Horas  um dia 6 horas 15 minutos

Coordenadas 4100

Uploaded 9 de Março de 2015

Recorded Março 2015

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próximo a Ermida, Viana do Castelo (Portugal)

A serra Amarela é um dos grandes relevos que fazem parte do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), atingindo a sua cota máxima na Louriça, a 1361 metros de altitude. A Grande Rota (GR34), trilho interpretativo da Serra Amarela, desenvolve-se nas duas vertentes da serra – a vertente Norte, voltada ao rio Lima, no concelho de Ponte da Barca, e a vertente Sul, voltada ao rio Homem e à albufeira de Vilarinho das Furnas, no município de Terras de Bouro.

1ºDIA

Iniciamos o trilho no aglomerado populacional da aldeia da Ermida (Largo do Adro), freguesia do município de Ponte da Barca. É uma aldeia típica de montanha, rodeada por um escadório de campos em socalcos e com uma envolvência geral de matos e alguns bosques. Neste aglomerado populacional, profundamente isolado durante séculos, existe um Núcleo Museológico onde estão registadas aquelas que serão as principais características desta comunidade de montanha. Estão expostos, também, dois marcantes elementos do vasto património cultural desta localidade: a Estátua-Menir da Ermida e a Pedra dos Namorados.
A primeira é um magnífico exemplar, datável do 2.° milénio a. C., a mais antiga escultura antropomórfica conhecida no território do Parque Nacional.
A segunda é uma lápide da época da romanização, encontrada nos arredores da Branda de Bilhares e na qual o povo da aldeia pretendia ver figurados “um par de namorados”.

A fase inicial foi pelas ruas da aldeia, deixando o aglomerado, seguimos o CM1349 e rapidamente chegamos ao miradouro da Ermida, a partir deste ponto é sempre a descer, são 2 kms de estrada, e logo após a ponte sobre o ribeiro de Carcerelha cortarmos à esquerda por um caminho de pé posto, que segue a encosta da serra e acompanha uma proteção de madeira tipo corrimão. De um ponto mais alto, pode-se apreciar na plenitude o vale de Carcerelha, onde o grande desnível (mais de 250 m) entre as encostas e o ribeiro causa um grande impacto. Também se pode observar que na margem direita dominam os giestais enquanto na margem esquerda dominam os urzais-tojais (habitat protegido).
O trilho, que desde o ribeiro de Carcerelha é sempre a subir, prossegue por zona de mato de urzais e tojais até à Portela, significado atribuído a uma depressão entre os cumes de uma montanha. Desta portela pode-se observar para norte a Serra do Soajo e para sul a aldeia de Germil (Serra Amarela). A partir deste ponto, e seguindo em direção à aldeia de Germil, identifica-se, numa encosta a sudoeste, na margem esquerda do Rio Germil, o Fojo de Germil - antiga armadilha para caçar lobos. Nesta zona, os muros dos fojos, de perfil em V, são construídos com blocos em granito ou aproveitam paredes naturais já existentes (afloramentos rochosos) e podem atingir centenas de metros de extensão.
À medida que vamos descendo para Germil, calcorreamos um magnifico caminho empedrado, rasgando a meia encosta, um acesso da serra para a aldeia, onde se identifica um elemento do vasto valor etnográfico desta aldeia, uma Silha - estrutura em granito, sensivelmente circular, que servia o propósito de proteger as colmeias, referidas desde a Idade Média.
