Horas  2 horas 43 minutos

Coordenadas 4555

Uploaded 2 de Julho de 2018

Recorded Janeiro 2010

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27,23 km

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próximo a Sítio, Leiria (Portugal)

Saímos cedo, tão cedo que o Santuário de Nossa Senhora da Nazaré ainda se encontrava encerrado. Quem o não conhece tem que entrar, orar e apreciar. A construção do monumento reporta ao reinado de D. Fernando. Fervoroso devoto de Nossa Senhora da Nazaré, em 1377 depois da sua peregrinação, vendo que a afluência à vetusta ermida, mandada construir por D. Fuas Roupinho no Bico do Milagre sobre a gruta que foi ermitério de Frei Romano, era tão grande que as gentes que ali peregrinavam nela não cabiam, mandou que se reparasse a dita Ermida da Memória e se construísse um templo para se colocar e venerar a milagrosa Imagem de Nossa Senhora da Nazaré. Para quem melhor queira conhecer as lendas do Milagre e da origem da Imagem Sagrada consultar https://pt.wikipedia.org/wiki/Lenda_da_Nazar%C3%A9
O templo atual pouco tem a ver com o original. Era tal a devoção a Nossa Senhora da Nazaré que o número de peregrinos foi aumentado e a importância social que muitos deles tinham (note-se que peregrinaram ali Pedro Álvares Cabral e Vasco da Gama, este antes e depois da sua viagem à Índia) levaram a que pelos séculos seguintes se fosse melhorando, por iniciativas régias, o templo mandado construir por D. Fernando. Resumidamente podemos adiantar que D. João II remodelou todo o templo ampliando-o e construiu uma nova capela mor, a galilé em Lioz se deve a D. Manuel I, a escadaria e o pórtico foram edificadoss no reinado de Filipe II, D. afonso VI mandou que se aumentasse o arco da capela mor e se construísse um novo transepto, no século XVIII foram adquiridas obras de arte que ainda são referência no panorama da arte em Portugal, os paineis com 6658 azulejos, colocados em 1709, são provavelmente a melhor obra da azulegaria holandesa e o retábulo em talha dourada, é do final do século XVII, de estilo nacional, com colunas salomónicas e marmoreados.
Por já o conhecermos bem de visitas anteriores, hoje saímos de junto do templo Mariano, que mais peregrinos acolheu até às aparições de Fátima, sem esperar que abrisse.
Logo em frente, no largo, a elegância do Coreto com a sua base amarela de alvenaria e cantaria, clama pela nossa atenção. À exceção da base, todo ele é feito em ferro forjado, obra da Fundição Alliança de Massarelos. Dirigimo-nos à Ermida da Memória. Ali procuram as pessoas a marca deixada pelo cavalo de D. Fuas Roupinho não sabendo, porventura, que aquela capela, mandada construir por El-Rei D. Fernando, substituiu a primeira construída, pelo beneficiado do milagre, sobre a gruta ermitério de Frei Romano, onde havia um pequeno altar que tinha sobre ele a imagem de Nossa Senhora da Nazaré e, dentro dele, as relíquias de S. Brás e S. Bartolomeu e um manuscrito, que o eremita ali havia escondido, que contava a estória da imagem, desde que S. José a havia feito, em Nazaré da Galileia, até aos anos de 711, em que veio fugida de Mérida para estas terras à beira mar.
