Hora  6 horas 54 minutos

Coordenadas 1166

Enviada em 13 de Junho de 2020

Registrada em Junho 2020

  • Avaliação

     
  • Informações

     
  • Fácil de fazer

     
  • Paisagem

     
-
-
1.382 m
929 m
0
5,1
10
20,4 km

Visualizado 616 vezes, baixado 26 vezes

perto de Casais, Viseu (Portugal)

FOTOS DESTA E DE OUTRAS TRILHAS EM ”CAMINHANTES"

SERRA DE MONTEMURO

A Serra de Montemuro é a oitava maior elevação de Portugal Continental, com 1382 metros de altitude. Situa-se nos concelhos de Arouca (distrito de Aveiro), Cinfães, Resende, Castro Daire e Lamego (distrito de Viseu) e entre as regiões do Douro Litoral e da Beira Alta.

A altitude média é de 838 metros. Está compreendida entre o rio Douro, a Norte e o rio Paiva, a sul, confina com a cidade de Lamego. O ponto mais alto da serra é denominado por Talegre ou Talefe, a 1382 metros de altitude.


Pico do Talegre (1382m)

Toda a serra tem bastante relevo e é íngreme praticamente de todos os lados. A serra é povoada até cerca dos 1.100 metros de altitude, as aldeias encontram-se espalhadas por toda a serra, mas quase sempre perto de cursos de água, como o rio Bestança que a divide na direção Sul-Norte.

A Serra de Montemuro, faz parte da 1ª fase da lista nacional de sítios da rede natura 2000. Está classificada como BIÓTOPO CORINE, com designação de Serra do Montemuro/Bigorne. Na descrição que o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) faz, destaca-se a grande biodiversidade, resultado do bom estado de conservação dos vários tipos de habitat que aí se encontram representados - alguns deles de considerável valor conservacionista, como as turfeiras activas (habitat prioritário) - e mais concretamente a vasta comunidade de vertebrados, da qual fazem parte inúmeras espécies com estatuto de ameaça, como, por exemplo, o lobo (Canis lupus).


GR47-GRANDE ROTA DE MONTEMURO

Vamos tentar mostrar como quatro caminhantes se propuseram a fazer em três dias a GR47-Grande Rota de Montemuro, cerca de 64Kms em travessia, que cruza toda a Serra de Montemuro desde Nespereira - Parque Nossa Senhora de Lurdes, concelho de Cinfães, até ao Parque Fluvial de Porto de Rei, no concelho de Resende.


Painel Informativo GR47-Grande Rota de Montemuro

Não existindo opções de alojamento para a pernoita, lá fomos nós, como manda a regra em autonomia (para quem não sabe o caracol é o melhor exemplo… ou seja com tudo as costas, casa, cama, comida, roupa, etc.). Sem ser complicado pode ser um percurso duro do ponto de vista físico para quem não estiver habituado devido ao peso das mochilas e à distância a percorrer, principalmente em dias de calor pois tem muita exposição solar.

Queremos salientar o facto de alguma sinalética com as distancias entre pontos não corresponder aos quilómetros reais (peca por excesso) e em alguns locais, apesar de poucos, tivemos dúvidas do sentido a seguir pela ausência ou má sinalética. Outra dificuldade sentida foi encontrar o local exato de inicio da GR47, não existindo as coordenadas no folheto (apenas referência a Nespereira), tivemos de seguir desde o centro de Nespereira o sentido inverso até encontrar o ponto de inicio, no Parque Nossa Senhora de Lurdes. Também lamentamos a inexistência de painel informativo da GR47 neste ponto de inicio/fim, só o encontramos em Porto de Rei.

A GR47 tem duas variantes que fazem a ligação às vilas de Cinfães e Resende, com 9,1 km e 13,9 km respetivamente, que não realizamos, mas são uma opção para o inicio ou termino da travessia, encurtando a distância a percorrer.

