Horas  8 horas

Coordenadas 3938

Uploaded 11 de Outubro de 2018

Recorded Outubro 2018

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399 m
1 m
0
8,7
17
34,78 km

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próximo a Senhora da Luz, Viana do Castelo (Portugal)



A PURGA (física, emocional, ou outra que queiram escolher) PELA DOR é conhecida e utilizada em diferentes culturas. Resulta. E como resulta! Faz-nos sair do conhecido e testa-nos os limites. Por loucura, estupidez ou simples desafio pessoal arrisquei o Caminho Central Português em 7 etapas e sem treino ou preparação específica. Contando apenas com a experiência dos caminhos anteriores. 250km de terra batida, asfalto, paralelo, ervas, pó. Com frio e calor, com lesões pelo caminho, com 3 desistências em mente.


Fiz o Caminho sozinho e cruzei-me com peregrinos, bicigrinos, turigrinos e até girinos. Recuperei-me em fontes, em rios, em lagos. Até debaixo da ponte do rio Lima estive! Andei às 5h30 em bosques e florestas isolados e sombrios. Também ao sol, com 30°. Enfrentei medos e geri sub-etapa a sub-etapa, etapa a etapa. Aceitei elogios e incentivos. Ultrapassei insultos à minha missão e à minha necessidade de responder ao "E se?". Passei por pontes, igrejas, cafés, caminhos de cabras, galos, cavalos, nascer e pôr do sol. Encontrei companhia de viagem (obrigado André!) entre Labruja e Mós. De resto, sozinho. Focado nos pés, no edema, nas bolhas, nas botas que já me levaram 4 vezes a Santiago.


Com 6kg às costas a uma velocidade média de 4.5 a 5km/h já com paragens. Sem os luxos do costume, a mochila XPTO ficou em casa. Pedi a mochila do meu filho emprestada. A mais simples que pode existir. Sem símbolos de Santiago. Simples. Vi pessoas a peregrinar com mochilas, sem mochilas e até a chegar de táxi aos albergues. Questiono-me sobre os conceitos de peregrinação, pedestrianismo e turismo. Não me pareceu importante perder energia com isso.. Mantive o foco, o ritmo. Cozinhei, comi, lavei e sequei a roupa e segui. Até vi a preparação da receção a um novo pároco e uma desfolhada. Não sei ainda bem o impacto desta viagem. Só sei que cheguei. Está feito.


Agradeço às minhas botas que, até hoje, fizeram 800km até Santiago. Foi a sua última vez. Entram outras em ação. Que experiência! Terminada com a acústica e mantras únicos da Catedral e, a posteriori, com a alegria contagiante da Tuna de Direito da Universidade de Santiago. O Caminho de Santiago continua ainda a ser um Caminho de Humanidade.


Nota prévia:
PORTO a VALENÇA = "CAMINHO DE CABRAS" (Piso duro. Muito granito.)
VALENÇA a SANTIAGO = "ALCATIFA" (Piso muito mais regular. Os espanhóis estão a nivelá-lo tanto que qualquer dia vamos em passadeiras rolantes).



PORTO A SANTIAGO DE COMPOSTELA | 2018 | 7 ETAPAS | 250KM
Etapa 00. Sé do Porto à Igreja do Carvalhido (saída do centro da cidade)
Etapa 01. Porto - São Pedro de Rates
Etapa 02. São Pedro de Rates - Tamel
Etapa 03. Tamel - Ponte de Lima
Etapa 04. Ponte de Lima - Valença
Etapa 05. Valença - Redondela
Etapa 06. Redondela - Caldas de Reis
Etapa 07. Caldas de Reis - Santiago de Compostela


DADOS GPS
Distância: 35,40km
Hora de início: 06:23
Hora de chegada: 14:14
Tempo em andamento: 06:43
Tempo parado: 01:08
Média em andamento: 5.3 km/h
Média geral (com paragens): 4.5 km/h


