Horas  7 horas 25 minutos

Coordenadas 3412

Uploaded 11 de Outubro de 2018

Recorded Outubro 2018

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230 m
-13 m
0
9,1
18
36,3 km

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próximo a Valença, Viana do Castelo (Portugal)



A PURGA (física, emocional, ou outra que queiram escolher) PELA DOR é conhecida e utilizada em diferentes culturas. Resulta. E como resulta! Faz-nos sair do conhecido e testa-nos os limites. Por loucura, estupidez ou simples desafio pessoal arrisquei o Caminho Central Português em 7 etapas e sem treino ou preparação específica. Contando apenas com a experiência dos caminhos anteriores. 250km de terra batida, asfalto, paralelo, ervas, pó. Com frio e calor, com lesões pelo caminho, com 3 desistências em mente.


Fiz o Caminho sozinho e cruzei-me com peregrinos, bicigrinos, turigrinos e até girinos. Recuperei-me em fontes, em rios, em lagos. Até debaixo da ponte do rio Lima estive! Andei às 5h30 em bosques e florestas isolados e sombrios. Também ao sol, com 30°. Enfrentei medos e geri sub-etapa a sub-etapa, etapa a etapa. Aceitei elogios e incentivos. Ultrapassei insultos à minha missão e à minha necessidade de responder ao "E se?". Passei por pontes, igrejas, cafés, caminhos de cabras, galos, cavalos, nascer e pôr do sol. Encontrei companhia de viagem (obrigado André!) entre Labruja e Mós. De resto, sozinho. Focado nos pés, no edema, nas bolhas, nas botas que já me levaram 4 vezes a Santiago.


Com 6kg às costas a uma velocidade média de 4.5 a 5km/h já com paragens. Sem os luxos do costume, a mochila XPTO ficou em casa. Pedi a mochila do meu filho emprestada. A mais simples que pode existir. Sem símbolos de Santiago. Simples. Vi pessoas a peregrinar com mochilas, sem mochilas e até a chegar de táxi aos albergues. Questiono-me sobre os conceitos de peregrinação, pedestrianismo e turismo. Não me pareceu importante perder energia com isso.. Mantive o foco, o ritmo. Cozinhei, comi, lavei e sequei a roupa e segui. Até vi a preparação da receção a um novo pároco e uma desfolhada. Não sei ainda bem o impacto desta viagem. Só sei que cheguei. Está feito.


Agradeço às minhas botas que, até hoje, fizeram 800km até Santiago. Foi a sua última vez. Entram outras em ação. Que experiência! Terminada com a acústica e mantras únicos da Catedral e, a posteriori, com a alegria contagiante da Tuna de Direito da Universidade de Santiago. O Caminho de Santiago continua ainda a ser um Caminho de Humanidade.


Nota prévia:
PORTO a VALENÇA = "CAMINHO DE CABRAS" (Piso duro. Muito granito.)
VALENÇA a SANTIAGO = "ALCATIFA" (Piso muito mais regular. Os espanhóis estão a nivelá-lo tanto que qualquer dia vamos em passadeiras rolantes).



PORTO A SANTIAGO DE COMPOSTELA | 2018 | 7 ETAPAS | 250KM
Etapa 00. Sé do Porto à Igreja do Carvalhido (saída do centro da cidade)
Etapa 01. Porto - São Pedro de Rates
Etapa 02. São Pedro de Rates - Tamel
Etapa 03. Tamel - Ponte de Lima
Etapa 04. Ponte de Lima - Valença
Etapa 05. Valença - Redondela
Etapa 06. Redondela - Caldas de Reis
Etapa 07. Caldas de Reis - Santiago de Compostela


DADOS GPS
Distância: 37,02km
Hora de início: 05:24 (hora portuguesa GMT) | 06:24 (hora espanhola)
Hora de chegada: 13:49 (hora espanhola GMT+1)
Tempo em andamento: 06:42
Tempo parado: 00:42:04
Média em andamento: 5.5 km/h
Média geral (com paragens): 5.0 km/h


NOTAS SOBRE A ETAPA
Vou classificar a etapa de Valença a Redondela como difícil por 3 motivos: distância, altimetria após Mós, acumulado de km das etapas anteriores. Naturalmente, para quem começa o caminho em Valença, esta etapa deverá ser mais "leve". Mas tendo em conta a minha experiência do percurso, mesmo para quem começa em Valença, é um percurso difícil. E o feedback das pessoas com quem falo ao longo do caminho é unânime. A maioria não consegue chegar a Redondela nesta etapa. Tem de ficar em albergues privados, entre Mós e Redondela.


