Horas  5 horas 15 minutos

Coordenadas 3791

Uploaded 4 de Janeiro de 2015

Recorded Janeiro 2015

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44 m
7 m
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14
29
57,74 km

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próximo a Porto de Galinhas, Pernambuco (Brazil)

Depois do tombo que tomei sozinho no dia do primeiro turno da eleição, e que só descobri o empeno da magrela na pedalada da Cachoeira do Engenho Seva, eu fiquei ressabiado. Na tentativa de reparar o estrago, dei de cara com uma Riff70, da Groove, e fechei negócio.

Levei-a para Porto de Galinhas a fim de estreá-la. Porém, minha última incursão pelos engenhos de Ipojuca, quando tentei chegar ao Eng. Tapiruçu, não foi exitosa. Assim, fiz um planejamento, ou seja, procurei um traçado que:
1- Pudesse ser completado;
2- Tivesse engenhos históricos, fundados antes dos holandeses chegarem por aqui;
3- Usasse trilhas holandesas;
4- Não trouxesse tanto risco para quem está sozinho.

Escolhi passar apenas pelo Engenho Pindoba, mas ficou muito fácil. Não dava para fazer muita coisa. Peguei o mapa do IBGE de Ipojuca e notei que tinha um tal de Engenho Cachoeira nas margens do Rio Sibiró. Bem, como esse negócio de cachoeira e pedal sempre “dá samba”, resolvi esticar até lá. Acontece que indo tão longe, outro engenho que atendia aos requisitos acima tornava-se candidato: Sibiró de Riba, ou como é chamado hoje, Sibiró da Mata. O porém, porém, é que não havia imagem de satélite para traçar!

Resolvi arriscar, aventurar um pouco: Tracei do Caité até o Cachoeira, passando pelo Pindoba. Saí as 06:15 de Porto, com sol frio ainda e meia hora depois estava no Caité, tomando o rumo do Pindoba. Pelo caminho, impossível não notar a quantidade de riachos, nascentes, transparentes que surgem do canavial. Fico imaginando se aquilo fosse mata ainda, como não seria?

Cheguei no Eng. Pindoba sem muito trabalho. Parece que o tempo parou por lá. A Capela está de pé, bem simples; um arruado, uma escola rural, placas do governo. Vendo aquele cenário, entro num túnel do tempo. Vejam o que escreveu num relatório de 1642 o cobrador da Companhia das Índias Ocidentais, o Sr. Bullestrat:
"Não pude avistar-me com Gaspar Gonçalves Vila, devedor da Companhia, por ter tido ciência em algumas ocasiões de que o mesmo se ausentara por motivo de alguns delitos, e por isto resolvi visitar o engenho para verificar a situação dele, a fim de que a Companhia não tenha prejuízo por este motivo.
...
Dia 19 do mesmo. Antes do meio dia parti de Ipojuca em direção a Serinhaém, detendo-me em caminho na casa de Francisco Dias Delgado, e visitei o engenho Pindoba comprado por Gaspar Gonçalves Vila e embora ele estivesse ausente, falei com a esposa dele sobre o que ele ainda deve do preço do engenho; prometeu ela que daqui a 3 ou 4 semanas, sem dúvida, seria satisfeito o pagamento por ela própria ou por seu pai”.

Segui o traçado na direção da PE-60, e o cenário mudou apenas que os altos de alguns morros ainda restavam alguma mata. Chegando na PE-60, tomei a direção traçada e foi bem fácil chegar ao Eng. Cachoeira. Praticamente o mesmo cenário anterior, sendo que desta vez, conversei com alguém que descansava numa parada de ônibus. Primeiro sobre o Sibiró e ele disse para voltar e seguir a estrada principal que não tinha erro; segundo, que a tal cachoeira era “logo ali na frente”: pense numa decepção. Depois que alguém vê a do Seva, dá gosto ruim na boca algo menor. Se você levar em conta a baixíssima qualidade da água, meia marrom, e a sujeira ao redor, vai entender meu sentimento.

Dada minha sobra de energia para voltar prá Porto de Galinhas daquele ponto, a decisão foi seguir para o Eng. Sibiró. Segui o conselho dado, em linha com as diretivas 1 e 4 do baixo risco, e voltei. Lembrando do mapa do IBGE de cabeça, sabia qual era o rumo e pela dimensão da estrada, que estava no caminho. Ademais, imagino que vocês lembram daquele GPS que nosso capitão Ailton usou lá na Serra do Maroto prá encontrar o caminho de casa? Pronto, eu fiz o mesmo, só que foi no boca-a-boca, não teve desenho de graveto, não! De vez em quando eu perguntava, e escutava um tal de “é só seguir em frente”.

