Horas  10 horas 22 minutos

Coordenadas 2198

Uploaded 2 de Fevereiro de 2018

Recorded Setembro 2017

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  • Information

     
  • Easy to follow

     
  • Scenery

     
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1.046 m
517 m
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6,0
12
23,9 km

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próximo a Ribolhos, Viseu (Portugal)

Esta é uma etapa que nos leva às alturas isoladas do Montemuro, passando por uma longa sequência de lugares com história, lendas, e até fausto, como sucede na apalaçada Fareja. E no nosso caminho vamos encontrar... duas capelas dedicadas a Santiago e com festa e romaria anual dedicada ao Santo: em Baltar e em Moura Morta.

Gostei... se já gostara da etapa anterior, esta foi a etapa da confirmação: do Almargem em diante o Caminho é um encanto, até à fronteira, nesta época outonal. Claro que há pontos onde a civilização e progresso sacrificaram a paisagem, como os nós da A24 em volta de Castro Daire, mas a ruralidade está sempre presente e poucos metros depois já esquecemos o asfalto e a sordidez do betão e dos viadutos.

O pequeno almoço no Café O Padeiro não correu bem, eles esqueceram o combinado, e foi uma senhora de idade que após muito chamarmos veio então servir, mas sem os necessários conhecimentos, sem pão à mão que teve que ir buscar, enfim, perdemos bastante tempo. Depois atirámo-nos ao frio da manhã, bem patente nas neblinas presentes na foto sobre a A24.
Sempre por asfalto seguimos até próximo do Paiva, ao qual se desce já fora de asfalto, para encontrar as primeiras poldras do dia. Um recanto lindo, para fazer muitas fotos e depois... retomar caminho até ao local das segundas poldras, sobre o afluente Paivó, que está completamente descaracterizado pelos viadutos da A24.
Depois começa a subida, sempre pelo maio de vinhas, castanheiros, macieiras, nogueiras, sempre a recolectar fruta acabamos por chegar ao "Parque" logo depois de vila Pouca. Paramos aí para comer o nosso piquenique e depois um café e um bolo no Café Park - mas há mais do que uma casa capaz de proporcionar almoço ao peregrino (e até dormida).

Uma centenas de metros de estrada levam-nos ao cruzamento para Cinfães e logo depois entramos na paisagem típica, serrana, do Montemuro: vegetação arbustiva que os frios e a inclemência dos invernos não dão lugar a mais. Silêncio e paz, ninguém diria que há estradas por perto. Tomamos um velho caminho, penso tratar-se dos restos modificados ao longo dos tempos, da calçada romana Viae Lamecum ad Vissaium, que ía de Lamego a Viseu por Castro Daire, atravessando o dorso planáltico do Montemuro. Pouco antes de atingirmos Moura Morta, atravessa-se o rio Vidoeiro sobre uma ponte Romana.

Depois é o Mezio e as suas Capuchas (vale a pena visitar, para quem de detiver por aqui, a Associação Etnográfica do Montemuro e Cooperativa de artesãos do Montemuro) e pouco depois estamos na estrada que liga a EN2 à Aldeia do Codeçal, no cruzamento de Bigorne. Para aí chegar foi preciso atravessar uma zona muito invadida pelo mato, mas notamos que prosseguem os trabalhos de requalificação do Caminho de Santiago em todo este planalto do Montemuro, pelo que futuros peregrinos talvez já não enfrentem este matagal.

Previmos a nossa estadia nas Casa do Codeçal (telef 917632723), é um sítio de que muito gostamos, embora bem acima do custo dos albergues. Por isso desviámo-nos do Caminho, tomamos a M1126 ao longo de 3km, passando Gosende e Gosendinho, e chegamos ao nosso destino onde a D. Julieta e o sr. Oswaldo nos aguardavam com um soberbo jantar :)

