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Distância

23,45 km

Desnível positivo

288 m

Dificuldade técnica

Moderada

Desnível negativo

291 m

Elevação máx

81 m

Trailrank

51

Elevação min

2 m

Tipo de trilha

Mão Única

Hora

7 horas 22 minutos

Coordenadas

2269

Enviada em

12 de agosto de 2020

Registrada em

agosto 2020
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81 m
2 m
23,45 km

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perto de Arou, Galicia (España)

ETAPA 5/8: AROU – CAMARIÑAS (23,4 KMS)
Para esta quinta etapa, o Camiño dos Faros sai pela praia de Arou em direção à praia de Lobeiras e ao pequeno porto de Santa Mariña, a partir do qual se ascende ao Monte Branco, de onde se tem uma sensação única: a praia do Trece e Punta Boi ficarão para sempre na nossa memória. Daí, atravessam-se as praias de Reira para chegar a outro ponto mítico: Faro Vilán.


- A COSTA DA MORTE
É nesta quinta etapa que se percorre o troço de costa que deu origem a este nome macabro. O elevado volume de tráfego marítimo, o grande número de saliências rochosas e as violentas tempestades de inverno causaram muitas tragédias nesta costa entre Camelle e Vilán.
«Esta zona noroeste da península é uma zona de desembarque, um ponto de chegada obrigatório e mudança de rumo para todos os navios que vão ou vêm do norte, portanto, um pequeno erro de cálculo, uma manobra imprudente, um descuido ou um falha mecânica imprevista (motor, hélice, leme...) e que coincida com tempestades e nevoeiros frequentes, conduzem ao naufrágio. Mas a história é a seguinte: no final do século XIX, vários naufrágios de navios da marinha inglesa aconteceram num curto espaço de tempo, na área entre Arou e Vilán, com um grande número de vítimas: o Wolfstrong (1870, Negra, 28 mortos), o Iris Hull (1883, Punta Boi, 37 mortos), o Serpent (1890, Punta Boi, 172 mortos), o Trinacria (1893, Baixos de Lucín, 31 mortos) e City of Agra (1897, Baixo Canesudo, 29 mortos). Diante de tanto horror, os marinheiros ingleses passaram a usar o nome de "coast of death", popularizado em 1908 pela escritora Annette Meakin, amiga da rainha Vitória. A partir de então, por influência da imprensa inglesa e madrilena, passou a chamar-se Costa da Morte. Até muito recentemente, era a primeira referência escrita que se tinha. No entanto, o investigador Xosé Manuel Lema descobriu um exemplar do jornal Noroeste da Coruña que publicou em 1904: “Três navios naufragados na costa da morte:
1904 - A expressão Costa da Morte aparece no jornal Noroeste.
1907 - Existe um mapa com uma cruz no naufrágio do Serpent e o nome 'Costa da Morte'
1908 - Há um texto da escritora inglesa Annette Meakin que se refere a esta área como 'Costa da Morte'
1910 - Faustino Lastres conta-nos, no seu poema “E alá na costa d'a morte / Levanta-te nas pedras / O vilão sempre forte”.
Esses eventos também coincidem com a pressão das autoridades britânicas para melhorar a sinalização, o que levou à inauguração do Farol de Vilán em 1896. Também fica claro que, sempre que um navio naufragava, o saque era geral. Isto era algo normal considerando as necessidades daqueles tempos e daquelas pessoas que viviam no "fim da terra". No entanto, não é justa a lenda, infundada, de malvados sem escrúpulos que colocavam tochas nos chifres das vacas para simular luzes e provocar os naufrágios dos navios que cruzavam esta costa. É infundada porque não existem dados fiáveis ​​que a corroborem e não é justa porque mancha a verdadeira história, a dos marinheiros que, ao ver um navio desconhecido naufragar, tudo faziam para salvar o maior número possível de vidas."