NOTAS SOBRE A ETAPA
Vou classificar a etapa de Ponte de Lima a Valença como difícil por 3 motivos: distância, altimetria da Labruja, acumulado de km das etapas anteriores.
A etapa de Ponte de Lima a Valença pode ser dividida em 2, para melhor compreensão: Ponte de Lima a Rubiães e daqui até Valença. No geral, entre Ponte de Lima e Rubiães apanhamos a subida da Labruja. Se formos a ver bem, não é uma subida tão íngreme como possa parecer. É uma subida jeitosa sim, mas durante uma curta distância. O tipo de piso é que não favorece. Depois temos a descida até Rubiães que poderá até ser mais dura, pelo tipo de piso (muitas vezes escorregadio e cheio de pedras). De Rubiães a Valença, a etapa não se pode considerar difícil. No geral, é feita em meio rural/ urbano e não tem uma altimetria tão "puxada" como a Labruja. O difícil desta etapa é gerir a distância, face a um acumulado de km, das etapas anteriores.
Apesar da dificuldade em caminhar, esta etapa mostrou-me que o desafio de superar a Labruja foi crucial para a diminuição de todas as dores que pudesse ter. A adrenalina de ter de ultrapassar a maior subida do Caminho Central Português, com lesões das etapas anteriores, e com o calor que se antecipava, foi crucial para fazer esta etapa com algum "prazer". Por sorte, tipo "anjo protetor", caminhei desde o topo da Labruja até Valença (e depois até Mós) com um rapaz (André) que tinha uma passada constante, rápida e cujas conversas foram um "ar fresco" para me dar força para continuar.

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Chegamos ao ponto em que nos aproximamos da "grande subida" da Labruja. Se formos a analisar bem, a subida é puxada, mas é uma distância curta. Passando essa fase, iremos iniciar a descida até Rubiães.
Uns momentos antes da subida mais acentuada, temos oportunidade de passar numa zona florestal bastante agradável. Ainda deu para umas "palhaçadas". Esta etapa foi das mais divertidas de todo o caminho, desde o Porto, porque havia motivação extra devido desafio da etapa (km acumulados nas pernas, superar lesões, etc). O tempo não podia estar melhor.
Pelo caminho encontramos a Cruz dos Franceses (ou Cruz dos Mortos), que assinala o sítio onde a população local emboscou os retardários franceses do exército de Napoleão, na invasão de 1809. No ponto mais alto temos a Casa do Guarda Florestal e, obviamente, uma vista deslumbrante! https://acaminhodesantiago.wordpress.com/2008/04/14/ponte-de-lima-rubiaes/
Iniciamos a descida para Agualonga e Rubiães. Neste ponto, encontro-me com um rapaz (André) que me irá acompanhar até Mós (na etapa seguinte). Daí as sombras de duas pessoas!
A mais antiga referência conhecida a este templo é a da sua construção ou reconstrução em 1257. A nave da igreja foi acrescentada no século XVI, quando a sua cabeceira foi deslocada mais para este. A torre sineira data do século XVII. Encontra-se classificada como Monumento Nacional desde 1913. Originalmente em estilo românico, foi edificada em alvenaria de pedra. https://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_de_São_Pedro_de_Rubiães
Cossourado e a "História" das Setas Amarelas (quem terá inventado esta?)
À entrada de Cossourado, encontramos um tanque. Lembro-me deste tanque pois encontrei aqui um peregrino - Deni Vargues - que tinha iniciado o percurso em Lisboa. Andei a acompanhar os "posts" dele e reconheci-o quando ia a passar por ele. "Tira aí uma foto!"
Atenção neste local. Isolado, como muitos outros locais. Relatos de tentativas de roubo. Se possível, VÁ ACOMPANHADO!
Estamos a chegar!!!
VALENÇA! Se quiser, corte caminho diretamente para o Albergue. Por questão de correção, optei por seguir as setas amarelas, apenas para que os dados de GPS ficassem como a marcação. Mas depois de 35km, apetecia-me era cortar diretamente para o albergue. Cromo!
Foi a primeira vez que fiquei neste albergue, embora já por cá tenha passado algumas vezes. Mas sem conhecer o interior. Ora bem. WC's: pouca privacidade. Deixam a desejar. Camaratas: aceitáveis Exterior: muito bom

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