Coordenadas 4396

Uploaded 1 de Dezembro de 2018

Recorded Dezembro 2018

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411 m
121 m
0
23
46
92,34 km

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próximo a Segura, Castelo Branco (Portugal)

:: ROTAS TEJO - Os Grandes Rios de Portugal ::
O Tejo de Alcantara a Vila Velha de Ródão
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ETAPA 1: SEGURA - MALPICA DO TEJO
ETAPA 2: MALPICA DO TEJO - VILA VELHA DE RÓDÃO
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:: ETAPA 1: SEGURA - MALPICA DO TEJO ::

Distancia Total: 92 KM

Troços de Terra: 7, Num total de 57 KM

Ligações de Asfalto: 9, Num total de 35 Km

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AO ENCONTRO DO TEJO INTERNACIONAL

"Maior rio da Peninsula Ibérica, o Tejo desenha parte da linha de fronteira com Espanha. Sao menos de meia centena de quilometros de curso Internacional, que correspondem ao troço mais "selvagem" e desconhecido, rodeado por arribas e quase sempre inacessivel por terra.
Sao estes os cenários para a primeira Etapa, que convidam a um duplo passeio imperdivel, pois, cada itinerario divide se entre um percurso em estrada e outro em terra. "

"O ponto de partida é a cidade estremenha de ALCANTARA, que se ergue no cimo de um cerro sobranceiro ao TEJO, na margem esquerda do mesmo, que aí mesmo é atravessado por uma das maiores e mais imponentes pontes ROMANAS que chegaram até aos nossos dias.
Nem que fosse so para a apreciar, já valia a pena irmos até lá! "

"Construída no ano 104, no período do Imperador Trajano, a Ponte de Alcântara tem 194 metros de comprimento, oito de largura e 61 de altura máxima, compreendendo seis arcos e um arco do triunfo ao centro. Absolutamente monumental, esta ponte foi ao longo dos séculos determinante para conferir a Alcântara uma evasão lusitana, porque o rei D. Afonso V de Portugal mandou avisar o Duque de Villahermosa que não passariam por ali. Hoje a ponte já não tem a mesma importância estratégica e a cidade sofre do mesmo isolamento que carateriza as povoações que encontramos nestas paragens. Apenas de tudo, mesmo que cada vez mais despovoada – os dados de 2014 indicam uma população inferior a 1600 habitantes, cerca de um terço do que em 1970 – Alcântara ainda tem alguma vida e condições para que os turistas possam não se limitar a passar para contemplar o que há para ver, porque os motivos de interesse não se esgotam na ponte. "

"Estas duas primeiras Etapas pelo Tejo começam por acompanhar o rio desde que passa a confluência com o Erges e entra no território nacional, apenas na margem direita. A primeira etapa, até Malpica do Tejo, é integralmente decorrida junto ao troço em que o rio tem estatuto internacional. E grande parte da segunda etapa, que se conclui em Vila Velha de Rodão, também segue ao longo do Tejo Internacional."

"E vamos ao nosso percurso: deixamos Alcântara atravessando a ponte romana e seguindo a estrada EX – 117. Logo a seguir, se estiver curioso, pode tomar o desvio à direita e percorrer os três quilómetros até à albufeira da barragem de Alcântara, uma das maiores de todas as que existem em Espanha. Olhando para um lado e para o outro, a diferença entre a imensidão da mancha de água acima do paredão da barragem e abaixo desta, é tão grande, que ninguém diria que o Tejo é um grande rio, muito menos o maior da Península Ibérica!"

"A EX – 117 leva-nos até Piedras Albas, onde não chegamos a entrar, prosseguindo pela esquerda em direção a Portugal. Desde Alcântara até voltarmos ao território nacional são 19 km, que culminam em mais uma ponte romana, esta agora sobre o rio Ergues, bem mais pequena, com cinco arcos – o central mais amplo – e no meio um marco de pedra que assinala a divisão entre os dois países. Esta ponte, adiante-se, é contemporânea da de Alcântara e logo após a saída encontramos, do lado esquerda, junto a um entroncamento, o Centro de Interpretação do Parque Natural do Tejo Internacional. Se o encontrar aberto, não deixe de entrar, pois além de poder recolher diversa informação interessante, a própria exposição permanente é suficientemente rica para alertar os visitantes quando ao que podem encontrar enquanto passeiam nesta área protegida. Algumas espécies de aves raras fazem neste parque o seu habitat natural. Os grifos são uma delas, juntamente com o abutre preto, de que se conhecem apenas cerca de uma dezena de casais, do abutre do Egipto e das águias Imperial, de Bonelli e Real. Também particularmente rara é a cegonha preta, que, aliás, é o emblema do parque, onde abundam mamíferos de grande porte, como o veado e o javali, que cruzam frequentemente as estradas remotas e pouco transitadas desta região. Por isso, vá devagar e sempre atento!"