- Trilho linear pela denominada Costa da Morte, Galiza, dividido em oito etapas. Nesta quinta etapa percorreram-se 23,4 kms, entre a praia de Arou e a vila de Camariñas;
- Não é uma etapa fisicamente muito exigente, mas a sua extensão torna-a de dificuldade moderada. E tem que se ter em conta que o percurso continua em grande parte pelas falésias, com todas as condicionantes e precauções que as mesmas implicam;
- Começando na praia de Arou, passa-se para a praia Braña de Lazo e, pela enseada de Xan Ferreiro (cujos baixios foram local de naufrágios), chega-se ao Mirador de Lobeiras, uma estrutura recente construída em betão;
- Do miradouro desce-se para a praia de Lobeiras, outro local fatídicamente associado a muitos naufrágios desta Costa da Morte. No local, e olhando para o mar, facilmente se perceberá o quanto traiçoeiros podem ser estes baixios, povoados por rochas semi-submersas;
- Deixa-se este local, repleto de trágicas histórias, para seguir em direção ao Porto de Santa Mariña. Pelo caminho, sempre nas falésias, cuja espetacularidade não deixa ninguém indiferente, passa-se por vários pontos de referência: Coído Os Boliños, Coído Pedra do Sal e enseada de Cabanas. O pequeno porto de Santa Mariña, abrigado sob o Monte Veo, é a passagem para uma das zonas ambientalmente mais sensíveis de todo o Camiño dos Faros: a duna do Monte Branco;
- Existem duas alternativas para cruzar esta área tão sensível e delicada: seguir o pequeno trilho que os pescadores usam para ligar o porto à praia do Trece, o Caminho das Crabas, passando pelo Penal do Veo ou contornar o Cabo Veo, pela Punta Batedora e Punta da Cagada (opção escolhida). Em qualquer dos casos, pela fragilidade deste ecossistema, nunca se deve sair do pequeno trilho de areia, evitando ainda o contacto com uma planta fundamental nesta zona e que se encontra em elevado risco de desaparecer: as camariñas;
- Após cruzar a duna do Monte Branco, chega-se à belíssima praia do Trece. Também aqui se requer especial cuidado, pois a sua zona dunar está repleta de camariñas, pelo que é preciso estar atento aos sinais e não sair do caminho. No final da praia, e após uma breve subida, chega-se a um dos pontos tristemente mais marcantes desta Costa da Morte: o Cemitério dos Ingleses;
- Como já foi referido no início da descrição desta etapa, este é o troço mais fatídico e trágico do Camiño dos Faros. O elevado número de naufrágios ocorridos neste pedaço de costa valeu-lhe a mórbida designação de Costa da Morte, que nos é recordada neste local pelo memorial aqui erguido em homenagem às vitimas destas falésias e baixios mortais. O Cemitério dos Ingleses foi construído para sepultar as vítimas do naufrágio do navio inglês Serpent, acidente que na época teve um enorme impacto mediático, levando a uma enorme pressão do governo inglês sobre as autoridades espanholas, o qual apressou à construção do importantíssimo farol Vilán, um marco desta costa e fundamental ponto de passagem neste Camiño dos Faros;
- Do Cemitério dos Ingleses passa-se pela Enseada de Lucín, também conhecida por Laxe dos Difuntos, numa alusão ao naufrágio do navio inglês Trinacria;
