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próximo a Indaiatuba, São Paulo (Brazil)

Esta trilha passa pela Fazenda da Concórdia que é uma das mais antigas fazendas do município de Itu. Embora haja uma lamentável lacuna no tempo, alguns documentos relatam a sua presença em1595, servindo assim como ponto estratégico e dando o devido apoio e pousada das frequentes bandeiras saídas da vila de São Paulo de Piratininga com destino ao nosso interior, desbravando e alongando as fronteiras de nosso país. A Fazenda concórdia passou por diversos ciclos, com a captura de indígenas para o trabalho escravo, ciclo da cana, café, policulturismo, pecuária e atualmente o turismo;

Sua casa sede tem características bem marcantes como: paredes de dois tipos de taipa, a de pilão e a batida. No salão principal podemos ver as duas fazes de sua construção, sendo a primeira com seu telhado arredondado (marcas visíveis na parede), e a segunda com a vinda dos escravos negros podemos ver o aumento do pé direito e a construção do telhado com as telhas moldadas nas coxas das negras da época.

A Fazenda conserva ainda hoje as senzalas e as tulhas de café. Com a vinda dos italianos foram construídas novas casas de tijólos confeccionados por eles próprios que também trouxeram a tecnologia industrial da época. (moinhos de fubá, esteiras de correias, conchas movidas a água e também uma turbina que gerava eletricidade). O terreiro de café foi todo calçado de tijolos para facilitar a secagem do produto. Atualmente a Fazenda Concórdia está aberta ao público para visitação e recepção com refeições típicas. Depois passamos pelo Limoeiro que hoje encontra-se fechado e na sequência por fim a Fazenda Pimenta que no ano de 1949 o italiano Santoro Mirone, ex-oficial da Marinha italiana, fincou raízes em Indaiatuba. O imigrante chegou aqui com a esposa Santina e três filhos pequenos, e a família se estabeleceu na Fazenda Pimenta, área que ele havia adquirido no ano anterior. Ali existiu, por 25 anos, a fábrica de óleo de amendoim comestível Aburá. Hoje, o prédio está desativado, porém, junto à igreja construída ao lado, contribui para um cenário bucólico, ideal para amantes da fotografia e de belas paisagens.
Segundo Giuseppe Mirone, filho de Santoro e Santina, o pai estava desgostoso com a situação na Itália no final da 2ª Guerra Mundial. "Ele atuou na guerra, e após ver o país perder o conflito, e diante da possibilidade do comunismo, resolveu deixar o país", conta. "Em 1948, ele veio passear no Brasil, pois tinha um primo em São Paulo, que havia montado uma pequena fábrica de fornos elétricos. Meu pai, então, resolveu visitar a região, da qual gostou muito."
Os Mirone empreenderam a viagem ao Brasil de navio, juntamente com outras 30 famílias. Na ocasião, a Fazenda Pimenta estava à venda. "O local estava completamente abandonado; ele comprou e deu o sinal com o dinheiro que havia sobrado da viagem", revela Giuseppe. "No ano de 1949 ele completou o pagamento e nos mudamos definitivamente."
A ideia de montar a fábrica de óleo vegetal comestível já existia nos tempos da Itália, conforme relata o proprietário da fazenda. "Ele comprou uma fábrica que estava quase parada, na cidade de Catânia, no sul italiano, e trouxe todo o equipamento para cá. Então, a fábrica foi construída e começou a operar no início dos anos 50, quando foi constituída a empresa Siap - Sociedade de Industrialização Agrícola Pimenta", diz Giuseppe.
Sobre o nome do óleo, Aburá, o proprietário explica que tem relação com o contato de Santoro com os japoneses. "Ele tinha vários negócios com os japoneses, principalmente de hortaliças e tomates, e aburá significa óleo na língua japonesa", explica.
Negócios
A fabricação do óleo Aburá foi encerrada em 1975. "O motivo do final das atividades foi que, na época, o cultivo de amendoim não estava dando certo na região. A produtividade era baixa, tinha problemas sérios de doenças; então, a falta de matéria prima inviabilizou a produção - ele teria de se mudar para o noroeste do Estado como Marília, Birigui etc. Mas, ele gostava muito daqui e não quis sair", simplifica Giuseppe.
Todavia, a família Mirone apostou em outros negócios. "Por um bom tempo fomos um dos principais fornecedores de tomates ao Ceasa. Temos ainda a pecuária, que segue em menor proporção. Nossa tradição é rural, e temos também o cultivo de cana em parceria com usina, e o plantio de batatas em determinados períodos do ano, já que é uma produção muito arriscada, porque a semente é cara, e quando vai mal o prejuízo é muito grande", assevera o proprietário da Fazenda.
Promessa
A área da fazenda abriga também a igreja de São José, construída ao lado do prédio da antiga fábrica, nos anos 60. "Meu pai tinha a ideia de fazer a igreja e, na Itália, conseguiu uma planta com o padre local. Porém, em certo período ele ficou doente, com dificuldade de andar e muitas dores. Foi a diversos médicos, mas não conseguiu resolver. Então, soube de um especialista alemão fora do Brasil, e só então ficou curado. E a minha mãe cobrou dele a promessa de construir a igreja", resume.
No local há também um barco. Os descendentes contam que Santoro o construiu com a intenção de navegar no rio São Francisco, já que havia comprado uma área lá, ao norte de Minas Gerais. "Ele construiu, mas o barco nunca saiu daqui", brinca Giuseppe.

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