"Mesmo em frente ao centro de interpretação, que recuperou as instalações do antigo posto fronteiriço, é fundamental admirar o canhão do rio Erges, o maior afloramento granítico deste tipo no Tejo internacional, constituído por uma sequência de três gargantas consecutivas. Se não tiver consigo uns binóculos, peça para usar os do centro, pois vale a pena gastar uns minutos a procurar nas paredes rochosas do canhão os ninhos de uma expressiva colónia de grandes aves necrófilas e rupícolas, nomeadamente de abrutes do Egipto"
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"Suba a estrada para ir visitar Segura, onde desde o alto do castelo pode observar uma boa panorâmica da região. A aldeia, de ruas estreitas, tem apenas um café, o Flor do Erges, mas aqui apenas poderá encontrar bebidas, pois não fornece refeições, nem tão pouco prepara sanduíches; nestas terras quase abandonadas, toda a gente come em casa e só vai ao café para ver gente e, por vezes, beber alguma coisa. Se esqueceu do farnel, não diga que não o avisámos!"


"Desde Segura avançamos até ao Rosmaninhal. A estrada que nos leva até lá é uma via municipal, onde não há espaço para se cruzarem facilmente dois carros. Começa precisamente junto ao centro de interpretação que deu nova vida ao posto fronteiriço, que é igualmente o ponto de arranque para o road-book em todo terreno que publicamos mais adiante e que decorre, sensivelmente, em paralelo ao que indicamos neste texto, para um itinerário por vias pavimentadas. Seguem-se cerca de 19 km serpenteando pelos campos, com uma paisagem que só ocasionalmente é empobrecida por uma mancha de eucaliptos. Já para quem escolher a navegação por fora da estrada, este sector inicial é o único onde poderá encontrar algumas dificuldades, embora recompensadas com a descoberta do vale apertado por onde correm as águas do rio Ergues, que desenha a fronteira com Espanha até se encontrar com o Tejo, já nas imediações de Rosmaninhal. Quem não se sentir confortável, pode “saltar” o percurso em terra até ao desvio para o Marco Geodésico do Cabeço Alto, que descobrimos ainda antes de chegarmos ao Rosmaninhal. Do alto, olhando em redor temos uma excelente perspetiva da paisagem rural desta zona, caracterizada por olivais e hortas, por campos de culturas cerealíferas e por montado e terrenos incultos e de pastoreio. Caso tenha renunciado ao percurso inicial em terra, depois do Cabeço Alto pode facilmente seguir o percurso em fora de estrada , que indica para seguir à esquerda para a Herdade do Vale Morenas, por isso, daí em diante não há como enganar-se!"