- O percurso continua num estradão de terra ao longo das falésias, até chegar às praias de Reira onde, saindo do caminho de terra, as atravessa pelo meio de um fantástico mar de esculturas em rocha a que o mar foi dando as mais singulares formas. Exemplo disso é a Pedra do Oso (urso), entre a praia de Reira e a praia de Area Longa. Logo a seguir surge a praia da Balea e por último a praia da Pedrosa, se onde se começa a subir até ao alto do Monte da Pedrosa, novamente por um largo estradão de terra batida. No alto do monte, a vista panorâmica para o farol de Vilán é magnifica;
- Já com o Faro Vilán como próximo objetivo, primeiro desce-se do Monte Pedrosa para depois voltar a subir o enorme rochedo do Cabo Vilán onde o farol foi construído, contornando sempre a Enseada Arneliña;
- Chegados a Faro Vilán, a paragem é obrigatória, pois este é um marco do Camiño dos Faros. Pela sua relevância histórica, pela sua localização geográfica, pela sua importância nesta costa trágica. Este é o farol mais imponente de todo o percurso. Na base do mesmo existe um edifício, onde as famílias dos faroleiros viviam, e que está adaptado a Centro de Interpretação, pequeno Museo e cafeteria, onde se pode beber algo fresco e descansar um pouco antes do final da etapa, enquanto se toma contacto com a história deste lugar tão marcante do Camiño dos Faros;
- O objetivo seguinte é a Ermita da Virxe do Monte. Até lá, o percurso continua por um caminho de terra, entre Punta Esperillo e Punta do Monte Farelo, passando pelo Coidal das Castañas e o Castelete, sempre pelas falésias, com vistas de cortar a respiração;
- O desvio à Ermita da Virxe do Monte justifica bem o esforço, quer pelas características do edifício, quer pelo local onde foi construída. Por opção, no regresso ao caminho fez-se um desvio pelo pinhal. No entanto, o mesmo não facilitou a progressão, apenas encurtou a distância pois a vegetação dificultou a passagem. Não o recomendo!!;
- Os 3 kms seguintes levam-nos até à entrada de Camariñas, continuando pelo caminho de terra. Primeiro passa-se pela praia de Lago e depois o percurso contorna o Monte da Atalaia, por Punta Villoeira até Punta do Castelo. Aqui chegados, está-se à porta de Camariñas, guardada pelas ruínas do Castelo do Soberano, cujas pedras testemunham a história destas gentes, desta região e desta costa. E chega-se, por fim, à vila de Camariñas, local de término desta quinta etapa;
- Este trilho desenvolve-se por trilhos pé posto (junto às falésias) e caminhos de terra;
- Trilho costeiro, acessível, com alguns desníveis acentuados e algumas zonas mais planas que permitem caminhar com mais fluência. No entanto, decorre maioritariamente por falésias, devendo-se tomar as inerentes precauções;
- Ao longo de todo o percurso a paisagem costeira arrebata-nos, lembrando-nos sempre que a beleza agreste desta costa é também o seu maior pesadelo, pois a sua história ficará sempre associada a um sem número de tragédias marítimas que lhe atribuíram o fatídico nome de Costa da Morte. Destaque para as várias praias selvagens de Braña de Lazo, Area de Lobeiras, Trece, Reira, Area Longa, Balea, Pedrosa e de Lago, assim como a duna do Monte Branco, pela sua importância ambiental. Destaque também para o troço de costa compreendido entre Enseada de Xan Ferreiro, Pedra do Sal, Punta do Capelo, Punta da Cagada, Enseada do Trece e Punta Boi, zona essa que originou a designação de Costa da Morte. Destaque ainda para o Cabo Vilán e respetivo Faro Vilán, marco deste caminho, Ermita da Virxe do Monte, Castelo do Soberano e vila de Camariñas;
- Sem dúvida, mais uma etapa do Camiño dos Faros por trilhos míticos e fabulosos, mas que requerem boa preparação física.


