Horas  9 horas 45 minutos

Coordenadas 2550

Uploaded 16 de Março de 2019

Recorded Março 2019

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304 m
86 m
0
6,8
14
27,32 km

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próximo a Bastuço, Braga (Portugal)

- Conjugação de dois percursos pedestres de Braga, o PR1 - Na senda do Castelo de Penafiel de Bastuço e o Trilho do Castro das Caldas, com uma extensão ao Mosteiro de S. Martinho de Tibães;
- Trilho apenas com marcações nos troços correspondentes aos percursos oficiais;
- Embora não seja um trilho agressivo, do ponto de vista físico, a sua longa distância será uma adversidade para quem não estiver habituado a caminhadas longas. Para além disso, apresenta um constante "sobe e desce" que resulta numa altura acumulada bastante significativa;
- Do ponto de vista paisagístico, este trilho percorre caminhos rurais e estradões florestais, arruamentos pavimentados a paralelo e também algum alcatrão. Atravessa ainda várias zonas urbanizadas;
- A passagem pelo Castelo de Bastuço revela aquilo que já se esperava, ou seja, já não existe nenhum vestígio do castelo que outrora aí fora edificado. Quanto ao Castro das Caldas, a situação é idêntica. Porém, aí, a vista panorâmica de 360º é compensadora pelo esforço despendido para subir até ao alto do Monte das Caldas;
- Por último, o Mosteiro de Tibães é, sem dúvida, o grande aliciante para quem se propuser percorrer este trilho. É obrigatória a visita aquela que foi a casa mãe da Ordem Beneditina em Portugal e Brasil. E perder-se pelos jardins e bosque da sua Cerca é uma "viagem" sensorial e meditativa à qual nenhum visitante ficará indiferente;
- Importa ainda referir que, na sua maioria, este trilho apresenta muita sombra, o que o torna aliciante para ser percorrido em dias mais quentes.

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PR1- BRG: Na senda do Castelo de Penafiel de Bastuço
PERCURSO SINALIZADO
Entre os séculos XI e XIV existiram mais de vinte castelos entre os rios Minho e Douro; Penafiel de Bastuço era um deles. Este castelo era, à época, o centro administrativo de um vasto território e dele restam ainda alguns vestígios. Visitar o local do outrora importante castelo é um excelente motivo para vivenciar uma envolvente onde a paisagem tipicamente minhota faz-se notar com especial encanto, e onde constam várias espécies regionais minhotas de macieiras em fase de plantação. Ao partir do centro de Passos (São Julião), este percurso, que tem um nível médio de dificuldade, pode ser percorrido numa manhã completa ou numa tarde. Convida a uma passagem no lugar da Torre, um conjunto edificado em granito de arquitetura tradicional, ascendendo depois ao Penedo do Castelo, e regressando por trilhos agrícolas e florestais que atravessam o vale do rio Labriosque e percorrem a vertente leste do Monte Eiro, contactando com um infindável número de tons verdes de ficarão na retina muito para além do passeio.

Trilho do Castro das Caldas
PERCURSO NÃO SINALIZADO
Relativamente isolado na paisagem, na zona oeste do concelho, surge o Monte das Caldas, lugar de diversas histórias e lendas. No local existiu um castro da Idade do Ferro, onde as populações indígenas tiravam partido dos seus 300m de altitude e de uma panorâmica a 360 para se defenderem e controlarem toda a envolvente. Este monte é, pois, o mote ideal para uma caminhada em torno dessa mesma envolvente, percorrendo as extensas áreas de cultivo da Veiga de Sequeira e do Vale do Labriosque, Há também a oportunidade de visitar os lugares mais tradicionais de Tadim, Sequeira, Vilaça e Cabreiros, calcorreando caminhos antigos, bebendo águas medicinais e ouvindo contar algumas das lendas acerca do Monte das Caldas. Num trajeto com alguma dificuldade, nomeadamente pela sua extensão, este percurso é indicado para aqueles que, tendo já alguma prática, pretendam usufruir de um percurso que combina floresta com zonas rurais e que proporcionará uma paisagem única desde o topo do Monte das Caldas.

