Horas  4 horas 18 minutos

Coordenadas 1141

Uploaded 28 de Janeiro de 2017

Recorded Janeiro 2017

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30 m
2 m
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11
22
44,84 km

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próximo a Salinas, Pernambuco (Brazil)

Esta trilha apareceu do acaso. Por acaso, estava chegando em Porto de Galinhas quando notei uma saída da estrada em direção ao mangue. "Onde é que vai dar?", pensei. Mais tarde, investigando no Google vi que ia longe, e era uma ilha dentro do manguezal. Faltava, então, dar mais corpo ao traçado, quando tive a ideia de examinar o 'quintal' da antiga Usina Salgado, perto de Nossa Senhora do Ó. Outro belo achado: tinham coisas a se explorar por ali. No caso da ilha, procurei fazer com que fosse possível sair no istmo de Muro Alto e terminei encontrando uma solução ao cruzar dois mangues.

Partimos, Marcio Amorim e eu, com o espírito de aventurar. Nosso plano era ir até a Pedra da Serra Selada, próximo à Escada, mas como chovera na véspera, podíamos ter barro como lama a danificar as correntes, escolhemos a aventura. Saímos para o Eng Água Fria pela estrada da fazenda. Próximo à extração de areia, Marcio me alertou que a mata ao lado tinha uma trilha boa. Atendendo ao espírito, resolvemos adentrá-la. O ambiente muda imediatamente, tornando-se agradável, fresco, mesmo sendo antes das 6 da manhã deu prá sentir a mudança. Depois de descer e sairmos do outro lado, Marcio alertou que aquele balde, um muro de terra coberto de capim, não tinha saída, mas, ainda assim, resolvemos ver onde dava. Não avançamos tanto e começou a subir o tamanho do mato, e como ele estava de calça curta, resolvemos voltar ao trilho.

A partir do Água Fria era asfalto até a Usina Salgado. Quando lá chegamos, encontramos uma massa falida, uns prédios metálicos se acabando. O percurso cruzava um pátio, que a vigilância pediu que fizéssemos o contorno por fora, porque o portão do outro lado estava fechado. Zero-bronca, seguimos pela estrada e logo depois, vimos que era possível voltar, passando atrás da usina, tendo o tal portão por testemunha. O alvo era tocar o Rio Ipojuca na região de mangue, bem próximo à foz. Prá ser franco, a melhor palavra que encontro é "esgoto", com árvores e caranguejo. Triste daqueles pescadores vivendo naquela cloaca.

O próximo ponto era novamente o mangue, só que desta feita, na foz do rio Merepe. Chegamos no destino sem muita dificuldade. Aliás, vale registrar que a grande queixa de Márcio era a altimetria, pois estando acostumado a pedalar em Vitória, nosso trajeto era um prato, quando comparado com seu quintal. Quanta diferença no naquela foz: água limpa, cheiro de sal e sol. No cais, encontramos um grupo de pescadoras e pescadores saindo para catar mariscos. Surpreendeu mesmo foi um vira latas que vendo a família afastar-se nas baiteiras, adentrou o rio e saiu nadando ao encontro, mesmo estando distante uns 50 metros.

Saímos com alguma dificuldade dali, pois tivemos que atravessar um areal empurrando as magrelas. Retomamos, desta feita pela ciclo-faixa e quando passamos da ponte do Merepe, pouco antes do Posto Policial da entrada de Muro Alto, saímos para a explorar a ilha. A maré obrigou-nos a carregar os camelos no ombro, pois o nível batia acima dos joelhos. Lá dentro, um belo cenário, vegetação típica de restinga, muitos cajueiros e coqueiros, com mato baixo. A trilha estava ótima, limpa, fazendo com que progredíssemos bem. Não muito próximo do limite até onde poderíamos ir, encontramos um pescador. Márcio sondou se era possível chegar no istmo de Muro Alto, cruzando o mangue. Ele não encorajou, dizendo estar muito sujo, mas que dava. Outra opção que ele ofereceu foi voltar um pouco. Pela descrição, eu entendi que era aquela que eu havia traçado. Era bom saber que havia uma saída. Seguimos até o final, a cabeça da ilha, já bem próxima a foz, num ponto que ficava além daquele que havíamos visitado à pouco. Mesmo cenário anterior, com um mangue saudável, cheio de aratus, caranguejos e a vegetação viçosa.

Na volta, começou a ´sofrência´. Meu traçado pegava a borda leste da ilha (nós viemos pela borda oeste). Acontece que a trilha, quando havia, estava muito suja, não permitindo o pedal, apenas o ´empurra-bike´, isso sem falar nas mutucas que mordiam por cima do tecido. De vez em quando um pedalzinho, coisa pouca e de baixa velocidade. Seguindo o GPS, encontramos as passagens entre as ilhas até Muro Alto. Não recomendo fazer o percurso por ali. Melhor é voltar na mesma trilha que você entra na ilha.

De Muro Alto fomos para a Praia do Cupe, atravessando uma matinha. Marcio sugeriu que voltássemos para Porto pela beira da praia, pois tinha um areal por cima e a maré estava bem baixa.

O saldo, mesmo empurrando no final, foi muito positivo, por explorar áreas inéditas, e encontrar tão belos cenários.
Rio Ipojuca
Rio Merepe
Igeja no Cupe

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