MUITO IMPORTANTE: a menos que se tenha muita experiência de montanhismo, pelo facto de cruzar falésias muito expostas ao vento e às ondas do mar, este trilho não deve ser realizado em dias de chuva ou vento forte, pois o mesmo tornar-se-á muito escorregadio e altamente perigoso.



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- TRASNO (ou Goblin): mascote do Camiño dos Faros
Um trasno (do latim "trans gradi") é um ser mitológico tradicional galego que, segundo a tradição, habita as casas e prega partidas. Diz-se que é um anão travesso e saltitante, de pele morena e barba. Veste-se de vermelho, é coxo e tem um buraco na mão esquerda. Atua à noite pelas casas, partindo a louça, remexendo na roupa, assustando o gado nos estábulos, fazendo barulho nos sótãos. Durante o dia, desaparece. Na Galiza é muito comum chamar "trasnos" às crianças quando estas são muito irrequietas ou indisciplinadas. Também se chama "trasno" aquele que anda sozinho pelos caminhos ou florestas.


- CAMIÑO DOS FAROS (Caminho dos Faróis)
O Camiño dos Faros é uma rota de caminhada de 200 quilômetros que liga Malpica a Finisterra pela costa, sempre junto ao mar. É um percurso que tem o mar como protagonista e que passa por todos os faróis e principais pontos de interesse da Costa da Morte.
É um percurso que percorre as mais variadas paisagens, sempre voltado para o mar e a oeste. Faróis, praias, dunas, rios, falésias, matas, estuários com grande quantidade de aves, mares de granito, castros, dólmens, vilas de pescadores, miradouros para o mar cujas ondas rebentam de todas as formas possíveis, crepúsculos deslumbrantes... e muita magia.
Um percurso pedestre como poucos, que levará o caminhante a um mundo de sensações únicas que só podem ser desfrutadas nesta Costa da Morte. Como sabemos que este percurso é único e que quem o fizer ficará surpreendido, nós, os "trasnos", estamos decididos a promovê-lo sem qualquer fim lucrativo. O nosso único objetivo é que este Camiño dos Faros exista e que muitas pessoas o façam com o maior respeito pela natureza.
O Camiño dos Faros, como os "trasnos" o conceberam, é dividido em 8 etapas com uma média de 9 horas por etapa. É um ritmo lento, um ritmo em que se pára em todos os pontos-chave, tiram-se fotos, faz-se uma pausa para comer e aproveita-se o passeio durante todo o dia. O facto de se tratar de um percurso junto ao mar não significa que se trate de um percurso junto à praia. O percurso é de dificuldade média / alta, visto que esta costa é muito íngreme e tanto se está a contornar falésias como já se está a subir a um monte de 100 metros. O percurso total tem um desnível de 4000 metros positivos e 4000 metros negativos, resultando num acumulado de 8000 metros!
Posto isto, consideramos que este é um caminho onde, aos poucos, se vai ganhando forma, uma vez que a dificuldade aumenta com a passagem das etapas. Mas não tenha medo disso pois, connosco, "Trasnos" de todas as idades e de todas as condições físicas fizeram o percurso completo. Daqui o convidamos a seguir-nos na aventura e a ajudar-nos na criação deste bem comum para os cidadãos. Divulgue estas informações, participe no nosso Facebook, Twitter ou Instagram, conte aos seus amigos e familiares sobre esta aventura, vá em frente e faça-a... qualquer sugestão pode ser muito válida para valorizar este caminho que temos tão perto e, às vezes, tão longe!!!

LINKS PARA AS VÁRIAS ETAPAS:

Camiño dos Faros - ETAPA 1/8


Camiño dos Faros - ETAPA 2/8


Camiño dos Faros - ETAPA 3/8


Camiño dos Faros - ETAPA 4/8


Camiño dos Faros - ETAPA 6/8


Camiño dos Faros - ETAPA 7/8


Camiño dos Faros - ETAPA 8/8




Informações mais detalhadas podem ser consultadas no endereço oficial:
www.caminodosfaros.com