Lenda do Penedo do Castelo
O povo antigo de S. Julião de Passos (outrora S. Julião de Palácios), conservou umas lendas sobre a fortaleza militar, que eles apelidavam de Castelo dos Mouros, as quais ocasionaram a que o Padre Mário César Marques descobrisse a História da freguesia, que publicou, em 1964, no Boletim Cultural de Etnografia e História, de nome "O Distrito de Braga", onde anunciava ter encontrado o local do Castelo da Pena ou de Penafiel de Bastuço, que os investigadores procuravam desde longa data.
Conta a lenda que os mouros eram constituídos de grande força muscular. Eram tão maus que todos aqueles que se aproximassem ou tentassem tomar o castelo, tinham como castigo serem metidos dentro de um pipo, tampado, carregado de grandes pregos, cravados com a ponta voltada para o interior do pipo, e lançados a rolar pelo monte abaixo, morrendo no sopé do monte, esvaídos em sangue, dentro dos pipos. Os mouros possuíam grande riqueza em ouro. Como o ouro não cabia todo debaixo do penedo do castelo, esconderam-no também debaixo do chão, em sítios bem dissimulados, e lá diz o ditado popular: "Entre o Castelo e o Mirão, trinta pipas de ouro hão". Para além de maus e de grande força muscular, os mouros eram versados em artes mágicas. Assim, mesmo que alguém conseguisse aproximar-se do castelo, não era capaz de entrar. O mistério desvendou-o certo rapaz, guardador de gado. Certo dia, este rapaz, sorrateiramente foi espiar o castelo, protegido por uns arbustos. Reparou então que os mouros, para abrirem as portas, usavam palavras mágicas. Pronunciavam essas palavras e o penedo abria em dois, mas fechava-se de seguida depois de entrarem. Como os cristãos não podiam vencer os mouros pela força, lembraram-se de um expediente. Como existia na freguesia um cabreiro com grande rebanho, serviram-se deste para a vitória final. Escolheram então uma noite de Lua Nova, em que as noites são mais escuras, amarraram tochas aos chifres das cabras e encaminharam-se em direção à encosta do monte do castelo, com as cabras bem espalhadas para mais aparato. A sentinela que aquilo viu, acordou todos os habitantes do castelo, os quais se atemorizaram, principalmente quando aquelas luzes desembocaram encosta acima, concluindo eles tratar-se de um grande exército inimigo, em marcha para o castelo. Os mouros deram então em debandada, não sem antes encantar as riquezas em ouro e sem se esquecerem de encantar também alguns companheiros, para guardarem aquelas riquezas, pois tencionavam voltar um dia. A prova mais que provada que há encantamento no penedo do castelo é que um guardador de gado, encontrou uns figos pretos no cimo do penedo, sendo ali um lugar onde não há figueiras. Lembrou-se então de agarrar alguns, metê-los ao bolso e levá-los para casa, para mostrar aos pais e aos irmãos. Mas quando os tirou do bolso, os figos tinham-se transformado em ouro, bem amarelinho. O povo ensina-nos que há apenas dois modos de quebrar o encantamento do penedo do castelo e sacar de lá todo o ouro existente:
- Uma maneira é usar o livro de S. Cipriano.
- Outra, é a utilização de rezas apropriadas, por um padre.
Tal ousadia teve-a um Padre da freguesia de S. Julião de Passos, no tempo em que os padres usavam tamancos, que, munido de um livro de rezas e acompanhado de meia dúzia de paroquianos, dos mais destemidos, resolveu abrir o penedo. Só que o Padre não podia vacilar nem se enganar nas suas rezas. E, no caso de haver engano, teria de começar a reza desde o princípio, pois não adiantava nada perder tempo com emendas. O Padre, revestido de sobrepeliz, vacilar não vacilou, nem se enganou. Leu, leu, leu... só que, a determinado ponto da leitura, ouviram-se ruídos como trovões. O Padre, sem se deixar perturbar, continuou lendo, lendo, lendo, embora os acompanhantes já se encontrassem aterrados e sem sangue. Os trovões continuavam e o Padre lia, lia... com paciência e com firmeza. O pior foi quando, a certo momento, das entranhas do penedo começaram a sair figuras vermelhas como diabos, armados com forcados. Um acompanhante do Padre, sem se saber como, apareceu logo escarrapachado na escacha de um carvalho. Os outros, incluindo o padre, deram bem à sola, imediatamente, abandonando o infeliz colega. Ainda hoje, junto ao penedo, se batermos com os pés no solo com força, soa a oco.
