Tempo em movimento  8 horas 11 minutos

Horas  10 horas 6 minutos

Coordenadas 5942

Uploaded 5 de Junho de 2018

Recorded Junho 2018

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702 m
99 m
0
8,5
17
34,18 km

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próximo a Ourense, Galicia (España)

Como começava a ser hábito, às sete estávamos a caminho. A noite, um pouco ruidosa, deixava marcas de sono que depressa se foram esbatendo. Tínhamos combinado seguir pelo caminho de terra até Cea. As indicações eram de que sendo mais longo (+/- 1,5 kms) era mais bonito. Assim fizémos. Descemos as "escaleras" do convento, cortámos à direita e descemos pela 1ª à esquerda e fomos sempre adelante até à Ponte Romana. Passamos o parque de S. Lázaro e damos de caras com um monumento inédito: um Alpine Renault com os dois pilotos. Viémos a saber que o carro era o Alpinche, um Alpine com motor Porche transformado por Reverter, que teve como copiloto Coleman (os dois personagens que ladeiam o carro).
Daí a pouco estamos na Ponte Maior. Por tradição diz-se que foi construída durante o reinado de Trajano mas na realidade a construção da velha ponte foi no reinado de Augusto (séc I). O aspecto que apresenta atualmente foi-lhe dado por reconstrução no séc XVII depois do abatimento do arco principal. Fazendo parte do Itinerário Antonino (a Geira que passa no Gerês) atravessa o rio Minho.
Depois do café da manhã tomado, 300 m depois da ponte tomámos a opção que nos conduzirá pelo caminho de terra.
Boa opção. Pouco havíamos caminhado e eis-nos no Caminho Real do Cudeiro que desemboca na Plaza do Soutelo. Uma bela praça empredrada à Antiga em frente Pazo do Soutelo ou Ribadeneira, como também é chamado, datado do século XVIII. Continuando pelo Caminho Real do Cudeiro, uma bela rua empredada em lages retangulares de granito, encontramos mais à frente a Praza do Torreiro e a Igreja de S. Pedro e um belo cruzeiro em granito com a figura de um peregrino. De facto pode comparar-se a subida até à Ermita de S. Marcos da Costa como um belo calvário para o peregrino que carrega a sua cruz (digo: mochila). Para visitar a capela desviamo-nos do caminho: Mas a possibilidade de admirar esta paisagem espetacular da cidade de Ourense e das serras que a circundam, vale bem o desvio. Continuamos pelo Camiño Real do Cudeiro Sul acima. À frente avistávamos o convento das Clarisas de Vilar de Astrés. Em tabuleta de madeira aparece a indicação da Fonte do Santo. A esta fonte se atribui uma lenda que conta o aparecimento de uma imagem de S. Bento (Benedito) que ao ser transportada por bois, aqueles se detiveram num certo lugar, juntio a Sartédigos, e ninguém conseguiu que dali saíssem. Nesse lugar se construiu então a "capela de S. Benedito".
Continuamos pelo Caminho Real Antigo, que é bonito e se vai tornando ainda mais à medida que vamos avançando. "Outeiro da Forca" lê-se agora numa placa colocada à beira do Caminho. Este era um antigo lugar de refúgio de ladrões que assaltavam os peregrinos e carruagens que por este caminho passavam. aqui não encontrámos nenhum mas lá à frente...
Atravessamos um imenso bosque de carvalhos e chegamos a Tamallancos. É hora de comer alguma coisa. Procuramos um café junto à N-525. Somos bem servidos, descansamos um pouquito e lá vamos nós de novo de volta ao caminho ilustrando, com a câmara do telemóvel, os sítios por onde vamos passando e nos chamam a atenção. Muitos são os hórreos e as belas casas de granito por estas ruas onde também não faltam as flores. Passamos depois em frente à Ermida de Bouzas e, à frente, num jardim privado, um conjunto de manequins formam um grupo familiar de peregrinos de Santiago. Este folclore à volta do "Camino" também ajuda o peregrino a descontrair e esquecer a dureza do caminho. Os hórreos continuam mas muitos já foram: o tempo não se compadece pela incúria na sua preservação. Um dia virá quem se lembre de uns fundos europeus para a reconstrução deste património. Em Biduedo, num belo jardim que emoldura um conjunto arquitetónico antigo, encontramos algo que não esperávamos: num pedestral Nossa Senhora de Fátima e os três Pastorinhos com muitas flores à volta, imagens de ovelhas e uma espécie de gnomo que observa estasiado a cena. Devoção!...
Quando menos esperamos aparece à nossa frente uma ponte Medieval Românica, de arco único, sobre o rio Barbantiño. Difícil a ilustração pela vegetação que se encontra à sua volta. No entanto, um cartaz bem posicionado descreve-nos esta ponte e enriquece o nosso conhecimento. Claro que se houvesse muitos cartazes a descrever tudo o que encontramos a peregrinação demoraria uma eternidade. Bem tenho que ir correndo para alcançar os meus companheiros.
O caminho continua a ser muito bonito e, sem darmos por isso, chegamos a CEA. Passamos pelo albergue para tentar obter informações sobre o caminho para Oseira. O hospedeiro não estava. Telefonámos e deu-nas as indicações. Logo adiante alguém com o carimbo do albergue perguntava se queríamos carimbar, era o hospedeiro com quem faláramos. Seguimos para a Plaza Maior. Muito bela com a torre do relógio cujos cantos têm uma fonte cada. Vamos, por decisão, para Oseira. O monastério atrai-nos. Leva-nos até quase lá um caminho muito bonito, porventura o mais bonito deste caminho na parte espanhola. è quase uma galeria de majestosos robles que bordeiam o caminho traçado pelo já nosso conhecido "Camiño Real". Os últimos quatro Kms são feitos em asfalto na Serra Martiña queimada e negra.
Chegamos a Oseira!...
O Mosteiro de Oseira é belo e antiquíssimo. Data de 1137, quando um pequeno núcleo de monges se retirou para um vale da Sierra Martinha. Inserido em 1141 na ordem de cister, com modestas instalações ainda, foi crescendo fruto de donativos. O mosteiro, atualmente em obras de restauração, é um monumento imponente de granito antigo. Para os curiosos veja-se www.mosteirodeoseira.org
Fomos à receção onde procedemos à inscrição e recebemos as informações. Se queremos assistir e participar na oração de Vésperas dos Monges devemos estar às 7h15 ali. O alojamento (albergue) é numa sala ampla, alta e fria. Imaginámos como equariam os roncos durante a noite. A água do banho estava tão quente que não conseguíamos molharnos (só tinha água quente, não dava para temperar).
Participámos na oração de Vésperas cantada depois de conduzidos por um monge através dos claustros do mosteiro. A oração não me tocou... falta de convicção de quem rezava ou cansaço meu(?).
Fomos depois jantar. Tinha a indicação de um amigo para ir ao Bar Venezuela mas, por artes do diabo, fomos parar ao Bar Escudo. Uma roubalheira. Por dois ovos estrelados e uma caña levaram-nos 10€ a cada. Pelo mesmo já havíamos pago menos de 5€ anteriormente no caminho.
A noite foi como se esperava: os roncos e os ecos e mais o frio. Só a beleza do Mosteiro compensou tanto desconforto.

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