DO ROSMANINHAL A MONFORTE DA BEIRA

"No Rosmaninhal, se ligar para o Café Pelourinho – onde chega seguindo as indicações do Posto da GNR – pode encomendar ao Sr. João Fatela uma refeição. Com antecedência, podem servir-lhe um ensopado de borrego ou um bacalhau à Braz, mas, em cima da hora, as únicas opções são febras ou costeletas de porco com batata frita, cortadas e preparadas no momento. Nesta aldeia, meio descaraterizada, do ponto de vista arquitetónico, quem não for apreciador de igrejas e afins, não tem muito mais para ver senão o antigo pelourinho, que em cada face tem um motivo distinto: a que está voltada a norte apresenta a Esfera Armilar, a do lado sul as Armas Reais de Portugal, do lado oeste o brasão local e do lado este a Cruz de Cristo. Mas não perde nada em dar uma vista de olhos pela Igreja Matriz e pelas capelas de São Roque e do Espirito Santo, esta última construída em 1620, numa altura em que o Tejo, já ali bem próximo, não era internacional, pois éramos governados pelos monarcas espanhóis, que ficaram conhecidos por Reis Católicos. Não haviam de investir nestas “filiais”?
Após a passagem pelo Rosmaninhal, deixamos a “Nacional 353” e tomamos de novo uma estrada municipal, também de pavimentação recente, que se orienta até à povoação de Soalheiras e onde vamos ter oportunidade de espreitar o Tejo. Neste caso, o percurso em todo terreno permite mesmo ir até junto do rio, que encontramos mais além do antigo Posto da Guarda Fiscal de Alares, o maior de todos os que havia no Tejo Internacional até 1985 – quando Portugal e Espanha entraram para a Comunidade Europeia e a livre circulação passou a ser regra. Este percurso fora da estrada oferece ainda a visita às ruínas da antiga aldeia de Alares, abandonada há cerca de um século, depois de um demorado e dramático conflito entre a população local e a de Rosmaninhal, devido a diferendos entre os proprietários das terras e os seus rendeiros. O conflito, que chegou a ser discutido ao mais alto nível, na Assembleia da República, ficou conhecido como “a guerra dos Alares”, sobretudo depois da intervenção da Guerra Nacional Republicana, ora para reprimir os rendeiros, ora para os proteger dos ataques dos vizinhos que estavam ao lado dos proprietários. Passar por este lugar perdido nas profundezas do Tejo, a espreitar Espanha na margem esquerda, é viver uma lição de história ao vivo. E no caminho, tenha cuidado com os veados, pois abundam por estas paragens! Tal como, repetimos, os javalis…
Seja seguindo por estrada, ou fora dela, quem não estiver atento nem dá por Soalheiras: a aldeia fica literalmente enfiada num buraco, onde nem sequer chegamos, pois na bifurcação junto ao cemitério local, ainda no alto e volvidos 8,4 km desde Rosmaninhal, prosseguimos pela direita e avançamos logo para o Couto dos Correias e Cegonhas, que já se adivinham pouco mais adiante. Alcançamos primeiro o Couto dos Correias, apenas 2,6 km após a bifurcação junto ao cemitério. A povoação resume-se a algumas casas, quase todas construídas ao longo da estrada. Antes da primeira, quase à sombra de uma enorme figueira, descobrimos o forno comunitário, que ainda parece estar em condições de cumprir com as suas funções. E a última casa do lado esquerda é um pequeno oásis erguido neste deserto. Trata-se da Casa dos Xarês, uma unidade de turismo local com seis quartos, que leva apenas alguns anos de funcionamento, depois de um aturado trabalho de reconversão, a partir de antigas casas arruinadas. Isabel Lencastre é a anfitriã e uma mulher de coragem: depois de uma vida toda na agitação de Lisboa, mudou-se com a família para este lugar perdido quase no fim do mundo. E investiu para criar um espaço único, de bem-estar, para receber quem se aventura a passear por aqui. Ao cair do dia, sobretudo nas tardes quentes de Verão, é um encanto sentarmo-nos na esplanada da Casa dos Xarês – que na verdade são três casas… - e apreciarmos a paisagem, vendo logo abaixo o vale apertado da Ribeira do Aravil, onde, com sorte e olho vivo, podemos ver lontras e cágados do Mediterrâneo, ou pescar um Barbo.
Prosseguindo, avançamos mais um par de quilómetros num sobe e desce entre aldeias e a ribeira do Aravil. No cimo da colina seguinte chegamos a Cegonhas. No entroncamento por onde entramos deixamos a capela à direita e avançamos pela esquerda, seguindo a rua principal desta aldeia, que embora seja anterior à década de 1940, mais parece ter sido toda construída na época de 1980, ao tempo em que era comum revestir as fechadas com azulejos. Se calhar passar na hora depois das refeições, talvez encontre o café aberto, na sede da notável Comissão de Melhoramentos das Cegonhas, associação que desenvolve um importante trabalho em prol de uma comunidade onde o habitante mais jovem já passou dos 50 anos e onde já raramente as crianças vêm passar uns dias de férias com os avós. Foi o que nos contou o Sr. Chico, enquanto nos servia um café acompanhado por deliciosas histórias, das suas ricas memórias.
Saímos de Cegonhas tomando a direção de Monforte da Beira, aldeia já digna dessa classificação, com outra dimensão! O caminho é curto, mas admirável, nomeadamente por nova travessia da ribeira do Aravil, num constante sobe e desce por uma estrada municipal de via única, onde temos mais uma opção para nos desviarmos do asfalto e seguir com o road-book em todo terreno, até voltarmos à mesma estrada. E quando esta termina, já avistamos o casario de Monforte da Beira, disposto ao longo de uma encosta. Seguimos pela esquerda e em dois quilómetros estamos no centro da povoação, que atravessamos por estreitas calçadas, seguindo as placas que indicam a direção para Castelo Branco. Aqui, a igreja Matriz é indicada como a maior preciosidade construída, nem que seja por não estar a caminho da ruína, ao contrário do rico solar mesmo em frente, sinal da fartura de outros tempos, que já se perderam. Mas quem se dispuser a esticar as pernas e passear um pouco pelas ruas de Monforte da Beira poderá até ser surpreendido com os portais manuelinos nalgumas das casas, sinal da antiguidade da povoação."