Ver mais external

Praia

Praia Braña de Lazo

Panorama

Enseada de Xan Ferreiro

Nos baixios de Xan Ferreiro, devido ao espesso nevoeiro e a uma falha no leme, o navio francês Nil, comandado pelo Capitão Sr. Huarsch, encalhou a 10 de Outubro de 1927. Os danos no casco foram irreparáveis e o mar encarregou-se de, aos poucos, de o despedaçar. Todos os 19 membros da tripulação foram resgatados para um local seguro e os ricos comerciantes que viajavam a bordo foram hospedados em Camelle. Este seria mais um navio de uma longa história se não fosse o facto de o Nil transportar uma carga muito valiosa: carros, máquinas, tecidos, sedas de Damasco, fármacos, animais, champanhe francês... todo um supermercado flutuante, naqueles anos de difíceis adversidades. O capitão permaneceu a bordo até entregar o navio à Seguradora, mas a mercadoria espalhou-se por todo o litoral e a pilhagem foi imediata, contando-se muitas histórias caricatas que sobrevivem até hoje como, por exemplo, a do champanhe usado a bordo pelos guardas para fazerem café na falta de água. O Nil também trazia leite condensado e alguns habitantes, na sua ingénua ignorância, resolveram usar as latas para pintar as suas casas... imagina-se o que terá acontecido!
Panorama

Mirador de Lobeiras

Praia

Praia de Area de Lobeiras

A Praia de Lobeiras está inserida num ambiente agreste tanto por terra como por mar. Uma pequena praia, vários barcos e algumas cabanas que servem de abrigo a pescadores. À direita, vê-se Insua e em frente, mar adentro, A Negra. Rochas e enseadas que foram testemunhas silenciosas de muitos naufrágios nestas costas de Arou. Como numa manhã de novembro de 1870, quando os moradores de Arou acordaram sobressaltados, pois havia um barco naufragado na Praia de Lobeiras. Quando lá chegaram, o que viram foi terrível: os cadáveres jaziam na areia e não havia sinais de vida em parte alguma. Nem se soube o porquê do sucedido... Morreram 28 tripulantes do Wolfstrong, fazendo este naufrágio aumentar o mistério desta Costa da Morte. Anos mais tarde, em 1897, o City of Agra, que havia saído de Liverpool a 29 de janeiro, com destino a Calcutá, naufragou muito perto de Lobeiras. Era um navio moderno, comandado por William Frame, com 71 tripulantes (ingleses e indianos) e dois passageiros, um deles o Sr. Albert Jamrach, importante domador de feras que ia para a Índia à procura de alguns exemplares para levar para Londres. A 35 milhas de A Coruña perderam-se e, no meio da tempestade, à meia-noite de 3 de fevereiro de 1897, caíram nos Baixos Canesudos, perto de Lobeiras. O acidente foi terrível e o navio partiu-se em dois. O pánico apoderou-se da tripulação, dificultando o salvamento. Alguns agarraram-se um dos mastros que desabou em cima do navio. Os dois passageiros, uma empregada de mesa e vários oficiais embarcaram num dos botes salva-vidas, mas era impossível dali sair, pois ondas gigantes desfaziam-se sobre o navio e cada um teve que salvar-se como pôde. Com a ajuda dos habitantes de Camelle e Arou, que não hesitaram em arriscar as suas vidas, 32 passageiros foram salvos, cuidadosamente tratados e, posteriormente, levadas para a Coruña. Mas a tragédia já se havia consumado: 29 vidas tiveram o seu fim nesta costa que não perdoa erros. Em agradecimento pela coragem demonstrada, a Coroa Inglesa concedeu várias condecorações e medalhas “por bravura e humanidade” àqueles que participaram no resgate. O sino do navio foi presenteado à Igreja do Espírito Santo em Camelle.
Panorama