Assim chegamos a Germil, aldeia do município de Ponte da Barca, localizada a cerca de 600 metros de altitude. Fizemos um desvio até ao café do povoado, Café Danaia, onde refrescamos as gargantas secas, pelo calor que já se fazia nesta manhã. Povoação típica de montanha com habitações em pedra, bastante concentradas, encaixadas onde a topografia da cabeceira do Rio de Germil o permite. A aldeia, de raiz Medieval, estrutura-se em volta de sinuosos caminhos empedrados que desembocam em pequenas eiras e largos.
Seguimos para Cutelo, entre as aldeias de Germil e Cutelo encontra-se a única mancha de granitos do Parque Nacional que se instalou na parte final da Orogenia Hercinica, há cerca de 300 milhões de anos. Cutelo é um lugar da freguesia de Cibões, no concelho de Terras de Bouro. Este núcleo populacional está instalado num cenário de rara beleza. De arquitetura tradicional serrana, com os equipamentos comuns na Serra Amarela, onde os espigueiros, levadas e moinhos têm lugar, abre-se para uma pequena veiga de campos agrícolas, onde se pratica uma agricultura tradicional em regime de policultura. Em tempos, este aglomerado integrou o concelho de Vila Garcia extinto em 1835.
Logo depois do aglomerado populacional da aldeia pode-se observar o extenso carvalhal que se encontra em redor de Cutelo. É dominado pelo carvalho-alvarinho (Quercus robur) e conta com a presença abundante de azevinho (Ilex aquifolium), espécie protegida em Portugal.
O trilho, continua a subir, segue por zona de contraste, a sul zona agro-florestal de Cortinhas que contrasta com uma zona de matos mais a norte. O mosaico agro-florestal apresenta uma paisagem muito mais diversa do que a zona de matos pois além de campos cultivados, também há lameiros para pastagem e produção de feno, carvalhal e até pequenas manchas de matos.
O percurso segue pelo Curral dos Figos, Castelinho e Chã do Salgueiral. Na área da Chã do Salgueiral (Casarotas) identificam-se diversos abrigos de montanha, construídos em granito, cuja origem e função exatas continuam ainda hoje envoltos em mistério. Poderia ser uma antiga branda da população de vilarinho, semelhante a muitas outras dispersas pela Serra Amarela ou fazerem parte de um sistema defensivo desta zona de portela.
Agora começamos a descer até à Barragem de Vilarinho das Furnas, sem caminho definido, seguimos as indicações do GPS e saltando de pedra em pedra lá chegamos a um caminho de pé posto que nos permitiu obter as primeiras panorâmicas do Rio Homem e da Albufeira da Barragem de Vilarinho das Furnas. Sempre com a vista de fundo sobre a Albufeira fomos descendo por caminho íngreme estreito e empedrado até à Barragem. A construção da Barragem de Vilarinho iniciou-se em 1968 e prolongou-se por quatro anos. No ano de 1972 a barragem e o circuito hidráulico ganharam a sua forma definitiva. Esta barragem localiza-se no Rio Homem, um afluente da margem direita do Rio Cávado, 600 metros a montante da confluência do Rio Homem com a Ribeira de Gemesura.
Aqui, fizemos um desvio à Grande Rota, cerca de 2,5 kms até Campo do Gerês, onde pernoitamos na Albergaria STOP. Terminamos esta etapa na esplanada da piscina da albergaria a degustar o lanche que levávamos enquanto o sol desaparecia na serra… Depois de nos instalarmos e de um retemperante banho quente, ainda ouve tempo para descansar um pouco as pernas, antes do jantar no restaurante da Albergaria.