Quando cheguei no Engenho Santa Rosa procurei uma barraca para comprar um Coca. E o GPS sempre dando rumo. Uns 20 minutos depois eu chegaria no Engenho Sibiró de Riba. Acreditem: a mesma desolação! A senzala ainda está lá: um arruado de casebres. Perguntei se ainda tinha uma capela, mas não havia.
Os documentos holandeses indicam e no mesmo relatório de 1642, Bullestrat relata:
- Schott, em documento de 1636:
"Engenhos de Ipojuca:
Sibiró de Riba, pertencente a Manuel de Navalhas, fugido com Albuquerque [muitos donos de engenho fugiram para a Bahia com o donatário]; situado uma milha distante do referido engenho Pindoba; tem duas milhas de terra muito montuosa, mas bem plantada de canaviais.".
- Dussen; Keullen, em documento de 1638:
“Engenho Sibiró de Cima, pertencente a João Carneiro de Mariz, é engenho d'água e mói.”
- Bullestrat:
"Falei com João Carneiro de Mariz a propósito de suas dívidas para com a Companhia, de prestações atrasadas; prometeu entregar à Companhia metade do açúcar que produzir nesta safra para diminuição do seu débito”.

O plano agora era passar pelo Engenho de Todos os Santos, na direção do Caité. Teve dono de barraca, teve motorista de caminhão de cana, transeunte, frentista de posto de gasolina, mas o GPS não falhou. Passei no Todos os Santos, chegando ao Caité, quando bateu a dúvida, pois tinha percorrido uns 40 e poucos km, mas queria mais da bike nova. Como já tinha feito uma trilha que chegava até o Engenho Agua Fria, por que não? Segui o rumo que já conhecia, mas dei uma errada que resultou em passar por uma casa de bombas d’água até chegar lá.

Na pernada final para Porto, passei por 6 pedaleiros logo que saí do Água Fria. Segui meu rumo, que conhecia relativamente bem, pois não era inédito. Alguma lama, devido ä chuva dos últimos dias, que só serviram para testar minha nova companheira de aventuras. Aliás, ia esquecendo de falar das primeiras impressões para ficar no papel.

A Riff70 tem aro 27.5, amortecedor dianteiro Suntour com trava no guidom, freios a disco hidráulico e cambio de 20 marchas Shimano, sendo Rapid-Fire nos manetes, Deore na coroa e SLX no passador traseiro. Vocês podem notar que a altimetria não foi tão íngreme assim, de modo que não deu prá exigir demais, porém já deu para usufruir da qualidade que está lá, com trocas precisas sem ratear. Uma coisa que senti a diferença foi usar mais troca de marchas, consequência da combinação do aro mais o número delas, resultando em um maior conforto. Bota aí na fatura também um pouco de desconforto no selim porque a outra magrela era Sentrus Point, mais confortável. Namorada nova tem poucos defeitos, tá sempre arrumadinha. Vamos ver, o tempo dirá!
03-jan-15 6:42:51
03-jan-15 7:12:28
03-jan-15 7:20:21
03-jan-15 7:28:01
03-jan-15 7:29:55
03-jan-15 8:24:15
03-jan-15 9:06:01
03-jan-15 9:19:59
03-jan-15 10:20:14
ENGENHO AGUA FRIA
ENGENHO CACHOEIRA
Engenho Sibiro de Riba
Engenho Santa Rosa
Engenho Todos os Santos
Engenho Pindoba
03-jan-15 10:52:39

2 comentários

  • Foto de Ailton_Jr (Turma do Pedal - PE)

    Ailton_Jr (Turma do Pedal - PE) 7/jan/2015

    Como sempre: Uma História!!!
    Parabéns pelo desbravamento solo!!!
    Com relação ao mais eficiente método de navegação, não tem melhor... o boca a boca é insuperável!!! :) :)

  • Foto de Sérgio Cunha (Turma do Pedal - PE.)

    Sérgio Cunha (Turma do Pedal - PE.) 7/jan/2015

    excelente historia!! pode ir para o Discovery Channel. deu pra perceber que o GP-boca aliado ao GP-cabeça vale apena, e com essa bike da Naza as coisa vão bem melhor.

    parabéns!!

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