Coído Os Boliños

Panorama

Coído Pedra do Sal

Panorama

Enseada de Cabanas

Ponto de amarra

Porto de Sta. Mariña

Panorama

Punta Batedora

Panorama

Punta da Cagada

Panorama

Duna do Monte Branco

A Duna do Monte Branco, com 150 metros de altura, é uma das dunas mais altas da Europa. O vento forte foi levantando a areia pela montanha acima, até a cubrir, criando uma paisagem única. O percurso não sobe a duna, pois esta é a zona ambientalmente mais sensível de todo O Camiño dos Faros, pelo que pode ser contornada pelo Cabo Veo ou atravessada a encosta da duna pelo Penal de Veo, a pouco mais de 80 metros de altura, pelo Caminho das Crabas, trilho que os pescadores sempre usaram para irem de Santa Mariña até Trece. Em qualquer dos casos, deve-se ser extremamente cuidadoso. É obrigatório ir em fila indiana, sem sair do trilho de areia e sem pisar nos "tapetes" vegetais que demoraram anos a formar-se. Este troço começa no Coído de Santa Mariña e percorre toda a costa por um estreito caminho entre fetos. No momento em que se começa a subir o caminho de areia, é necessário ter extrema cautela, pois vai-se cruzar uma pequena área arenosa de caramiñas (corema album), que dá nome à vila de Camariñas. Antigamente presente em toda a costa galega, hoje está em perigo de extinção. É uma planta que se adapta perfeitamente a estas condições extremas, dando, no final do verão, um fruto branco que parece uma pérola.
Praia

Praia do Trece

A praia do Trece é de uma grande beleza, com o rebentar contínuo das ondas do Atlântico a dar-lhe um aspecto desértico e uma grande duna, com espécies de flora protegidas como a caramiña, que dá nome a Camariñas. Ainda estamos numa zona muito sensível, pelo que é preciso estar atento aos sinais e não sair do caminho. Atravessa-se toda a praia que é formada por pequenas enseadas divididas por baixios rochosos que vão para o mar. Uma combinação de mar, vento, areia e rochas que criam lindos recantos onde parar e contemplar são obrigatórios.
Monumento

Cemitério dos Ingleses

No Cabo Tosto, na escarpa conhecida como Punta Boi, ocorreram três naufrágios no final do século XIX que marcaram para sempre a história e o nome da Costa da Morte: o Íris Hull (1883), o Serpent (1890) e o Trinacria (1893). Destes, o naufrágio que mais impacto teve na época foi o do Serpent. Era um navio da coroa britânica, com 75 metros de comprimento e 175 homens de tripulação. Zarpou do porto de Plymouth a 8 de novembro de 1890 sob uma forte tempestade de SW, comandado pelo experiente Harry L. Ross. Estava acompanhado pela canhoneira Lapwing e rumava para a Serra Leoa, via Madeira. Às 23h do dia 10 de novembro, choca contra as escarpas de Punta Boi. Encravado entre as rochas, consegue ficar à superfície pouco mais de uma hora. A tripulação arremessou várias cordas que se rasgavam nas rochas. Tentaram baixar os botes salva-vidas, mas as ondas arremessavam-os contra as rochas. Todas as tentativas para abandonar o navio foram infrutíferas e as cenas de pánico reapareceram a meio da noite. O mar agitado levou para sempre a tripulação do Serpent. Apenas três marinheiros salvaram milagrosamente as suas vidas, tendo sido cuspidos pelo mar na direção da Praia do Trece. Dois deles subiram a montanha até que, na manhã seguinte, foram avistados por um lavrador. Nos dias que se seguiram, o mar foi devolvendo os corpos sem vida dos outros 172 tripulantes do Serpent, a maioria deles muito jovens. Os residentes de Xaviña e Camariñas ajudaram a enterrá-los, consagrando o local onde já estavam enterrados os tripulantes do Irish Hull com um pequeno cemitério, hoje denominado Cemitério dos Ingleses. Durante muitos anos, sempre que um navio da marinha inglesa navegava por estas costas, disparava salvas evocativas e lançavam uma coroa de flores ao mar, pois foi este naufrágio aquele que mais impacto e eco teve na época. A partir da tragédia do Serpent, iniciou-se uma série de reformas para melhorar a navegação nesta costa, tais como a construção do novo Farol de Vilán, construção essa que se acelerou com o último dos acidentes desta tríade infernal.
Panorama

Enseada de Lucín (Laxe dos Difuntos)