Existem algumas alterações ao traçado, logo a seguir a O Porriño (nesta localidade, o traçado está sempre em mudança!). Logo à saída de Porriño, para evitar atravessar uma passadeira, o caminho envia-nos para um percurso de +1150m! Há alterações que não se justificam, na minha opinião. Mais à frente, a alteração do percurso foi positiva. Aliás, muito positiva e mais segura. Embora nos falte uma passadeira, para atravessar a N550. Por um lado, criam um desvio de +1150m, para evitar uma passadeira. Por outro, criam uma travessia na N550, sem qualquer passadeira! Não faz sentido!


Esta etapa foi de malucos, isto porque a média de andamento foi alta: 5.5km/h em andamento, 5.0km/h com paragens (que foram raras). Contando já com a minha condição física das etapas anteriores, foi uma superação a vários níveis. No entanto, como viria a descobrir ao final do dia, tinha o pé direito mais "inchado" do que o esquerdo. O que é de surpreender, pois é o meu pé esquerdo que tem mais instabilidade, devido a uma entorse antiga. Mas estava impecável. O direito nem por isso. Provavelmente, com base na minha formação em reabilitação, devo esse "inchaço" à adaptação do pé para permitir uma caminhada desta dimensão, o que levou a micro-lesões ligamentares. Nada de extraordinário para recuperar posteriormente. Mas não ficou por aí. Uma lesão antiga no Aquiles direito (quando em 2014 tinha feito o caminho em bicicleta) estava a dar sinais de vida. Grrrr! Só me restava dormir e ver como estava no dia seguinte.

A etapa de Valença a Mós é relativamente fácil de ser feita. Mas que não haja enganos quanto à distância! São 21km de Valença ao albergue de Porriño. Há pessoas que pensam que são muito menos! De Porriño a Mós são mais 7km. Atenção que houve alterações no percurso (em 2017, talvez???) que podem aumentar para 8km. Portanto, de Valença a Mós são, pelo menos, 28km. Daqui até Redondela são 10km. Total: 38km. Uma vez mais, o Wikiloc é muito otimista.

A etapa de Valença a Mós é então realizada em asfalto e em percursos florestais. Bonita. Pela primeira vez, a antiga "variante" do polígono industrial de Porriño, passou a ser OFICIAL! De Mós a Redondela, começam algumas das dificuldades. Logo a sair do albergue de Mós, uma subida "considerável" que virá a ser compensada pela (pior) descida até Redondela. Esta descida é má, pois deve ser na ordem dos 10 a 20% em algumas zonas e torna-se penosa para quem traz mochila e alguns largos km nas pernas.

A saída de Valença deu-se às 05:24, hora portuguesa, o que significa 06:24 (hora espanhola).

