Horas  2 horas 44 minutos

Coordenadas 4788

Uploaded 29 de Junho de 2018

Recorded Janeiro 2010

  • Rating

     
  • Information

     
  • Easy to follow

     
  • Scenery

     
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449 m
145 m
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6,9
14
27,47 km

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próximo a Pedreiras, Leiria (Portugal)

Oito e meia, em frente à Igreja Nova das Pedreiras, iniciamos a segunda etapa deste belo Caminho do Poente.
Atenção Peregrinos! propomo-nos fazer o Caminho com uma ligeira variante a que chamamos de Vivencial. Vivencial porque nos enche a alma, fazendo-nos reviver o que os Pequenos Videntes vivenciaram em 1916/17. Queremos passar nas terras onde guardavam as ovelhas quando o Anjo de Portugal lhes apareceu; onde, abrigados da intempérie, receberam a comunhão das mãos de um "Mensageiro do Céu"; onde, por terem sido impedidos de estar na Cova da Iria a 13, foram visitados pela Senhora a 19 de agosto, nos Valinhos, deixando perfumado o carrasco sobre o qual desceu.
Mas esta variante só acontecerá quando sairmos da Pia do Urso, até lá seguiremos as setas colocadas pela Associação de Amigos dos Caminhos de Fátima. Vamos lá então...
Saímos do largo Heróis do Ultramar. Em frente à Igreja e à Junta de Freguesia, encontram-se três pequenas esculturas, feitas por canteiros da terra em homenagem a três jovens desta Freguesia que faleceram, durante a guerra colonial, em África. Seguimos em direção ao largo Dr. Brito Cruz e à Igreja Velha, agora dedicada ao velar dos falecidos. O muro do Cemitério está forrado de paineis de azulejos com as cenas da Paixão de Cristo, ilustrando as estações da Via Sacra.
Seguimos agora pelo asfalto em direção à Feteira. Pelo caminho um nicho de madeira artesanal mostra um pouco a devoção deste povo à Sr.ª de Fátima. Mais à frente, o gado, que tranquilamente pastava, olha-nos compadecido, provavelmente por saber o que nos espera a seguir.
Deixamos o asfalto e seguimos pela Rua do Forno da Cal, em terra batida, até ao Vale Travelho. Não chegamos a entrar no povoado e começamos a subir a Serra dos Candeeiros. Os próximos 4 Kms são a parte mais bonita deste percurso. O Horizonte vai alargando à medida que vamos subindo. Do cimo da Serra da Pevide o panorama é excecional: de um lado até ao mar com o Sítio da Nazaré ao longe e o monte Gião (de S. Bartolomeu ou de S. Brás). Consegue ver-se a Serra da Boa Viagem de um lado e a baía de S. Martinho do Porto do outro; do outro lado é o conjunto de serras que formam o parque D'Aire e Candeeiros. Maravilhoso!
Já seguimos serra abaixo, entre moitas, carrascos, medronheiros, alecrim, rosmaninho e muitas, muitas flores. Cruzamos a Ecopista da Bezerra cá em cima e depois lá em baixo. Chegamos ao caminho que vai para a Ricel e onde também outrora passou o comboio. Atenção!!! aqui o Caminho está com falta de sinalização ou não se vê - corta-se à esquerda e havemos de voltar a encontrar a sinalização bem visível na Rua da Silveira, que nos conduzirá até à Ribeira de Cima.
Atravessamos o Rio Lena que nasce aqui a 500m e dentro de dias estará sêco. Subimos para o Livramento. A Ti Maria dos Queijos tem a porta aberta e aproveitamos para um cafezinho.
Descemos para o vale do Rio Alcaide. Coitado já secou! as flores saúdam-nos ao passar com a sua beleza e perfume. Gosto da serra nesta época do ano (e nas outras também). Subimos para o Castanhal com as Penas do Livramento à direita e o canhão flúvio-cársico de Alcaria um pouco à frente. Vamos passar perto do Centro Hípico e embrenhamo-nos nos caminhos da serra até quase à Barrenta.
A Barrenta! terra de concertinistas. Grande Festival em setembro. São às centenas os instrumentos que alegram as ruas e põem gente a dançar na estrada - sim, que a Barrenta não é muito mais que meia dúzia de casas à beira da estrada. Mas o Festival vale a pena...
Já caminhamos em direção a Covas Altas. Iremos passar em Bouceiros e depois na Demó Velha pela rua do "Ti Padre Nosso". Admirável este nome.
entramos depois num belo caminho rural que, infelizmente, se transforma depois num estradão de macadame que nos irá conduzir à Pia do Urso.