Na madrugada de 6 para 7 de fevereiro de 1893, a tempestade intensificou-se na costa de Vilán. O navio inglês Trinacria havia deixado Glasgow com destino a Gibraltar, Génova e Livorno, com uma carga de ferro, tijolo, carvão e cera. 33 tripulantes e 4 passageiros viajavam a bordo, incluindo uma menina de 15 anos. Quando estavam prestes a dobrar o Cabo Vilán, o capitão, o Sr. Muny, não se apercebeu que estavam a aproximar-se perigosamente de terra. Às seis horas da manhã do dia 7, o navio encalhou nos baixios de Lucín. As cenas de pánico voltam a sentir-se nesta Costa da Morte e outro navio é vítima desta implacável Punta Boi. Ao amanhecer, em se saber como, milagrosamente o mar devolveu sete tripulantes à praia do Trece, enquanto nada restava do Trinacria. Estes foram levados para Camariñas onde foram assistidos até que, dois dias depois, partiram para Corcubión. Aos poucos, o mar foi cuspindo cadáveres, que foram enterrados nas proximidades. Depois de alguns dias, uma enorme massa de madeira, corda, cera, roupas e mais cadáveres apareceu entre as rochas. Apesar dos esforços para identificá-los, era impossível e não havia outra solução a não ser regar tudo com gasolina e queima-los. Desde esse dia, este lugar, bem próximo de Punta Boi, ficou conhecido como "A furna dos Difuntos Queimados". Este acidente foi a gota d'água. Três anos se passaram desde o Serpent e várias catástrofes ocorreram num curto espaço de tempo no mesmo local. Os marinheiros ingleses já chamavam a este troço de Costa da Morte e as autoridades inglesas pressionavam os espanhóis. Faro Vilán foi inaugurado em 1896, sendo o primeiro farol elétrico a guiar os marinheiros nesta extremamente perigosa "Costa da Morte".
Praia

Praia de Reira

Praias de Reira é a zona compreendida entre Punta Boi e o Monte A Pedrosa, composta por quatro areais: Reira, Area Longa, Balea e Pedrosa. São praias de areia fina, ventosas e com ondas fortes, com o charme especial de um ambiente praticamente virgem.
Waypoint

Pedra do Oso (Urso)

A Pedra do Oso tem uma história peculiar: alguém gostou da pedra e levou-a, em 2002, ficando desaparecida por um tempo. Depois de vários dias, ela apareceu num estaleiro de obras na Coruña, para onde tinha sido levada por operários, a quem lhes pediram para procurar grandes pedras na área de Camariñas. Como eles chegaram facilmente a esta, carregaram-na com um guindaste e levaram-na. Enfim, coisas da Costa da Morte, mas que nos fazem refletir sobre o quão vulnerável é o património coletivo.
Praia