O rio Labriosca ou rio Labriosque nasce em São João de Bastuço (concelho de Braga), num monte subjacente à serra de Airó. Após um quilómetro à nascente, entra no concelho de Braga, percorrendo as freguesias São Julião dos Passos, Sequeira e Cabreiros. Retorna ao concelho de Barcelos nas freguesias Martim e Pousa, onde desagua no rio Cávado.
Castelo de Penafiel de Bastuço: Castelo do período Medieval Cristão. Fortificação composta por um grande talude perimetral, taludes intermédios e castelo - está implantado sobre grandes monolitos de granito. A forma é trapezoidal quadrada, com covelos quadrados nos ângulos. Foi identificada uma vala de fundação. Do castelo já não há vestígios a não ser umas escadinhas esculpidas no penedo que se supõe ser da guarita da sentinela e uns regos vincados na parte superior do penedo que delimitariam a área edificada do castelo.
Por opção, atravessou-se uma propriedade privada (com a respetiva autorização da proprietária). A travessia da linha de água fez-se por uma tábua aí colocada. Como alternativa, o ideal será voltar 50m para trás do conjunto rural do Lugar da Torre e virar à esquerda, por caminho de terra bem visível.
Leve e diurética: estes são atributos dados à Fonte dos Caleiros ou Caldas da Sequeira. A água nasce no Monte das Caldas e é conduzida por caleiras até à Fonte das Caleiras, que consiste num grande lavadouro para onde corre constantemente de uma bica em tubo, com apreciável caudal. Apesar de lhe chamarem “caldas”, a água é fria e não há memória de aqui ter havido balneários. Quanto à Fonte de S. Sebastião, com tanque para rega, obra em granito trabalhado com “dois anjinhos bochechudos, uma cruz e um nicho onde antes havia uma imagem de S. Sebastião” (Almeida 1988: 76), deverá ser o chafariz de que se vê as traseiras defronte desta Fonte dos Caleiros, em propriedade não visitada. É de crer que a obra feita pela Junta de Freguesia de Sequeira em 1975 na Fonte dos Caleiros consistiu em substituir as velhas caleiras que conduziam a água desde o Monte das Caldas por canalização metálica; a construção do grande lavadouro coberto por telheiro de zinco; e a condução das sobras de água para o chafariz de S. Sebastião, actualmente dentro de propriedade privada.
O Castro das Caldas localiza-se a NO de Braga, no monte do mesmo nome, outrora também conhecido por Monte de S. Mamede. O cabeço corresponde a uma elevação de altitude média, formando um pequeno esporão. O povoado ocupa o extremo Sudeste dessse esporão. O povoado está bastante destruído, sobretudo nos lados Oeste e Sudoeste, onde existe uma grande pedreira. É ainda possível reconhecer vestígios de três linhas de muralhas, definidas por taludes, que delimitariam três plataformas. Na parte mais alta do monte são visíveis restos de estruturas circulares e rectangulares, bastante arruinadas. Na superfície do povoado recolhem-se fragmentos de cerâmica indígena, de fabrico micáceo e de tégulas, que permitem admitir a sua romanização.
Braga é uma cidade no extremo norte de Portugal, a nordeste do Porto. É conhecida pela herança e eventos religiosos. A este, o complexo de Bom Jesus do Monte possui uma igreja neoclássica no cimo de uma elaborada escadaria de 17 patamares. No centro da cidade, a Sé de Braga, de estilo medieval, alberga um museu de arte sacra e a Capela dos Reis, de estilo gótico. Nas proximidades, o imponente Paço Arquiepiscopal contempla o Jardim de Santa Bárbara. Braga possui uma história bimilenar que se iniciou na Roma Antiga, quando foi fundada em 16 a.C. como Bracara Augusta em homenagem ao imperador romano Augusto.
O Mosteiro de São Martinho de Tibães situa-se na freguesia de Mire de Tibães, no concelho e distrito de Braga. Foi classificado como Imóvel de Interesse Público em 1944, estando afeto à Direção Regional de Cultura do Norte. Em finais do século XI, foi fundado o Mosteiro de São Martinho de Tibães, de observância beneditina, no qual os monges seguiam as regras – silêncio, obediência, pobreza, oração e trabalho – prescritas por São Bento de Núrsia. Em 1110, os condes D. Henrique e D. Teresa, pais de D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, doaram a Tibães as terras adjacentes ao Mosteiro e outorgam-lhe a Carta de Couto. O Mosteiro cresceu em privilégios