"Avançamos de Monforte da Beira em direção a Castelo Branco, tornando a E.M.554, que percorremos apenas durante cerca de três quilómetros, até encontrarmos o desvio para Malpica do Tejo, para onde viramos, seguindo à esquerda por mais nove quilómetros. A estrada é estreita e as indicações de perigo, devido ao cruzamento de veados, são para ser levadas a sério!
A alternativa ao asfalto leva-nos por caminhos fantásticos, de excelente piso e vistas desafogadas, embora nunca permitam ir ao encontro do rio Tejo. Num caso ou noutro, a ermida de Nossa Senhora das Neves antecipa a chegada à aldeia que, segundo reza a lenda, originalmente tinha sido construída junto à capela. Não perde em fazer o desvio e espreitar a paisagem desde o adro."

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Inicie o percurso em SEGURA, na Ponte sobre o Rio ERGES (na LINHA DE FRONTEIRA) e avance para Portugal pela N355. Detalhes… na misteriosa Beira Interior Sul... Ponte Romana de Segura... “O Ser Humano gosta de contabilizar os problemas, mas não conta as alegrias.” - Fiódor Dostoiévski Imagem ao fim do dia, a montante da Ponte Romana de Segura, considerada por muitos estudiosos como um dos ex-líbris das pontes Romanas na Península Ibérica, e curiosamente é uma ponte “internacional, já que aqui o rio Erges, é fronteira entre Portugal e Espanha. Segundos alguns estudiosos, ela foi construída no tempo de Trajano, durante o Século II, na rota que ligava Mérida, na Espanha, à antiga Egitânia (que corresponde à actual Idanha-a-Velha), em Portugal. Apesar do tabuleiro ter sido reconstruída em 1573 por ter sido danificada pelas cheias que deixaram a ponte danificada, mantém a estrutura base de origem romana. Lamentavelmente, esta ponte internacional, que liga as margens de Portugal e Espanha, sofreu recentemente reparações muito polémicas nas sapatas, que foram reforçadas com cimento. A Ponte constituída por cinco arcos de volta perfeita, de diferentes dimensões. Talhamares. Tem tabuleiro com 90 m. de comprimento e 6,7 de largura. Possui silhares almofadados em cantaria de granito e reconstrução em cantaria de xisto. (39°49'2.35"N 06°58'53.91"W) Ponte Internacional de Segura - Idanha-a-Nova – Castelo Branco – Região Centro - Portugal
Total Kms realizados = 92 Km
A CAMINHAR EM ALCÂNTARA "Comecemos por um passeio a pé no centro histórico de Alcântara, o que implica passar sob um dos arcos das antigas portas da cidade. Na praça junto ao arco que dá acesso à rua principal, a Praça de Portugal, mesmo na esquina, encontramos o Café Lisboa, onde além do dito, fornecido pelo maior produtor português, a Delta, também se pode comer bem, desde tapas e “raciones” até ao menu completo, que não só é isso mesmo, com entrada, prato, sobremesa, pão e bebida, como é acessível. Para que depois não se queixe, convém esclarecer desde já que a partir de Alcântara, seguindo o percurso que aqui indicamos, praticamente não vai encontrar mais lugares onde possa comer. Portanto, das duas, uma: ou se senta e degusta um menu estremenho antes de regressar a Portugal, ou abastece-se numa das lojas da cidade, para depois fazer um piquenique e ir comendo onde lhe der a fome, ao longo do itinerário. Considerando que Alcântara fica longe de longe de quase qualquer lugar de onde se possa partir, sugerimos que chegue aqui na véspera e passe a noite na cidade, idealmente já depois de a ter visitado, para que de manhã possa arrancar de imediato, sem se esquecer de ir fornecido de água, bastante para aguentar um dia, sobretudo se estiver calor, e de comida. Para pernoitar em Alcântara, podemos adiantar duas alternativas: a mais económica é o Hotel Puente Romano e a mais requintada é a Hospedaria Conventual de Alcântara, onde compensa sobretudo reservar diretamente e com pagamento antecipado. Uma terceira possibilidade a considerar é instalar-se ainda em Portugal, junto à povoação do Ladoeiro, na Quinta dos Trevos, uma unidade de turismo do espaço rural que tem a particularidade de não só estar inserida numa quinta com atividade rural, como dispõe de ateliers de artesanato igualmente em funcionamento, que os hóspedes podem visitar e enriquecer os seus conhecimento. Do Ladoeiro a Alcântara, o caminho mais direto por estrada não chega a tardar nem uma hora! Aproveite ainda para atestar o depósito de combustível em Espanha, porque além de ser mais barato, a partir daqui terá longos quilómetros sem encontrar um posto de abastecimento. E anote outro detalhe: convém que leve algumas notas no bolso, pois raramente encontrará máquinas para levantar dinheiro."