Já, no miradoiro, o nosso olhar delicia-se com a "Nazaré às casinhas", que já o não são tanto, e a extensa praia até à foz do rio, que Alcoa ou Baça será. Mais à frente, a linda serra da Pescaria e as praias na sua base delimitam o oceano azul salpicado de alva espuma.
Seguimos pela rua do Horizonte e esquecemo-nos de ilustrar o caminho com instantâneo de outro ícone da Nazaré: o Ascensor. Inaugurado a 28 de julho de 1889 é da autoria do engenheiro francês Raul Mesnier du Ponsard, discípulo de Eiffel. Inicialmente as carruagens eram movidas por uma máquina a vapor que, após a rotura do cabo que provovou um acidente, ocorrido em 1963, onde duas pessoas perderam a vida, foi substituído por sistemas elétricos seguros e hoje transporta milhares de turistas e residentes entre a cidade e o Sítio.
Descemos a 25 de Abril até à rotunda. Subimos pela N-242 até ao parque de campismo. Entramos no pinhal. O caminho, que inicialmente era sólido e atapetado pela caruma, torna-se arenoso e um problema para quem decida vir de sapatilhas. A areia que, inicialmente, mal se sente nos pés pode provocar lesões graves se não for retirada de imediato de dentro dos sapatos. Prevenidos, calçámos botas mas, mesmo assim, tratámos de as descalçar e sacudir a areia logo que a sentimos nos pés. Passamos junto à Duna da Aguieira que, com uma altura de 158m é considerada a maior duna estabilizada da Europa.
Passamos agora por baixo da IC9 e depois da A8. Atravessamos campos fertéis onde se cultivam legumes e leguminosas que alimentarão muita das urbes do centro do país.
Ao chegar ao Casal da Areia, a seguir a uma lagoa de água esverdeada, encontramos um cantinho acolhedor com mesas e bancos. Paramos para comer a refeição rápida que trazíamos na mochila e descansar um pouco. Uma imagem de Nossa Senhora dos Aflitos vela por nós a partir do nicho metido numa grande laje de Calcário bruto que alguém ali decidiu colocar. Boa companhia!
Meia hora decorrida e já caminhamos pelo asfalto que até Cós será o nosso tapete.
Na Póvoa, chama-nos a atenção a capela de Nossa Senhora da Graça, que terá sido construída na primeira metado do século XVII, por legado de Pêro Neto datado de 24 de dezembro de 1601. Esta povoação terá sido o lugar onde Coz nasceu mesmo antes da era cristã. Diz-se que pode ter sido uma colónia fenícia e que o nome lhe é dado por os colonos terem como origem a ilha de Kos do arquipélago de Esporádes (Ásia Menor). No entanto, outros autores há que dizem que, por não terem fugido todos os muçulmanos que povoavam a região, aquando da reconquista, Cós poderá ter sido uma povoação que sobreviveu e o nome pode derivar do árabe "Al-qos" que quer dizer "célula de ermita”. Seja como for, sabe-se que esta povoação é de antiguidade incontestável pelos achados arqueológicos da região.
Subimos à Cós atual e encontramos, à entrada do lado esquerdo, uma placa em madeira semi-carcomida que diz "Fonte de Coz". Decidimos ir ver. Encontramos uma fonte de bica com uma placa em pedra que diz:

C.M.A
Construída em 1674
Reconstruída em 1934
Ditadura Nacional

Trata-se, soubemos depois, da Fonte do Mergulho. A fonte em alvenaria tem cantaria trabalhada com um arco encimado por uma cruz. Porquê "do Mergulho"?... ninguém nos soube dizer. Talvez um dia, com mais vagar, se possa perguntar aos "antigos" da terra.
Entramos na povoação e damos com uma igreja um pouco desprezada à nossa direita. É a antiga capela da Misericórdia ou Igreja de Santa Eufémia. É de estilo seiscentista e terá sido construída no século XVI ou XVII. Estava fechada.
No centro da povoação encontramos o Mosteiro de Santa Maria de Coz. Este é o ponto mais relevante desta nossa caminhada (excluídos os dois grandes Santuários Marianos) e não entramos para o conhecer porque isso já o fizémos em outras ocasiões. Diremos, no entanto, que a origem deste mosteiro remonta ao último quartel do século XIII, quando o abade do Mosteiro de Alcobaça, D. Fernando, cumprindo o testamento de D. Sancho II, decide criar o mosteiro para albergar as viúvas que quisessem entregar-se à vida religiosa conventual. No entanto, o mosteiro do qual podemos apreciar o que resta, é obra de outro abade de Alcobaça, D. Afonso, filho de D. Manuel I. A igreja do mosteiro, que pode ser visitada se recorrermos à amabilidade das pessoas que têm uma loja de recordações ali pegada, apresenta um cadeiral em talha, as paredes cobertas de azulejos, uma porta manuelina em calcário no extremo nascente da igreja, uma grade de clausura e altares barrocos em talha dourada e, relevando-se também, os caixotões do teto em madeira pintada. Na sacristia as paredes são forradas com painéis de azulejo represenrtando a vida de S. Bernardo.
Saímos de Cós e subimos por um caminho rural, entre pinhais, que nos há-de conduzir ao Casal do Resoneiro. Do significado ou origem deste estranho nome nada conseguimos saber. Cá para mim, devem ter-se enganado e seria do Resineiro. Vá-se lá saber...
Mas, depois de um pouco mais de asfalto, já estamos a chegar ao Santuário de Nossa Senhora da Luz. Dizem que uma velhinha de nome Catarina Annes, no ano de 1601, andava a apanhar lenha junto da "Fonte Santa" (esta fonte ainda não conheço mas fiquei com curosidade pois que existe e tem pedra antiga com escrito datado de 1601), quando Nossa Senhora lhe apareceu pela primeira vez. Se apareceu outras não sei, sei é que um tal D. Damião Borges (do qual se pode encontrar registo na Torre do Tombo) ficou tão devoto da Santa da Luz que mandou construir este Santuário em sua honra. No interior da igreja existem os túmulos de ambos os intervenientes desta história. A igreja apresenta um Portal no centro da galilé de colunas redondas. É de nave única e deveria ser abobadada porque apresenta contrafortes laterais. Estava fechada na altura da nossa passagem. Em tempos visitei-a e constatei o estado de degradação em que se encontra e que é também visível do exterior. As grandes fendas na parede foram, na altura, atribuídas pela pessoa com quem falei, à existência dos enormes barreiros próximos que vão alterando a geo morfologia do local. Merecia melhor sorte já que é um templo de evocação de milagres, com uma arquitetura interessante e que atualmente ainda tem muitos devotos.
Seguimos agora pelo caminho forrado a brita de tijolo que nos pinta as botas e fere os pés de quem caminha com sapatilhas finas. Nos primeiros duzentos metros passam por nós três camiões que vão para o barreiro e vemos dois outros que carregam o barro lá em baixo. De facto é muito movimento para o pobre templo. Seguimos em direção à Cumeira. Atravesamos a N-8 e descemos, por caminhos de terra batida para a Boieira. A pequena povoação tem no cruzamento um curioso elemento decorativo composto pelo que nos parecem duas mós sobrepostas encimadas por uma pedra arredondada rusticamente. Não houve a quem perguntássemos do seu significado ou motivação. Poucas casas tem a povoação mas algumas apresentam um aspeto e asseio à antiga maneira portuguesa. Continuando por caminhos de terra batida, chegamos ao Azoio. No final da estrada de Brinhos, o proprietário de uma vivenda convida-nos para uma fatia de bolo. Que bem nos soube!... bem haja senhor de quem não sei o nome. Até à próxima. À frente um velho cerquinho, que há muitos anos ali mora à beira da estrada, saúda-nos ao passarmos. Um pouco mais e estamos sobre a ponte pedonal das Pedreiras. Atravessamos sobre o IC2, repleto de trânsito como sempre, e entramos na antiga povoação. Passamos no largo Dr. Brito Cruz, como se pode ler em placa colocada no novo chafariz e dirigimo-nos à Igreja Velha, cuja construção se reporta ao ano de 1602 e agora está destinada a Casa de Velar. Em frente, um cruzeiro construído em 1940 para comemorar os 300 anos da Restauração da Independência. Quando passámos pela nova Igreja matriz passava também um grupo de peregrinos que não seguiu o mesmo caminho que nós seguimos. Limitámo-nos a ilustrar esta chegada porque estamos cansados e temos que regressar a casa para tomar banho, jantar e pernoitar (benesses de quem mora perto) para no dia seguinte fazermos a 2ª etapa deste belo Caminho do Poente que liga dois Santuários Marianos de tão grande importância.

2 comentários

  • CarlosCoutinho 17/abr/2019

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    Muito obrigado por ter partilhado o ficheiro gpx deste caminho. Foi-nos muito útil, juntamente com as setas da Associação dos Caminhos de Fátima. Carlos Coutinho.

  • Foto de j.jesus

    j.jesus 20/abr/2019

    Carlos Coutinho, tenho grande prazer em partilhar aquilo de que gosto. Grato fico por ter tido o incómodo de manifestar aqui a sua opinião.

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