e poder até ao século XIV sendo, após o Concílio de Trento, em 1567, escolhido para Casa-mãe da Congregação de São Bento dos Reinos de Portugal, com 22 mosteiros em Portugal e 13 no Brasil. Atingiu o seu máximo esplendor nos séculos XVII e XVIII, após ter sido transformado num dos maiores conjuntos monásticos do Portugal barroco e num importante centro produtor e difusor de culturas e estéticas, lugar de exceção do pensamento e arte portuguesas. O Mosteiro é constituído pela igreja, alas conventuais e espaço exterior - a cerca. O edifício que hoje existe foi construído ao longo dos séculos XVII, XVIII e XIX. Com uma arquitetura funcional, apresentava nesse tempo uma clara separação entre as áreas de oração, trabalho, lazer, comunicação com o exterior, zonas ocupadas pela comunidade residente e outras, reservadas para o uso como Casa-mãe da Congregação. Em 1833/ 34, com a extinção das Ordens Religiosas, o Mosteiro foi encerrado, os seus bens inventariados e postos à venda, exceto a igreja, o passal e uma zona conventual que, continuando propriedade do Estado Português, ficaram em uso paroquial. Em 1986, o Estado Português, perante a degradação e delapidação deste património nas décadas anteriores, adquire-o, iniciando a sua recuperação com estudos, registos e limpezas que viabilizaram os projetos de restauro que se seguiram. Mantendo os usos associados à Paróquia de Mire de Tibães, duas novas valências foram implementadas: a cultural, associada ao conceito internacional de Museu Monumento e Jardim Histórico, que permite percorrer, ver e sentir os espaços e os seus tempos; e a de acolhimento, onde a intervenção de recuperação do séc. XXI, adaptou a parte do edifício mais arruinada às necessidades duma comunidade religiosa da Família Missionária Donum Dei, com as valências de hospedaria e do restaurante L’Eau Vive.
A Capela de S. Gens actualmente tem a designação de Capela de S. Filipe. Segundo o livro Tibães e a Ermida de S. Gens de António de Sousa Araújo e as informações recolhidas pelo Sr. José Agostinho, de Padim da Graça, a mudança de nome remonta provavelmente ao fim do ano de 1930 e ficou a dever-se à escolha da figura do apóstolo São Filipe para tema central da pintura do tecto. Esta escolha deve-se a dois membros da família Braga, da vizinha freguesia de Parada de Tibães, cujo progenitor se chamava Filipe e que se prontificaram a mandar restaurar a capela de S. Gens, nomeadamente o telhado e o tecto. A Capela de S. Filipe situa-se no lugar de S. Filipe no ponto mais alto da freguesia de Mire de Tibães, no cimo do monte de S. Gens. No lado sul encontram-se as freguesias de Cabreiros, Gondizalves e Semelhe, do lado norte, Mire de Tibães, Padim da Graça e Parada de Tibães. É uma capela pequena de formato rectangular com o telhado de duas águas. A sua estrutura é construída à base de pedra e cal, com reboco de cimento, tem uma porta em ferro com abertura em rede na fachada principal e uma pequena janela do lado esquerdo. Esta capela ou ermida, ostenta, na padieira, a data de 1196, no entanto, há referências históricas que a edificação primitiva será precedente ao Mosteiro de Tibães. Em suma, a capela de S. Filipe, sendo um local de culto religioso, também possui uma bela paisagem natural, de elevada altitude face à envolvente, oferecendo uma excelente vista sobre a Cerca Conventual, o Mosteiro de Tibães e toda a freguesia de Mire de Tibães.
A Casa do Monte foi onde viveu João Martins de Oliveira (1819-1897), fundador da Banda Musical de Cabreiros, há 176 anos, sendo esta a mais antiga instituição musical do concelho de Braga.
Ponto de partida e chegada do PR1 - Na senda do Castelo de Penafiel de Bastuço
Dominante sobre a margem esquerda do rio Cávado, encontra-se o Monte de Airó. A parte norte do monte tem diversos locais panorâmicos sobre a cidade de Barcelos, o Monte do Facho, o mar e o vale do Cávado, nomeadamente o miradouro dos Castelos e o miradouro das Antenas. Na parte sul destaca-se o miradouro da Senhora da Boa Fé na freguesia de Bastuço S. João que proporciona uma vista fantástica do Vale do Este. Neste espaço existe uma capela e um parque de merendas que convida a momentos de lazer enquanto se desfruta da vista que o espaço proporciona.

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