Esta rota explora uma das mais desconhecidas serras de Portugal, combinando paisagens magníficas e um património cultural singular. Na nossa opinião utiliza muito pavimento de “Tout-venant” (mistura de areia e brita compactada que servem de ligação aos parques eólicos da serra) e estrada alcatroada nas aldeias e lugares por onde passa.

Os principais locais de passagem são a Nossa Senhora do Castelo, Capela de São Pedro do Campo, Portas de Montemuro, Aldeia da Gralheira, Lagoa D. João e Porto de Rei, nas margens do rio Douro.


2ª ETAPA
SÃO PEDRO DO CAMPO - GRALHEIRA


São Pedro do Campo foi uma boa opção para a pernoita. Lugar tranquilo e aprazível com área para merendas constituído por mesas e bancos em granito e edifício de apoio. Embora os sanitários estivessem fechados, tínhamos pias com água para lavar a louça e para um banho parcial… o que se mostrou bastante profícuo. A noite foi sossegada, apenas o frio que se fez sentir de madrugada importunou o sono reparador da jornada. Levantamo-nos já o sol entrava pelas tendas, um bom alvorecer pela envolvência do local e pelo magnifico dia que se adivinhava. Paulatinamente, fomos desmontando a tenda, tomamos o pequeno almoço e organizamos as mochilas. Estávamos prontos para dar inicio à jornada que nos levaria à aldeia da Gralheira, onde nos espera um bom jantar no Restaurante Recanto dos Carvalhos!

Retomamos a GR47 e 400 metros à frente intersetamos a estrada EN1033 calcetada em paralelepípedos que vai descendo a encosta. Seguimos pela estrada aproximadamente um quilómetro, deixando-a por um caminho florestal que sai à direita em direção à Aldeia de Aveloso. Atravessamos algumas linhas de água numa área mais arborizada e ainda descendente até intersetar o caminho amplo de pavimento de “Tout-venant” (mistura de areia e brita compactada) que agora começa a subir para Aveloso. Começamos a ter panorâmicas da aldeia, e rapidamente chegamos às suas ruas.


Panorama do Vale e Aldeia de Aveloso

A GR47 não passa pelo núcleo da aldeia, na nossa opinião é uma falha, contorna Aveloso pela cota superior até intersetar a EN1032 que atravessa para entrar em novo caminho de “Tout-venant” do Parque Eólico de Cabril. Por aqui encontramos um rebanho com mais de 400 cabras e cinco cães pastores com o seu dono. Ficamos à conversa com o simpático pastor, que nestes tempos modernos se desloca em moto-quatro.

Andamos no Planalto da Serra de Montemuro, aqui na “Crista da Serra”, acima dos 1000 metros, que no inverno ficam frequentemente cobertas de neve, as paisagens são de cortar a respiração e encontra-se uma vegetação arbustiva, onde predominam o tojo (Ulex spp) e as urzes, como a urze vermelha (Erica australis), a urze branca (Erica arborea), a queiró (Erica umbellata), sargaço branco (Cistus psilosepalus), a giesta branca ou giestas das serras (Cytisus multiflorus), e os fetos (Asplenium spp.).

Deixamos o caminho de “Tout-venant” ao KM 9, na última eólica do Parque de Cabril, aqui seguimos à direita um caminho amplo de pé posto. A serra apresenta um importante património natural e paisagístico, sendo dominado por diversas formas graníticas. Testemunhando milhões de anos de evolução, centenas de geoformas compõem a paisagem. Passados dois quilómetros voltamos a intersetar caminho de “Tout-venant” que começa a descer em direção às Portas de Montemuro na interseção com a estrada N321. Neste local encontra-se erigida a Capela da Nossa Senhora do Amparo, construída em 1758, assinalando um lugar de culto de vários séculos. Conhecidas também por “muro”, supõe-se que as muralhas das portas sejam vestígios de um povoado fortificado da Idade do Ferro (1200 a. C.), pertencente ao período da cultura castreja. Posteriormente foi utilizado na época romana e, mais tarde, pelas forças de D. Afonso Henriques nas batalhas da Reconquista.