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Entrada em Espanha. O GPS atualizou imediatamente a hora. Desde o albergue de Valença, até à entrada espanhola são 1,87km
Placa dos 115km TUI
Entramos no centro de Tui. Uns metros à frente da Igreja de Santo Domingo, em frente ao Albergue Villa San Clemente, encontramos a placa "Bom Caminho 114k" (olhe para cima).
A tão conhecida estátua do peregrino, no Rio Louro
Depois do túnel, houve algumas alterações do percurso. Não são muito significativas, mas só entendo a mudança numa perspetiva de passar à frente da Capela da Virxe do Camiño. A partir daqui, o percurso segue por estrada e ciclovia.
Cruz do século XVIII que nace sobre unha base cadrada coas arestas rebaixadas. O varal e os brazos da cruz tamén son de sección cadrada coas arestas rebaixadas. Ao carón da cruz podemos ver un monolito de pedra no que aparece unha inscrición con forma de roseta de seis puntas e unha cartela en pedra coa seguinte lenda: “CAMINANTE AQUÍ ENFERMÓ DE MUERTE SAN TELMO EN ABRIL DE 1251. PÍDELE QUE HABLE CON DIOS EN FAVOR TUYO” A cruz e o monolito atópanse ao carón da Ponte de San Telmo. http://patrimoniogalego.net/index.php/89463/2016/09/cruz-de-san-telmo/
Ora bem, chegamos a Ribadelouro. À entrada, nos últimos 3 anos, tenho acompanhado a evolução da construção de uma casa. De ano para ano, as modificações são poucas. Este ano, já temos tijolos! Em Ribadelouro, uma coisa muito boa: uma torneira para abastecer de água. Acho que foi a primeira vez que não a utilizei, pois ainda era cedo, estava frio e não estava a necessitar de hidratação.
Caminhamos para a ponte romana de Orbenlle. O que é de salientar neste percurso: estavam em obras para melhorar o caminho existente. A nota é esta: o caminho em Espanha está a deixar de ter pedra granítica, paralelo, pedras soltas. Está a ficar mais suave, arenoso e, qualquer dia, até admito que venham a instalar passadeiras rolantes. Por um lado, o caminho de Santiago está a ficar mais acessível. Por outro, perdeu o caminho romano.
Novidade! A antiga variante ao polígono industrial de O Porriño passou a ser a OFICIAL! Mas calma... Se acham que mudou os velhos hábitos, enganem-se! Os marcos de pedra já começaram a ser destruídos! E o piso deixou de ser irregular e passou a ser feito quase em "almofada". Está de tal forma mudado que mal reconheci o percurso
Se está a seguir tracks GPS anteriores a 2017, é bem provável que identifique alterações ao percurso. Antes do túnel, virávamos à direita e subíamos por um caminho florestal. Agora, seguimos por estrada e passamos pelo túnel. Em termos de distância, é o mesmo. Piorou ou melhorou? Depende dos gostos. Atualmente, está mais acessível.
Neste ponto, cruzamos os percursos realizados até 2017. Até então, vínhamos pela esquerda. Agora, chegamos pela direita.
A chegar a O Porriño
Chegada ao albergue de peregrinos de O Porriño. Desde o albergue de Valença, são 20,74km. Arredondemos para 21km.
Novidade! O anterior percurso atravessa a passadeira da saída da A-52. Não parece ser perigoso. No entanto, o novo percurso envia-nos para a direita, obrigando-nos a percorrer + 1150m, apenas para evitar essa passadeira!. Optei por não fazer este desvio. Há coisas que me parecem absurdas. Esta é uma delas. Mais à frente, teremos sim uma alteração do percurso que é feita com perigo. E um perigo bem superior ao atravessar da passadeira.
Se optou por atravessar a passadeira da saída da A-52, poupou 1150m de caminhada e não se expôs a um risco que possamos considerar elevado. Depois de passar o túnel, irá convergir com o ponto em que o novo traçado termina. Sinceramente, tenho dificuldade em entender esta alteração.
Nova alteração do percurso, face aos anos anteriores. Mas desta vez, 99% do caminho ficou melhor e tem exatamente a mesma distância. O 1% mau é a rua que se segue, em que tem de atravessar a N-550 sem qualquer passadeira. BOA SORTE!
O novo percurso é mais silencioso, tranquilo, seguro e tem a mesma distância do anterior.
Quase, quase, quase a chegar ao albergue de Mós!
Desde Valença, chegamos a Mós, com 27,15km. Caso tivesse seguido o percurso que dá a volta à saída da A-52, teríamos 28,30km. Valença - Porriño: 20,7km Porriño - Mós: 6,6km
A subida de Mós é puxada, mas pior é a descida até Redondela. ÂNIMO!
Iniciamos o percurso florestal (bonito, na minha opinião) que antecipa a grande descida para Redondela.
Depois da grande descida, iniciamos uma zona "flat" até Redondela. Depois de 34km, já estava a queixar-me.
A parte mais chata do percurso é ter de percorrer esta nacional até Redondela.

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