Hora  3 horas 42 minutos

Coordenadas 1278

Enviada em 9 de Fevereiro de 2016

Registrada em Janeiro 2016

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46,88 km

Visualizado 497 vezes, baixado 8 vezes

perto de Entrapulso e Entorno, Pernambuco (Brazil)

"Um meta existe para ser um alvo"
Metáfora - Gilberto Gil

Com certa frequencia vou até Porto de Galinhas. E desde que a rodovia Rota do Atlântico passou a ser meu caminho até lá, que tinha notado a presença da principal personagem desta trilha. Sempre que viajava e passava por perto eu ficava de olho. Olhava no Google e imaginava um traçado, mas nada parecia interessante. Engraçado é que já havia falado para alguns de como a personagem me desafiava. Dirigindo nas redondezas o carro seguia em automático, enquanto eu olhava-a detidamente: um morro destacado na paisagem e no alto uma construção. De tão solitária, meu medo era que fosse destruida antes de uma visita.

Minha pesquisa histórica levou a um dos mais antigos engenhos de Pernambuco, conhecido como Engenho Velho, o primeiro do Cabo, fundado por volta de 1580 por aquele que é considerado o maior senhor de engenho antes da invasão holandesa, João Pais Barreto. A invocação era de Madre de Deus. Foi ele quem estabeleceu o morgado (transferir bens ao primogênito, sem que este pudesse se desfazê-los) para o filho (também) João, o Moço. Para se ter uma ideia do poder deste, ele era interino do donatário da capitania. Quando a resistência dos brasileiros contra os holandeses perdeu a força pela traição de Calabar, e o rei de Portugal decretou a imigração de todos os súditos para a Bahia, a fim de esvaziar a produção do açucar, em 1635, João retirou-se levando "350 escravos". O engenho foi confiscado e vendido ao coronel holandês Sigismund von Schkoppe e ao fiscal Nicolaas de Rider. Em 1665 o engenho voltara para a família na pessoa do sobrinho, João Pais de Castro.

Semanas atrás encontrei uma solução de traçado: e se, em vez de fazer trilha rural, eu saísse de casa e fosse até lá? Para melhorar um pouco, acrescentei a Lagoa Olho d'Água por curiosidade. Na época do mestrado a professora de Meio Ambiente queria que fôssemos coletar amostras nas suas águas, mas nós alunos conseguimos convencê-la a trocar pelo Canal de Santa Cruz em Itapissuma. Comecei o pedal muito tarde, as 9 horas. No caminho até a lagoa, atravessei uma 'feira de troca', tipo de Peixinhos em Olinda. Por conincidência, aconteceu de cruzar com a parte de troca de bicicletas, nunca vi tantas. Mais tarde, ao comentar com um amigo o fato, ele me relatou que um amigo dele já recomprou a bike roubada na tal feira. O pedal seguiu pela via que beira o canal, e no final, estava a lagoa. Daí, a ideia era contorna-la, mas a razão e a lembrança da feira, me fizeram retornar e tomar o caminho mais à beira-mar, chegando na Estrada da Curcurana. Segui por esta até encontrar a antiga BR-101 onde parei para tomar um coco gelado. Na barraca do lado jabuticabas ("na volta eu cuido disso", pensei). Seguindo reto, cruzei o rio Jaboatão, Ponte dos Carvalhos, chegando na frente do depósito das Lojas Americanas. Era hora de sair do conforto do asfalto e atacar uma trilha para o cume. Não havia um traçado no GPS, pois desde que fizeram a nova rodovia, toda a região do ataque fora fonte de barro e metralha. Segui o rumo e aos poucos, pedalando e empurrando a magrela para não tomar um tombo num lugar tão isolado e de difícil resgate.

Quando cheguei no pé de uma possível ladeira de subida resolvi segui para o alto. Por ser muito íngreme, além da presença de muita pedrinha solta e valas, desci da sela e empurrei até o cume. Cheguei na meta!. Lá de cima a visão é maravilhosa, avista-se longe, de Recife à Suape. Contornando o monte, abaixo, o rio Pirapama. Meu alvo era uma capela, solitária. Que fique claro que não deve ser a original do Engenho Velho, porque ela está em bom estado. Tirei algumas fotos, descansei e até chegar a hora de voltar. Tomei a mesma BR-101, sendo que desta vez fui até a Vitarella, Aeroporto, e daí para casa.
Ruínas

Capela

Capela

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