Descrição É uma antiga fortaleza fronteiriça situada no alto de um cabeço granítico e, segundo alguns historiadores, Segura constituiu dote de casamento da Rainha Santa Isabel, tornando-se vila portuguesa a partir de 1282. Separada de Espanha pelo rio Erges mas, ligada a esta pela ponte romana (posteriormente reconstruída em várias épocas), Segura foi um dos lugares e castelo da Beira em foco durante as guerras entre Portugal e Castela no reinado de D. Fernando. Foi sede de concelho até 1836. Apesar dos terrenos xistosos, Segura usufrui de uma fauna e flora muito ricas. Um passeio ao longo das margens do rio Erges, de certo, lhe proporcionará agradáveis surpresas - encontro com ninhos de águias, grifos, cegonhas pretas, etc. Dentro da localidade, suba junto à torre sineira e desfrute de uma deslumbrante paisagem sobre toda a povoação e campina. Visite a Igreja Matriz, a Igreja da Misericórdia (anterior ao séc. XVII e com um bonito altar-mor em talha dourada), o pelourinho Manuelino (com pérolas e 4 escudos, armas reais, cruz de Cristo e esfera armilar), a porta de baixo (resto da antiga muralha é a entrada sul da povoação construída por D. João IV) e nas mediações está a ermida de Santa Marinha (séc. XVI) local de romaria onde afluem muitos peregrinos (oito dias após a Páscoa).
Siga à esquerda pelo estradao de TERRA, entre vedaçoes de arame e muros de pedra
Siga à ESQUERDA e acompanhe a vedaçao e os postes eletricos
Apóa o PORTÃO da QUINTA em ruinas, siga à direita entre muros
Cruza Linha de Água e siga caminho principal
Cruza a Ribeira e SUBA pelo caminho principal. O leito é rochoso e a passagem a VAU nao oferece dificuldades.
Estacione junto à entrada da Quinta da Fonte Santa e caminhe até ao TEJO. Depois volte atrás pelo mesmo caminho
DO ROSMANINHAL A MONFORTE DA BEIRA "No Rosmaninhal, se ligar para o Café Pelourinho – onde chega seguindo as indicações do Posto da GNR – pode encomendar ao Sr. João Fatela uma refeição. Com antecedência, podem servir-lhe um ensopado de borrego ou um bacalhau à Braz, mas, em cima da hora, as únicas opções são febras ou costeletas de porco com batata frita, cortadas e preparadas no momento. Nesta aldeia, meio descaraterizada, do ponto de vista arquitetónico, quem não for apreciador de igrejas e afins, não tem muito mais para ver senão o antigo pelourinho, que em cada face tem um motivo distinto: a que está voltada a norte apresenta a Esfera Armilar, a do lado sul as Armas Reais de Portugal, do lado oeste o brasão local e do lado este a Cruz de Cristo. Mas não perde nada em dar uma vista de olhos pela Igreja Matriz e pelas capelas de São Roque e do Espirito Santo, esta última construída em 1620, numa altura em que o Tejo, já ali bem próximo, não era internacional, pois éramos governados pelos monarcas espanhóis, que ficaram conhecidos por Reis Católicos. Não haviam de investir nestas “filiais”? Após a passagem pelo Rosmaninhal, deixamos a “Nacional 353” e tomamos de novo uma estrada municipal, também de pavimentação recente, que se orienta até à povoação de Soalheiras e onde vamos ter oportunidade de espreitar o Tejo. Neste caso, o percurso em todo terreno permite mesmo ir até junto do rio, que encontramos mais além do antigo Posto da Guarda Fiscal de Alares, o maior de todos os que havia no Tejo Internacional até 1985 – quando Portugal e Espanha entraram para a Comunidade Europeia e a livre circulação passou a ser regra. Este