Local de passagem milenar, as Portas do Montemuro são um ponto privilegiado para observação da morfologia e da paisagem da serra do Montemuro. A sul, com encostas declivosas, pode-se observar o vale do Paiva e avistar algumas das serras do centro de Portugal, como a serra da Estrela, o Caramulo e o maciço da Gralheira. A norte destaca-se o espetacular vale de fratura do rio Bestança que nasce aqui perto, estendendo-se na paisagem até desaguar no Douro, bem como as serras do Gerês e Marão.


Portas de Montemuro

Fizemos um desvio de 50 metros para almoçar no café/restaurante “Estrela da Serra” da estação de serviço da EN321. Levávamos almoço, só compramos as bebidas, mas simpaticamente a proprietária permitiu usar as mesas da esplanada. O café/restaurante tem diárias e pizzas, é uma opção de almoço para quem não queira carregar o farnel. Depois de uma longa pausa de almoço, retomamos a GR47 seguindo o caminho inicialmente alcatroado que sobe à esquerda da capela e que rapidamente passa a pavimento de “Tout-venant” do Parque Eólico do Pinheiro. Sempre a subir vamos chegar ao Baldio da Faifa onde a água permanece no solo durante uma parte significativa do ano, estas áreas são ocupadas por um mosaico de vegetação constituído por dois habitats prioritários (urzais-tojais higrófilos e cervunais) relevantes para a produção de pasto e refugio de biodiversidade nomeadamente para invertebrados endémicos (nêspera-dos-lameiros) e plantas de ocorrência localizada (genciana-das-turfeiras).

À medida que caminhamos pelo estradão que atravessa o Baldio da Faifa surge à nossa frente, sobre um domo rochoso que se eleva das entranhas da serra, o ponto mais alto da travessia e da Serra de Montemuro, o Pico do Talegre com 1382 metros de altitude. Fizemos a sua ascensão, de rocha em rocha, alcançamos o seu cume sem qualquer dificuldade. Daqui avista-se grande parte das serras do norte de Portugal, desde as mais longínquas como a Estrela a sul e o Gerês a norte, às mais próximas, como o maciço da Gralheira, o Caramulo ou o Alvão. Daqui também é possível perceber, nos relevos da paisagem, os vales do Douro, Paiva, Vouga e, mais perto, o fantástico vale de fratura do Bestança. Na envolvente do Talegre podem-se observar belas e diversas formas graníticas esculpidas pelo tempo, como pias, bolas gigantes, fissuras ou sulcos lineares.

Retomamos a GR47 e seguindo o caminho em “Tout-venant” das eólicas começamos a descer para a Aldeia da Gralheira. É uma das aldeias mais altas de Portugal, encontrando-se a uma altitude de 1105 metros. Esta também é conhecida como “princesa da serra” por, desde tempos longínquos, ser a aldeia mais desenvolvida das redondezas. Integrada na paisagem granítica da serra do Montemuro, a Gralheira apresenta uma arquitetura tradicional serrana, dominada por granito, sendo ainda possível encontrar os tradicionais telhados de colmo. A Gralheira, para além do seu valioso património arquitetónico, apresenta um património natural imenso.

Intersetamos a estrada EN1030 que nos leva até ao Parque de Merendas da Gralheira, espaço arborizado e relvado que dispõe de churrasqueira, bancos e mesas em pedra, sanitários e de um pequeno canal de água com açude formando uma piscina. Este foi o local escolhido para a pernoita desta jornada, como chegamos a meio da tarde tivemos tempo para um banho na piscina, trocar de roupa e relaxar aos raios de sol. Aqui, há várias opções para as refeições e até para alojamento em turismo rural. Elegemos jantar no Restaurante Recanto dos Carvalhos, optamos por Nacos e Posta de Vitela de carne tenra e suculenta. Jantar terminado, aproveitamos os últimos minutos de luz solar para montar as tendas no local previamente escolhido do Parque de Merendas da Gralheira.


