Tempo em movimento  8 horas 37 minutos

Horas  11 horas 58 minutos

Coordenadas 5227

Uploaded 17 de Junho de 2018

Recorded Maio 2018

  • Rating

     
  • Information

     
  • Easy to follow

     
  • Scenery

     
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646 m
46 m
0
7,6
15
30,55 km

Visualizado 172 vezes, baixado 13 vezes

próximo a Arneirós, Viseu (Portugal)

Meu Deus! Chegámos!!!
A mais bonita etapa, até agora, mas também a mais difícil.
Saímos do Centro de Estágio de Lamego ainda cedo. Descemos para a cidade seguindo as setas amarelas que nos conduziram pela mata que ladeia o escadório da Senhora dos Remédios. Tomámos um bom pequeno almoço numa pastelaria e seguimos pela rua principal abaixo em direção à Sé. Um pouco antes as setas impuseram-nos outro caminho. Subimos a rua da Olaria passando em frente da Santa Casa da Misericórdia de Lamego, depois a Igreja de S. Francisco, Igreja Matriz de Santa Maria de Almacave, que por ter sido construída junto a uma necrópole árabe (macab) dela recebeu o nome, e, continuando, deixámos a cidade pela N-226, rua de S. José, N-226, depois uma ruinha estreita e entramos no Douro Vinhateiro. A partir daqui as vinhas ladeiam o nosso caminho. São as encostas geometricamente riscadas de verde.
Descemos para Sande. Curiosas habitações construídas na encosta com varandas de vistas de sonho. A igreja dedicada a S. Tiago encontra-se encerrada. É pena, gostaríamos de a visitar já que é dedicada ao Santo que motiva o nosso caminhar. Pouco depois descemos para o rio Varosa. Vê-se lá embaixo a antiga ponte do caminho de ferro que em breve será a nossa passagem para a outra margem.
Agora por entre videiras, num dos socalcos, chegámos à Régua. Atravessámos o Douro pela ponte Metálica mandada construir por D. Luiz I em 1872, desativada em 1949 devido ao estado de degradação, foi requalificada e, desde 2012, encontra-se aberta apenas a peões e bicicletas. Dali as vistas do Douro são magníficas. Ficámos um pouco e apreciamos a paisagem que nos enche o olhar e mais ainda.
Passamos diante dos velhos armazéns da CP, agora transformados em centro comercial, e seguimos pela rua José de Vasques Osório. A Misericórdia e os painéis de azulejo que retratam cenas da vida rural que caraterizam a região do Douro e a produção do vinho do Porto motivaram o desvio do Caminho.
Começamos agora a subir. Os socalcos do Douro, onde se produz o melhor vinho do mundo, estão na nossa rota. Bebemos um bejeca e toca a andar - N2 aqui vamos nós! Caminhar em asfalto já é mau, mas a subir, num dia de calor e numa estrada movimentada então é um horror, de modo que cheguei a S. Gonçalo com uma neura que era difícil alguém me aturar. A coisa agravou-se quando tomei conhecimento que o único café aberto da terra estava a centenas de metros abaixo o que me obrigava a voltar atrás se queria beber ou comprar qualquer coisa. Para agravar a situação alguém nos perguntou se íamos para o funeral.
Lá me acalmei e conseguimos arranjar umas sombras num jardim, cujas torneiras públicas não deitavam nem uma gota, alguém (de entre nós) teve a amabilidade de ir comprar água ao tal distante café, água essa que fomos racionando até chegar a Santa Marta de Penaguião. Voltando a S. Gonçalo, enquanto o grupo atalhava pelo jardim eu dei a volta para mais uma ilustração do Caminho. Ninguém me deu informação sobre a capela nem eu estava com paciência para perguntar. Logo a seguir demos com o tal funeral. No íntimo fiz uma oração pelo defunto e seguimos caminho animados por estarmos vivos.
Vamos agora a descer para Santa Marta de Penaguião. Parámos no primeiro café, bebemos umas minis e um café, dei um salto ao Turismo, onde ninguém sabia nada sobre o CPI a não ser que tinham um carimbo para as credenciais. Carimbei todas as credenciais e voltei atrás até ao café Confiança onde tinha ficado o resto do grupo. Descemos a Santa Marta, abastecemo-nos de fruto e pusémo-nos a seguir as setas. Espanto! Junto da EB 2,3 parece que vamos voltar para trás. Um senhor abana a cabeça e diz: "não vão para aí porque vão andar às voltas e isso está mal sinalizado". Indica-nos o caminho que nós seguimos e voltamos a encontrar as setas no sítio por ele indicado.
Vamos a descer. Um carreiro bonito leva-nos até a uma ribeira. Subimos agora pela CM1300, passamos por Banduge e estamos de novo na N2. Quando tudo fazia prever que cortássemos à direita as setas indicam a esquerda, Voltamos a descer pelo asfalto da N2 até ao cruzamento do Concieiro. Subimos de novo agora. À frente faz-se um muro à antiga para suster as terras do socalco que há-de produzir bom vinho. Depois de passarmos Concieiro entramos num carreteiro que desce até ao ribeiro, possivelmente o mesmo que já atravessáramos duas vezes. Depois da tosca ponte de betão perdemos a direção das setas porque não víramos uma seta, pouco visível no solo que nos indicava um carreiro que quase não existe.
Aqui atenção! as máquinas utilizadas na construção de novos socalcos foram cegas para a sinalização e carreiro que seguíamos. Nem uma nem outro existem mais.
Seguimos, às cegas aquela que nos parecia a boa direção. Pouco depois uns vinhateiros gritam e dizem por sinais que o caminho não é por ali. Deixo os colegas e vou-lhes pedir indicações. Dão-mas. Chamo e seguimos o caminho indicado. Senhor do Céu que subida até Bertelo. Chegámos ao Albergue. O senhor António Moura havia providenciado para que tivéssemos à nossa espera o jantar: comida de SAD. Soube bem mas no dia seguinte andei todo o dia a vomitar. Mas isso é outra estória. O Albergue de Bertelo é bom e muito asseado.

2 comentários

  • liciniasimoes24 6/mar/2019

    Grata pela partilha da sua experiência! Somos 4 peregrinas a seguir as suas sugestões e conselhos. Tem sido muito útil no Douro Vinhateiro, chegámos ontem a Bertelo! Em abril continuaremos até Chaves e em agosto a parte espanhola! Mais uma vez obrigada pela partilha 😄

  • liciniasimoes24 6/mar/2019

    I have followed this trail  verificado  View more

    Grata pela partilha da sua experiência! Somos 4 peregrinas a seguir as suas sugestões e conselhos. Tem sido muito útil no Douro Vinhateiro, chegámos ontem a Bertelo! Em abril continuaremos até Chaves e em agosto a parte espanhola! Mais uma vez obrigada pela partilha 😄

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