percurso fora da estrada oferece ainda a visita às ruínas da antiga aldeia de Alares, abandonada há cerca de um século, depois de um demorado e dramático conflito entre a população local e a de Rosmaninhal, devido a diferendos entre os proprietários das terras e os seus rendeiros. O conflito, que chegou a ser discutido ao mais alto nível, na Assembleia da República, ficou conhecido como “a guerra dos Alares”, sobretudo depois da intervenção da Guerra Nacional Republicana, ora para reprimir os rendeiros, ora para os proteger dos ataques dos vizinhos que estavam ao lado dos proprietários. Passar por este lugar perdido nas profundezas do Tejo, a espreitar Espanha na margem esquerda, é viver uma lição de história ao vivo. E no caminho, tenha cuidado com os veados, pois abundam por estas paragens! Tal como, repetimos, os javalis… Seja seguindo por estrada, ou fora dela, quem não estiver atento nem dá por Soalheiras: a aldeia fica literalmente enfiada num buraco, onde nem sequer chegamos, pois na bifurcação junto ao cemitério local, ainda no alto e volvidos 8,4 km desde Rosmaninhal, prosseguimos pela direita e avançamos logo para o Couto dos Correias e Cegonhas, que já se adivinham pouco mais adiante. Alcançamos primeiro o Couto dos Correias, apenas 2,6 km após a bifurcação junto ao cemitério. A povoação resume-se a algumas casas, quase todas construídas ao longo da estrada. Antes da primeira, quase à sombra de uma enorme figueira, descobrimos o forno comunitário, que ainda parece estar em condições de cumprir com as suas funções. E a última casa do lado esquerda é um pequeno oásis erguido neste deserto. Trata-se da Casa dos Xarês, uma unidade de turismo local com seis quartos, que leva apenas alguns anos de funcionamento, depois de um aturado trabalho de reconversão, a partir de antigas casas arruinadas. Isabel Lencastre é a anfitriã e uma mulher de coragem: depois de uma vida toda na agitação de Lisboa, mudou-se com a família para este lugar perdido quase no fim do mundo. E investiu para criar um espaço único, de bem-estar, para receber quem se aventura a passear por aqui. Ao cair do dia, sobretudo nas tardes quentes de Verão, é um encanto sentarmo-nos na esplanada da Casa dos Xarês – que na verdade são três casas… - e apreciarmos a paisagem, vendo logo abaixo o vale apertado da Ribeira do Aravil, onde, com sorte e olho vivo, podemos ver lontras e cágados do Mediterrâneo, ou pescar um Barbo. Prosseguindo, avançamos mais um par de quilómetros num sobe e desce entre aldeias e a ribeira do Aravil. No cimo da colina seguinte chegamos a Cegonhas. No entroncamento por onde entramos deixamos a capela à direita e avançamos pela esquerda, seguindo a rua principal desta aldeia, que embora seja anterior à década de 1940, mais parece ter sido toda construída na época de 1980, ao tempo em que era comum revestir as fechadas com azulejos. Se calhar passar na hora depois das refeições, talvez encontre o café aberto, na sede da notável Comissão de Melhoramentos das Cegonhas, associação que desenvolve um importante trabalho em prol de uma comunidade onde o habitante mais jovem já passou dos 50 anos e onde já raramente as crianças vêm passar uns dias de férias com os avós. Foi o que nos contou o Sr. Chico, enquanto nos servia um café acompanhado por deliciosas histórias, das suas ricas memórias. Saímos de Cegonhas tomando a direção de Monforte da Beira, aldeia já digna dessa classificação, com outra dimensão! O caminho é curto, mas admirável, nomeadamente por nova travessia da ribeira do Aravil, num constante sobe e desce por uma estrada municipal de via única, onde temos mais uma opção para nos desviarmos do asfalto e seguir com o road-book em todo terreno, até voltarmos à mesma estrada. E quando esta termina, já avistamos o casario de Monforte da Beira, disposto ao longo de uma encosta. Seguimos pela esquerda e em dois quilómetros estamos no centro da povoação, que atravessamos por estreitas calçadas, seguindo as placas que indicam a direção para Castelo Branco. Aqui, a igreja Matriz é indicada como a maior preciosidade construída, nem que seja por não estar a caminho da ruína, ao contrário do rico solar mesmo em frente, sinal da fartura de outros tempos, que já se perderam. Mas quem se dispuser a esticar as pernas e passear um pouco pelas ruas de Monforte da Beira poderá até ser surpreendido com os portais manuelinos nalgumas das casas, sinal da antiguidade da povoação."