Praia de Area Longa

Praia

Praia da Balea

Panorama

Monte da Pedrosa

Monumento

Faro Vilán

O Faro Vilán, que se projeta para o mar sobre um promontório rochoso de 100 metros de altura é, sem dúvida, um ponto chave deste Camiño dos Faros. O cenário é impressionante. À sua frente, o penhasco Vilán de Fora, separado da terra pelo desfiladeiro O Bufardo, onde o mar enche tudo de espuma branca. O vento, presente quase todos os dias, esculpe as rochas circundantes formando figuras das mais variadas formas. É o habitat perfeito para as aves marinhas, algumas em grave perigo de extinção como a gaivota tridáctilo ou a guillemota comum, que tem os últimos exemplares nestas rochas. Além delas, corvos-marinhos, mascatos, cagarras, charrans ou alcídeos encontram a sua casa em Vilán. No Cabo Vilán existia um farol a vapor em funcionamento desde 1854, o Farol Vello, localizado numa torre octogonal numa pequena elevação, onde hoje se avistam os seus vestígios. Este farol, não estando localizado na parte mais alta, não conseguia sobrepor-se à rocha do cabo e deixava áreas cegas. Tentou-se resolver algumas áreas explodindo dinamite, mas foi impossível. Em 1885 foi aprovada a construção de um farol de primeira ordem e, os desastres do Serpent em 1890 e da Tinacria em 1893 obrigaram a acelerar o seu funcionamento. Em 15 de janeiro de 1896, seis anos após a tragédia do Serpent, o primeiro farol elétrico de Espanha foi inaugurado na sua localização atual, representando uma melhoria notável para a navegação. A luz foi produzida por um arco elétrico entre dois eletrodos de carbono. Com uma torre octogonal de 25 metros de altura, a sua luminosidade chegava a 10 milhas, sendo uma das mais poderosas da época. Foi declarado de Interesse Nacional em 1933. Em 1962 a ótica foi melhorada, atingindo 28 milhas e adicionando uma sirene de nevoeiro. O prédio que serviu de residência para os faroleiros e as suas famílias está separado da torre por um túnel fechado, com escadas. Actualmente podemos visitar o museu, onde veremos óticas antigas e outros elementos da história do farol, um centro de interpretação dos naufrágios, a sala de exposições e uma cafetaria.
Panorama

Punta Esperillo

Panorama

Coidal das Castañas

Panorama

O Castelete

Local religioso

Ermita da Virxe do Monte

A Ermita da Virxe do Monte foi construída no século XVIII no cimo do Monte Farelo, sobre as ruínas de uma ermida anterior. Simples e de nave única, destaca-se pelos contrafortes que possui na face norte. Como em muitas outras localidades, em dias de chuva, as esposas dos pescadores subiam ao telhado da ermida para mudar a direção das telhas, na fé de que assim o vento mudaria de direção e os seus maridos logo voltariam para terra. Nas proximidades da ermida, uma peregrinação é realizada na Páscoa.
Praia

Praia de Lago

Ruínas

Castelo do Soberano

Já na época medieval, os piratas normandos eram assíduos nos estuários galegos. Durante os séculos XVI, XVII e XVIII esta zona da Costa da Morte esteve sujeita a contínuas incursões navais de piratas e corsários, pelo que as autoridades elaboraram um plano, fortificando toda a costa com castelos como este de Camariñas e os de Fisterra, Cee e Corcubión. O Castelo do Soberano foi construído em 1740, durante o reinado de Carlos III, formando uma bateria curva que defendia toda a entrada da ria e possuía dezassete canhoneiras. Tudo isto defendido por um recinto amuralhado com bastião, dois meios bastiões e um fosso no meio. No interior, um armazém que também servia de casa e paiol. Esta bateria foi complementada com a construída em Muxía em 1801, tornando muito difícil qualquer incursão na Ria. Na década de 40 do século passado, a bateria perdeu a sua funcionalidade. A necessidade e a ignorância retiraram ao antigo castelo as pedras, que serviram para a construção do novo porto e, alguns dos canhões, foram colocados como pontos de amarra para atracar as embarcações. Actualmente, apenas estão preservados os alicerces e parte da parede exterior. O edifício pertence a privados e não existe um destino muito claro para ele. O Camiño dos Faros contorna toda esta área murada pelos vestígios desta fortaleza do século XVIII, muitos deles escondidos pela vegetação rasteira. Ao lado, no miradouro, contempla-se todo o Porto de Camariñas.
Ponto de amarra

Porto de Camariñas

O porto pesqueiro de Camariñas é um dos mais importantes da Costa da Morte e é o principal eixo em torno do qual gira a vida da vila. Na fachada de uma das casas do porto pode-se ver o barómetro que o Almirantado Inglês deu ao povo de Camariñas pelos cuidados dispensados ​​após o naufrágio do Serpent. Um grande avanço para o seu tempo e uma demonstração de gratidão a este povo que, durante séculos, colocou a sua vida ao serviço de estranhos que, navegando nestas águas, encontraram o pior fim.

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