Tempo em movimento  2 horas 33 minutos

Horas  3 horas 8 minutos

Coordenadas 1813

Uploaded 20 de Outubro de 2018

Recorded Outubro 2018

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101 m
-8 m
0
2,7
5,4
10,71 km

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próximo a São Martinho do Porto, Leiria (Portugal)

AVISO - classifiquei esta caminhada como difícil porque a encosta percorrida desde a duna até às ruínas da capela de Sant'Ana é muito difícil e pouco aconselhável por perigo de derrocada ou queda nas rochas. O resto de percurso é fácil.

Sem disponibilidade durante a manhã de sábado não resisti à chamada e abalei ao início da tarde em direção a São Martinho do Porto. A solo iniciei junto à bela praia a sul de S. Martinho. Já com a grande duna de Salir à minha frente caminhei pelo passadiço meio enterrado na areia. Perto da foz do rio Tornada um casal colhia algas no mar. Em conversa explicou-me o processo de "cura" até serem enviadas para as fábricas de cosméticos (?). O engraçado é que era a mulher (ainda jovem) que, com uma forquilha, entrava mar dentro para, em poucos segundos, trazer um molho de algas. À frente um grupo de catraios brincava na areia aproveitando o sol ainda com calor estival. Pela duna abaixo rebolavam-se outros pequenos e alguns graúdos também. Bela duna aquela!
Atravessei pela ponte pedonal e segui ao longo da costa, umas vezes pela areia outras saltitando pelas rochas, até às ruínas da antiga alfândega (ou seria estaleiro?... ou seria forte?... esta última não me convence). A Gazeta das Caldas de 11 de setembro de 2015 diz "O edifício foi uma alfândega e local de reparação e construção de barcos com madeiras provenientes do Pinhal de Leiria". agora são ruínas.
Segui mais um pouco para norte pelo carreirinho e fui encontrar as "Pocinhas de Salir". Segundo a mesma fonte citada acima "Trata-se de uma nascente de água doce que brota mesmo junto ao mar. A água é boa para beber e segundo análises de 1915, confirmadas em 1970, são ricas em minerais que lhe dão propriedades digestivas e para banhos." Constatei: a água sai morna e não é salgada.
Não querendo voltar para trás, continuei saltando de penedo em penedo bem perto do mar. ATENÇÃO aqui corre-se algum perigo: as arribas mostram-se ameaçadoramente instáveis com aspeto perigoso de derrocar. Foi difícil esta parte do percurso. Há rochas escorregadias e tive que me sujeitar a uma molha de uma onda que quebrou perto quando passava de uma rocha para outra. Um pescador encarrapitado na encosta mostrou-me o trilho (se é que se pode chamar trilho àquelas marcas desgastadas na encosta por onde a qualquer momento se pode escorrregar para o vazio de ameaçadores rochedos por baixo) por onde tinha descido para o ponto onde nos encontrávamos. Subi por ele, correndo aqueles riscos que ainda me animam, até às ruínas da Capela de Sant'Ana. Dizem que daqui eram abençoadas as embarcações construídas abaixo.
Segui para a Serra do Bouro mantendo-me bem perto das arribas com o mar a bater lá em baixo. Procurei as pedras negras e a jazida de pégadas de dinossauro que nelas existe mas sem referência GPS e sem muito tempo não encontrei. Enchi os olhos de infinito azul ao longo desta costa de vegetação rasteira: juníperos, aroeiras, pinheiros rastejantes, muito tojo e os omnipresentes chorões das areias.
Arenitos fúlvios, ocres e ferrosos são os terrenos por onde andei. Esta mistura de cores é extraordinária mas mais seria se tivesse tempo para apreciar o pôr do sol nestas paragens.
Atravessei a serra e, mais perto da vertente leste, a vegetação rasteira dá lugar a cedros e pinheiros altos. Apreciei uns quantos moínhos em ruínas e as paisagens que, de um deles, se avistavam.
Desci à povoação e dirigi-me à igreja cujo o orago é N.a S.ra de Conceição. A esperança de a poder visitar morreu na porta cerrada e ninguém generoso que ma abrisse. Sigamos...
Subi ao Miradouro do Porto. A vista estende-se por todo aquele vale que foi outrora uma lagoa que chegava a Alfeizerão. Desci por um pequeno e íngreme carreiro do lado norte. Em baixo, com a maré vaza e o pouco que tem chovido, tive esperança de atravessar o Tornada a vau. Não dava. E como não me apeteceu descalçar as botas, voltei atrás e segui estrada adiante até ao sítio onde deixara o carro.
Belo passeio!
Não são quartzo nem me parecem calcites. O que serão?...
Por aqui existe imensa salicórnia

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