Aprecie a paisagem a partir do Marco Geodesico do Cabeço Alto com 400 m.a. e depois continue em frente
"Avançamos de Monforte da Beira em direção a Castelo Branco, tornando a E.M.554, que percorremos apenas durante cerca de três quilómetros, até encontrarmos o desvio para Malpica do Tejo, para onde viramos, seguindo à esquerda por mais nove quilómetros. A estrada é estreita e as indicações de perigo, devido ao cruzamento de veados, são para ser levadas a sério! A alternativa ao asfalto leva-nos por caminhos fantásticos, de excelente piso e vistas desafogadas, embora nunca permitam ir ao encontro do rio Tejo. Num caso ou noutro, a ermida de Nossa Senhora das Neves antecipa a chegada à aldeia que, segundo reza a lenda, originalmente tinha sido construída junto à capela. Não perde em fazer o desvio e espreitar a paisagem desde o adro."
Deixa a EN 355 junto ao Centro Interpretaçao do P.N.Tejo Internacional e siga à esquerda pela N355-1 em direçao a ROSMANINHAL "Mesmo em frente ao centro de interpretação, que recuperou as instalações do antigo posto fronteiriço, é fundamental admirar o canhão do rio Erges, o maior afloramento granítico deste tipo no Tejo internacional, constituído por uma sequência de três gargantas consecutivas. Se não tiver consigo uns binóculos, peça para usar os do centro, pois vale a pena gastar uns minutos a procurar nas paredes rochosas do canhão os ninhos de uma expressiva colónia de grandes aves necrófilas e rupícolas, nomeadamente de abrutes do Egipto. Suba a estrada para ir visitar Segura, onde desde o alto do castelo pode observar uma boa panorâmica da região. A aldeia, de ruas estreitas, tem apenas um café, o Flor do Erges, mas aqui apenas poderá encontrar bebidas, pois não fornece refeições, nem tão pouco prepara sanduíches; nestas terras quase abandonadas, toda a gente come em casa e só vai ao café para ver gente e, por vezes, beber alguma coisa. Se esqueceu do farnel, não diga que não o avisámos!" "Desde Segura avançamos até ao Rosmaninhal. A estrada que nos leva até lá é uma via municipal, onde não há espaço para se cruzarem facilmente dois carros. Começa precisamente junto ao centro de interpretação que deu nova vida ao posto fronteiriço, que é igualmente o ponto de arranque para o road-book em todo terreno que publicamos mais adiante e que decorre, sensivelmente, em paralelo ao que indicamos neste texto, para um itinerário por vias pavimentadas. Seguem-se cerca de 19 km serpenteando pelos campos, com uma paisagem que só ocasionalmente é empobrecida por uma mancha de eucaliptos. Já para quem escolher a navegação por fora da estrada, este sector inicial é o único onde poderá encontrar algumas dificuldades, embora recompensadas com a descoberta do vale apertado por onde correm as águas do rio Ergues, que desenha a fronteira com Espanha até se encontrar com o Tejo, já nas imediações de Rosmaninhal. Quem não se sentir confortável, pode “saltar” o percurso em terra até ao desvio para o Marco Geodésico do Cabeço Alto, que descobrimos ainda antes de chegarmos ao Rosmaninhal. Do alto, olhando em redor temos uma excelente perspetiva da paisagem rural desta zona, caracterizada por olivais e hortas, por campos de culturas cerealíferas e por montado e terrenos incultos e de pastoreio. Caso tenha renunciado ao percurso inicial em terra, depois do Cabeço Alto pode facilmente seguir o percurso em fora de estrada , que indica para seguir à esquerda para a Herdade do Vale Morenas, por isso, daí em diante não há como enganar-se!"

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