2ºDIA

Saímos cedo da Albergaria onde pernoitamos, pelo CM1349, chegamos à Barragem, seguimos pelo paredão da barragem e tomamos o caminho junto ao Rio Homem que nos levou as ruínas da aldeia de Vilarinho da Furna.
O TROÇO ENTRE O PAREDÃO DA BARRAGEM E A ALDEIA DE VILARINHO DA FURNA PODE FICAR CONDICIONADO PELA SUBIDA DO NÍVEL DA ÁGUA DA ALBUFEIRA, NÃO PERMITINDO A PASSAGEM PELO CAMINHO.
A aldeia de Vilarinho da Furna, hoje ruínas graníticas cobertas pelas águas da albufeira, pertencia à freguesia de São João do Campo, no município de Terras de Bouro. As suas origens mais remotas permanecem ainda em mistério, mas a sua forma de organização e modo de vida são aspetos bem conhecidos. O que distinguia esta aldeia de muitas outras era o forte espírito comunitário. Não obstante o cumprimento das leis do Portugal de então, tinham as suas leis internas, de extrema importância. É hoje uma aldeia “afundada”, mas não morta. O espírito de Vilarinho da Furna permanece vivo e a sua memória materializa-se no Museu Etnográfico edificado com pedras da aldeia.
Deixando a aldeia para trás tomamos o antigo caminho que ligava a aldeia de Vilarinho da Furna à zona alta da Serra Amarela – Calçada de Vilarinho. Do ponto mais elevado desta calçada à cota onde se localiza a antiga aldeia de Vilarinho (hoje submersa pela albufeira) são vencidos cerca de 400 metros. Esta calçada foi certamente uma obra de grande esforço e persistência das gentes de Vilarinho, mas facilitada pelo comunitarismo vigente na aldeia.
O trilho segue por zona de mato, neste local concreto, as espécies mais comuns são o tojo-molar (Ulex minor), a torga (Calluna vulgaris) e a carqueja (Pterospartum tridentatum). Logo depois encontramos um extenso carvalhal. Este carvalhal, situado a 950m de altitude, é dominado pelo carvalho-negral (Quercus pyrenaica), mas já conta com uma presença significativa do carvalho-alvarinho (Quercus robur).
Chegamos ao Curral de Porto Covo, onde é visível um abrigo de pastor, edifício granítico de planta retangular.
O trilho segue até ao Curral de Ramisquedo, onde também é visível uma Cabana-abrigo. É um abrigo de pastores edificado em granito, de planta circular e cobertura em falsa cúpula. A pequena abertura para a porta está orientada a Sul. Este abrigo encontra-se em mau estado de conservação, coberto por terras e com visível ruína de parte da parede. Deste local observamos um afloramento granítico muito marcado pela erosão, sendo evidente a sua rede de fraturação, originada pela conjugação de dois fatores: pelo alívio da pressão a que as rochas estão sujeitas no interior da terra, levando à sua fraturação quando atingem a superfície e pela atuação dos agentes erosivos (água, gelo, vento e agentes biológicos).
O percurso desde o Curral de Ramisquedo até Louriça não está sinalizado pelo que o uso do GPS é indispensável, parte deste troço a vegetação terá tendência a fecha-lo. Á medida que subíamos o calor intensificava-se, toda a GR tem forte exposição solar, o que dificulta a progressão em dias solarengos como foi o caso… começamos a avistar as antenas do posto de transmissão da Louriça, sinal que estávamos a alcançar o ponto mais alto da Serra Amarela, com 1361m de altitude. Deste ponto tem-se uma vista de 360º de toda a área, incluindo uma magnífica vista do vale glaciário da parte superior do Rio Homem que apresenta um perfil aproximado de um “U”. A forma do vale, associado à presença de moreias e depósitos subglaciários “till” indicam que deve ter havido um glaciar na zona superior do Vale do Homem e que se teria estendido até à ponte do Rio Homem, a uma altitude de 725 m.
O percurso segue por zona rochosa e de mato… Nesta secção observa-se e acompanha-se um imponente muro de granito. É um sólido aglomerado de blocos graníticos de médias e grandes dimensões que impressiona, sobretudo, pela localização topográfica e pela extensão (toda a serra no sentido, aproximadamente, Este/Oeste). É a “fronteira” entre o município de Ponte da Barca e Terras de Bouro. Chegados a Chã do Muro, para além da Cabana-Abrigo, também podemos observar a panorâmica das paredes do Fojo do Lobo de Vilarinho. Trata-se de uma armadilha para caçar lobos que se localiza no Poulo do Vidoal, na vertente da serra virada ao Rio Homem, à albufeira de Vilarinho.
É neste ponto, Chã do Muro, que deixamos de acompanhar o muro de “fronteira” e o percurso segue por entre matos rasteiros até a Chã de Bentozelo e à Cabana-Abrigo de Bentozelo, estrutura de apoio ao pastoreio, abrigo de pastor. Localizam-se, geralmente, e como é o caso da Cabana de Bentozelo, em chãs bastante irrigadas, onde haja bastante pasto para os animais se alimentarem. Segue-se a Cabana-Abrigo de Martinguim. À semelhança da Cabana de Bentozelo, também a Cabana de Martinguim é uma estrutura de apoio ao pastoreio, que pertence à povoação de Ermida. Esta cabana assemelha-se à Cabana de Bentozelo, pois também é uma estrutura pequena, de planta circular e teto em falsa cúpula. O aparelho das paredes é em mamposteria e o piso em terra batida. Tem um grande curral anexado (onde se guardava e também pastava o gado). Daqui começamos a descer por caminho empedrado até ao ribeiro da Cova que corre ao longo de um vale muito encaixado, com azevinhos e vidoeiros, o qual atravessamos e começamos a subir a encosta mantendo-se o caminho empedrado até ao cume da serra.
Ainda antes de chegar à aldeia de Ermida, local de término, o trilho passa pela Branda de Bilhares. É uma branda agropastoril da povoação de Ermida, que continua a ser agricultada. Esta branda guarda ainda uma outra particularidade, pois trata-se de um espaço que teve ocupação no período da Romanização. Além da branda, podemos observar parte de um sistema de gestão e condução de água (regadio), outro equipamento de grande importância para as populações desta serra. Observamos claramente uma grande levada que acompanha parte do caminho entre Bilhares e a aldeia.
Os lameiros da branda de Bilhares são dos mais ricos em orquídeas do Parque Nacional, podendo ser observadas, no final de maio e durante o mês de junho, três espécies, designadamente Dactylorhiza maculata, Serapias cordigera e Serapias lingua.


Fonte: Folheto do Trilho Interpretativo da Serra Amarela


OBSERVAÇÕES:

Trilho inserido no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), não carece de autorização prévia para grupos até 10 caminhantes.