A Pia do Urso começou por ser uma aldeia típica recuperada. Depois, criou-se ali um parque temático adaptado a invisuais. As antigas "pias" (covas feitas no calcário aproveitando os efeitos da erosão cársica) serviriam para reservar a água que iria regar as hortas no verão. Se alguma vez foi visto um urso a beber em alguma delas ninguém tem disso conhecimento. Quer o conjunto arquitetónico da aldeia, toda em pedra, quer o parque sensorial valem outra visita de quem por ali passa com pressa de chegar ao Santuário. Vale ainda a visita a qualquer um dos restaurantes ali existentes para saborear os pratos típicos muito bem confecionados (fala a experiência de quem por aqui vem muitas vezes). Vale ainda a pena o percurso pedestre "Rota dos Moínhos" que ali tem início e fim.
Ora bem!... aqui começa a nossa variante Vivencial. em vez de seguirmos em frente, pela serra para a Moita do Martinho, quando chegamos à estrada Principal, à saída da Pia do Urso, cortamos para os Crespos. Passamos esta aldeia seguindo pela Rua Principal até à Rua dos Combatentes e seguimos por esta rua só para evitar o trânsito e porque gostamos mais da paisagem. A rua Principal levar-nos-ia ao mesmo sítio mas é mais frequentada por veículos automóveis. Atravessamos a Travessa do Serapião e seguimos pela rua dos Ferreiros. Entramos de novo na rua Principal que nos leva até um largo com mesas de piquenique. Aí encontramos sinalização dos Caminhos de Fátima: é o Caminho do Tejo que por aqui passa em direção à Moita do Martinho. Seguimos pela estrada mesmo em frente - é a Estrada do Cabecinho que nos levará até à pedreira do Cabecinho. Subimos, contornando a pedreira pela esquerda e continuamos na mesma Estrada do Cabecinho, agora a descer, até passarmos por baixo da A1. Duzentos metros abaixo encontramos um carreiro que desce à esquerda, sinalizado com a sinalização internacional dos PR (percursos pedestres de Pequena Rota). Seguimos por esse carreiro até encontrarmos uma bifurcação com indicação de virar à esquerda (Seta vermelha para a esquerda com barra amarela por cima); aí cortamos à direita e andamos mais 100 metros até desembocar na rua do Cabecinho da povoação de Casa Velha. Cortamos à esquerda e, no cruzamento junto do Cross Fit Fátima, atravesssamos e seguimos pela rua da Escola (em frente). No final da rua cortamos à direita na Rua do Barracão que vamos subir até encontrar, do lado esquerdo, um muro novo de pedra. Junto desse muro segue um carreiro e é por ele que vamos. Entramos num bosque muito bonito de azinheiras e carvalhos. Meditemos, porque estamos em solo Sagrado! por aqui andaram as Três Crianças pastoreando o seu rebanho e o Anjo de Portugal e Nossa Senhora apareceram por aqui perto.
O carreirinho tem a seguir duas bifurcações: na primeira seguimos pela esquerda e na segunda pela direita a subir. Andamos 20 ou 30 metros e estamos em frente àquela que se pensava que era a Loca do Cabeço até que a Lúcia disse que não em 1946 (eu acho que ela já se não lembrava bem).
Subimos mais um pouco e encontramos a Loca do Cabeço oficial desde 1946. Daqui seguimos em direção aos Valinhos pelo caminho empedrado. No sítio onde Nossa Senhora apareceu em 19 de agosto de 1917 encontramos a sua imagem muito venerada. Seguimos o caminho da Via Sacra. Se à frente cortarmos à esquerda podemos subir até ao Calvário Húngaro. O Calvário Húngaro, inaugurado a 11 de agosto de 1964, foi oferecido pelo povo católico da Hungria na «esperança de... alcançarem por intercessão de Nossa Senhora de Fátima a liberdade para a sua Pátria» (palavras do padre Kondor, refugiado húngaro em Fátima, no dia da inauguração do monumento). Vale a pena a visita a este lugar de oração e meditação. Por cima da Capela tem as esculturas representando todo o cenário de Cristo crucificado, obra do escultor Domingos Soares Branco. Dali vê-se a Basílica e tem-se um panorama muito agradável de toda a zona por onde andaram os Pastorinhos.
Seguimos pela Via Sacra até à rotunda dos Pastorinhos (antiga rotunda de Santa Teresa de Ourém). Aqui outra obra escultural, respresentando os videntes subindo por um carreiro estreito com o rebanho atrás, da autoria do arquiteto Francisco Marques e do escultor Fernando Marques.
Seguimos agora pela rua Francisco Marto que nos levará até à Cova da Iria.
Chegados que somos, agradecemos à Virgem junto da sua imagem na Capelinha. Obrigado Mãe do Céu por nos considerares merecedores da tua presença entre nós.
Ave Maria!

1 comment

  • CarlosCoutinho 17/abr/2019

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    Muito obrigado por ter partilhado este caminho aqui (ficheiro gpx). Foi-nos muito útil durante o percurso, mas confesso que na Pia do Urso seguimos as setas da Associação dos Caminhos de Fátima. Mais tarde, li o seu testemunho e fiquei a perceber porquê. Muito obrigado! Carlos Coutinho.

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