Horas  5 horas 31 minutos

Coordenadas 2006

Uploaded 13 de Agosto de 2019

Recorded Setembro 2018

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602 m
410 m
0
3,0
6,1
12,1 km

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próximo a Lumbier, Navarra (España)

Nos contrafortes do Pirineu Navarro, no extremo ocidental da serra de Leire entre as localidades de Lumbier e Liédena, as águas esmeralda do rio Irati precipitam-se por uma apertada garganta (foz no dialecto basco local), uma das mais espectaculares da região da Navarra. É Reserva Natural desde 1987.



São 1300 metros de paredes calcáreas avermelhadas, a pique, nalguns pontos com mais de 150 metros de altura. Em cavidades inacessíveis de onde pendem árvores e arbustos, nidificam magníficos grifos (Gyps fulvus) e quebra-ossos ( Gypaetus barbatus), aves que chegam a atingir 3 metros de envergadura, e que nos sobrevoam em vagarosos circulos, enquanto acompanhamos o curso do rio.

A Ponte do Diabo e a sua lenda, os túneis junto do rio, a povoação de Lumbier, uma perpectiva sobre a geologia da região... juntamos tudo num percurso fácil de 13 km. Mas quem quiser conhecer apenas a Foz, há parque de estacionamento (pago, 2,5 euros e com wc e zona de merendas bem perto), reduzindo o passeio a 4 km (ida e volta).

Nós deixamos o carro numa zona de estacionamento junto da estrada NA-150 e seguimos a pé ao longo da povoação de Lumbier, aproveitando assim para conhecer um pouco melhor a pequena localidade (Irunberri em Basco). Aí há onde comprar provisões para quem não vier prevenido para a caminhada.
Seguimos a rua central, NA-8205, até que descemos à esquerda, em direcção ao rio. Passamos numas ruínas parcialmente integradas nas fundações de um prédio de andares, que quase me pareceram de muralhas romanas, civilização que aqui veio explorar as riquezas dos Vascones.
Depois atravessamos o rio Salazar (que logo a seguir a Lumbier desagua no grande Irati) pelo Puente de las Cabras, uma estrutura medieval que serviu principalmente para travessia de gado, a partir do séc. XVI, e daí o seu nome. Mas há tembém boas razões para crer que os peregrinos jacobeus a utilizavam, antes de o Puente de la Sielva se ter convertido na via preferida (e actualmente é seguida a ponte moderna, pela Carretera de la Foz). São 3 belos arcos de onde se tem uma boa perspectiva do rio e da localização estratégica da povoação.

Depois da ponte seguimos pelos campos, é uma zona fértil para cereais e algum pomar, até que chegamos ao "aparcamiento" da Foz. Agora vamos deixar o asfalto e subir por caminho de terra que nos leva lá acima, à zona do Corral de Alzueta. Aqui vale a pena parar um pouco, respirar, e contemplar a larga paisagem, bem como as formações rochosas a NE, onde se situam os belos e selvagens ojos de la sierra, caprichosos vazados na parede calcária.
Nesta longa falésia (Monte de La Trinidad) consegue divisar-se a pequena e alva Ermita de La Santíssima Trinidad. Esta capela é destino de uma das mais impressionantes romarias da região, em que penitentes da irmandade de Los Cruceros, vestidos de túnicas negras, carregam pesadas cruzes de madeira, também enegrecida, encosta acima até aos 740m de altitude da ermida, seguindo todos em fila, por ordem crescente das suas idades.

Aliás nós estamos também sobre uma elevada estratificação sedimentar, são as rochas que o Irati cortou para formar a profunda garganta - essa é uma das vantagens de fazer este percurso em anel e passar por esta zona mais alta: ter uma percepção mais exacta de geologia deste território. E, por outro lado, enquanto descemos do Corral até lá abaixo ao rio, não vão faltar oportunidades para contemplar os largos circulos que as rapinas descrevem na nossa frente, tirando em parte proveito das térmicas do desfiladeiro.

Quando chegamos ao nível do rio, entramos no traçado da antiga linha férrea, que nos vai levar, á direita, para a Foz. Por aqui passou o célebre Tren de Irati, que unia Pamplona com Sangüesa, ao longo de 58 km. Operou desde 1911 até 1955.

Entra-se na Foz através de um túnel; mas mesmo junto à boca do mesmo, antes de entrarmos, podemos aproveitar a oportunidade para ir visitar (cuidado neste curto troço) o Puente del Diablo. É uma ruína de uma ponte do séc. XVI, destruída pelos franceses em 1812, durante a Guerra da Independência, à qual está associada uma lenda que se repete em outros pontos da Península:

La leyenda, lo que aquí nos ocupa, habla de una rica dama llamada Magdalena, enferma de riñón y del estómago. Tal fue su dolor, que un día su sirvienta Clisatela decidió salir en busca de las aguas curativas de la fuente de Liscar. Pero lo que no tuvo en cuenta esta sirvienta es que para ello tenía que atravesar el río que transcurre por la Foz de Lumbier y debía hacerlo sin barca, ya que el viento se la había llevado.
El diablo, que apareció al oler su desesperación, le ofreció hacer un trato. Él le construiría un puente para atravesar la foz antes de las 6 de la madrugada y ella tendría que entregarle su alma. Clisatela, dubitativa, terminó por aceptar el pacto y esperó a que el diablo llevara a cabo su cometido.
Cuando el reloj de sol de una torre cercana marcó las 7 - una hora más tarde de lo pactado-, el diablo mostró a Clisetela su construcción, que unía de un lado a otro la Foz y permitía a la joven atravesar. La joven, que milagrosamente se salvó el entregar su alma al diablo, decidió rebautizar el puente como el de Jesús

(wikipedia)

À sáida do túnel não perder o desvio que nos leva junto da água num ponto fantástico, selvagem, que nos dá uma das melhores perspectivas do canyon e até da ponte, lá ao fundo, mesmo na entrada.

Depois é seguir sempre o estradão plano, leito da velha via férrea, e deliciarmo-nos com aquelas paredes imensas, a cor da água do Irati, os abutres... e os túneis.

No final do estreito corredor vamos atingir de novo o parque de estacionamento. Aproveitamos aí para parar e comer algo, e depois fizemos o caminho de regresso ao carro pelo mesmo trajaceto do início. Este é um percurso fácil, onde vale a pena ir munido de binóculos!

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