Sem ser complicado, o percurso é duro do ponto de vista físico e mental pelas subidas íngremes, distancia a percorrer, forte exposição solar e peso da mochila.

Percurso sinalizado, mas com falhas significativas, aconselha-se o uso de GPS, toda a informação em: http://adere-pg.pt/serraamarela/index.php

O trilho está transitável, mas atenção que O TROÇO ENTRE O PAREDÃO DA BARRAGEM E A ALDEIA DE VILARINHO DA FURNA PODE FICAR CONDICIONADO PELA SUBIDA DO NÍVEL DA ÁGUA DA ALBUFEIRA, NÃO PERMITINDO A PASSAGEM PELO CAMINHO.

Para evitar excesso de peso às costas (caso da autonomia) recomendo a estadia e jantar na Albergaria STOP em Campo do Gerês.
Se a opção for em autonomia aconselho a pernoita no Parque de Lazer da Albufeira da Barragem de Vilarinho das Furnas (fica no percurso) - A PERNOITA REQUER AUTORIZAÇÃO PRÉVIA DO PNPG.

FICHA TÉCNICA
Datas de realização: 7 e 8 de Março 2015
Desnível: 2258m positivos; 2258m negativos
Tipo de percurso: Circular
Distancia: 42,2 km (Inclui desvio para pernoita em Campo do Gerês)
Etapas: 2 dias
Duração: 13:37 horas (marcha efetiva)

Dia 7 de Março.
Etapa 1: Ermida-Cobeças-Portela-Germil-Cutelo-Curral dos Figos-Castelinho-Chã do Salgueiral-Candeiró-Peito de Gemessura-Barragem de Vilarinho das Furnas-Campo do Gerês
Distancia: 22,2 km
Marcha efetiva: 7:02 horas
Alojamento: Albergaria STOP (Campo do Gerês) Tel.253350040
Jantar: Restaurante da Albergaria

Dia 8 de Março.
Etapa 2: Campo do Gerês-Barragem de Vilarinho das Furnas-Vilarinho da Furna-Fundo do Peito da Rocha-Curral de Porto Covo-Curral de Ramisquedo-Louriça-Chã do Muro-Chã de Bentozelo-Cabana de Martinguim-Branda de Bilhares-Ermida
Distancia: 20,0 km
Marcha efetiva: 6:35 horas

10 comentários

  • Foto de Luis/Moreira

    Luis/Moreira 17/mar/2015

    eu ainda nunca fiz mas estou a pensar fazer,grande trilha,gosto muito das vossas trilhas,muito boas mesmo,obrigado por partilhar :)

  • Foto de Caminhantes

    Caminhantes 17/mar/2015

    Obrigado Luis/Moreira por apreciar as nossas trilhas.
    É com imenso prazer que partilhamos as trilhas e procuramos dar o máximo de informações possíveis.
    Boas caminhadas!

  • pedrogbraga 8/mar/2016

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    Fiz este trilho este fim de semana. Arrancamos do Campo do Geres às 8h30 e regressamos às 17h. Está mal marcado é preciso levar gps, mas o percurso é fantástico. Gostamos bastante.
    Obrigado pela partilha.

  • Foto de Caminhantes

    Caminhantes 8/mar/2016

    Obrigado pelo comentário pedrogbraga.
    Também verificamos que o percurso apesar de estar sinalizado, tem falhas significativas, pelo que aconselha-mos o uso de GPS.
    Boas caminhadas!

  • Marcia Madeira 9/mar/2016

    bem organizado e otima caminhada

  • Foto de sergiosilva

    sergiosilva 24/mai/2016

    Excelente descrição. Parabéns.

  • Foto de zetoalves

    zetoalves 30/mai/2017

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    Feito num único dia, é muito exigente, mas épico.

  • jose_bttmania 8/mai/2018

    Excelente relato! Parabéns. Mas eu gostaria de me aventurar de bicicleta btt com alguma carga! Será possivel? Se ouver algum ponte impossivel de subir não me importo de ir a pé!

    Agradecia resposta (josebttmania@gmail.com)

  • Foto de Caminhantes

    Caminhantes 8/mai/2018

    Boas jose_bttmania!
    A rota é na sua maioria ciclável, mas em alguns troços será sempre necessário carregar a bicicleta, a decisão fica à responsabilidade de cada um... O trilho apresentar algumas falhas nas marcações pelo que aconselho o uso de gps.
    Boa atividade!

  • Foto de zetoalves

    zetoalves 8/mai/2018

    Excelente a descrição e a riqueza lúdico-didáctica do texto. Parabéns e um imenso bem hajam!!!

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