribeira acaricia a nossa passagem.
Subimos para a ermida de Nossa Senhora da Vitória. A imagem dos "anjos" cantando as loas em dia do Círio, que de alguns anos para cá acontece na Quinta Feira da Assunção mas que dantes não era assim, os asnos, cavalos, mudares e respectivos cavaleiros dando 3 voltas à ermida, passam pela nossa recordação.
Atravessamos o parque de merendas que já tem churrasqueira e retrete, evitando as fogueiras nas covinha de areia e o folclore de "homens para um lado e mulheres para outro" de antigamente.
Seguimos agora pela ciclovia atravessando um pinhal despinheirado pelo fogo do passado ano. Entramos pinhal dentro. Os pinheiros morreram e já foram sepultados. Sepultados em lexívias depois de cortados, descascados, triturados e entraram numa nova vida, mais erudita talvez, menos higiénica porventura. À volta apenas areia e restos de cavacos escavacados. Os trilhos, bem visíveis, levam-nos até perto do Vale Furado.
O Vale Furado é outra jóia das praias desta costa. Para a apreciar é necessário descer o pequeno carreirinho encosta abaixo. Já o teremos feito centenas de vezes para usufruir do aconchego das fúlvias arribas e da ternura da areia dourada. Hoje ficamos cá por cima e seguimos pelo estradão que nos conduz ao parque de campismo das Paredes. O pôr do sol acompanha-nos trazendo o colorido que os nossos olhos haviam perdido no negrume do pinhal queimado.
Daqui ali, onde deixámos o carro, é um pulinho. A magia da bruma algodoada, pousada sobre a praia, aguardava para nos reenfeitiçar. Que belo final!

2 comentários

  • Foto de Miraluz

    Miraluz 27/jan/2019

    Muito obrigado pela prosa, quase poesia, com a história e descrição desta caminhada entre os vales, de Paredes e Furado.

  • Foto de j.jesus

    j.jesus 28/jan/2019

    Miraluz, Grato fico eu pelo seu agradável comentário. Bem haja.

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