FICHA TÉCNICA
Data de realização: Junho 2020
Percurso: São Pedro do Campo - Aveloso - Portas de Montemuro - Pico do Talegre - Gralheira
Distancia: 20.4 km
Duração: 6h55min
Tempo em movimento: 4h28min
Tempo parado: 2h27min
Movimento médio: 4.6kms/h
Acumulado positivo: 768m
Acumulado negativo: 778m
Jantar: Restaurante Recanto dos Carvalhos (Gralheira)
Pernoita: Parque Merendas da Gralheira (Tenda)


TRILHA DAS ETAPAS
1ª ETAPA: NESPEREIRA - SÃO PEDRO DO CAMPO
2ª ETAPA: SÃO PEDRO DO CAMPO - GRALHEIRA
3ª ETAPA: GRALHEIRA - PORTO DE REI

TRILHA COMPLETA
GR47-GRANDE ROTA DE MONTEMURO EM AUTONOMIA





Se gosta das nossas trilhas adicione a sua avaliação no final da página.
Obrigado pelo seu comentário e avaliação.

Si te gusta nuestras rutas haz tu propia valoración al final de la página.
Gracias por tu comentario y valoración.

If you like our trails, leave your own review at the end of the page.
Thank you for your comment and review.

A equipa Caminhantes
Waypoint

SÃO PEDRO DO CAMPO (2ªETAPA)

Waypoint

FONTE ANO 1984

Waypoint

LINHA DE ÁGUA

Waypoint

PANORAMA DE AVELOSO

Waypoint

ALDEIA DE AVELOSO

Waypoint

PARQUE EÓLICO DE CABRIL

Waypoint

PORTAS DE MONTEMURO

CAPELA DA NOSSA SENHORA DO AMPARO
Waypoint

CAFÉ/RESTAURANTE ESTRELA DA SERRA

Waypoint

PARQUE EÓLICO DE PINHEIRO

Waypoint

BALDIO DE FAIFA

Waypoint

PICO DO TALEGRE (1382M)

Waypoint

PARQUE EÓLICO DO ALTO DA TEIXOSA

Waypoint

PARQUE MERENDAS DA GRALHEIRA

4 comentários

  • Foto de João Marques Fernandes (CSM)

    João Marques Fernandes (CSM) 15/jun/2020

    Eu fiz esta trilha  Ver mais

    Boas, Joaquim! Com efeito, esta foi a etapa que mais me agradou. O planalto da serra de Montemuro é belíssimo. E fazer esta etapa entre a capela de São Pedro do Monte e a aldeia da Gralheira foi deveras agradável! Com o tempo a ajudar, também!! Obrigado pela companhia. Foi um 10 de junho muito bem passado!!!! Grande abraço :)

  • Foto de Caminhantes

    Caminhantes 15/jun/2020

    Olá João!
    Foram dias bem passados em excelente companhia. Esta etapa é magnifica, com sublimes paisagens e perfeitas condições para a pernoita na Gralheira, já sem falar no jantar do Restaurante Recanto dos Carvalhos ;-)
    Obrigado pelo comentário e avaliação da trilha.
    Grande abraço.

  • Foto de LuisRocha

    LuisRocha 16/jun/2020

    Etapa que vale pelas paisagens, as aldeias, as gentes e pelo jantar no Recanto dos Carvalhos, nem tanto pelo tipo de piso. Boas condições para pernoita.

  • Foto de Caminhantes

    Caminhantes 16/jun/2020

    Olá Luís!
    Concordo com a tua caraterização da etapa!
    Obrigado pela companhia na GR, como também pelo comentário e avaliação da trilha.
    Grande abraço.

Você pode ou esta trilha