O CPI

O Caminho Português do Interior é um dos trajectos utilizados pelos peregrinos Portugueses para chegar a Santiago de Compostela. Por ele seguiam os que partiam da zona Centro, em redor de Viseu, e, claro, todos aqueles que viviam no eixo Viseu > Chaves. Também de Coimbra alguns seguiam por esta via, quando queriam evitar o Caminho Central que seguia via Porto > Valença, ou pretendiam juntar-se a outros grupos que partiam do interior.
Os peregrinos da Via da Prata, que segue de Sevilha até Astorga, onde se junta ao grande Caminho Francês, na maior parte das vezes deixavam a via da Prata em Granja de Moreruela onde tomavam a Via Sanabresa; outros saiam antes, em Zamora, entravam em Portugal por Quintanilha e saiam por Vinhais, atingindo depois Verin. Em qualquer caso todos acabavam por se juntar e nomeadamente a partir de Ourense todos seguem o mesmo trajecto até ao Campo de Estrelas - os do Caminho Interior Português e os da Via da Prata.
Foi um dos mais bonitos dos muitos caminhos que já fiz até Santiago, sobretudo na metade portuguesa do percurso. O Outono é mesmo a altura ideal para o fazer, com os dias mais curtos, as temperaturas amenas, os céus calmos. E a paisagem é espectacular, começando logo com os marmeleiros carregados, salpicando de amarelo toda a paisagem em torno de Viseu, o colorido feérico das vinhas que nos acompanha desde Reconcos, próximo de Lamego, até Vila Real, ou a beleza dos castanheiros e carvalhos vestindo-se de tons outonais até Chaves. E a abundância não tem limites: comemos toneladas de marmelos, maçãs, nozes (muitas nozes!), castanhas, amoras (serôdias!), pêras, uvas, medronhos...
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Aqui ficam os links para os registos de cada uma das etapas:
Track Integral 457 km agregador das 21 etapas
Etapa 01 15.82 km Farminhão - Fontelo
Etapa 02 17.79 Km Fontelo - Almargem
Etapa 03 24.56 Km Almargem - Ribolhos
Etapa 04 23.90 Km Ribolhos - Aldeia do Codeçal
Etapa 05 21.02 Km Aldeia do Codeçal - Lamego
Etapa 06 21.06 Km Lamego - Santa Marta de Penaguião
Etapa 07 19.68 Km Santa Marta de Penaguião - Vila Real
Etapa 08 27.50 Km Vila Real - Parada de Aguiar
Etapa 09 23.76 Km Parada de Aguiar - Vidago
Etapa 10 18.99 Km Vidago - Chaves
Etapa 11 29.93 Km Chaves - Verín
Etapa 12 21.39 Km Verín - Viladerrei
Etapa 13 24.48 Km Viladerrei - Sandiás
Etapa 14 14.01 Km Sandiás - Allariz
Etapa 15 24.05 Km Allariz - Ourense
Etapa 16 23.98 Km Ourense - Cea
Etapa 17 21.40 Km Cea - Castro Dozón por Oseira
Etapa 18 25.38 Km Castro Dozón - Lalín - A Laxe
Etapa 19 18.04 Km A Laxe - Bandeira
Etapa 20 25.19 Km Bandeira - Pico Sacro - Lestedo
Etapa 21 14.21 Km Lestedo - Santiago de Compostela
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Mapa geral da Peregrinação:
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Ribolhos
localidade
localidade
A24 and M1148
localidade

3 comentários

  • Foto de jpmendes54

    jpmendes54 3/mai/2018

    Obrigado.

  • Foto de António Almeida

    António Almeida 31/jul/2018

    Já fiz este caminho 3 vezes e vou lá voltar, pró ano talvez. A dificuldade alia-se à beleza, principalmente do nosso lado.
    As fotos e descrições, (muito boas) trazem-me à memória imensas recordações e uma enorme vontade de ir já por aí fora.
    Das três vezes que o fiz andei sempre sózinho, pois no mês de Agosto do nosso lado não há praticamente peregrinos, e só tenho mesmo o mês de Agosto pro fazer.
    É um belo caminho e andando só é ainda mais especial.
    Em Agosto de 2019 lá regressarei, só como sempre, a probabilidade de encontrar outros peregrinos é quase nula. O calor e o relevo não ajudam nada.
    Obrigado por estas belas recordações.
    Boas caminhadas...

  • Foto de papaleguas

    papaleguas 31/jul/2018

    Obrigado também pela visita às minhas publicações e pelos gentis comentários. Este é um dos caminhos onde podemos escutar a natureza, os nossos passos, e conhecer os sítios e as gentes. Não é particularmente recheado de tradições jacobeias, como o Português Central ou o Francês, mas vale por essa possibilidade de caminharmos só nós e os nosso pensamentos. Fizemos em Setembro / Outubro e o primeiro peregino que encontramos foi em Verín! Abraço, António Almeida, boas caminhadas!
    (Estou neste preciso momento a preparar o trilho integral, com o respectivo mapa, para terminar esta série do CPI)

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