Horas  8 horas

Coordenadas 1569

Uploaded 27 de Abril de 2019

Recorded Abril 2019

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386 m
143 m
0
4,8
9,6
19,25 km

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próximo a Mondim de Basto, Vila Real (Portugal)

FOTOS DESTA E DE OUTRAS TRILHAS EM ”CAMINHANTES"

LEVADA DE PISCAREDO EM CIRCULO

O percurso realizado tem por base o PR2 Levada de Piscaredo, que sendo um itinerário linear, optamos por percorrer a margem contrária do Rio Cabril até ao lugar das Mestras e regressar pela levada, tornando-o circular. Trilho não sinalizado até à interseção com o PR2, de âmbito paisagístico, cultural e desportivo.

Este é um percurso fácil do ponto de vista técnico, com a exceção da travessia do Rio Cabrão que deve ser atravessado a vau, consoante a época do ano (descalçando as botas, se for esse o caso ou, se o caudal for muito reduzido, pelos seixos de maior porte no seu leito).

Iniciamos o percurso no Largo Mondinense Futebol Clube e seguimos pela Rua das Fontelas, pouco depois encontramos a Capela de S. Sebastião. Capela maneirista e barroca, com fachada principal integrada numa das tipologias mais comuns no distrito e alçados com cunhais apilastrados e rematados em cornija. Apresenta interior com cobertura em masseira e retábulo de talha dourada e policroma de planta reta e três eixos, de estrutura maneirista e decoração barroca, com caráter popular, pintada de azul e branco.

Logo a seguir viramos por um caminho medieval, estreito e sinuoso ladeado por muros de granito, pouco depois de deixar este caminho encontramos a Capela do Senhor da Ponte. Capela barroca de uma só nave, do séc. XVIII, com fachada principal em empena de cornija. Apresenta interior com retábulo de pedra pintado, teto de madeira com pinturas "rocaille" e imagem de Cristo, de pedra. Pouco depois está a Ponte Medieval de Vilar de Viando sobre o Rio Cabril. Classificada como "Imóvel de Interesse Público" em 1990, é possível que a "Ponte de Vilar de Viando" integrasse o antigo caminho que ligava Amarante a Chaves. Ponte de cavalete, com um único arco de volta perfeita, o pavimento e as guardas foram de igual modo executados com cantaria granítica, tal como sucedeu com os reforços presentes nas suas extremidades, tanto a montante, como a jusante.



Atravessamos a ponte e viramos à esquerda, seguindo ao longo da margem do rio Cabril até ao açude. Daqui seguimos por entre vinhedos e caminhos de pé posto até encontrar um amplo estradão de terra que nos conduziu, a meia encumeada, ao longo do rio até ao Lugar das Mestras. O Monte Farinha, com a capela da Sr.ª da Graça, surgia-nos frequentemente no horizonte. Chegados ao Lugar das Mestras, confluência dos rios Cabrão e Cabril, tivemos de atravessar o primeiro descalçando as botas, apesar da água fria, o dia estava quente o que permitiu aquecer rapidamente os pés. Aproveitamos a margem do rio para a pausa de almoço, que bom e variado repasto! Depois da longa pausa voltamos ao percurso.

Já na interseção com o PR2 - Levada de Piscaredo, fizemos um desvio de 100 metros para visitar o Açude das Mestras, voltando, atravessamos agora o Rio Cabril, sem grande dificuldade, pelas Poldras existentes e pouco depois chegamos à Levada de Piscaredo. O percurso decorre por um trilho ao longo da levada, por entre bosques de carvalhos, loureiros e freixos. Alguns eucaliptos e sobreiros já na sua parte final. Do lado esquerdo corre o rio Cabril, por entre um corredor ripícola constituído por salgueiros, freixos, loureiros, amieiros, etc, onde se abriga uma riquíssima avifauna, da qual se destacam as aves de bosque.

Com frequência ouve-se o piar da águia-de-asa-redonda, voando em círculos sobres este maravilhoso vale que, terá variada coloração, conforme a época do ano: agora verde, no outono laranja e amarelo, castanhos de vários tons… Ao longo do percurso, pode-se observar dois açudes - os das Mestras e o do rio Cabrão - duas levadas, poldras, ribeiras, túneis e trincheiras até chegar aos moinhos de Piscaredo, numa belíssima envolvência natural marcada pelo homem ao longo dos séculos, no aproveitamento da água como bem indispensável à vida e às suas atividades rurais.

Seguimos a levada, sem desníveis e com as deslumbrantes paisagens do vale do Rio Cabril, até Mondim de Bastos, onde terminou este percurso.

Pontos de interesse: Arquitetura religiosa (Capela de S. Sebastião e Capela do Senhor da Ponte), Ponte Medieval do Cabril, Rio Cabril, Açudes, Diversos Moinhos e Levada de Piscaredo.



Nota Histórica:
A construção da Levada de Piscaredo remonta ao século XIII, ainda no reinado de D. Afonso II. Devido à escassez de água, indispensável para a irrigação dos seus campos, os proprietários das terras de Mondim decidiram um dia partir de suas casas rumo às Mestras, confluência dos rios Cabrão com o Cabresto, e só regressaram muitos meses depois, trazendo consigo o precioso líquido. Conta-se a este propósito que outras aldeias disputavam igualmente estas águas, iniciando a levada de baixo para cima. Quando se aperceberam, já os de Mondim traziam a água consigo, conquistando não só o direito às águas, como também um excelente nível para a construção da levada. A Levada primitiva era feita em terra batida, com todos os inconvenientes daí resultantes. Nos anos de 1960/61 foi totalmente reconstruída em lajes de granito, tal como a conhecemos actualmente, através de Concurso Público promovido pelo Estado, que comparticipou a obra, tendo a Associação de Proprietários contraído um empréstimo para o efeito, que foi amortizado ao longo de vinte anos. Ao longo da Levada há cerca de 15 ou 20 nascentes que lhe pertenciam. Hoje, grande parte dessas nascentes já não corre para o rego devido ao desnível resultante das obras efetuadas. O sorteio das andadas, em número de 17 (tantas quantos os proprietários que fizeram a levada), realiza-se a 24 de Junho, dia de S. João, resultando daí o rol que calendariza a utilização das águas, leiloando-se também meio-dia cujo produto reverte a favor das obras de reparação e conservação da levada. A Levada de Piscaredo tinha um “olheiro” que vigiava e repartia as águas pelos regantes e um regulamento próprio, constante das posturas camarárias a partir do século XVIII. Esse regulamento proibia, a título de exemplo, o corte das águas antes dos moinhos de Piscaredo e a obrigatoriedade de deixar correr pelo ribeiro que atravessava Mondim, um caudal de água equivalente à capacidade de uma telha cheia. As referências mais antigas desta Levada denominavam-na de “Levada de Pisqueiredo”. Atualmente parece ter evoluído para “Levada de Piscaredo”, embora as duas versões sejam corretas.




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